quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Entrevista com Guilherme Guimarães, Diretor Geral da Ativa Esporte


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Entrevista com Paola Colombo, Managing Director da R/GA


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Plataformas de videogame oferecendo conteúdo próprio - infinitas possibilidades

Post originalmente publicado no FutebolMarketing em 21/10/2013 com o título: Xbox vai ganhar reality sobre futebol de rua. Logo depois volto com comentários, em itálico.



Boa notícia para os boleiros do Xbox: de acordo com o site DeadLine.com, a Microsoft deu sinal verde para a produção de “Every Streets United”, reality show sobre futebol de rua, que será disponibilizado via Xbox LIVE.

A série vai percorrer oito países – Estrados Unidos, Espanha, Holanda, França, Argentina, Brasil, Gana e Coreia do Sul – em busca dos melhores “peladeiros” do mundo, que se enfrentarão em uma grande final do Rio de Janeiro, durante a Copa do Mundo FIFA 2014.

Ao todo, “Every Streets United” terá oito episódios de 30 minutos cada, com direção de Jonathan Hock – premiado pela série documental “30 for 30″, da ESPN internacional, e atualmente à frente do programa MLS Insider.


Comentário do editor:
Depois da Netflix rompendo a barreira entre serviço de streaming e canal que oferece conteúdo próprio e exclusivo, é bastante interessante ver esse tipo de movimento acontecendo também com as plataformas online de videogames, como é o caso da notícia.

Recentemente também foi anunciado um amplo acordo entre Microsoft e NFL (a principal liga estadunidense de futebol americano), e outro entre Microsoft e ESPN. Em ambos os casos a ideia é oferecer conteúdo e funcionalidades exclusivas para os usuários de Xbox. Em outras palavras, estão levando isso a sério.

Esse é outro caso no qual podemos imaginar muitas possibilidades. E se essas plataformas começarem a oferecer, além de conteúdo esportivo, também séries e filmes próprios? E se esses conteúdos tiverem partes jogáveis? Imagine você assistindo um filme e, de repente, o espectador tem a opção de assumir o controle do herói na luta final contra o vilão.

Outra possibilidade seria assistir um filme ou série no videogame, e ao final já ter a chance de comprar o jogo, que conta outra parte da história (olha a transmídia aí), com desconto, ou ganhando algum item especial de brinde.

Não se assuste se isso acontecer em breve. :)

Atualização em 04/11/2013: o leitor Yggor Araújo me lembrou, ali nos comentários, que The Tester foi uma produção feita para a PSN mais ou menos nos mesmos moldes, e muito antes.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Vá ao cinema e faça o download do filme

Post escrito por Débora Schach, originalmente publicado no Blue Bus em 09/10/2013 com o título:
No Canadá, Cineplex vende pacote q inclui ingresso p/ o cinema + download do filme.


Logo depois volto com comentários, em itálico.



A indústria do cinema busca alternativas para compensar a queda na venda dos DVDs. Uma delas está sendo colocada em prática no Canadá, onde a rede de cinemas Cineplex criou o chamado ‘SuperTicket’. O pacote dá direito a um ingresso para o cinema e a uma cópia digital do filme, entregue eletronicamente meses depois, e custa mais que o dobro de um ingresso comum. Três filmes já foram vendidos sob esse programa – ‘Pacific Rim’, ‘The Smurfs 2’ e ‘Kick-Ass 2’. O Cineplex nao divulgou números das vendas, mas afirma ter contratos com 4 grandes estúdios de Hollywood e espera anunciar mais até o fim do ano. A questao é saber se o consumidor, muitas vezes já relutante em pagar para ver um filme no cinema, pagaria mais que o dobro para poder baixar um título que ainda nem viu. Nesse sentido, uma alteraçao já foi feita no programa – os compradores do SuperTicket, que inicialmente tinham que comprar a cópia digital antes de assistir ao filme, agora tem 48 horas depois da exibiçao para decidir se pagam também pelo download. Leia mais no Wall Street Journal.


Comentários do editor:
A ideia é interessantíssima. Não sei muita gente vai aderir, até porque, veja bem, o preço do pacote é maior do que o dobro do ingresso, mas, ainda assim, esse cinema pensou em um modelo de negócios que faz bastante sentido.

A partir disso podemos pensar em outras possibilidades. E se o cinema disponibilizasse conteúdo extra por download? Assista o filme no cinema e veja as cenas cortadas em casa. Ou veja um documentário sobre o próprio filme. Ou veja o primeiro episódio da série baseada no filme (e aí começamos a entrar num terreno verdadeiramente transmídia).

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Biografia não autorizada de Bruno Scartozzoni

No meio da polêmica sobre as biografias não autorizadas postei no Facebook, alguns dias atrás, uma declaração pública deixando claro que podem me biografar à vontade, sem risco de que eu venha cobrar o autor na justiça posteriormente.

Foi uma provocação, claro. Minha vida não é tão interessante assim, talvez só mais do que a do Djavan.
Mas, no decorrer do post, alguém comentou que, antes de uma biografia, eu precisava ter um GIF animado biográfico, e aí a dupla brasiliense Rayane Urani e Leo Maia resolveram entrar na brincadeira FAZENDO UM GIF SOBRE A MINHA PESSOA!


Talvez esse seja o primeiro GIF animado biográfico totalmente autorizado. :)

Mas preciso falar uma coisa pra vocês...rever algumas das minhas fotos dos últimos tempos foi emocionante. Tinha coisa aí que eu não lembrava mais. Recomendo a experiência.

Agora que venha a biografia de fato! Alguém se habilita?

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Dicas de Storytelling - Como planejar um grande Plot twist em 4 etapas

O artigo abaixo foi originalmente escrito por Guy Hasson e publicado no Gamassutra no longínquo 05/01/2011, e traduzido recentemente pela Tatiana Fernandes, que é social media planner e acha o conteúdo bastante atual. Já que concordamos, resolvi postar aqui pra vocês. :)


Surpreender um jogador ou leitor através de uma reviravolta na história pode ser um sucesso ou fracasso. É muito importante obter sucesso, e dos grandes.

Eis aqui uma ferramenta muito simples que lhe permitirá melhor surpreender seja lá o plot twist que você planejou. Isto não só irá melhorar o elemento surpresa, mas também aumentar a percepção de grandeza de sua história.

Todos nós sabemos que a chave para a criação de uma boa surpresa é convencer os leitores de que o oposto é verdadeiro. O problema é que negar algo ou insistir em uma verdade é a melhor maneira de estragá-la.

A verdadeira chave é estabelecer sua premissa sem que ela nunca tenha sido notado. Aqui está o método, em quatro etapas:

Etapa # 1: Decidir sobre a sua surpresa.

Esta é a parte mais fácil. Anote qual ela será. Não se preocupe, por enquanto, sobre o que a torna crível ou surpreendente, apenas anote.

Para o nosso exemplo, escolherei um clichê. Neste caso, um personagem que, desde o início, esteve na história muito próximo ao personagem principal, mas que na verdade é um robô.

Etapa # 2 : Encontre o oposto de sua surpresa.

Para sua surpresa ser verdadeiramente surpreendente, você precisa convencer o leitor de que o oposto da surpresa é a verdade. Você mesmo precisa ter certeza de que ela o é.

No nosso exemplo: precisamos estabelecer que a personagem é humana. Devemos convencer os leitores desta premissa para que o final seja grandioso.

Agora vamos encontrar uma maneira de estabelecer a premissa .

Etapa # 3 : Encontre hipóteses/suposições escondidas do leitor sobre sua falsa premissa

É aqui onde as coisas ficam complicadas.

Você tem sua premissa, escolhida na Etapa 2. A última coisa que você quer fazer é realmente dizer isso em voz alta de uma maneira qualquer. Tampouco vai desejar apontar para nosso leitor que é a mais pura verdade. Se o fizer, vai fazer com que os céticos comecem a suspeitar imediatamente que o oposto é verdadeiro.

Então, vamos dar um passo para trás e olhar para algo mais importante.

Encontre a suposição oculta do leitor sobre a sua premissa. Isso significa que você deve encontrar algo que, se você mostrar para o leitor, ele imediatamente se tornará subconscientemente convencido de que sua premissa é verdadeira , sem nunca pensar sobre isso.

Parece loucura, mas a verdade é que a nossa mente é constantemente bombardeada por uma série de informações, e decide sobre elas de forma subconsciente o tempo todo. Portanto, é preciso treinar a mente para encontrar suas próprias premissas ocultas. Não entendeu? Veja os exemplos :

O que inconscientemente nos faz pensar que alguém é um ser humano e não um robô ? Aqui estão algumas opções:

1 . Os seres humanos gostam de comida . Se o leitor vê o nosso quase-personagem-humano gostar de massa, ele vai se tornar inconscientemente convencido de que o personagem é humano.

2 . Os seres humanos dão à luz. Se o quase-personagem-humano é a mãe biológica do personagem principal (e se isso for estabelecido logo no começo), o leitor não terá nenhuma dúvida de que a mãe é humana.

3. Os seres humanos têm pesadelos. Se o nosso quase não humano for do sexo feminino (que a maioria das pessoas associa com uma pessoa um pouco mais emocional e, portanto, menos robótica ) e tem terríveis pesadelos todas as noites, ela irá reagir emocionalmente e buscar consolo à noite nos braços de nosso herói masculino (desempenhado pelo personagem) . O jogador vai inconscientemente assumir que ela é uma pessoa. Mas, como um robô, ela não será capaz de adormecer. Entende a lógica?

Etapa # 4: desviar a atenção, focando em outro ponto ao fazer sua premissa real.

A Etapa 3 ainda não é suficiente para fazer um Plot Twist surpreendente.

Por um lado, não exagere , não deixe muito grande algum dos pontos criados no passo 3 e não mostre a humanidade do personagem muitas vezes. Estabeleça sua premissa uma vez, e isso será o suficiente.

No entanto, haverá mais um passo por fazer deste o encobrimento completo do personagem.

Ao dar uma característica que institui a premissa inconscientemente, certifique-se de que, ao mesmo tempo, você instaure uma trama importante na história.

Leitores prontamente assumem que só uma coisa importante está sendo dita a eles em um ponto no tempo, por isso certifique-se de que o seu passo 3 traz algo a mais que também é importante para o enredo.

Vamos aos exemplos?

Na etapa n º 3 , tivemos três opções diferentes, a partir do qual vamos realmente precisar escolher apenas uma à nossa história. Mas vamos ver como iríamos lidar com cada uma delas:

1 . O personagem quase-humano gosta de massas.

Nós não queremos mostrar em absoluto que esse personagem está comendo macarrão sem nada acontecendo. Isso só iria levantar a suspeita de que estamos tentando dizer alguma coisa.

Então crie uma cena em que há uma refeição entre amigos. Vamos supor que todos são policiais. Eles estão comendo macarrão e gostando. Mas a massa é envenenada! Um personagem morre, o outro está doente e levado às pressas para o hospital, ou a sua saúde vai por água a baixo. Os bandidos tentaram se livrar de todos os mocinhos! Perdemos alguns bons homens e agora vamos pegá-los! (Viu? Desvio de atenção da característica dele).

2 . Ele é a mãe do personaem.

Primeiro de tudo, a mãe deve se parecer muito com seu filho (que é humano), e esse ponto nunca deve ser mencionado em voz alta. Devemos deixar o leitor perceber isso.

Em seguida, o desvio: há uma cena, no início da história, em que a mãe e o pai levam um tiro. Esta foi uma tentativa de assassinato a fim de convencer o personagem a não prosseguir em sua linha de investigação. O pai morre. A mãe sobrevive (talvez baleada e sangrando , talvez não).

Isso define o nosso herói em uma vingança para obter os culpados. (Percebeu o desvio? Nós estabelecemos que ela é a mãe, e, portanto, humana , enquanto que na verdade, estamos fazendo um ponto da trama sobre o assassinato).

3. A personagem feminina quase-robô tem sonhos.

Neste exemplo, os sonhos em si podem ser um ponto de virada . Os sonhos da personagem feminina sobre um evento traumático que aconteceu no passado estão sendo reprimidos por sua mente. São eles que dão uma janela para esses eventos, eventos que o leitor deve descobrir para saber a verdade sobre a trama.

No final, o avanço do enredo sobre os sonhos nos fez criar um personagem que é humano sem sê-lo. E a beleza da coisa é que nós nunca tivemos nem mesmo que sugerir o fato.

Agora é só criar o seu storytelling!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Entrevista com Luciana Stein, Head LatAm da TrendWatching.com


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O vídeo que a Porta dos Fundos não fez sobre a classe média brasileira


Publiquei isso no Facebook algum tempo atrás. Trata-se de uma sugestão de roteiro para um quadro da Porta dos Fundos, criticando uma certa noção de que membros da classe média não tem moral para criticar o governo que está aí. Tem até a Marilena Chauí no meio da história. Leiam e tirem suas conclusões.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Clóvis de Barros: "a expectativa de que haja uma fórmula pra vida é a fonte de tantas das nossas decepções"


O filósofo, escritor, professor de ética da ECA-USP e comediante de stand-up (esse último foi por minha conta) Clóvis de Barros deu uma entrevista genial para o Jô Soares, com mais de meia hora de duração!

Não vi ao vivo, mas, pelo sinais trocados entre o Jô e o Zeca Camargo, que estava na platéia, subentende-se que o Clóvis acabou ocupando mais quadros do que estava previsto, inclusive o bloco que seria do apresentador do Fantástico.

Para quem já viu alguma palestra ou aula do Clóvis de Barros (eu tive a oportunidade de ver umas duas vezes) essa entrevista não surpreende por seu jeitão esquisito, nem pelo uso de palavrões para falar de filosofia. Mas, independentemente do seu contato prévio, vale a pena.

A entrevista é, basicamente, sobre o sentido da vida, a busca pela felicidade, a angústia com as escolhas e, de bônus, Clóvis ainda conta um pouco de sua história de vida, e de como ele descobriu o que o fazia feliz. Seja como for, você vai ouvir algumas ideias poderosas e ainda dar boas risadas.

ATUALIZAÇÃO: o vídeo do YouTube não está mais funcionando, então resta assistir no próprio site do G1, clicando nesse link.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Se quiser aumentar os preços, conte uma história melhor (traduzido)

Na semana passada repliquei aqui um post escrito por Ty Montague, publicado originalmente na rede de blogs da Havard Business Review. Por falta de tempo não pude traduzi-lo, mas deixei aberta a possibilidade de algum leitor fazê-lo, prometendo publicar e dar os devidos créditos.

E não é que isso aconteceu? Claudio Zaltzman, escritor e consultor autônomo em pesquisa de marketing, conheceu o Caldinas na mesma semana e fez a gentileza de traduzir e me enviar por e-mail. Essas colaborações inesperadas são uma das coisas mais legais de se manter um blog. :)

Atualização: A M. Salete Plati também me enviou uma tradução, que eu acabei vendo alguns dias depois.

Enfim, copio aqui embaixo o texto traduzido. Aproveite!



Pergunte ao presidente de uma empresa se ele topa gastar um monte de dinheiro na análise da história da sua empresa. É provável que ele o ponha porta afora. Mas se você lhe disser que tem um poderoso insight que pode ajudá-lo a aumentar o preço de todos os seus produtos, é capaz de ele o convidar para uma jantar em sua casa. Ou seja: o dinheiro fala. Infelizmente, na maioria das empresas, o poder da história em influenciar preços ainda é se não desconhecido, pelo menos largamente subutilizado.

A estratégia de precificação geralmente segue um de quatro caminhos. De baixo para cima: calcule o custo de tudo o que entra na fabricação do produto e acrescente uma margem. De fora para dentro: analise e adote o preço dos produtos dos concorrentes. De cima para baixo: escolha como alvo um segmento demográfico ou econômico e trabalhe o produto de modo a chegar àquele preço. Ou dinâmico: use um complexo cálculo em tempo real para avaliar oferta e demanda, geralmente com a ajuda de um algoritmo.

Há, porém, um quinto caminho, do qual você quase nunca ouve falar, e que eu chamo de “análise da história”. Trata-se de uma análise do potencial que um produto tem de preencher uma profunda necessidade humana; de contar uma história que proporcione aos seus clientes um significado mais rico para as suas vidas. Num mundo de abundância, o que o seu produto faz para os seus clientes é importante, mas nem de longe tão importante quanto o que o produto representa para eles. E essa segunda parte – a história do seu produto – é a que gera a maior parcela do poder do preço.

Não acredita? Então leia esta história.

No verão de 2006, o colunista Rob Walker, da revista New York Times, refletia sobre o que faz um objeto ser mais valioso que outro. O que faz com que um par de sapatos valha mais do que outro, se ambos proporcionam os mesmos benefícios funcionais de conforto, durabilidade e proteção? Por que uma obra de arte custa 8 milhões de dólares, enquanto outra, 100 dólares? O que faz uma torradeira valer 20 dólares, e outra, algo em torno de 400 dólares, considerando que ambas fazem torradas? Ao remoer essas questões, ele concluiu que não se trata dos objetos por si sós; o contexto, a origem dos objetos é o que gera valor. Em outras palavras, o valor não está contido nos próprios objetos, mas na história ou no significado que os objetos têm para o seu possuidor.

Walker decidiu testar essa conclusão de uma maneira simples e direta. Com a ajuda de um amigo, ele passou a comprar aleatoriamente objetos inúteis ou de baixo valor em feirinhas, brechós, etc. O preço dos objetos variava de 1 a 4 dólares. Um velho martelo de madeira. Uma chave perdida de hotel. Uma banana de plástico. Coisas descartadas, com pequeno ou nenhum valor intrínseco.

Em seguida, Walker pediu a alguns escritores desconhecidos que escrevessem um conto que mencionasse um dos objetos. Os contos não eram sobre os objetos propriamente ditos; eles serviam para ajudar a inserir os objetos num contexto humano, a dar-lhe um novo significado.

Quando Walker pôs os objetos, acompanhados das suas histórias, à venda no eBay, os resultados foram impressionantes. Em média, o valor dos objetos aumentou 2.700%. Não é erro de digitação; foram 2.700% de valorização. Um jarro de maionese em miniatura, que ele havia comprador por menos de 1 dólar, foi vendido por 51 dólares. Uma cabeça de cavalo em cerâmica rachada, comprada por 1,29 dólares, vendeu-se por 46 dólares. Súbita e misteriosamente, o valor desses objetos abandonados ou esquecidos sofreu um aumento astronômico quando acompanhado por uma história.

O projeto teve um sucesso tão grande (e tão interessante) que eles o repetiram cinco vezes e lançaram todos os resultados na web. Virou um livro também.

O experimento de Walker nos lembra, de modo claro e extremamente tangível, como o conceito de valor opera na mente humana: um abridor de latas é um abridor de latas é um abridor de latas, até que seja um abridor de latas projetado por Michael Graves e integre a coleção permanente do Museu de Arte Moderna. Um sapato é um sapato é um sapato até que seja um par de sapatos TOM. Para cada par que eu comprar, uma criança que até então nunca teve a chance de calçar sapatos, ganha, de graça, outro par. De uma hora para outra, esses objetos passam a fazer parte de uma narrativa inspiradora – narrativa essa que eu posso usar para revelar algo significativo sobre mim para outras pessoas. Aí está algo pelo que eu desejo pagar.

É daí que provém o verdadeiro poder do preço.

À medida que prolifera o número de produtos e marcas no mundo num ritmo de crescente aceleração, esse poder só faz crescer. Em 1997, havia 2,5 milhões de marcas no mundo. Hoje? O número se aproxima de 10 milhões. Assim, a tendência é a de uma rápida comoditização de praticamente tudo. Num mundo em uma abundância quase esmagadora, uma história autêntica, rica em conteúdo torna-se o ingrediente mais importante para elevar as margens de uma empresa.

Vai um jantar aí alguém?

Nota do editor: escrevi um post sobre o mesmo projeto um tempo atrás, aqui.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Entrevista com Alessandro Cauduro, CIO da W3Haus


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

Falando de marketing esportivo no Rede Social Esporte Clube


Em 13 de setembro, aproveitando minha estadia em Belo Horizonte para ministrar o Curso de Storytelling e Transmídia, participei do programa Rede Social Esporte Clube, transmitido por um canal local e apresentado pela Barbara Vasconcelos, para falar de marketing esportivo.

Lá aproveitei para contar um pouco sobre minha experiência na Ativa Esporte, consultoria da qual sou sócio.

Agradeço ao Jotapê Saraiva, que também participou do programa, pelo convite. Essas experiências de aparecer na TV são sempre muito curiosas (não que eu tenha muitas).


Bloco 1


Bloco 2

terça-feira, 8 de outubro de 2013

‘Histórias independentes e complementares’, diz Bruno Scartozzoni sobre narrativa transmídia

Recentemente dei uma entrevista sobre narrativas transmídia para o blog do Curta Criativo 2013, tradicional concurso de curta-metragens para jovens cineastas, realizado pelo SESI do Rio de Janeiro. Logo abaixo você encontra a reprodução da matéria. O link original está aqui.

Aliás, o Fernando Palacios, que dá aula comigo na ESPM, também contribuiu com outra entrevista, sobre dicas para elaborar um bom roteiro de ficção.


Os mais antenados certamente sabem do que se trata. Quem não tem a definição na ponta da língua, pelo menos, já ouviu falar. Nos dias de hoje, debate-se muito sobre narrativa transmídia. Mas, afinal, o que é? Do que se trata? Como fazer? Para responder a essas perguntas, conversamos com Bruno Scartozzoni, publicitário, escritor, especialista em Storytelling e um dos criadores das startups Zaanga e Ativa Esporte. Bruno explica quais são as características de uma narrativa transmídia e dá dicas práticas para quem quer criar uma história nesses moldes. E ressalta que há muitos teóricos debatendo as definições mais adequadas para o termo, mas a geração atual já nasce entendendo como uma história pode se desdobrar em diferentes plataformas. Confira:

O que caracteriza uma narrativa transmídia?

A forma mais simples de resumir é que se trata da arte de contar histórias diferentes, complementares, independentes, em mídias diferentes. Por exemplo, você tem um filme que conta uma parte da história, um livro que conta outra e ainda outra parte da história em quadrinhos. As duas palavras-chave são independente e complementar. Transmídia não é adaptação. Na minha adolescência, nos anos 1980 e 1990, havia muitos filmes para os quais se produziam adaptação em quadrinhos, por exemplo. É necessário que sejam histórias diferentes e complementares.

Esses desdobramentos já podem ser previstos pelos criadores da história ou surgem de forma independente, como, por exemplo, pela iniciativa de fãs?

O caminho mais clássico é ir acontecendo. O primeiro caso de transmídia com sucesso comercial foi “Star Wars”. Ele não foi pensado para ser assim, mas a indústria viu que tinha público e fez os desdobramentos. A primeira franquia que fez isso de caso pensado desde o princípio foi “Matrix”, que é mais ou menos da mesma época em que surge o conceito de transmídia.

De que forma a tendência das narrativas transmídia atinge quem está começando a fazer cinema?

Isso não é uma coisa tão de outro mundo. Se você entrar numa livraria hoje em dia, vai ver milhares de produtos desta forma. Esta geração que está nascendo agora já nasce entendendo como funciona a dinâmica entre uma mídia e outra. Há muitas pesquisas que mostram que hoje existe essa simultaneidade de mídias, que as pessoas assistem à TV e interagem pelo celular sobre o assunto, por exemplo. O cara que está começando a fazer um curta-metragem, por exemplo, tem que ter na cabeça que transmídia é algo muito experimental. Muitos teóricos ainda se questionam sobre o que é o que não é transmídia. A primeira coisa é pensar se aquilo faz sentido para o público, se tem potencial de interessar as pessoas. De mais prático, eu diria, como dica, para aproveitar e usar as ferramentas que a internet nos dá de graça. Se você está fazendo um filme, não custa muito fazer uma webserie curtinha, ou um blog de um dos personagens. Isso é muito comum, mas raramente feito de forma eficiente. Ou vá para a literatura. Ou chama aquele seu amigo bom em quadrinhos e o convida para desenvolver uma história complementar, porque este tipo de vitrine pode ser interessante para ele. Mas o mais importante para fazer uma história transmídia é que ela faça sentido para o público.

Você pode dar exemplos de filmes que tiveram bons desdobramentos em outras mídias?

“Star Wars” e “Matrix” são clássicos. No Brasil, um exemplo de caso recente é um personagem de novela da Globo sobre o qual estão fazendo um filme agora. (Ele se refere a “Crô”, personagem de Marcelo Serrado na novela “Fina Estampa” que está inspirando um longa com seu nome).

Achou o tema interessante? Aqui vai mais uma dica: se quiser saber mais sobre narrativa transmídia, vale a leitura de “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins, autor referência no assunto.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Minha opinião sobre o fenômeno Chicas Xavier

Chicas Xavier é aquele tumblr que trás uma coleção de fotos de mulheres sensualizando e mensagens de auto-ajuda na legenda. Tipo isso aqui ó...


E o que eu tenho a ver com isso? Nada. Mas recentemente dei um depoimento sobre o fenômeno para o Portal Pop. Se estiver curioso para ler, clique aqui.

PS: Adoro dar entrevistas sobre assuntos engraçados desse tipo.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Saiba por que sua empresa precisa contar histórias


Quando estive em João Pessoa, algumas semanas atrás, tive o prazer de dar uma entrevista sobre storytelling para o site Administradores.com.br que, para a minha total surpresa, nasceu lá!

Conhecer a sede da empresa foi especialmente legal porque, por incrível que pareça, eu sou graduado em administração (administração pública para ser mais exato) e vi o portal nascer na metade da década passada. :)

O vídeo faz parte do quadro ADM Talks, no qual eles entrevistam especialistas de diversos assuntos.

Para assistir é só dar play aí embaixo. O link original do vídeo você encontra aqui.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Entrevista com Tania Savaget, Diretora de Estratégia e Branding da Tátil Design


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

Obsolescência desprogramada

Testando a incorporação de posts diretamente do Facebook. :)


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Se quiser aumentar os preços, conte uma história melhor

O post abaixo foi escrito por Ty Montague e publicado originalmente na rede de blogs da Harvard Business Review sob o título de "If You Want to Raise Prices, Tell a Better Story". Tomei a liberdade de republicá-lo aqui, e, por falta de tempo, não pude traduzi-lo. Caso alguém se voluntarie eu me prontifico a publicar aqui, dando os devidos créditos.

Aliás, já escrevi sobre o mesmo assunto e projeto há algum tempo, nesse post.


Ask a CEO if they want to spend a pile of money on an analysis of their company’s story, and they’ll probably throw you out of their office. But if you tell them that you have a powerful insight that can help them raise the prices on all of their products, they might ask you over to their house for dinner. Money talks, in other words. Unfortunately, in most companies, the power of story to affect pricing still remains unknown, or at least it’s vastly under-utilized.

Pricing strategy usually follows one of four tracks. Bottom up: calculate the cost of everything that goes into making the product, and add a fair margin on top. Sideways in: analyze and adopt the price of competitors’ products. Top down: target a demographic or economic segment, and engineer the product to meet that price. Or dynamic: use a complex, real-time calculation to gauge supply and demand, usually with the help of an algorithm.

What you almost never hear about is a fifth track, which I call story analysis: an analysis of a product’s capabilities to fulfill a profound human need, to tell a story that gives your customers’ lives richer meaning. In a world of abundance, what your product does for your customers is important, but not nearly as important as what your product means to them. And this second part — the story of your product — is what yields the greatest pricing power of all.

Not convinced? Consider this story.

Back in the summer of 2006, New York Times Magazine columnist Rob Walker was mulling the question of what makes one object more valuable than another. What makes one pair of shoes more valuable than another pair if they both deliver on the functional basics of comfort, durability, and protection? Why does one piece of art cost $8,000,000 and another, $100? What makes one toaster worth $20 and another worth nearly $400 if they both make toast? As Walker turned these questions over in his mind he concluded that it is not the objects themselves, but the context, the provenance of the objects, that generates value. In other words, the value isn’t contained in the objects themselves, but in the story or the meaning that the objects represent to the owner.

Walker decided to test this conclusion in a simple and direct way. With the help of a friend, he began buying random, worthless, or low-value objects at tag sales and thrift shops. The cost of the objects ranged from one to four dollars. An old wooden mallet. A lost hotel room key. A plastic banana. These were true castoffs with little or no intrinsic worth.

Next, Walker asked some unknown writers to each write a short story that contained one of the objects. The stories weren’t about the objects, per se; but they helped to place them in a human context, to give them new meaning.

When Walker put the objects, along with their accompanying stories, up for sale on eBay, the results were astonishing. On average, the value of the objects rose 2,700%. That’s not a typo: 2,700%. A miniature jar of mayonnaise he had purchased for less than a dollar sold for $51.00. A cracked ceramic horse head purchased for $1.29 sold for $46.00. The value of these formerly abandoned or forsaken objects suddenly and mysteriously skyrocketed when they were accompanied by a story.

The project was so successful (and so interesting) that they have now repeated it 5 times and put all the results up on the web. It is also a book.

Walker’s experiment reminds us in a clear and extremely tangible way how the concept of value works in the human brain: a can opener is a can opener is a can opener until it is a can opener designed by Michael Graves and a part of the permanent collection of the Museum of Modern Art. A shoe is a shoe is a shoe until it is a pair of TOMS shoes. For every pair that I buy a child who has never been able to afford shoes gets a free pair as well. Suddenly, these objects are part of an inspiring narrative — one that I can use to reveal something meaningful about myself to others. That’s something I am willing to pay for.

That’s where real pricing power comes from.

And as the number of products and brands in the world proliferate at an ever-accelerating pace, the power is only increasing. In 1997, there were 2.5 million brands in the world. Today? The number is approaching 10 million. So the trend is toward rapid commoditization of just about everything. In a world of almost overwhelming abundance, an authentic, meaning-rich story becomes the most important ingredient to drive a company’s margins up.

Dinner anyone?