domingo, 4 de agosto de 2013

Vendo o mundo com o Google Glass


O artigo abaixo, publicado na Revista Cidade Nova Edição Julho 2013, contou com uma pequena participação minha, como um dos entrevistados.

Apesar de não ser exatamente um expert em Google Glass, adorei ser entrevistado sobre isso por um motivo: pensar nas respostas me fez pensar sobre o assunto.

Em outras palavras, gostaria de ser entrevistado mais vezes sobre assuntos sobre os quais não necessariamente domino. #ficaadica

Deixo aqui pra vocês o artigo mais do que competente da Cibele Lana e, logo abaixo, a entrevista original, que aconteceu por e-mail, no final de maio. :)



ENTREVISTA

1. Primeiro, pode me dizer sua idade, profissão e nome que posso utilizar na entrevista?

Bruno Scartozzoni, publicitário, 32 anos. Se quiser colocar onde eu trabalho fala que sou sócio-diretor da Ativa Esporte e professor de storytelling e transmídia da ESPM e da ECA-USP.

2. O Google Glass deve chegar ao mercado em 2014, de acordo com as previsões do Google. As mídias sociais trouxeram mudanças significativas ao mercado publicitário. E um dispositivo literalmente ligado ao corpo, pode trazer mudanças também? Pode ficar mais fácil criar histórias para ganhar a atenção do consumidor?

Acho bastante difícil prever de uma forma séria o real impacto de uma tecnologia tão nova. O passado está recheado de exemplos de coisas que pareciam promissoras e simplesmente não pegaram, assim como outras cujas apostas iam contra, mas que, por algum motivo, foram para frente e revolucionaram tudo. Eu realmente não sei em qual grupo o Google Glass está. Pode até ser que o produto não dê tão certo agora, em 2014, mas certamente essa tecnologia causará um grande impacto. Dando um exemplo análogo podemos citar os tablets, que já existiam há pelo menos 2 décadas atrás, mas só foram viabilizados como produto comercial de sucesso mais recentemente.

Se com os dispositivos móveis (celulares e tablets) as pessoas já sentem a onipresença da internet e das redes sociais, o que o Google Glass promete é levar isso para um próximo nível. E isso pode ser tão bom quanto ruim. A parte boa são as inúmeras possibilidades de como isso pode nos ajudar no dia a dia. Por exemplo, eu sou uma pessoa que tenho grandes dificuldades em me localizar nos lugares, portanto ficaria bastante feliz com uma camada de GPS se sobrepondo à minha visão quando fosse preciso. E essa é uma das promessas desse produto.

Por outro lado odeio receber chamadas e torpedos promovendo alguma coisa que eu não pedi. Já pensou você andando na rua e de repente aparece uma janela anunciando algo e tampando sua visão? Pode apostar que coisas desse tipo também vão acontecer. Fundamentalmente o Google Glass é uma ferramenta,e o que vai importar de verdade é o uso que as pessoas farão dela.

Ah, e ainda existe uma outra questão. Para além da parte tecnologia há também o fator do estilo. Até que ponto algo que se sobrepõe aos óculos vai pegar como acessório de moda? Isso não é só uma tecnologia, mas também uma nova forma de expressão. Será que todo mundo quer se expressar dessa forma? E as pessoas que, assim como eu, raramente usam óculos (nem de lente nem escuros)?

3. Acredita que o Glass terá uma boa aceitação entre os brasileiros? Ou teremos dificuldades de nos adaptar?

Tenho certeza que um determinado grupo, os chamados "earlier adopters", terão uma aceitação imediata. São aquelas pessoas que estão na crista da onda da tecnologia e absorvem rapidamente as novidades. Mas esse é um número insignificante em relação à população brasileira. Esse tipo de pergunta passa por fatores incalculáveis: o uso que as pessoas darão à tecnologia, a questão do estilo, o custo do produto (que aqui tende a ser mais caro), as redes das operadoras (que, todo mundo sabe, estão deficientes), a estratégia de lançamento, o surgimento ou não de cópias mais baratas e "alternativas" (provavelmente vindas da China) e por aí vai...

4. Na sua opinião pessoal, como um possível usuário, quais são os benefícios da tecnologia para pessoas comuns e quais seriam os perigos (privacidade, segurança..)?

O maior benefício são as novas e infinitas possibilidades que teremos ao sobrepor uma camada virtual à realidade que enxergamos. Se nos últimos 20 anos temos construído a idéia de que as pessoas têm uma identidade real e outra virtual, o Google Glass é, de certa forma, a tecnologia que pode unir essas duas coisas. Um dos exemplos é do GPS, que eu já citei. Mas também imagine que você poderá olhar para um objeto, saber quanto ele custa e optar por comprar ou não. Ou então olhar para uma pessoa cujo nome você não está lembrando, e logo fazer um reconhecimento facial para saber não só essa informação, mas também o que ela faz, onde mora e quais são seus interesses pessoais. Nesse sentido talvez fique muito mais fácil flertar com uma pessoa desconhecida, e por aí a gente já tem uma dimensão de como isso pode influenciar o comportamento.

Por outro lado alguém mal intencionado também poderia olhar para alguém e logo encontrar informações que podem ser usadas contra a vitima. Ou então as malditas janelas de propaganda tapando sua visão. Sinceramente não sei o que é pior. ;-)

5. Deixo este espaço em aberto para você acrescentar algum argumento que possa me ajudar!

Não sei mais o que falar. :)

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