quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Qual a maior propaganda da Apple de todos os tempos?


Muitos vão dizer que é 1984, uma superprodução com direção do Ridley Scott e tudo mais. Custou uma fortuna e foi ao ar uma única vez, como é de praxe na tradição americana dos comerciais veiculados no intervalo do Super Bowl. Nesse caso, na final de 1984.



Outro falariam que é a clássica Think Different, praticamente um manifesto da marca. Ousado na época e, a julgar pelo estado das coisas, ainda mais ousado para os tempos de hoje. Um comercial, sem dúvida, brilhante.



Mas eu tenho uma opinião diferente. Pra mim, a maior propaganda da Apple de todos os tempos é o discurso do Steve Jobs, já em seus últimos anos de vida, para os formandos de Stanford.



Empresas com bons discursos e campanhas milionárias a gente encontra com alguma facilidade. É claro que essas coisas são legais e ajudam a tornar marcas mais conhecidas, mas, efetivamente, não adianta falar e não fazer. Em outras palavras, na propaganda a mentira tem perna curta.

Quantas vezes você já viu alguma campanha falando de coisas maravilhosas e, de fato ou metaforicamente, revirou os olhos? "Puuuuf...até parece!" - aposto que comentou isso com quem estava ao lado, ou, no mínimo, pensou.

Estou bem longe de ser um applemaníaco (inclusive tenho um PC), mas não dá para negar que os produtos da Apple são acima da média e, mais do que isso, seu fundador, dono e guru, enquanto vivo, realmente viveu e colocou em prática aquilo que acreditava e, depois, de alguma forma, isso foi transmitido para os valores da empresa.

Já devo ter escrito isso em algum lugar desse blog, mas, pra mim, a Apple é um grande product placement na vida do Steve Jobs. Quando alguém compra um Mac ou um iPhone, ele está comprando sua história, sua filosofia de vida, e a marca acaba sendo só uma expressão disso, um detalhe.

Steve Jobs não foi só um gênio da computação, mas também um gênio do marketing. E uma de suas grandes sacadas, na minha humilde opinião, foi justamente escancarar e explorar as partes mais controversas de sua vida pessoal. Afinal, todo mundo sabe que ele foi adotado, que abandonou a faculdade, que teve uma fase hippie loucona etc. Quando 10 em 10 CEOs do mundo dos negócios fariam questão de esconder esse tipo de coisa, Steve Jobs soube, como ninguém, transformar suas fraquezas em fortalezas. Fazendo isso, passou de presidente para mito.

Enquanto Steve Jobs levava sua experiência mais pessoal para dentro da marca que criou, seus concorrentes faziam discursos bem construídos, mas vazios. E foi, justamente por estar ancorada em significados reais, que a Apple pôde fazer campanhas tão memoráveis e verdadeiras, como as duas primeiras que selecionei. Mas nada disso teria sido possível sem a história de vida de Steve Jobs por trás.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

35 anos e solteira: divida suas próprias experiências e vire referência para o mundo


Esse curta da diretora argentina Paula Schargorodsky foi publicado recentemente pelo New York Times e, a partir daí, viralizou rapidamente pela internet.

Além de ser muito bem feito e da história ser boa, creio que ele toca as pessoas devido ao momento que a sociedade ocidental vive, de pessoas se casando cada vez mais tarde (as vezes não se casando nunca), e não tendo muitos modelos nos quais se basear para esse tipo de escolha.

Em outras palavras, todo mundo se sente perdido, e quando uma cineasta resolve dividir sua experiência com o mundo, booooom, ela vira referência imediata.

Ah, esse é outro detalhe interessante. O curta é autobiográfico. A personagem da história é ela mesma. E as imagens são de seu arquivo próprio. Diz a diretora, nesse artigo do La Nacion, que começou a filmar trechos de sua vida em 2002, quando terminou um relacionamento, mas não sabia exatamente porque. 10 anos depois ela resolve montar o curta a partir desses trechos e aí a coisa explode.

Curtas autobiográficos com toques de documentário e reality show. Será que isso vai virar uma escola? Eu aposto que sim.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Retromix, um novo olhar sobre a nostalgia



O retrô já é uma realidade no mercado dos videogames, certo? Hoje em dia todas as principais plataformas (Playstation, Xbox e Nintendo) ganham um bom dinheiro vendendo seus jogos clássicos online a preços módicos. A nostalgia é lucrativa.

Mas aí vem a Nintendo e lança NES Remix para seu novo console, o Wii U. Na vídeo-análise abaixo, que tirei desse post do Kotaku, dá para ver como a empresa foi hábil em pegar todos os jogos clássicos e remixá-los, criando novas dinâmicas e desafios.

Talvez no mundo da moda, por exemplo, isso não seja exatamente uma novidade, já que as tendências vão e voltam repaginadas, mas no meio dos videogames isso é notícia. E, se a gente começar a pensar bem, as possibilidade são infinitas.

Não gosto muito de ficar inventando termos para essas coisas, mas, nesse caso, Retromix define bem.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A internet é traiçoeira




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Retrospectiva 2013 do Papo de Marketeiros

Em 2013 tive a honra de ser um dos entrevistados do projeto Papo de Marketeiros e, no final do ano, o site aproveitou para lançar um vídeo-retrospectiva com algumas das principais frases das pessoas que tiveram esse privilégio. Tem uma minha lá. :)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Universos compartilhados, você ainda vai ouvir falar disso


Outro dia saiu um artigo bem interessante no The Hollywood Reporter sobre 2014 ser o ano dos Universos Compartilhados, conceito que estaria, em muitos casos, se sobrepondo ao das Franquias.

Isso, de certa forma, começou com a experiência da Marvel em entrelaçar filmes de 4 personagens (Homem de Ferro, Hulk, Capitão América e Thor), com referências e pequenas histórias ligando uns aos outros, e depois a junção de todos em Vingadores.

Segundo o artigo a Sony, que detém os direitos do Homem-Aranha, estaria pensando em expandir o universo do personagem com filmes de seus principais vilões e aliados. Já a Fox estaria trabalhando em um projeto para unir os universos de X-Men e Quarteto Fantástico, duas propriedades da Marvel cujos direitos estão com o estúdio há tempos. A Universal, por outro lado, parece que está matutando a ideia de unir monstros clássicos como Drácula, Múmia e Frankenstein em um único universo. E ainda tem a Warner, que está juntando Batman e Superman.

O que o artigo não fala é que um movimento muito parecido aconteceu lá pra trás, na primeira metade do século passado, quando os dois maiores conglomerados de quadrinhos, DC e Marvel, começaram a se formar a partir da compra de várias pequenas editoras, que tinham seus respectivos personagens e universos. Em um dado momento essas empresas tinham em mãos títulos pertencentes a muitos universos diferentes, e aí, principalmente por motivos comerciais, houve o movimento de fazer todas as histórias se conectarem. Eles queriam que levar públicos de um título para o outro, além de facilitar a bagunça na cabeça do leitor. Deu certo, e agora vemos esse raciocínio indo para o cinema.

De certa forma essa é também a lógica por trás da transmídia, apesar de que, nesses casos (*), estamos falando de universos que se desenrolam somente em uma mídia. Editoras e estúdios criarão universos realmente transmidiáticos quando os acontecimentos de um filme, por exemplo, impactarem o título mensal do mesmo personagem. Mas isso, acho eu, ainda vai demorar um pouco para acontecer.

notícia original via Augusto Velazquez de Brito

(*) Atualização em 15/01/2014: o mesmo Augusto me lembrou que o universo compartilhado da Marvel no cinema também possui desdobramentos em séries, internet (sites promocionais) e quadrinhos (que são diferentes das publicações mensais da editora). Portanto a  Marvel, nesse caso, é transmídia sim. Nos outros casos ainda não.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A estratégia de marketing de Anchorman 2


Anchorman 2 é a continuação da comédia pastelão Anchorman estrelada pelo Will Ferrell. No Brasil o primeiro filme veio como O Âncora, e o segundo irá estrear no cinema como Tudo por um Furo, sem nenhuma referência ao antecessor.

A apresentação abaixo mostra a estratégia de marketing utilizada para divulgar o filme nos Estados Unidos e outros mercados (ainda não sabemos se haverá algo parecido por aqui).

São ações bacanas e acima da média, mas nada de revolucionário. Mesmo assim achei que valia a pena postar aqui pela clareza do raciocínio. Basicamente uma aula sobre content marketing.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Entrevista com Vince Vader, Professor da ESPM


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, no Grupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.



Entrevistas anteriores:
João Ciaco
Mariana Stanisci
Guilherme Guimarães
Paola Colombo
Luciana Stein
Alessandro Cauduro
Tania Savaget
Cecília Troiano
Bruno Ponzini
Eduardo Camargo
André Kassu
Marcelo Jesus
Matheus Siqueira

sábado, 11 de janeiro de 2014

Outras pessoas cometem erros. Desacelere.


Campanha brilhante do governo da Nova Zelândia para conscientizar os motoristas sobre a importância de dirigir mais devagar e, assim, evitar acidentes que dependem só do erro dos outros.

Situação tensa, extremamente emocional e com uma pitada de surrealismo, no melhor estilo pausa no tempo. O vídeo foi lançado há algum tempo e já teve milhões de visualizações no mundo todo, prova de que conteúdo bom não necessariamente precisa ser interativo, engraçadinho e outros clichês defendidos no mercado.

Histórias simples que tocam o coração das pessoas fatalmente viralizam.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Marcelo Rezende conta a história de Breaking Bad


Sensacional o jeito que a Record encontrou para promover Breaking Bad, série que estréia na emissora em janeiro desse ano.

Marcelo Rezende, icônico apresentador do Cidade Alerta, vai narrando a história como se fosse verdade e, de repente, pimba, vem ao ar imagens exclusivas do trailer promocional que está sendo usado para divulgar a série.

Não duvido que alguém tenha ficado ofendido por ele não ter revelado, de cara, que se tratava de um anúncio. Mas, por outro lado, essa brincadeira entre realidade e ficção, jornalismo e seriado, dá muito pano pra manga. Tomara que usem de novo!



Clique aqui para ler mais detalhes sobre a ação.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Personagem da novela entra no BBB14. Isso é transmídia?

O Vinícius Werner me enviou essa notícia e me perguntou se isso poderia ser classificado como transmídia. Como a notícia é legal e a dúvida é pertinente, resolvi fazer um post sobre o assunto.

O resumo da notícia é que Tatá Werneck fará uma breve participação no próximo BBB14 interpretando Valdirene, sua personagem da novela Amor à Vida. O autor da novela passará orientações de como a personagem deve agir, mas nenhuma fala pronta. Se alguém chamar a atriz por Tatá, ela deverá corrigir a pessoa, falando que seu nome é Valdirene.


Abaixo faço alguns comentários:

1) Penso que isso é, no mínimo, um experimento bastante interessante de como dramaturgia e realidade se entrelaçam. Aliás, um experimento com um fundo poético. As novelas imitando a vida real e os reality shows cada vez mais novelescos.

2) Segundo o script divulgado a atriz deve passar pelo menos uma semana na casa, devendo ser eliminada depois desse período. Mesmo que esteja claro para os participantes que se trata de uma brincadeira da Globo, possivelmente temporária, imaginem só o nó que isso vai causar na cabeça deles.

3) Muito corajosa a atriz Tatá Werneck por topar uma brincadeira dessas.

4) Mas, afinal, como classificar uma ação dessas? Bom, antes de tudo é uma ação de divulgação da novela dentro do BBB14. Ou, dependendo do ponto de vista, uma ação de divulgação do BBB14 para o público que já assiste a novela. Há um grande potencial de um programa emprestar público para o outro.

5) Ok, mas é transmídia ou não? Depende. Transmídia pressupõe mais de uma mídia. Alguns autores dizem que é preciso 3 ou mais. Se a gente considerar que a novela e o BBB14 fazem parte da mesma mídia (TV), não é. Se a gente quiser ter uma interpretação um pouco mais aberta, levando em consideração que o BBB14 já é multiplataforma por excelência, estando presente não só na TV, então pode ser que seja transmídia.

6) Vamos consider uma interpretação mais aberta. Daí é transmídia, né? Depende. Haverá alguma conexão entre esses dois episódios? A experiência da personagem no reality show terá algum reflexo, por mínimo que seja, na novela? A personagem realmente viveu aquilo dentro da ficção ou foi uma mera peça de marketing para promover a novela? Em última instância, essa experiência no BBB14 agregou alguma coisa à experiência dramática de quem acompanha a novela? Isso contribuiu de alguma forma para o arco do personagem, ou, pelo menos, para construí-lo melhor? Se as respostas aqui forem SIM, então podemos considerar isso transmídia (*).

(*) alguns teóricos e acadêmicos discordariam de mim, para vocês verem como o conceito é novo e ainda um pouco difuso.

7) E isso aí é storytelling também? No mínimo é uma ação de marketing que usa recursos de storytelling, afinal, usa uma personagem em uma determinada situação para promover a história de qual ela faz parte. Mas precisaremos assistir essa primeira semana de BBB14 para ver se a história da Valdirene no reality show será boa mesmo.

8) Uma coisa que eu falo muito para os meus alunos é que, independentemente de ser storytelling ou não, transmídia ou não, o importante é fazer sentido e agregar valor à experiência do público. Nesse caso, tem tudo para preencher todos os quesitos.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Obama apresenta seu próprio filme (mas era brincadeira)


Nunca na história do mundo houve um presidente tão capaz de brincar com a cultura pop e tirar sarro de si mesmo como Obama. Não saberia opinar muito sobre o andamento de seu governo por lá, mas vejo muito valor em um presidente que sabe trabalhar tão bem com o humor. Penso que isso, no mínimo, aproxima o político aos eleitores.

Mas o que ele aprontou dessa vez? No jantar anual da associação de correspondentes da Casa Branca Obama teve a pachorra de fechar seu discurso com um vídeo falso onde Steven Spielberg fala sobre seu novo projeto, um filme sobre a vida do presidente.

Isso, por si só, já seria fantástico. Mas, no meio do vídeo, Obama aparece interpretando Daniel Day-Lewis interpretando Obama. Hilário!

Vi a notícia no site da BBC.

O que aconteceu com os pôsteres de cinema?



Esse vídeo me lembra muito desse TED Talk sobre o design de capas de livros.

Minha entrevista o TIP

No final do ano passado estive em Santos para dar um curso de Storytelling & Transmídia no TIP, espaço para troca de experiências comandado pela agência Mkt Virtual.

Eles fizeram uma entrevista comigo, no vídeo abaixo...



E aqui um clipe institucional do TIP. Se você é de Santos ou região, vale a pena conhecer!



Fotos da minha viagem para Santos aqui.