terça-feira, 8 de outubro de 2013

‘Histórias independentes e complementares’, diz Bruno Scartozzoni sobre narrativa transmídia

Recentemente dei uma entrevista sobre narrativas transmídia para o blog do Curta Criativo 2013, tradicional concurso de curta-metragens para jovens cineastas, realizado pelo SESI do Rio de Janeiro. Logo abaixo você encontra a reprodução da matéria. O link original está aqui.

Aliás, o Fernando Palacios, que dá aula comigo na ESPM, também contribuiu com outra entrevista, sobre dicas para elaborar um bom roteiro de ficção.


Os mais antenados certamente sabem do que se trata. Quem não tem a definição na ponta da língua, pelo menos, já ouviu falar. Nos dias de hoje, debate-se muito sobre narrativa transmídia. Mas, afinal, o que é? Do que se trata? Como fazer? Para responder a essas perguntas, conversamos com Bruno Scartozzoni, publicitário, escritor, especialista em Storytelling e um dos criadores das startups Zaanga e Ativa Esporte. Bruno explica quais são as características de uma narrativa transmídia e dá dicas práticas para quem quer criar uma história nesses moldes. E ressalta que há muitos teóricos debatendo as definições mais adequadas para o termo, mas a geração atual já nasce entendendo como uma história pode se desdobrar em diferentes plataformas. Confira:

O que caracteriza uma narrativa transmídia?

A forma mais simples de resumir é que se trata da arte de contar histórias diferentes, complementares, independentes, em mídias diferentes. Por exemplo, você tem um filme que conta uma parte da história, um livro que conta outra e ainda outra parte da história em quadrinhos. As duas palavras-chave são independente e complementar. Transmídia não é adaptação. Na minha adolescência, nos anos 1980 e 1990, havia muitos filmes para os quais se produziam adaptação em quadrinhos, por exemplo. É necessário que sejam histórias diferentes e complementares.

Esses desdobramentos já podem ser previstos pelos criadores da história ou surgem de forma independente, como, por exemplo, pela iniciativa de fãs?

O caminho mais clássico é ir acontecendo. O primeiro caso de transmídia com sucesso comercial foi “Star Wars”. Ele não foi pensado para ser assim, mas a indústria viu que tinha público e fez os desdobramentos. A primeira franquia que fez isso de caso pensado desde o princípio foi “Matrix”, que é mais ou menos da mesma época em que surge o conceito de transmídia.

De que forma a tendência das narrativas transmídia atinge quem está começando a fazer cinema?

Isso não é uma coisa tão de outro mundo. Se você entrar numa livraria hoje em dia, vai ver milhares de produtos desta forma. Esta geração que está nascendo agora já nasce entendendo como funciona a dinâmica entre uma mídia e outra. Há muitas pesquisas que mostram que hoje existe essa simultaneidade de mídias, que as pessoas assistem à TV e interagem pelo celular sobre o assunto, por exemplo. O cara que está começando a fazer um curta-metragem, por exemplo, tem que ter na cabeça que transmídia é algo muito experimental. Muitos teóricos ainda se questionam sobre o que é o que não é transmídia. A primeira coisa é pensar se aquilo faz sentido para o público, se tem potencial de interessar as pessoas. De mais prático, eu diria, como dica, para aproveitar e usar as ferramentas que a internet nos dá de graça. Se você está fazendo um filme, não custa muito fazer uma webserie curtinha, ou um blog de um dos personagens. Isso é muito comum, mas raramente feito de forma eficiente. Ou vá para a literatura. Ou chama aquele seu amigo bom em quadrinhos e o convida para desenvolver uma história complementar, porque este tipo de vitrine pode ser interessante para ele. Mas o mais importante para fazer uma história transmídia é que ela faça sentido para o público.

Você pode dar exemplos de filmes que tiveram bons desdobramentos em outras mídias?

“Star Wars” e “Matrix” são clássicos. No Brasil, um exemplo de caso recente é um personagem de novela da Globo sobre o qual estão fazendo um filme agora. (Ele se refere a “Crô”, personagem de Marcelo Serrado na novela “Fina Estampa” que está inspirando um longa com seu nome).

Achou o tema interessante? Aqui vai mais uma dica: se quiser saber mais sobre narrativa transmídia, vale a leitura de “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins, autor referência no assunto.

3 comentários:

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