segunda-feira, 30 de setembro de 2013

10 regras para escrever ficção do escritor e roteirista Elmore Leonard

post escrito por Diego Schutt, originalmente publicado no Ficção em Tópicos


Conheça 10 regras para escrever ficção do escritor e roteirista americano Elmore Leonard, extraídas do livro “Elmore Leonard’s 10 Rules of Writing“.

No prefácio do livro, o autor adverte:
Essas são regras que eu colhi ao longo da minha jornada para me ajudar a permanecer invisível quando estou escrevendo um livro, para me ajudar a mostrar ao invés de contar o que está acontecendo na história.

Se você tem facilidade com a linguagem, [a criação] de imagens, e o som da sua voz [de escritor] agrada você, invisibilidade não é o que você deve almejar, e você pode ignorar estas regras. Ainda assim, é uma boa ideia conhecê-las.

1. Nunca comece um livro com o clima

Se for apenas para criar atmosfera, e não para mostrar a reação de um personagem ao tempo, você não deve se estender muito. O leitor terá a tendência de folhear adiante a procura de pessoas. Existem exceções. Se você é o Barry Lopez, que tem mais formas de descrever gelo e neve do que um esquimó, você pode relatar o clima por quantas páginas quiser.

2. Evite prólogos

Eles podem ser irritantes, especialmente um prólogo seguido de uma introdução que vem depois de prefácio. Mas esses são normalmente encontrados em não-ficção. Um prólogo em uma novela é contextualização, e você pode colocar essas informações onde quiser.

3. Nunca use o verbo “disse” para conduzir um diálogo

A linha de diálogo pertence ao personagem; o verbo é o escritor enfiando seu nariz [e se intrometendo]. Mas o verbo “disse” é menos invasivo do que resmungou, engasgou, advertiu, mentiu. Uma vez eu percebei Mary McCarthy terminando uma linha de diálogo com ”ela asseverou”, e tive que parar de ler para pegar o dicionário.

4. Nunca use um advérbio para modificar o verbo “disse”

… ele admoestou gravemente. Usar um advérbio dessa forma (ou quase de qualquer outra forma) é um pecado mortal. O escritor está expondo-se imensamente, usando uma palavra que distrai e pode interromper o ritmo do diálogo.

5. Mantenha seus pontos de exclamação sob controle

Você não pode colocar mais de dois ou três para cada 100,000 palavras de prosa. Se você tem o dom de brincar com exclamações como Tom Wolfe, você pode usá-las como e quando quiser.

6. Nunca use a expressão “de repente” ou “caiu a casa”

Essa regra não precisa de explicações. Eu percebi que escritores que usam “de repente” tendem a ter menos controle no uso de pontos de exclamação.

7. Use sotaques regionais, interioranos, com moderação

Uma vez que você começar a soletrar foneticamente palavras no diálogo, você não será capaz de parar. Observe a forma como Annie Proulx captura o sabor das vozes de Wyoming no seu livro de contos “Curto Alcance”.

8. Evite descrições detalhadas de personagens

No livro “Colinas Parecendo Elefantes Brancos”, de Ernest Hemingway, qual a aparência do “americano e a garota com ele”? “Ela tirou seu chapéu e o colocou na mesa”. Essa é a única referência de uma descrição física na história, e ainda assim nós vemos o casal e distinguimos cada um pelo tom da sua voz, sem o uso de nenhum advérbio.

9. Não entre em muitos detalhes ao descrever lugares e objetos

A não ser que você seja Margaret Atwood e consegue pintar cenas com linguagem ou escrever paisagens no estilo de Jim Harrison. Mas mesmo se você é bom nisso, você deve evitar que descrições imobilizem a ação e o desenrolar da história.

10. Tente deixar de fora a parte que os leitores tendem a pular

Pense no que você pula durante a leitura de um romance: parágrafos grossos de prosa que têm muitas palavras. O que o escritor está fazendo, está escrevendo, [enchendo linguiça], talvez descrevendo mais uma vez o tempo, ou talvez mergulhando na cabeça do personagem; e o leitor ou sabe o que o cara está pensando ou não se importa. Aposto que você não pula os diálogos.

Minha regra mais importante é a que resume as 10.
Se soar como escrita, eu reescrevo.

Ou, se o uso correto da linguagem estiver no caminho, talvez ele deva ser ignorado. Não posso permitir que o que aprendi nas aulas de gramática e redação interrompam o ritmo da narrativa. Essa é minha tentativa de permanecer invisível, não distrair o leitor da história escrevendo o óbvio.

Se escrevo cenas sempre do ponto de vista de um certo personagem – aquele cuja perspectiva dá mais vida para a cena – posso me concentrar nas vozes dos personagens dizendo ao leitor quem eles são, como eles estão se sentindo em relação ao que eles estão vendo e ao que está acontecendo, enquanto eu permaneço invisível.


E você? O que acha dessas regras? Discorda, concorda? Deixe um comentário.

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