sexta-feira, 10 de maio de 2013

Tudo o que você queria saber sobre Walking Dead (entrevista com Paula Gomes)


Tudo o que você precisa saber por agora sobre a Paula Gomes é que ela é a autora de um dos artigos mais completos que já li sobre o fenômeno Walking Dead, escrito para a Revista Universitária do Audiovisual da UFSCAR.

Quando eu li pensei "puxa, seria legal entrevistar a Paula e publicar aqui no blog". Então foi isso que eu fiz. Se você se interessa pela franquia, pelo fenômeno pop, pela mitologia zumbi ou por transmídia, leia o artigo e depois a entrevista, ou vice-versa.

PS: A entrevista foi feita via chat do Facebook, e particularmente acho que a dinâmica ficou bem interessante. :)


1 - Paula, gostaria que você se apresentasse. (nome, o que está estudando, de onde fala etc.)

Bom, sou Paula Gomes, graduada em Comunicação Social pela Unesp e atualmente faço mestrado em Imagem e Som na UFSCar, onde estudo o simbolismo espacial em filmes de zumbis. É dificil dizer onde moro no momento, uma vez que passo a semana viajando entre Limeira, São Carlos e Bauru. rs

2 - De onde vem esse interesse pelo universo dos zumbis?

Acho que todos que tem interesse neste tipo de narrativa possuem em algum grau uma atração pela fantasia sobrevivencialista; e um desejo utópico que Fredric Jameson descreve como uma realidade em que “o protagonista e um pequeno grupo de sobreviventes da catástrofe, partem em busca de uma coletividade menor e mais habitável após o fim da modernidade e do capitalismo”(Jameson, 2005, p.199)


3 - Boa observação! Eu sempre digo que histórias de zumbis são, na essência, histórias sobre epidemias. E que se você gosta de Ensaio sobre a Cegueira, do Saramago, não tem como não gostar de histórias de zumbis. 

Para mim uma outra definição possível para dimensionar o que representa esse tipo de história seria o homem contra a natureza. Aquela noção de que há algo maior do que a civilização por aí, podendo engolí-la a qualquer momento. Concorda ou discorda?


Acho que esta definição se aplica mais quando falamos de narrativas pós-apocalipticas, como The Walking Dead por exemplo, e, em menor grau, o filme 28 days later, nas quais os personagens precisam redescobrir como viver em um mundo em que a civilização já não existe mais.Mas quando se trata de narrativas apocalípticas, (que nos apresenta o inicio de uma catástrofe de nível local ou global) , o embate principal ocorre entre os próprios homens, que na grande maioria dos filmes de zumbis se mostram incapazes de conviver de forma coletiva, entregando-se a conflitos internos que resultam na morte do grupo de sobreviventes.

4 - Na sua opinião, o que Walking Dead tem de especial em relação à esse universo? Por que fez tanto sucesso?

A maior inovação realizada por Kirkman foi trazer este universo para uma mídia seriada, que possibilitou o desenvolvimento de personagens mais complexos; e forneceu uma mobilidade maior a estes personagens, que agora circulam pelo mapa, sem ater-se por muito tempo em determinado local, possibilitando assim o surgimento de um saga.

5 - Pelo que você estuda e lê sobre a série, existe uma previsão de que chegue ao fim? Ou a idéia do autor é explorar esse universo infinitamente?

Kirkman já afirmou em várias entrevistas que gostaria de continuar escrevendo esta história por muito tempo. Mas a estrutura atual da narrativa apresenta algumas dificuldades para uma narrativa de longa duração, como a centralização da história no personagem Rick Grimes. Para solucionar este impasse, Kirkman, sugeriu que talvez coloque Carl para assumir o papel de seu pai, após sua morte:http://www.thewalkingdead.com.br/kirkman-futuro-da-hq-rick-pode-morrer/

6 - Quem acompanha a série nos quadrinhos e na TV sabe que a história é mais ou menos a mesma, mas que há pequenas diferenças capazes de criar surpresas e manter os fãs ligados nas duas narrativas. Você acha que isso poderia ser benchmark para adaptações desse tipo daqui pra frente?

O diferencial de TWD é que as narrativas dos quadrinhos e da tv estão sendo desenvolvidas, ainda que não simultaneamente, de forma paralela, de forma que uma possa ser retroalimentada pela outra – como a tão esperada inclusão de Daryl Dixon nos quadrinhos: http://omelete.uol.com.br/walking-dead/quadrinhos/walking-dead-personagem-exclusivo-do-seriado-deve-entrar-nas-hqs/). Acredito que outras adaptações podem utilizar-se desta mesma estratégia no futuro.

7 - Você comentou comigo que está fazendo sua tese de mestrado em torno do universo zumbi. Do que se trata sua pesquisa?

Eu estou analisando os espaços em que são ambientados os filmes de zumbis em três épocas distintas: os filmes da década de 30-40 ambientados em antigas colonias do caribe; os filmes de “apocalipse zumbi” criados por Romero a partir de 1968, ambientados em lugares fechados e claustrofóbicos, e os filmes pós anos 2000, localizados em grandes capitais urbanas destruídas. O objetivo é analisar o potencial simbólico destes espaços, e sua interelação com as ansiedades sociais da época em que eles foram realizados, representadas pelas dicotomias geográficas interior versus exterior; local versus global; nacional versus estrangeiro; entre outras.

8 - Muito legal! Sinta-se a vontade para publicar aqui se quiser, quando estiver pronto.

Para finalizar nossa entrevista, quais argumentos você usaria para convencer alguém que não gosta de histórias de zumbi (mais por preconceito do que por uma experiência ruim) a assistir Walking Dead?


Os filmes de zumbis foram, por muito tempo, considerados uma produção relativamente barata, incentivando muitas produtoras pequenas a se aventuraram no subgênero, realizando produções sofríveis e de pouco valor cultural. Mas quando observamos as obras de cineastas como Romero, Fulci, e Ossorio, torna-se impossível negar o potencial simbólicos destes filmes para retratar as ansiedades sociais da época e local em que foram produzidos. TWD caminha em direção de tornar-se outro marco positivo na história deste subgenero.

9 - Paula, MUITO OBRIGADO pela entrevista! Se quiser deixar algum recado final para os leitores, o espaço é esse. 


Para quem deseja ver um bom filme de zumbis tupiniquim, recomendo o ótimo Mangue Negro de Rodrigo Aragão.

Vou deixar meu email também para duvidas/reclamacoes/ ofertas milionárias: paulagomesrtv@gmail.com


7 comentários:

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