segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Impressões sobre João Pessoa

Crítica cinematográfica: Elysium




10 regras para escrever ficção do escritor e roteirista Elmore Leonard

post escrito por Diego Schutt, originalmente publicado no Ficção em Tópicos


Conheça 10 regras para escrever ficção do escritor e roteirista americano Elmore Leonard, extraídas do livro “Elmore Leonard’s 10 Rules of Writing“.

No prefácio do livro, o autor adverte:
Essas são regras que eu colhi ao longo da minha jornada para me ajudar a permanecer invisível quando estou escrevendo um livro, para me ajudar a mostrar ao invés de contar o que está acontecendo na história.

Se você tem facilidade com a linguagem, [a criação] de imagens, e o som da sua voz [de escritor] agrada você, invisibilidade não é o que você deve almejar, e você pode ignorar estas regras. Ainda assim, é uma boa ideia conhecê-las.

1. Nunca comece um livro com o clima

Se for apenas para criar atmosfera, e não para mostrar a reação de um personagem ao tempo, você não deve se estender muito. O leitor terá a tendência de folhear adiante a procura de pessoas. Existem exceções. Se você é o Barry Lopez, que tem mais formas de descrever gelo e neve do que um esquimó, você pode relatar o clima por quantas páginas quiser.

2. Evite prólogos

Eles podem ser irritantes, especialmente um prólogo seguido de uma introdução que vem depois de prefácio. Mas esses são normalmente encontrados em não-ficção. Um prólogo em uma novela é contextualização, e você pode colocar essas informações onde quiser.

3. Nunca use o verbo “disse” para conduzir um diálogo

A linha de diálogo pertence ao personagem; o verbo é o escritor enfiando seu nariz [e se intrometendo]. Mas o verbo “disse” é menos invasivo do que resmungou, engasgou, advertiu, mentiu. Uma vez eu percebei Mary McCarthy terminando uma linha de diálogo com ”ela asseverou”, e tive que parar de ler para pegar o dicionário.

4. Nunca use um advérbio para modificar o verbo “disse”

… ele admoestou gravemente. Usar um advérbio dessa forma (ou quase de qualquer outra forma) é um pecado mortal. O escritor está expondo-se imensamente, usando uma palavra que distrai e pode interromper o ritmo do diálogo.

5. Mantenha seus pontos de exclamação sob controle

Você não pode colocar mais de dois ou três para cada 100,000 palavras de prosa. Se você tem o dom de brincar com exclamações como Tom Wolfe, você pode usá-las como e quando quiser.

6. Nunca use a expressão “de repente” ou “caiu a casa”

Essa regra não precisa de explicações. Eu percebi que escritores que usam “de repente” tendem a ter menos controle no uso de pontos de exclamação.

7. Use sotaques regionais, interioranos, com moderação

Uma vez que você começar a soletrar foneticamente palavras no diálogo, você não será capaz de parar. Observe a forma como Annie Proulx captura o sabor das vozes de Wyoming no seu livro de contos “Curto Alcance”.

8. Evite descrições detalhadas de personagens

No livro “Colinas Parecendo Elefantes Brancos”, de Ernest Hemingway, qual a aparência do “americano e a garota com ele”? “Ela tirou seu chapéu e o colocou na mesa”. Essa é a única referência de uma descrição física na história, e ainda assim nós vemos o casal e distinguimos cada um pelo tom da sua voz, sem o uso de nenhum advérbio.

9. Não entre em muitos detalhes ao descrever lugares e objetos

A não ser que você seja Margaret Atwood e consegue pintar cenas com linguagem ou escrever paisagens no estilo de Jim Harrison. Mas mesmo se você é bom nisso, você deve evitar que descrições imobilizem a ação e o desenrolar da história.

10. Tente deixar de fora a parte que os leitores tendem a pular

Pense no que você pula durante a leitura de um romance: parágrafos grossos de prosa que têm muitas palavras. O que o escritor está fazendo, está escrevendo, [enchendo linguiça], talvez descrevendo mais uma vez o tempo, ou talvez mergulhando na cabeça do personagem; e o leitor ou sabe o que o cara está pensando ou não se importa. Aposto que você não pula os diálogos.

Minha regra mais importante é a que resume as 10.
Se soar como escrita, eu reescrevo.

Ou, se o uso correto da linguagem estiver no caminho, talvez ele deva ser ignorado. Não posso permitir que o que aprendi nas aulas de gramática e redação interrompam o ritmo da narrativa. Essa é minha tentativa de permanecer invisível, não distrair o leitor da história escrevendo o óbvio.

Se escrevo cenas sempre do ponto de vista de um certo personagem – aquele cuja perspectiva dá mais vida para a cena – posso me concentrar nas vozes dos personagens dizendo ao leitor quem eles são, como eles estão se sentindo em relação ao que eles estão vendo e ao que está acontecendo, enquanto eu permaneço invisível.


E você? O que acha dessas regras? Discorda, concorda? Deixe um comentário.

domingo, 29 de setembro de 2013

Como alguém soa quando usa hashtags para tudo


Jimmy Fallon e Justin Timberlake corroborando com algo que postei no Facebook recentemente.

#ironia

E se você não sabe usar hashtags direito, recomendo dar uma olhada no verbete da Wikipedia e depois nesse guia rápido.

#nuncaétardeparaaprender

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Entrevista com Cecilia Troiano, Diretora Geral do Grupo Troiano de Branding


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O fascínio em torno dos vilões

Quando o José Vitor Rack recomendou eu duvidei um pouco, mas não é que esse programa realmente ficou bom?

Roberto Justus debate sobre o fascínio das pessoas em torno dos vilões. Sim, Roberto Justus. Assista e decida se ele é herói ou vilão. :)



PS: Esse programa me lembrou de outro post que já fiz por aqui - 10 lições que aprendi com vilões

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Documentário de 25 anos de Street Fighter


Lembro até hoje da primeira vez que joguei Street Fighter 2. Era em um fliperama cheio de trombadinhas no Guarujá. Daqueles que ficavam nas Pintangueiras (praia central) e eu pedia para meus pais me levarem todo santo dia depois que voltávamos da praia. Horas e horas de diversão garantida.

Um dia entrei lá e...tchans!...tinha Street Fighter 2. Os gráficos e a jogabilidade eram revolucionários para a época (falar disso é chover no molhado, e a jogabilidade é revolucionária ainda hoje, na minha modesta opinião), mas havia algo mais ali. A possibilidade de escolher lutadores com personalidades tão diferentes e definidas. O russo fortão, o indiano esquisito, o japinha com faixa na cabeça, o americano vaidoso e, claro, o brasileiro bizarro. hehehe

Passei um verão inteiro jogando aquilo (e só levando porrada dos que eram mais rato de fliperama do que eu). Até que, algum tempo depois, ganhei o cartucho de Super Nintendo, e aí foi mais uma carga de vício. A vantagem é que, finalmente, podia ser o rei das lutas. Por um bom tempo fui o único garoto da turma a ter esse cartucho, então ganhava todos os campeonatinhos internos que a gente fazia. :)

Bons tempos esses, em que o maior desafio do mundo era vencer no Street Fighter 2.

Muito bom esse documentário sobre os 25 anos de aniversário da série. Assisto e sinto o cheiro de maresia do fliperama, e depois da casa dos meus amigos onde fazíamos os campeonatos. Quantas emoções!

Peguei no post-estréia da Helena Bernardes no Update or Die, aqui.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Entrevista com Bruno Ponzini, Diretor de Arte da Havas Digital & APG Russia


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Os altos e baixos da vida (uma história em gif animado)

Essa é a prova de que GIFs animados podem ser uma mídia bastante interessante para contar histórias.

Aliás, já aviso de antemão que essa é uma daquelas histórias que vai te fazer chorar. Mais tocante do que muito filme que você assiste por aí. E o mais sensacional é que achei no 9GAG. Conclusão: histórias boas podem vir de qualquer lugar, em qualquer formato. Basta querer contá-las. :)

Kevin Spacey fala sobre House of Cards, Netflix e o futuro da TV


Esse discurso tem tantas frases geniais que eu não consegui escolher uma para ilustrá-lo. Aperte o play e seja feliz!

Ah, e se quiser o discurso completo, clique aqui (via Augusto Velasquez).

Fecha minha aba, fecha lá


Alguém compartilha um texto cujo título ou assunto te chama atenção.

Você clica, vai para a aba dele e lê os dois primeiros parágrafos, só para ter certeza que é realmente interessante.

Se for, você deixa para ler o resto depois, afinal, 547 aconteceram nesse pequeno espaço de tempo.

Essa aba nunca mais será acessada, e talvez se perca no dia em que der pau no seu navegador.

Some todos os dois primeiros parágrafos que você já leu na vida. Quantos bons textos completos dariam?

Conclusão: bem que poderiam inventar uma opção para restringir o número de abas. O navegador só deixaria abrir, por exemplo, cinco ao mesmo tempo.Quer abrir a sexta? Trate de fechar alguma. Lendo e fechando, ou só fechando mesmo, sem dó.

PS: Depois de escrever isso resolvi pesquisar e encontrei uma extensão do Chrome que tem justamente essa proposta. Para fazer isso tive que abrir mais algumas abas...

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Fãs podem mudar a sociedade?


Vídeo bem interessante sobre como fãs de universos ficcionais, que lá fora são chamados de fandom (fan + kingdom), questionam valores e propõe novas ideias à sociedade por meio dos personagens e histórias que tanto amam.

Isso me lembra o caso dos palestinos se fantasiando dos personagens de Avatar para chamar atenção para sua causa. Ou então os fãs de Harry Potter criando um fã clube que também faz ativismo social.



(não lembro que me mostrou, mas se foi você, por favor, se acuse que eu dou os créditos)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Empresas, parem de criar histórias bobinhas!

texto parcialmente baseado em post do Facebook escrito em 05/09/2013


Volta e meia, nos cursos de storytelling que eu dou, alguém levanta a mão e insinua que histórias criadas por empresas devem ser mais bobinhas. Não com essas palavras, e muitas vezes vem em tom de dúvida também. Mas o sentido é esse mesmo.

Realmente, histórias criadas por empresas são, na média, mais bobinhas. Por isso a publicidade está vivendo essa crise (mais criativa do que financeira, diga-se de passagem). Quando surgiu a internet e os aparelhos mobile e, portanto, o acesso à outros conteúdos se multiplicou absurdamente, logo ficou evidente que a publicidade tinha uma importância secundária dentro do tempo que as pessoas tem para consumir coisas.

A parte boa é que, se aí mora o problema, aí também mora a oportunidade. Para vencer nesse jogo é preciso, justamente, abandonar essa noção de que histórias (ou conteúdos em geral) corporativas são mais bobinhas. Se alguma coisa hoje é, não significa que precisa continuar sendo. Nesse caso, aliás, precisar continuar não sendo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Vamos entender a diferença entre crossmedia e transmídia

O post abaixo foi originalmente publicado no Midiatismo em 22/07/2013. Aqui está o link original. Reproduzi-o aqui pois está didático, bem escrito e, por acaso, me cita.

Com a chegada das marcas brasileiras na internet – principalmente em mídias sociais – muito tem se falado sobre transmídia (do inglês transmedia), um conceito muito utilizado para explicar ações que são desenvolvidas utilizando diferentes plataformas – ou mídias – simultaneamente.

Ambos os termos parecem ter chegado no Brasil por volta de 2011, inclusive os gráficos do Google Trends mostram isso. Naquela época chegamos a fazer uma entrevista sobre o assunto com Bruno Scartozzoni, uma das referências sobre transmídia e storytelling no Brasil. Trazemos esta discussão novamente à pauta porque está semana o Cirande de Blogs será sobre “transmídia”.

Durante a entrevista, Bruno fez questão de deixar claro a discussão que trazemos aqui agora: a diferença entre crossmedia e transmídia. Apesar de transmídia ser o termo mais popular, é comum ver pessoas utilizando o termo “crossmedia” no lugar de transmídia e vice-versa.

Crossmedia vem do inglês e significa “cruzar” – ou “atravessar” – a mídia, ou seja, levar o conteúdo além de um meio apenas. O termo em si não é muito comum, mas a utilização desta técnica é. O conteúdo (a mensagem) é distribuído através de diferentes mídias (o meio) para atingir o público (o receptor), mas tudo isso acontece sem que a mensagem tenha qualquer alteração de um meio para o outro. O sentido básico deste termo é que uma pessoa possa acessar o mesmo conteúdo por diferentes meios.

Já o transmedia, que também vem do inglês, significa “além da” mídia, ou seja, o conteúdo sobressai a mídia. Na prática, significa que as diferentes mídias (os meios) irão transmitir diferentes conteúdos (as mensagens) para o público (o receptor), mas de forma que os diferentes meios se complementem. Se o receptor utilizar apenas um dos meios, vai ter apenas a mensagem parcial.


Podemos entender na prática o que significa cada um destes termos os aplicando em um contexto mais próximo a nós, um jogo de futebol:


De uma forma geral, acredito que até podemos dizer que uma ação transmídia segue características do que seria o crossmedia, mas se diferencia deste ao usar cada meio para um objetivo diferente.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Entrevista com Eduardo Camargo, CEO da Mutato


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Younh Lions Brasil powered by LinkedIn.

Um remix de palestras sobre storytelling no TEDify



TEDify é um projeto que faz remixes de várias palestras do TED. Nesse aqui eles juntaram várias frases chaves de palestras que falam de storytelling, novas mídias e assuntos afins.

É interessante como experimento para conectar o vasto material do TED, que aprendemos a amar nos últimos anos. Mas, apesar de ter algumas frases bem legais, quando você analisa o discurso completo o resultado acaba ficando pobre.

Parece até palestra de um famoso guru brasileiro de mídias sociais que todos já viram em eventos da área.


The Evolution of Storytelling from Maria Popova on Vimeo.

via não lembro quem me mostrou :(

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Escriterapia

Escriterapia é um conto da minha autoria. Queria publicar mais desses por aqui, e é justamente a partir dessa angústia que escrevi e agora publico esse.


Certa vez um advogado especializado em testamentos me contou o caso de um escritor que guardava suas histórias pra si. Eram várias, uma melhor que a outra, mas nunca ganhavam o mundo. Um dia essas histórias viraram pequenos nódulos cancerígenos.

Então o escritor foi ao médico, que o alertou sobre a necessidade de parar de fumar e começar sessões de escriterapia com urgência. Mas ele, teimoso como sempre, não tinha tempo nem coragem pra isso. Diziam que a escriterapia causava frio na barriga, e o escritor nunca gostou de andar em montanhas-russas.

Os nódulos antigos foram aumentando, novos surgiram, e em pouco tempo o quadro evoluiu para uma metástase. Entre uma despedida e outra o escritor conseguiu ao menos escrever alguma coisa, seu testamento.

Ele havia deixado, por escrito, mais de 50 argumentos de histórias. Pequenos diamantes não lapidados que contavam, de forma resumida, suas grandes ideias. Cada argumento foi endereçado a uma pessoa diferente, havendo na lista parentes, amigos e até alguns de seus escritores preferidos. A única exigência é que esses argumentos fossem trabalhados e virassem livros, caso contrário funcionariam como uma maldição, podendo, eventualmente, se transformar em novos nódulos cancerígenos no corpo do novo hospedeiro.

A partir daí todos os beneficiários começaram a escrever, e quem não se achou digno desse desafio preferiu passar pra frente como forma de se livrar da suposta maldição. Dizem que um dos livros de Luiz Fernando Veríssimo teve origem em um desses argumentos, mas, como não foi creditado oficialmente, ninguém sabe o que é verdade e o que é mito.

O que se sabe é que praticamente todos esses argumentos herdados viraram livros de sucesso e seus autores ganharam muito dinheiro, além de ficarem famosos. E aí, alguns dias atrás, esse tal advogado recebeu uma mensagem psicografada do escritor. Ele disse que está bem e feliz por observar, lá do céu, que suas histórias fazem sucesso e que os leitores querem mais obras inspiradas pelo defunto-autor. Quem sabe na próxima encarnação. Agora ele se diz cansado para escrever, mas quer que o advogado cobre os direitos autorais e psicografe a grana lá pra cima.

Hilário Magro, cidadão de Quiroró

O conto abaixo foi escrito por Rubens Galdieri, que foi meu aluno na última edição intensiva do Curso de Inovação em Storytelling da ESPM SP (agosto 2013). Nessa edição o trabalho final foi opcional.



Meu admirado Sr. Estevão, cidadão de Quiroró, escrevo esta carta porque penso que é meu dever informar o motivo da ausência de Hilário Magro nesta repartição, no dia que ler esta carta. Talvez o Sr. Nem saiba que Hilário Magro faça parte do seu secretariado, mas o fato é que, não só faz parte, como também foi ele quem criou o seu departamento. Antes de mais nada, peço que leia até o fim e que não tire conclusões precipitadas acerca da sua ausência. Sei que o dia que esta carta chegar à sua mesa, completará 4 ou 5 dias que ele não comparece. Reitero que esta carta tem a função de garantir que sua ausência seja notada, uma vez que possa passar despercebida a mesa vazia com uma pilha de papeis ao canto, e longe da máquina de café. Aliás, penso que é oportuno o momento para dizer que a disposição dessa repartição é algo próximo da estupidez. Não se ofenda, pois sei que não foi o senhor quem organizou. O café fica fora do centro onde todos se reúnem e fora da rota dos fumantes que são obrigados a sair em verdadeiros paus-de-araras modernos que partem em direção à cobertura do prédio. Nada contra, se não fosse o fato de que existe uma área aberta ao fundo, já que sua sala dentro do prédio fica no térreo e tem um pequeno quintal, e a cobertura fica 12 andares acima, com elevador que serve até o 9º andar. Bem que eles poderiam ir pra rua, se não fosse o decreto municipal estúpido que proíbe o fumo até 5 quarteirões da prefeitura de Quiroró. Mas voltando ao Hilário, tenho dúvidas se ele não criou essa disposição de mesas para justamente passar despercebido no vai e vem de gente que está sempre com pressa. Pressa de ir ao café ou fumar. Mas para entender essa história, é preciso que voltemos um pouco no tempo.

Era uma vez, uma criança magrela, magrela, magrela, que tinha nascido mais magrela que a magrela que se dizia magrela. O pai dessa criança, sêo José Maria, mais a mãe dessa criança, dona Maria José, fizeram uma promessa que se o menino magrelo, magrelo, magrelo sobrevivesse, faria uma boa ação todos os dias da vida dele, até o dia que morresse, a todos os cidadãos de Quiroró. Não interessa o dia, o menino magrelo, magrelo, magrelo, tinha que fazer uma boa ação, seja lá pra quem fosse, até que todos os cidadãos de Quiroró recebessem uma boa ação do menino. Aí ele estaria livre da promessa.

Todo dia esse menino magrelo, magrelo, magrelo, desde que começou a entender o que era ser gente, teve que fazer uma boa ação. E ajudava cachorro na rua, e varria a frente da casa da idosa, e levava sacola pra grávida que estava cansada e assim foi levando a vida, pagando a promessa que ele não tinha prometido, mas que tinha sobrevivido à magreza, magreza, magreza. Essa era a promessa que seus pais tinham feito e pelo visto estariam lá todos os dias pra lembrá-lo.

Até que numa bela manhã de quarta-feira, sêo José Maria, chamou Maria José e disse que estava passando mal. Sr. Estevão, cidadão de Quiroró, garanto-lhe que Maria José, apegada como era a José Maria, deve ter entrado em desespero. E lamento informá-lo que o desespero não foi à toa, pois naquele dia, morreu sêo José Maria. O filho, magrelo, magrelo, magrelo, como o Sr. já deve ter percebido o rodeio, é o Hilário Magro. Até ai, nada justifica a sua falta nesses dias penso que o prestimoso Sr. Estevão, esteja confuso, pra não dizer de saco cheio, de ler essas linhas sobre o amigo Magro. Mas voltando, ao principal, a vida continuou com o passar das horas, pra ser exato, 12 horas.

Só que ninguém contava que na manhã seguinte, também morreria a dona Maria José, dedicada esposa de José Maria e mãe do Hilário Magro. Quando estavam pra baixar o caixão do sêo José Maria no buraco, a dona Maria José caiu junto. Uns disseram que foi emoção, outros que foi saudade e até existiu quem insinuasse que fosse um empurrãozinho do Hilário pra ele não ter mais que fazer boa ação compulsória pra mais ninguém. Se isso foi, ou não foi, o fato é que agora ele estava livre pra fazer o que bem entendesse de todos os dias da vida dele.

E então, Hilário Magro vendeu a casa dos pais, alugou um quartinho pequeno, voltou a estudar e o resto o senhor já sabe. Entrou pra carreira pública e até hoje, quando o Sr. ler essa carta, fazia parte do seu secretariado. Ilustríssimo Sr. Estevão, é assim que talvez o senhor entenda as circunstâncias que levaram o Hilário a não estar presente neste momento. Após o Hilário sofrer a grande perda dos pais, nada mais poderia reconfortá-lo, a não ser a oportunidade de ser dono do seu nariz e ir viver o mundo fora de Quiroró.

Dali pra frente, ele começou a arrumar as malas, pegou o restinho de dinheiro que tinha no banco e se preparou pra partir. Mas o que Hilário tem de responsabilidade e consciência, o Sr. algum dia deve ter notado. Até porque eu sei que o senhor mesmo já recebeu uma boa ação dele. E a esposa do senhor também. E Hilário, fazendo as contas, calculando a densidade demográfica de Quiroró, percebeu que no final das contas,não faltava muita gente pra ele cumprir 100% a promessa dele. Pra falar a verdade, faltava apenas uma pessoa: esta que vos escreve. E assim que escutei a campanhia, já sabia que era Hilário à minha porta pra pagar a sua dívida e assim, sair de Quiroró pra sempre. Sr. Estevão, por favor, guarde sempre essas linhas nas suas lembranças, pois é importante que a memória de Hilário seja lembrada de forma digna. Ele veio a mim, a última pessoa de Quiroró a quem ele poderia fazer a sua última boa ação e assim, pagar sua promessa, e digo-lhe que cumpriu à risca. Estou em Quiroró desde que Hilário nasceu, dia este que vim buscá-lo e fui impedido por uma promessa. Promessa essa que acabou quando ele fez a boa ação de me encontrar e poupar-me do martírio que é viver em Quiroró. Deixo avisado aqui, que Hilário Magro, cidadão nascido em Quiroró, finalmente cumpriu com seu destino.

Atenciosamente,

Inevitável

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Personigem, os melhores personagens do Facebook

Alguns dias atrás eu postei aqui o Gerador de Personagens de Bergen, e aí o Fábio Silva me mostrou uma referência preciosa sobre esse assunto.

Trata-se da Personigem, uma fanpage de Facebook que nos apresenta todo dia um personagem curioso, para não falar bizarro. Além de dar muita risada, já consegui imaginar muitas histórias a partir desse material. Copiei aqui alguns dos melhores, mas vale a pena dar uma olhada por si próprio.





sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Mamede Mustafa Jarouche, o tradutor das Mil e Uma Noites no Brasil


Você já ouviu falar do livro As Mil e Uma Noites, certo? É basicamente uma história sobre o poder das histórias. Vou copiar aqui uma breve descrição da Wikipedia em português:
As Mil e Uma Noites é uma coleção de histórias e contos populares originárias do Médio Oriente e do sul da Ásia e compiladas em língua árabe a partir do século IX. No mundo ocidental, a obra passou a ser amplamente conhecida a partir de uma tradução para o francês realizada em 1704 pelo orientalista Antoine Galland, transformando-se num clássico da literatura mundial.As histórias que compõe as Mil e uma noites tem várias origens, incluindo o folclore indiano, persa e árabe. Não existe uma versão definida da obra, uma vez que os antigos manuscritos árabes diferem no número e no conjunto de contos. O que é invariável nas distintas versões é que os contos estão organizados como uma série de histórias em cadeia narrados por Xerazade, esposa do rei Xariar. Este rei, louco por haver sido traído por sua primeira esposa, desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando-as matar na manhã seguinte. Xerazade consegue escapar a esse destino contando histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei. Ao amanhecer, Xerazade interrompe cada conto para continuá-lo na noite seguinte, o que a mantém viva ao longo de várias noites - as mil e uma do título - ao fim das quais o rei já se arrependeu de seu comportamento e desistiu de executá-la.
Pois bem, o pessoal do AntiCast, um podcast sobre design e assuntos afins, gravou um programa com o Mamede Mustafa Jarouche, linguista e professor da USP que teve o trabalho de traduzir o livro, se não me engano pela primeira vez no Brasil, direto do árabe, utilizando as versões mais "originais" que ele pôde encontrar.

Você pode ouvir o podcast dando play aí embaixo...



...ou assinando no feed do iTunes (informações nesse link). Também aproveite e acompanhe o AntiCast pela fanpage oficial do Facebook.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Entrevista com André Kassu, diretor de criação da AlmapBBDO


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.
Entrevistas anteriores:
Matheus Siqueira


Marcelo Jesus

Você nunca imaginou que uma cadeira poderia fazer alguém se movimentar tanto


Belíssima campanha da Ikea da Espanha, que conta a história de um senhor e sua...cadeira!

Sim, cadeira mesmo, daquelas bem genéricas, que a gente encontra em qualquer bar por aí.

Prova de que, com muita criatividade e sinceridade emocional, é possível contar histórias a partir de qualquer coisa.



via Update or Die

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Roda Viva: entrevista com Maitena


Maitena Burundarena, mais conhecida só como Maitena mesmo, esteve recentemente no programa Roda Viva da TV Cultura.

Para quem não sabe ela é uma famosa quadrinhista argentina, autora do sucesso Mulheres Alteradas, que já foi publicado no Brasil (e no resto do mundo) tanto como tirinha de jornal quanto como livros.

Recentemente a autora resolveu interromper a sua produção de quadrinhos e se voltou para a literatura, lançando seu primeiro romance. E é daí que parte a entrevista. Bem legal mesmo, assistam.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Curso de Storytelling e Transmídia em Campinas-SP, 26/10


O Curso de Storytelling e Transmídia chega, pela primeira vez, em Campinas-SP, no dia 26 de outubro.

Quando? sábado, 26 de outubro de 2013
Que horas? das 9h00 às 18h00
Aonde?  local a ser confirmado
Quanto? a partir de R$250,00 (valor válido para os 5 primeiros ingressos)
Inscrições e mais informações? acesse esse link


DESCRIÇÃO

Empresas, ONGs e governos estão redescobrindo o valor de contar histórias para capturar a atenção das pessoas. Em um mundo com excesso de informações, criar uma história envolvente é fundamental para transmitir mensagens impactantes e inesquecíveis.
O curso de Storytelling e Transmídia ensina como os conceitos utilizados por escritores, roteiristas e demais profissionais da indústria do entretenimento podem ser aplicados à comunicação corporativa em diversas vertentes: branded content, product placement, mídias sociais, eventos, apresentações, branding etc. No final os alunos vivem o processo autoral de criar histórias na prática, além das possibilidades de explorar todo esse potencial com a transmídia.

PROFESSOR
Bruno Scartozzoni é um profissional multi-disciplinar de planejamento e estratégia de comunicação com mais de 10 anos de experiência, atendendo clientes como Nokia, Nestlé, Sony, AmBev e Sebrae.
Graduado e pós-graduado em Administração Pública e Administração de Empresas, em ambos os casos pela FGV. Foi um dos fundadores da Storytellers, primeira agência brasileira especializada em criar histórias para marcas. Hoje é sócio e diretor de planejamento da Ativa Esporte, professor de storytelling e transmídia da ESPM SP e da ECA-USP e colaborador do Update or Die.
No blog do professor é possível encontrar mais referências sobre ele e o assunto do curso.

CONTEÚDO
Módulo 1 – Introdução ao Storytelling
- O desafio da comunicação nos dias de hoje
- Economia da atenção
- O que é storytelling?
- Storytelling pelo prisma da psicologia, neurologia e antropologia
- Elementos do storytelling

Módulo 2 – Aplicações do storytelling na comunicação 
- O poder do contexto
- Branded Content
- Product Placement
- Branding
- Eventos
- Apresentações
- Aplicações para governos e ONGs

Módulo 3 – Processo Autoral 
- Criação de histórias a partir de objetivos de comunicação
- Técnicas para criação de histórias
- Construção de personagens
- Design de plot
- Exercício em classe para criação de histórias
- Discussão das histórias criadas

Módulo 4 – Transmídia
- O que é transmídia?- Criação de universos
- A transmídia na publicidade
- Desafios para o futuro da comunicação


A QUEM SE DESTINA:
- Publicitários e comunicadores
- Executivos de marketing
- Empreendedores e empresários
- Jornalistas e profissionais de mídia
- Produtores de conteúdo
- Escritores e roteiristas
- Pessoas que tenham necessidade de comunicar algo de forma engajadora e impactante

AO FINAL DO CURSO OS ALUNOS SABERÃO:
- Conceito de storytelling e o que está por trás de seu uso como técnica de comunicação
- Aplicar o storytelling às diversas vertentes da comunicação com embasamento de diversos cases
- O processo de criar histórias a partir de uma necessidade de comunicação
- Dominar o conceito de transmídia e seus desdobramento

domingo, 1 de setembro de 2013

5 textos para ler com atenção vol.3

Essa é uma série de posts em que seleciono alguns textos e links interessantes que fui coletando por aí nos últimos dias, sobre os quais faço pequenos comentários. Aproveitem. 

Para acessar outros posts da série clique aqui.



16 marcas exaltadas pelo funk ostentação

Levantamento bem legal da Exame.com sobre as marcas que aparecerem nos sucessos do "funk ostentação", vertente do funk que tem o mesmo ritmo do "funk carioca", mas com letras que falam de consumismo e marcas. Esse é um fenômeno obviamente ligado à ascensão da classe C (ou "nova classe média" como alguns dizem).
Para as marcas que aparecem nos clipes de forma espontânea resta a dúvida: participar desse movimento, sim ou não? se sim, de qual forma? e como ganhar esses consumidores sem perder o glamour e, consequentemente, os consumidores AB?

A plateia no poder: o que querem dizer as vitórias do Netflix nos Emmys

Ótima análise da Ana Maria Bahiana sobre o que significa a série House of Cards ter ganhado vários Emmys.

Amazon Unlocks The Value Of Fan Fiction With "Kindle Worlds"
A notícia é velha mas, se você não viu, vale abrir o link. A Amazon está lançando uma plataforma para que escritores de Fan Fiction publiquem oficialmente suas obras, endossadas pelos autores das obras originais. A cada e-book vendido o autor-fã fica com 35% do valor.

Não é Preciso Perder a Cultura
Roteirista de séries americanas veio ao Brasil fazer um workshop para ensinar como escrever roteiros para esse formato. Já vale por esse parágrafo: Segundo Rabkin, o texto é mais importante do que os aspectos culturais. "Estamos descobrindo que, quanto mais individual é uma história, mas universal fica. Você foca num personagem ou em uma circunstância que as pessoas se identificam. O mercado brasileiro está se abrindo para que vocês contem histórias suas e chamem a atenção da audiência brasileira. Não é preciso perder a cultura de vocês para se tornarem globais.

Latitudes | Conheça o projeto transmídia estrelado por Alice Braga e Daniel de Oliveira
Tenho sérias dúvidas se esse projeto é transmídia mesmo, mas, independentemente disso, a ideia é interessante. A mesma história contada no YouTube, na TV a cabo e no cinema, só que com edições diferentes, adaptadas para cada mídia. Me parece que se isso é mais uma adaptação do que uma transmídia de verdade, mas, de qualquer forma, é um projeto ambicioso!