sexta-feira, 31 de maio de 2013

Storytelling, Negócios e Comunicação (entrevista com Fernando Palacios)

Olhaí que legal a entrevista do Fernando Palacios para o blog Idéia de Marketing.

Post original aqui.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Make Good Art - Neil Gaiman ensinando sobre a vida



Neil Gaiman, um dos escritores responsáveis por transferir às histórias em quadrinhos o status de literatura nas últimas décadas, deu um discurso para o formandos da University of the Arts da Filadélfia. Esse vídeo rodou a internet no ano passado e, se você ainda não viu, dá play aí que vale a pena.

E já que coisa boa de verdade nunca data completamente, aproveitei para postá-lo aqui e, de quebra, selecionei alguns trechos especiais, diretamente da transcrição em português que peguei nesse post do Trabalho Sujo, e aproveitei para fazer alguns comentários.

"Eu aprendi a escrever escrevendo. Eu tendia a fazer qualquer coisa conquanto que parecesse uma aventura, e a parar de fazê-la quando parecia trabalho, o que significou que a vida não se parecia com trabalho."

Ok, talvez nem todo mundo possa se dar ao luxo de fazer essas escolhas, mas, ainda assim, acho triste ver um monte de gente que poderia, mas não faz.

"Uma vida como freelancer, uma vida nas artes, é muitas vezes como colocar mensagens em garrafas, em uma ilha deserta, e esperar que alguém encontre uma de suas garrafas, e a abra, leia, e coloque algo em outra garrafa que fará seu caminho de volta até você: apreço, ou uma encomenda, dinheiro, ou amor. E vocês têm de aceitar que vocês poderão lançar uma centena de coisas para cada garrafa que aparecerá retornando."

As vezes pessoas me procuram perguntando como faz para trabalhar com isso ou com aquilo. Via de regra vou responder que, se você realmente quiser, o caminho mais consistente será conhecendo as pessoas que são referência para você (a maioria vai te responder e-mail educadamente, e uma boa parte vai topar tomar um café com você) e oferecendo algo em troca, nem que seja um projeto pessoal, nem que seja de graça. Aliás, na maior parte das vezes vai ser de graça mesmo.

A combinação dessas duas coisas e mais um tanto de paciência certamente levam qualquer um ao lugar desejado, mas o problema é que a maioria não tem força de vontade para lançar garrafas ao mar.

"Os problemas do fracasso são difíceis.
Os problemas do sucesso podem ser ainda mais difíceis, porque ninguém lhes avisa sobre eles.
O primeiro problema de qualquer tipo de sucesso limitado é a convicção inabalável de que você está fugindo com algo, e de que a qualquer momento irão descobri-lo. É a Síndrome do Impostor, algo que minha esposa Amanda batizou de Polícia da Fraude."


Não que eu seja uma pessoa de sucesso. Não que eu esteja me comparando ao Neil Gaiman. Mas endosso completamente essa teoria da "Síndrome do Impostor", inclusive já escrevi sobre isso nesse post.

Mas, quer saber de uma coisa? Os melhores profissionais que eu conheço, os mais honestos e competentes, sofrem disso também. Só os idiotas e picaretas "não sofrem". E é entre aspas mesmo, afinal, na iminência de serem desmascarados, entram em pânico e surtam. Numa dessas um guru de meia tigela já até me ameaçou de processo. E essa é a maior diferença entre eu e ele. Eu assumo que sou um bosta, sempre serei, e luto todos os dias para melhorar um pouquinho.

"
Houve um dia em que olhei e me dei conta de que eu tinha me tornado alguém que profissionalmente respondia a e-mails, e escrevia como um hobby. Eu comecei a responder menos e-mails, e fiquei aliviado por perceber que estava escrevendo muito mais."


Um dia chegarei lá! Mas não tenho moral nenhuma para falar sobre isso.


"
As pessoas são contratadas porque, de algum modo, elas são contratadas. Em meu caso eu fiz algo que atualmente seria fácil de checar, e me colocaria em problemas, e quando eu comecei, naqueles dias pré-internet, parecia uma estratégia de carreira sensata: quando editores me perguntavam para quem eu já tinha trabalhado, eu mentia. Eu listei uma série de revistas que soavam razoáveis, e soei confiante, e consegui os empregos. Então transformei em uma questão de honra conseguir escrever algo para cada uma das revistas que eu listei para conseguir aquele primeiro emprego, de modo que eu não menti de fato, só fui cronologicamente desafiado… Você começa a trabalhar por qualquer maneira que comece a trabalhar."


Deveriam criar um curso sobre isso. Quem fizer vai ganhar muito dinheiro.

"
As pessoas se matêm trabalhando, em um mundo de freelances, e mais e mais do mundo de hoje é freelance, porque seu trabalho é bom, e porque são fáceis de conviver, e porque elas entregam o trabalho em tempo. E você nem precisa de todos os três. Dois em três está bem. As pessoas irão tolerar quão desagradável você é se seu trabalho for bom e você o entregar no prazo. Elas perdoarão o atraso do trabalho se ele for bom, e elas gostarem de você. E você não precisa ser tão bom quanto os outros se você é pontual e é sempre um prazer ouvi-lo(a)."


A mais pura verdade. Quanto antes você aceitar que a média do mundo é muito baixa e, portanto, só é preciso ser um pouquinho acima da média para garantir seu espaço, melhor.

"
Façam do mundo um lugar mais interessante por vocês estarem aqui. Façam boa arte."


Acho que é isso. Façam do mundo um lugar mais interessante por vocês estarem aqui. Não existe legado maior do que esse.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O dia em que os Vingadores andaram de Harley Davidson


Volta e meia me deparo com alguma notícia velha que, apesar de ter passado batido na época, vale muito o registro por aqui. Esse é o caso dessa revista digital que a Marvel fez em parceria com a Harley Davidson, mais ou menos na época do lançamento do filme dos Vingadores. Para acessar a revista digital clique nesse link.

Aliás, essa não é a primeira vez que a Marvel faz esse tipo de parceria. Mais ou menos no mesmo período a editora também lançou algo semelhante em parceria com a Visa, lembra?

Esses dois exemplos abrem várias possibilidades para a apropriação de super heróis populares por parte das marcas. Afinal, é melhor fazer isso do que criar um novo herói com quem ninguém vai se importar, não é mesmo?


via Danger!

sábado, 25 de maio de 2013

Os dois ingredientes indispensáveis de histórias envolventes

O post abaixo é de autoria do Diego Schutt e foi originalmente publicado nesse link. Aliás, o Diego é o editor do Ficção em Tópicos, um dos melhores blogs para escritores que eu conheço. Vale a visita!


Quando alguém abre um livro, vai ao cinema, ou assiste a uma série de tv, está ciente que os acontecimentos da história foram inventados, que os personagens não existem, e que seus diálogos e comportamentos são pura fantasia.

Se você é escritor ou roteirista, não precisa se preocupar em convencer ninguém do contrário. As pessoas estão dispostas a acreditar nas ideias mais malucas que sua mente puder imaginar, contanto que sua história seja coerente e verdadeira.

1. Sua história precisa de coerência

Não importa se sua ideia é baseada em fatos reais, ou se é uma fantasia épica com criaturas de outros planetas. Para que as pessoas acreditem na ilusão de realidade que você está tentando criar, você precisa pensar em respostas para as perguntas que sua história vai provocar na audiência.

Se seu personagem pode voar, por exemplo, você precisa explicar a origem dessa habilidade. Ele vem de outro planeta? Ou é um experimento científico? Ou é uma cruza entre humanos e pássaros? Se seu protagonista é um ladrão de bancos de 70 anos, você precisa mostrar as motivações por trás de suas ações. Ele não consegue sobreviver com o que ganha de aposentadoria? Ou ele gosta da adrenalina do perigo? Ou ele precisa de dinheiro para pagar o tratamento médico do neto?

Para transformar a ilusão da sua história em uma realidade acreditável na mente das pessoas, você precisa construir um universo ficcional consistente e coerente. Como? Considere o seguinte:

- Nos interessamos por aquilo que acreditamos ser importante.
- Acreditamos na importância daquilo que tem um sentido para nós.
- Damos sentido ao que podemos compreender.
- Compreendemos o que nos parece coerente.
- Consideramos coerente o que tem uma lógica.
- Enxergamos lógica onde vemos relações de causa e consequência.

Isso significa que nos interessamos por histórias onde podemos entender a origem do desejo do protagonista, e acreditamos que suas ações e os acontecimentos do enredo seguem uma sequência lógica de causa e consequência, coerentes com o universo ficcional criado. Só assim podemos compreender e dar sentido aos acontecimentos da história, e encontrar uma interseção com nossos interesses pessoais.

Ou seja, ainda que um personagem seja fruto da imaginação de um escritor ou roteirista, acreditamos em sua existência durante uma história quando reconhecemos nele as características de uma pessoa de verdade, com motivações e desejos que obedecem à lógica da sua personalidade.


2. Sua história precisa de verdade

As pessoas dedicarão infinitas horas de atenção as suas histórias contanto que, em troca, você lhes mostre uma verdade. Não uma verdade jornalística, fatual, que tenha acontecido a uma pessoa, em um determinado dia, lugar e horário. O que as pessoas buscam em histórias de ficção é uma verdade humana.

Embarcar em uma história de ficção é como assistir a um show de mágica. As pessoas estão dispostas a serem enganadas, contanto que as ilusões lhe pareçam reais. Como fazer ilusões parecerem reais? Construindo um universo ficcional que espelhe a forma como todos nós inventamos as histórias que dão sentido as nossas vidas:

- Nossas experiências moldam nossa personalidade.
- Nossa personalidade define nossas motivações e desejos.
- Nossas motivações e desejos guiam nossas decisões.
- Nossas decisões se concretizam em nossas ações.
- Nossas ações resultam em consequências.
- Nossa interpretação dessas consequências constituem novas experiências.
- O sentido que damos a essas experiências moldam nossa percepção sobre a vida.

Em histórias de ficção, isso significa: 1. Apresentar as experiências e motivações do protagonista que ajudam a entender a origem do desejo que ele quer satisfazer. 2. Criar situações onde ele seja forçado a tomar decisões e ações para enfrentar os conflitos que o impedem de alcançar esse desejo. 3. Mostrar o impacto desses acontecimentos e suas consequências na percepção do personagem sobre a vida.

A verdade humana que buscamos em histórias de ficção é o sentido que o personagem deu a uma experiência, e como sua interpretação sobre essa experiência moldou a forma como ele vê o mundo, outras pessoas e a si mesmo. É assim que estabelecemos as verdades que guiam nossas vidas: interpretando tudo o que nos acontece.

Por esse motivo, quando entendemos o sentido que um personagem deu para uma experiência de vida, reconhecemos nele nossa humanidade, nossa capacidade de interpretar o que sentimos. E não há nada que nos pareça mais verdadeiro do que chegarmos a uma conclusão racional que é confirmada por nossas emoções.

Quer investigar o assunto mais a fundo? Assista aos vídeos abaixo.


O vídeo acima é em inglês. Para colocar legendas em português, clique em “Play”, depois clique no ícone “Captions”, clique em “English (automatic captions)”. Depois, clique novamente no ícone “Captions”, e na sequência em “Translate Captions”. Selecione português na lista e clique OK.


O vídeo acima é em inglês. Para colocar legendas em português, clique em “Play” e selecione “Portuguese” na lista de legendas no canto inferior direito do vídeo.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Storytelling e Transmídia para Marcas (ESPM Porto Alegre)

Já escrevi isso algumas vezes, mas faço questão de repetir. Uma das coisas mais legais que tem acontecido nos três últimos anos da minha vida é a oportunidade de viajar pelo Brasil com o objetivo de compartilhar um pouco do meu conhecimento e experiência.

Porto Alegre é, certamente, uma das cidades que eu mais visitei nos últimos tempos, mas nunca para dar aula. Bem, isso vai mudar, porque recentemente recebi um convite que me deixou muito, muito feliz!

Vou participar do time de professores do curso Storytelling e Transmídia para Marcas, da Escola de Criação da ESPM-RS, ao lado de gente altamente gabaritada, como a Sheron Neves, que, além de muita experiência na indústria do entretenimento, tem um dos melhores blogs sobre o assunto.

O curso começa em 25 de maio e terá 8 encontros em sábados, sendo que a minha aula acontece em 6 de julho. Para mais informaçeõs coloquei aqui embaixo os dois flyers oficiais e o site do curso fica nesse link. Então corre que ainda dá para se inscrever!


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Storytelling e Publicidade no blog da Vogg

Dei uma entrevista para o blog da Vogg, agência curitibana de branded content, publicada originalmente nesse link em 03 de maio de 2013. O conteúdo abaixo é uma réplica integral do texto.

Contar histórias ou, em inglês “storytelling”, é algo inerente ao ser humano. As pessoas contam histórias diariamente umas para as outras, em blogs, em diários e em muitos outros meios. A publicidade vem justamente se aproveitando deste gosto por histórias para vender ideias e produtos, como forma de emocionar e gerar engajamento com o público. Mas contar histórias para marcas não é tão simples assim. Exige técnicas e domínio de conceitos.

Em entrevista exclusiva, Bruno Scartozzoni, planner, escritor, autor do blog Caldinas e professor do curso “Inovação em Storytelling: do Branded Content à Transmídia” da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), fala sobre as características de uma (boa) campanha baseada em storytelling e o futuro do transmídia storytelling.




Quais os elementos essenciais para montar uma boa campanha baseada em storytelling?
Bruno Scartozzoni: Essa pergunta é bem interessante porque a resposta parece óbvia, mas não é nem um pouco. Diria que os elementos essenciais para montar uma boa campanha baseada em storytelling são os próprios elementos essenciais para se contar uma boa história. O problema é que, por mais que contar histórias seja algo natural do ser humano e todo mundo saiba fazer em um nível intuitivo, dominar os conceitos e as técnicas por trás disso exige estudo e prática. Se não fosse assim qualquer um poderia escrever um livro ou roteiro de filme de sucesso. Mas na realidade a gente sabe que fazer essas coisas não é uma tarefa tão simples.
E quais são os elementos essenciais de uma história? Uma história é, na essência, um personagem (protagonista) superando obstáculos que o separam de seu objetivo (conflito). Quanto mais verdades emocionais houver nessa jornada, melhor. Pense em todos os filmes, séries, novelas, livros e histórias em quadrinhos que você já consumiu e verá que todos seguem esse padrão.
É importante entender que publicidade e o storytelling são mundos diferentes, com regras diferentes que muitas vezes entram em conflito. O desafio está justamente em usar as técnicas do entretenimento para vender alguma coisa (produto, serviço, causa, voto etc.).
Quais as “vantagens” de fazer uma ação utilizando o storytelling?
Bruno Scartozzoni: Muitos alunos me perguntam quando usar o storytelling. É claro que há uma questão de sensibilidade que depende de cada caso, como por exemplo, o objetivo de comunicação, a situação da marca, o momento do consumidor etc. Mas, antes de tudo, é preciso se perguntar se cabe emoção naquele desafio. Se couber emoção, então muito provavelmente cabe storytelling. E aí está a maior vantagem.
Em uma realidade onde uma pessoa comum é bombardeada por informação vinda de todos os lados (redes sociais, smartphones, publicidade etc.), tudo que é carregado de emoção tem uma chance muito maior de capturar a atenção das pessoas. Esse provavelmente seja um dos maiores desafios da comunicação hoje em dia, e o storytelling entra como uma técnica que, quando bem usada, resolve essa questão.
Como mostrar aos clientes que o storytelling pode trazer resultados? O mercado está aberto a isso?
Bruno Scartozzoni: Comecei a trabalhar com isso em 2008, quando era raro encontrar alguém que tivesse ouvido falar, quanto mais entender e estar aberto. Hoje a situação já é bem diferente. Por mais que não se compreenda plenamente para que serve e os conceitos por trás, dá para dizer que o mercado já tem uma boa noção e o interesse só aumenta.
O maior problema é entender que há um componente artístico nessa coisa de contar histórias, o que implica em um risco diferente do risco da propaganda tradicional. Por mais que um autor domine todas as técnicas, tem algo lá que depende de sua inspiração, e também dos leitores captarem a ideia e os sentimentos que ele quer passar. No dia a dia, vemos vários exemplos de filmes que tem tudo para estourar e não estouram, assim como o contrário. Essa imprevisibilidade assusta, afinal, no paradigma da comunicação tradicional, por pior que seja a campanha dá para saber que um número X de pessoas será impactado.
Que ações baseadas em storytelling você acha que fizeram história?
Bruno Scartozzoni: Vou citar uma brasileira e uma estrangeira.Das brasileiras eu diria que o case de “Eduardo e Mônica”, da Vivo, é um dos mais bem sucedidos. Não é só uma campanha de storytelling, afinal, mexeu com uma enorme base de fãs do Legião Urbana, com a nostalgia daquela época, com uma música que faz parte da nossa cultura pop, etc. No meio disso tudo. a letra da música conta uma história, e a Vivo foi muito bem sucedida em contextualizar sua marca ali, nos encontros e desencontros dos personagens.


Lá fora os bons exemplos são um pouco mais abundantes, mas se é para citar um só eu fico com o filme “O Náufrago”. Essa história consegue ser um produto cultural, que muita gente pagou para assistir (ingresso, DVD etc.), e, ao mesmo tempo, uma propaganda de duas horas da Wilson e da Fedex. Uma propaganda pela qual as pessoas estavam dispostas a pagar. Uma propaganda que, mais de 10 anos depois, continua sendo exibida nos lares do mundo todo. Não é um raciocínio fascinante?
E como fica o transmídia storytelling no meio de tudo isso?
Bruno Scartozzoni: Transmídia já é um passo além disso tudo que estamos falando. Supondo que você tenha uma história, a transmídia é basicamente uma nova forma de contá-la, em que mídias diferentes mostram pedaços complementares e, idealmente, independentes dessa narrativa. Na prática é aquilo que muitas franquias de entretenimento já estão fazendo. O filme ou a série contam um trecho principal da história, mas, ao mesmo tempo, surge uma história em quadrinhos que conta o que aconteceu antes do filme, um jogo que conta sobre o depois, um livro que explora um personagem coadjuvante do filme, e por aí vai. Teoricamente seria possível consumir só uma dessas mídias, e ainda assim a história faria sentido. Mas ao consumir algumas delas a experiência fica muito mais rica.
O que esperar do transmídia storytelling nos próximos anos?
Bruno Scartozzoni: Em uma realidade em que a atenção do consumidor está cada vez mais fragmentada, essa forma de contar histórias tem o objetivo de mantê-la sempre dentro do mesmo assunto, independentemente de quantas mídias estão sendo utilizadas. Mas, por outro lado, é preciso entender que esse tipo de coisa começou a ser considerada no planejamento de franquias da indústria do entretenimento há menos de 15 anos, com “Matrix”. Na prática não há uma forma certa de ser fazer, ou seja, tudo ainda é bastante experimental. E a publicidade, no fundo, vai no rastro desse pessoal, pegando pequenos elementos aqui e acolá que já deram certo nos filmes, séries etc.
Portanto, a tendência é que a transmídia amadureça nos próximos anos, e quem se permitir arriscar agora colherá frutos melhores lá na frente.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Tudo o que você queria saber sobre Walking Dead (entrevista com Paula Gomes)


Tudo o que você precisa saber por agora sobre a Paula Gomes é que ela é a autora de um dos artigos mais completos que já li sobre o fenômeno Walking Dead, escrito para a Revista Universitária do Audiovisual da UFSCAR.

Quando eu li pensei "puxa, seria legal entrevistar a Paula e publicar aqui no blog". Então foi isso que eu fiz. Se você se interessa pela franquia, pelo fenômeno pop, pela mitologia zumbi ou por transmídia, leia o artigo e depois a entrevista, ou vice-versa.

PS: A entrevista foi feita via chat do Facebook, e particularmente acho que a dinâmica ficou bem interessante. :)


1 - Paula, gostaria que você se apresentasse. (nome, o que está estudando, de onde fala etc.)

Bom, sou Paula Gomes, graduada em Comunicação Social pela Unesp e atualmente faço mestrado em Imagem e Som na UFSCar, onde estudo o simbolismo espacial em filmes de zumbis. É dificil dizer onde moro no momento, uma vez que passo a semana viajando entre Limeira, São Carlos e Bauru. rs

2 - De onde vem esse interesse pelo universo dos zumbis?

Acho que todos que tem interesse neste tipo de narrativa possuem em algum grau uma atração pela fantasia sobrevivencialista; e um desejo utópico que Fredric Jameson descreve como uma realidade em que “o protagonista e um pequeno grupo de sobreviventes da catástrofe, partem em busca de uma coletividade menor e mais habitável após o fim da modernidade e do capitalismo”(Jameson, 2005, p.199)


3 - Boa observação! Eu sempre digo que histórias de zumbis são, na essência, histórias sobre epidemias. E que se você gosta de Ensaio sobre a Cegueira, do Saramago, não tem como não gostar de histórias de zumbis. 

Para mim uma outra definição possível para dimensionar o que representa esse tipo de história seria o homem contra a natureza. Aquela noção de que há algo maior do que a civilização por aí, podendo engolí-la a qualquer momento. Concorda ou discorda?


Acho que esta definição se aplica mais quando falamos de narrativas pós-apocalipticas, como The Walking Dead por exemplo, e, em menor grau, o filme 28 days later, nas quais os personagens precisam redescobrir como viver em um mundo em que a civilização já não existe mais.Mas quando se trata de narrativas apocalípticas, (que nos apresenta o inicio de uma catástrofe de nível local ou global) , o embate principal ocorre entre os próprios homens, que na grande maioria dos filmes de zumbis se mostram incapazes de conviver de forma coletiva, entregando-se a conflitos internos que resultam na morte do grupo de sobreviventes.

4 - Na sua opinião, o que Walking Dead tem de especial em relação à esse universo? Por que fez tanto sucesso?

A maior inovação realizada por Kirkman foi trazer este universo para uma mídia seriada, que possibilitou o desenvolvimento de personagens mais complexos; e forneceu uma mobilidade maior a estes personagens, que agora circulam pelo mapa, sem ater-se por muito tempo em determinado local, possibilitando assim o surgimento de um saga.

5 - Pelo que você estuda e lê sobre a série, existe uma previsão de que chegue ao fim? Ou a idéia do autor é explorar esse universo infinitamente?

Kirkman já afirmou em várias entrevistas que gostaria de continuar escrevendo esta história por muito tempo. Mas a estrutura atual da narrativa apresenta algumas dificuldades para uma narrativa de longa duração, como a centralização da história no personagem Rick Grimes. Para solucionar este impasse, Kirkman, sugeriu que talvez coloque Carl para assumir o papel de seu pai, após sua morte:http://www.thewalkingdead.com.br/kirkman-futuro-da-hq-rick-pode-morrer/

6 - Quem acompanha a série nos quadrinhos e na TV sabe que a história é mais ou menos a mesma, mas que há pequenas diferenças capazes de criar surpresas e manter os fãs ligados nas duas narrativas. Você acha que isso poderia ser benchmark para adaptações desse tipo daqui pra frente?

O diferencial de TWD é que as narrativas dos quadrinhos e da tv estão sendo desenvolvidas, ainda que não simultaneamente, de forma paralela, de forma que uma possa ser retroalimentada pela outra – como a tão esperada inclusão de Daryl Dixon nos quadrinhos: http://omelete.uol.com.br/walking-dead/quadrinhos/walking-dead-personagem-exclusivo-do-seriado-deve-entrar-nas-hqs/). Acredito que outras adaptações podem utilizar-se desta mesma estratégia no futuro.

7 - Você comentou comigo que está fazendo sua tese de mestrado em torno do universo zumbi. Do que se trata sua pesquisa?

Eu estou analisando os espaços em que são ambientados os filmes de zumbis em três épocas distintas: os filmes da década de 30-40 ambientados em antigas colonias do caribe; os filmes de “apocalipse zumbi” criados por Romero a partir de 1968, ambientados em lugares fechados e claustrofóbicos, e os filmes pós anos 2000, localizados em grandes capitais urbanas destruídas. O objetivo é analisar o potencial simbólico destes espaços, e sua interelação com as ansiedades sociais da época em que eles foram realizados, representadas pelas dicotomias geográficas interior versus exterior; local versus global; nacional versus estrangeiro; entre outras.

8 - Muito legal! Sinta-se a vontade para publicar aqui se quiser, quando estiver pronto.

Para finalizar nossa entrevista, quais argumentos você usaria para convencer alguém que não gosta de histórias de zumbi (mais por preconceito do que por uma experiência ruim) a assistir Walking Dead?


Os filmes de zumbis foram, por muito tempo, considerados uma produção relativamente barata, incentivando muitas produtoras pequenas a se aventuraram no subgênero, realizando produções sofríveis e de pouco valor cultural. Mas quando observamos as obras de cineastas como Romero, Fulci, e Ossorio, torna-se impossível negar o potencial simbólicos destes filmes para retratar as ansiedades sociais da época e local em que foram produzidos. TWD caminha em direção de tornar-se outro marco positivo na história deste subgenero.

9 - Paula, MUITO OBRIGADO pela entrevista! Se quiser deixar algum recado final para os leitores, o espaço é esse. 


Para quem deseja ver um bom filme de zumbis tupiniquim, recomendo o ótimo Mangue Negro de Rodrigo Aragão.

Vou deixar meu email também para duvidas/reclamacoes/ ofertas milionárias: paulagomesrtv@gmail.com


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Rafinha Bastos entrevista Datena

Tá, eu sei que o Rafinha Bastos é um cara polêmico e, se você chegou até aqui, existe uma chance alta de você odiá-lo. Então vou te dar um espaço de tempo para que você respire fundo e tenha condições psicológicas de continuar lendo o post.

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Respirou?

Pois bem, como estou entrevistando pessoas para o projeto Young Lions Brazil | LinkedIn, resolvi assistir algumas entrevistas para TV e web com o objetivo de entender como faz e realizar um trabalho cada vez melhor.

E aí me deparei com isso. Rafinhas Bastos entrevistando Datena. E dei play.

De verdade, é uma das melhores coisas da internet dos últimos tempos.

Não porque seja engraçado, e humor não é o foco do programa, mas porque essa será, muito provavelmente, a primeira vez que você vai ouvir o Datena (outro cara bem polêmico) falando de uma forma honesta, de coração aberto, sobre si mesmo. Mudou completamente minha percepção sobre o cara, juro.

E, de quebra, aprendi o que já sabia. O que mais importa em entrevistas desse tipo são as histórias pessoais. Eu pelo menos não aguento mais entrevista tipo press release.

sábado, 4 de maio de 2013

Debate exSanta: Fabio Feldmann + Ricardo Young

Esse é um post um pouco fora dos assuntos que eu normalmente trago aqui, mas vale a pena.

No dia 13 de maio, segunda-feira, às 20:00 em São Paulo, a exSanta (Associação dos Ex-Alunos do Colégio Santa Cruz) vai realizar um debate sobre Meio Ambiente com duas referências na área: Fabio Feldmann e Ricardo Young.

Fui um dos fundadores da exSanta lá em 2001 (sim, o tempo passa rápido) e, apesar de estar momentaneamente afastado do dia a dia da entidade, ainda participo de algumas atividades.

Ah, não precisa ser ex-aluno para ir no evento ok? Todos estão convidados.

Mais informações no flyer abaixo.