quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Salve um Panda - por trás do case


Muitas vezes trabalhos legais começam com pedidos inusitados, daqueles que fazem a gente quebrar a cabeça e tentar enxergar um problema por um novo ângulo. Assim foi com Salve um Panda, um desses projetos que chegam de mansinho no seu colo e cujo resultado te enche de orgulho: eu participei!

Antes de mais nada, esse é um post-case onde vou contar um pouco do raciocínio que foi sendo construído e da experiência de trabalhar junto a pessoas tão talentosas.

Tudo começou quando, alguns meses atrás, meus amigos da Mol Toons me convidaram para roteirizar uma série de animações com o objetivo de conscientizar a população para os direitos e deveres do ciclista no CTB (Código Brasileiro de Trânsito).


Uma confissão pública da qual não me orgulho: eu não sei andar de bicicleta! É isso mesmo. Levei um tombo feio quando criança, na época da transição entre o uso e o não-uso das rodinhas, e traumatizei. Então, como é que eu poderia aceitar esse trabalho? Ainda mais considerando que o cliente era um grupo de ativistas da sociedade civil, todos ciclistas pra lá de experientes.

Expliquei a situação, mas ninguém achou que isso fosse um problema. Então eu estava dentro. E aí veio o briefing: "a gente quer alguma coisa impactante, no estilo de Dumb Ways to Die", campanha que alertava a população de Londres para os acidentes no metrô, e que, na época, estava ganhando todos os prêmios possíveis.

Brainstorming dali, rascunho daqui, conjecturas para todos os lados, e aí, de repente, a minha não experiência com bicicletas até que foi útil. O fato é que a população que não usa bicicleta no dia a dia, na média, não está nem aí para os ciclistas. Claro que há muitos simpatizantes, mas o grupo de gente que é apática ao tema, ou mesmo que acha os ciclistas um pessoal chato, infelizmente, é grande. Era justamente para esse pessoal que deveríamos comunicar o CTB, não era?

E se, ao invés de chamar a atenção para o ciclista, correndo o risco de, mais uma vez, sermos ignorados, a gente criasse uma ligação inusitada entre o problema do qual queríamos falar e um problema capaz de chamar a atenção de um grupo bem maior? A ideia era fazer isso de uma forma divertida, e com uma certa dose de humor negro.


Logo lembrei de um post que tinha feito para o Update or Die, contando sobre o caso dos Ex-Lobisomens de Alicante. Tratava-se de uma associação de portadores de Parkinson que, procurando se tornar mais divertida e engajadora, utilizou uma ligação surreal entre o fato do Michael J. Fox ser um portador da doença e também ter interpretado um lobisomem no cinema. E se isso fosse a causa da doença? E se todas as vítimas do Parkinson fossem ex-lobisomens? Não faz sentido, eu sei. Mas, por isso mesmo, chama a atenção e engaja. Vejam o link do post para entender melhor.

E qual seria nossa causa? Foi aí que chegamos na ideia do panda. Na internet existe essa expressão utilizada para dar uma conotação de vergonha toda vez que alguém faz algo que é errado ou muito clichê:

"toda vez que <<algo errado ou clichê, insira aqui>> acontece, um panda morre"

Não faz sentido também, eu sei. Mas essa é a graça da coisa. Afinal, quem consegue colocar a cabeça no travesseiro sabendo que foi responsável pela morte de um panda, não é mesmo? Se a pessoa não se toca pelo bom senso, talvez o panda consiga chamar atenção.

E foi, a partir desse raciocínio, que chegamos no conceito Salve um Panda, afinal, toda vez que o motorista desrespeita o CTB, um panda morre!

Mas ainda faltava uma sacada final. Falar de direitos sem falar de deveres não é uma boa quando o objetivo da campanha é conscientizar, e não provocar uma guerra. Então, o que acontece quando é o ciclista que desrespeita o CTB? Foi aí que uma das pessoas do grupo deu uma ideia. Mas aí você vai ter que assistir até o final para entender. :)

São três vídeos curtinhos. Dá play e se divirta.







Gostou? Então divulgue para os seus amigos. O site oficial é www.salveumpanda.com.br.

No final o case acabou saindo em vários veículos, inclusive na Folha de S. Paulo.

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