quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Uma releitura do Natal

Conto da minha autoria, publicado originalmente no Facebook em 25/12/2013.


Nessa história o menino Jesus é preto, pobre e nasceu na periferia de São Paulo, mais precisamente na madrugada do dia 25 de dezembro, em pleno plantão do hospital público local.

Como vocês podem imaginar faltavam os materiais mais básicos para o parto, então a comunidade teve que se mobilizar e acabou que quatro motoboys, cada um de uma favela diferente, vieram no maior pau trazer os bagulhos pro bebê. Três chegaram são e salvos. O outro sofreu um acidente na Marginal Tietê e morreu.

Filho do pedreiro José com a prostituta Madalena, Jesus foi abandonado pelo pai antes mesmo do nascimento, que picou a mula de volta para sua cidade natal, Belém do Pará, assim que sua esposa Maria descobriu a pulada de cerca e o ameaçou com uma faca.

No começo Maria, empregada doméstica, odiava o fato de sua vizinha Madalena ter um filho do ex-marido. Mas logo tomou as dores da mãe solteira e se sentiu também um pouquinho responsável pela criança que nasceria sem pai. Foi assim que Jesus cresceu com duas mães, Maria e Madalena.

Jesus estudou em colégio público, mas aprendeu as coisas da vida na rua. Por insistência das mães frequentou a igreja por um tempo, até que o pastor César Romano abusou de sua inocência.

Revoltado com a situação, encontrou algum conforto com a galera do tráfico e logo se firmou no trampo de misturar a droga pura com outras porcarias. Nessas ficou conhecido pelo milagre da multiplicação das pedras, e assim foi subindo na hierarquia.

Com 20 e poucos anos Jesus era chefe do morro. Uma mistura de bandido da pesada com líder comunitário. Descia o cacete nos playboys sim, mas também sabia cuidar de seu povo. É por isso que ninguém tinha coragem (e vontade) de dedurá-lo para os polícia.

Mas, no final das contas, Jesus não tinha superpoderes e percebeu que não conseguiria expandir seu império sozinho. Ele precisaria de gente que acreditasse no projeto, que estivesse junto para o que desse e viesse. Foi aí que fez uma criteriosa seleção e escolheu 12 manos. 12 apostas.

A coisa ia bem até que Judas, um de seus homens de confiança, resolveu mudar de vida e entrar para a igreja. Aconselhado pelo pastor César Romano, Judas foi até a delegacia e mandou ver na delação premiada. Para Romano isso era negócio, pois colocar Jesus atrás das grades garantia que aquele triste episódio nunca viria à tona.

Preso e jogado em uma cela superlotada, Jesus foi emparedado pelos presos, que resolveram votar em qual dos últimos dois entrantes deveria morrer para liberar espaço. Era ele ou Atenório, um político preso por causa de um escândalo de corrupção. Mas Atenório tinha meios e garantiu um maço de cigarros para cada um da cela.

Lá se foi Jesus, morto aos 33, em uma prisão não muito melhor do que o hospital no qual nasceu. Não ressuscitou, não teve monumentos de ouro erguidos em seu nome, mas, por outro lado, também não serviu de desculpa para nenhuma atrocidade ou picaretagem.

Suas últimas palavras?

- Jesus é o caralho, meu nome é Deuzêncio. Deuzêncio Trindade, sério, tá no RG. O resto é apelido. Coloca direito na lápide hein?

O Natal e o Feitiço do Tempo

E não é que é verdade??? Todo ano a mesma coisa. :)

Montagem do Antonio Salgueiro.

O Natal na visão de grandes cineastas


Um Feliz Natal a todos os leitores desse blog.



Dica muito legal do Lucas Evangelista. :)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Braincast sobre Storytelling

O BrainCast, podcast do famoso blog de publicidade e criatividade Brainstorm 9, fez uma edição sobre o tema Storytelling.

Para ouvir é só dar play aí embaixo ou fazer o download a partir do post original.
 

Os participantes acabaram direcionando o debate mais para a influência do cinema e das séries na publicidade, mas no meio citaram vários cases legais.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Entrevista no Papo de Marketeiros

No dia 09/12/2013 foi publicada minha entrevista para o projeto Papo de Marketeiros, que tem feito perguntas para profissionais de comunicação renomados de todo o país. O link original você encontra aqui.


Bruno Scartozzoni é um profissional multi-disciplinar de planejamento e estratégias de comunicação, escritor e professor. Com mais de 10 anos de experiência, já atendeu clientes como Nokia, Nestlé, Sony, AmBev e Sebrae.

Graduado e pós-graduado na FGV em Administração Pública e Administração de Empresas. Passou por agências como Banco de Eventos, Aktuell, Talk Interactive e Ativa Esporte. Foi um dos fundadores da Storytellers, primeira agência brasileira especializada em criar histórias para marcas.

Atualmente é Diretor de Planejamento da Flap Live Marketing, consultor de storytelling e transmídia para empresas, professor da ECA-USP, ESPM SP e FIA. É colaborador do coletivo Update or Die.

1. Vamos conhecer melhor o Bruno? Tem algum animal de estimação? Qual o nome dele?

Minha mãe tem um cachorro que considero um irmão. É o Toby, um simpático cocker spaniel.

2. Conte algo estranho que você já fez e que acha que ninguém nunca fez.

Anos atrás dei início ao processo de criação da associação de ex-alunos do meu colégio, que hoje é bastante ativa, depois de chegar alcoolizado de uma balada, ter a ideia no meio da madrugada e resolver disparar e-mails para pessoas que não conhecia (algumas delas são grandes amigas hoje).

3. Um vídeo superengraçado que você indica que todos vejam no youtube.

O vídeo em que o Lasier Martins toma choque das uvas. É antigo, é bobo, mas quando eu vejo ainda rolo de rir. Nada mais espontâneo e bizarro do que aquilo.

4. Vamos falar sobre Transmedia Storytelling? Qual a importância dela no planejamento de conteúdo para as mídias sociais?

Antes de tudo é preciso ter consciência de que transmedia (ou transmídia, em português) e storytelling (contação de histórias) são dois conceitos diferentes que podem funcionar juntos ou não. Por isso talvez faça mais sentido responder essa pergunta em partes.

Storytelling é um conjunto de técnicas utilizadas pelo ser humano há pelo menos 30 mil anos, período que corresponde às estimativas mais curtas de quando a linguagem surgiu. Uma história é, basicamente, um formato específico para a disposição de fatos que, quando utilizado, tem o poder de transmitir conhecimento ao mesmo tempo que entretém, aumentando as chances de que o público absorva aquelas informações.

As técnicas de contação de histórias, há séculos utilizadas por escritores, roteiristas de teatro e, mais recentemente, de cinema, televisão e videogames, tem despertado o interesse de profissionais de comunicação em geral justamente pelo poder que uma história tem para capturar a atenção das pessoas. Hoje em dia, por exemplo, a sala do cinema é um dos poucos lugares em que ainda somos capazes de passar duas horas sem mexer no celular. Em um ambiente midiático cada vez mais inundado por informações, resultando em pessoas com atenção cada vez mais dispersa, algo que consiga produzir esse tipo de efeito vale ouro.

Agora vamos para a transmedia, que é basicamente um raciocínio que consiste na veiculação de informações complementares e idealmente independentes em mídias diferentes. Isso não é exatamente novo, mas passou a fazer muito mais sentido na realidade atual, onde as pessoas fragmentam seu tempo e atenção por diversas mídias, às vezes até ao mesmo tempo. Nesse sentido não há mais porque transmitir a mesma mensagem, ainda que com adaptações, por canais diferentes.

Uso como exemplo um jogo de futebol. Você veria exatamente o mesmo jogo na TV e no celular ao mesmo tempo? Dificilmente. Mas se no celular você tiver informações diferentes e complementares isso fará sentido. A vantagem para quem transmite é a multiplicação dos pontos de entrada para aquele universo, assim como uma maior chance de que, independentemente da mídia, o público esteja sempre dentro do mesmo assunto.

Já transmedia storytelling é a união das duas coisas, ou seja, uma história sendo contada de forma transmidiática. Os dois maiores exemplos disso são o universo Star Wars, que começou em 1977, e a saga Matrix, mais recente, que foi a primeira franquia pensada desde o início para ser transmedia.

A importância disso para as mídias sociais é que, com cada vez mais mídias ganhando relevância e consumindo o tempo das pessoas, começa a fazer mais sentido pensar em estratégias de conteúdo diferentes para cada uma delas, mas complementares entre si. Aí está a transmedia. Se esses conteúdos contarem uma história, usando as técnicas dos escritores e roteiristas, maior ainda a chance de conseguir a atenção do público.

5. Você acredita que, mesmo não sendo algo novo, é a tendência de conteúdo para este ano?

Acho que esse é um caminho sem volta. Já faz alguns anos que as vozes mais importantes de publicidade repetem mantras como “conteúdo é rei”. O que elas querem dizer, no fundo, é que agências e empresas precisam entender comunicação por um novo ângulo. Ninguém mais tem tempo para perder com propaganda, mas com entretenimento de qualidade e informações úteis, sim. E se essas coisas ajudarem a anunciar um produto ou serviço de forma respeitosa, tudo bem.

6. Na ideia do crescimento do Transmedia Storytelling é indispensável o alinhamento da empresa não só nos meios digitais mas nas mídias de publicidade off-line?

Sem dúvida. Na verdade essa noção de publicidade on e offline também, aos poucos, vai caindo por terra. Assim como, hoje em dia, ninguém (ou quase ninguém) mais se choca com aqueles casos de casais que se formam pela internet. Você conhece uma menina na balada, pega o Facebook dela, começa a trocar mensagens e vai galgando estágios de intimidade online até que a relação se torne offline novamente. O flerte entre marcas e consumidores é assim também. Não existe on e off, mas sim a vida das pessoas e os momentos mais propícios para abordá-las.

7. Você acha que o Transmedia Storytelling é um conceito maduro em grandes empresas no Brasil ou algo que está ainda apenas começando?

Toda semana alguém me liga ou me escreve pedindo minha consultoria para “fazer uma transmídia”. O problema é que essa demanda não faz sentido. Transmídia é só o raciocínio. “Mas qual é a mensagem? O que você quer contar e para quem?”, eu pergunto. Infelizmente a maioria das pessoas não sabem a resposta, ou seja, só ouviram falar sobre um novo conceito e estão indo atrás sem tentar entendê-lo.

Não reclamo, pois assim tenho cada vez mais alunos nos meus cursos. Mas, por outro lado, isso me impossibilita de construir mais cases bacanas.

8. Você acredita que o Porta dos Fundos é um formato de Transmedia Storytelling? E este é um formato que favorece cada vez mais o conteúdo independente?

A medida em que o Porta dos Fundos cria um universo para si mesmo, primeiro com as esquetes cômicas, depois com o canal de making ofs, canal de comentários etc., em um certo nível eles estão criando um ecossistema transmídia sim. Se você está interessado no Porta dos Fundos como empresa, grupo ou instituição, há vários trechos de informações que se complementam soltos por aí. E eles estão fazendo cada vez mais e melhor.

Se a gente considerar cada esquete cômica como uma pequena história, de certa forma eles também fazem storytelling. Mas é preciso entender que as histórias que eles contam são mais próximas de tirinhas de jornal do que de uma série televisiva. O ponto é que essas esquetes, até segunda ordem, não se conectam entre si, não se complementam. Então, nesse sentido, a rigor, não trata-se de transmedia storytelling.

Mas o mais importante é que isso não tem a menor importância. É bom? Faz sentido? O público gosta? Tem um modelo de negócios sustentável? Então eles estão fazendo bem, seja lá o que for. E sim, esse é um exemplo que, para o bem e o para mal, acaba alimentando as esperanças de quem produz conteúdo independente.

9. Cite alguns casos de transmedia storytelling que considera interessantes.

No campo do entretenimento já citei dois dos mais clássicos: Star Wars e Matrix.

Já no campo da publicidade posso citar a campanha Happiness Factory, da Coca-Cola, que foi veiculada por volta de 2006. Ainda que a marca pudesse ter explorado mais, ali havia um universo construído, com várias possibilidades de histórias e desdobramentos. Até hoje, talvez, tenha sido um dos exemplos mais interessantes do que podemos esperar para um futuro próximo.

10. Você acredita que este é o ano que o mobile vai, finalmente, deslanchar? É possível fazer Transmedia Storytelling focado nisso?

Com certeza dá para incluir o mobile em estratégias transmidiáticas. Sendo uma mídia cada vez mais importante na vida das pessoas, não incluir pode até ser sinal de miopia. Mas transmedia implica em diversas mídias, ou seja, se é focado em apenas uma não dá para ser transmedia.

11. Na sua opinião, o Facebook está crescendo ou caindo? Por quê?

Não sou especialista em Facebook para responder isso categoricamente, mas eu acho importante termos a noção de que nada no mundo é para sempre. Se até o Império Romano caiu, em algum momento o Facebook também será passado para trás por uma força mais poderosa.

Em resumo, não acho que ele já está na fase de queda, até porque ainda há muitos degraus para chegar no topo. Mas de uns tempos para cá usuários e empresas vem se conscientizando de que ele não uma solução definitiva. Aliás, para o próprio Facebook, no longo prazo, é interessante se desvincular desse papel. Como dizem, quanto maior a altura, maior a queda.

12. Para a galera que gostaria de ler sobre o assunto, que livros recomenda?

Story, do Robert Mckee, para quem quer entender mais sobre storytelling. Cultura da Convergência, do Henry Jenkins, para quem quer entender mais sobre transmídia.

13. Um artigo sensacional de Transmedia Storytelling

Os 7 mitos do Trasnsmedia Storytelling, pelo próprio Jenkins: http://www.fastcompany.com/1745746/seven-myths-about-transmedia-storytelling-debunked

14. Três dicas para quem está começando na área de Transmedia Storytelling.

Quer trabalhar com isso?

- Sendo frio, ainda não existe uma carreira disso no Brasil. O mais fácil é tentar aplicar da melhor forma possível no seu trabalho e ir ganhando espaço.

- Por favor, não fale abobrinhas sobre o assunto. Procure se informar.

- Não seja um deslumbrado. Transmedia Stortytelling é só raciocínio e técnica. Isso não vai salvar a publicidade, nem sua vida.

15. Cite um blog muito bom sobre Transmedia Storytelling

Momento jabá: vou recomendar meu blog, pode? www.caldinas.com.br Edito ele há alguns anos com muito carinho.

16. Para finalizar, uma “twittada”: frase, pensamento ou algo que compartilharia em 140 caracteres.

"O ET Bilu é um Dollynho versão astronauta."

domingo, 15 de dezembro de 2013

A realidade do México encenada por crianças

Pouco tempo atrás o vídeo abaixo, que faz parte da campanha Nuestro México Del Futuro, viralizou com força nos blogs e perfis brasileiros das redes sociais. Apesar do vídeo ter sido originalmente lançado já faz algum tempo, confesso que tomei conhecimento também por causa dessa leva recente.

Usar crianças fazendo coisas de adulto sempre choca, claro, e isso explica uma boa parte do sucesso do vídeo. Mas, para além disso, eles foram muito felizes em entrelaçar um caso no outro, e ainda de uma maneira tão crua e realista. Cada trechinho é um soco no estômago.

As semelhanças entre México e Brasil também ajudam na identificação. Uma pena que ninguém por aqui teve essa ideia (ou coragem) antes.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Podcast Cinem(ação) #63 - A Arte de Contar Histórias


Em novembro desse ano tive o prazer de participar, como convidado, do episódio 63 do Podcast Cinem(ação), cujo tema foi "Arte de Contar Histórias".

Foi um papo bastante descontraído com Rafael ArinelliHenrique Rizatto e Daniel Cury, no qual conversamos sobre roteiro, elementos da história, jornada do herói e, claro, muitos filmes.

Para ouvir o programa é só fazer download nesse link ou ouvir direto do post, dando play logo abaixo:


Clique aqui para acessar o link original do post, com todas as informações e referências citadas.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

2014 nas mídias sociais


A PaperCliq, agência de Salvador que faz um trabalho bem legal em mídias sociais, convidou 8 profissionais de comunicação do mercado para falar, em poucos caracteres, sobre as expectativas para a utilização das mídias sociais nos grandes eventos de 2014 (Copa do Mundo e eleições).

Eu tive a honra de ser um dos convidados, e você pode dar uma olhada na minha opinião aqui embaixo:


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Alemanha usa storytelling para explicar a homossexualidade às crianças

Nos últimos dias tem circulado nas redes sociais um link bem interessante, que mostra uma suposta cartilha utilizada por escolas alemãs para explicar a homossexualidade às crianças.

Não sei até que ponto a notícia é verdadeira, mas sei que essa suposta cartilha usa técnicas de storytelling bem interessantes. Por isso repliquei as imagens aqui para, logo depois, fazer uma breve análise.


- A história narrada pelo menino começa quando seus pais se separam. Em outras palavras, essa não é uma história de amor gay perfeita. Antes do pai e seu namorado se juntarem havia um casamento hetero. Essa situação, obviamente, é bem complicada, mas muito real.

- Apesar disso estar bem implícito, dá para imaginar que essa família deve ter sofrido bastante nessa ruptura, como qualquer família sofreria. Mas, por outro lado, é melhor enfrentar a dor pontual de uma ruptura do que a dor de viver um dia a dia cujas peças não estão bem encaixadas.

- Notem como o menino que narra a história não é um ser iluminado que entende a situação de primeira, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Esse até seria o mundo ideal, mas a realidade não funciona assim. Então o pai apresenta seu namorado como um amigo. Esse amigo vai se aproximando e, de repente, ele já é "da família". Depois ele tem que recorrer a mãe para entender direito a situação.

- É legal ver que a história da cartilha não se esquiva das verdades humanas comuns à esse tipo de caso, mas, mesmo assim, eles conseguem contar uma história verossímil, leve e educativa.

- Aqui a gente encontra um dos princípios mais fundamentais do storytelling, que é ser fiel às verdades emocionais do ser humano, por mais complexo e dolorido que seja. É justamente esse "dispositivo" que faz com que a gente preste atenção em uma história.

- Por outro lado, esse é o "dispositivo" mais evitado em campanhas de marketing ou cartilhas educativas que se propõe a contar uma história.

- Conclusão: se for para contar uma história sem verdade humana, melhor desistir da ideia e fazer outra coisa.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Como você sente afeta o que você faz


Esse vídeo da iD Agency, agência britânica de live marketing, só tem um minuto de duração mas explica, de uma forma super simples, algo que deveria ser entendido por qualquer profissional de comunicação. Como você sente afeta o que você faz.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Entrevista com João Ciaco, Diretor de Publicidade e Mkt de Relacionamento da Fiat


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, no Grupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.



Entrevistas anteriores:
Mariana Stanisci
Guilherme Guimarães
Paola Colombo
Luciana Stein
Alessandro Cauduro
Tania Savaget
Cecília Troiano
Bruno Ponzini
Eduardo Camargo
André Kassu
Marcelo Jesus
Matheus Siqueira

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Entrevista com Mariana Stanisci, Diretora de Marcas Mainstream da Heineken


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, no Grupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A abertura de Game of Thrones com as capitais do Nordeste


Você provavelmente já conhece a icônica abertura do seriado Game of Thrones, que vai situando o espectador naquele mundo de fantasia por meio do mapa dividido em reinos, como se fossem engrenagens de poder. A trilha é bem emocionante e também ajuda a entrar no clima.

E se, ao invés dos reinos, fossem as capitais do Nordeste? Partindo dessa ideia o publicitário Raphael Goettenauer resolveu recriar as capitais da região na mesma linha visual do seriado. E não é que ficou legal? Gostaria muito de ver uma versão dessa abertura com os bairros de São Paulo. :)


E lembrando que outro artista já tinha feito as capas dos livros da saga no estilo literatura de cordel.

via Ludmilla Veloso

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Salve um Panda - por trás do case


Muitas vezes trabalhos legais começam com pedidos inusitados, daqueles que fazem a gente quebrar a cabeça e tentar enxergar um problema por um novo ângulo. Assim foi com Salve um Panda, um desses projetos que chegam de mansinho no seu colo e cujo resultado te enche de orgulho: eu participei!

Antes de mais nada, esse é um post-case onde vou contar um pouco do raciocínio que foi sendo construído e da experiência de trabalhar junto a pessoas tão talentosas.

Tudo começou quando, alguns meses atrás, meus amigos da Mol Toons me convidaram para roteirizar uma série de animações com o objetivo de conscientizar a população para os direitos e deveres do ciclista no CTB (Código Brasileiro de Trânsito).


Uma confissão pública da qual não me orgulho: eu não sei andar de bicicleta! É isso mesmo. Levei um tombo feio quando criança, na época da transição entre o uso e o não-uso das rodinhas, e traumatizei. Então, como é que eu poderia aceitar esse trabalho? Ainda mais considerando que o cliente era um grupo de ativistas da sociedade civil, todos ciclistas pra lá de experientes.

Expliquei a situação, mas ninguém achou que isso fosse um problema. Então eu estava dentro. E aí veio o briefing: "a gente quer alguma coisa impactante, no estilo de Dumb Ways to Die", campanha que alertava a população de Londres para os acidentes no metrô, e que, na época, estava ganhando todos os prêmios possíveis.

Brainstorming dali, rascunho daqui, conjecturas para todos os lados, e aí, de repente, a minha não experiência com bicicletas até que foi útil. O fato é que a população que não usa bicicleta no dia a dia, na média, não está nem aí para os ciclistas. Claro que há muitos simpatizantes, mas o grupo de gente que é apática ao tema, ou mesmo que acha os ciclistas um pessoal chato, infelizmente, é grande. Era justamente para esse pessoal que deveríamos comunicar o CTB, não era?

E se, ao invés de chamar a atenção para o ciclista, correndo o risco de, mais uma vez, sermos ignorados, a gente criasse uma ligação inusitada entre o problema do qual queríamos falar e um problema capaz de chamar a atenção de um grupo bem maior? A ideia era fazer isso de uma forma divertida, e com uma certa dose de humor negro.


Logo lembrei de um post que tinha feito para o Update or Die, contando sobre o caso dos Ex-Lobisomens de Alicante. Tratava-se de uma associação de portadores de Parkinson que, procurando se tornar mais divertida e engajadora, utilizou uma ligação surreal entre o fato do Michael J. Fox ser um portador da doença e também ter interpretado um lobisomem no cinema. E se isso fosse a causa da doença? E se todas as vítimas do Parkinson fossem ex-lobisomens? Não faz sentido, eu sei. Mas, por isso mesmo, chama a atenção e engaja. Vejam o link do post para entender melhor.

E qual seria nossa causa? Foi aí que chegamos na ideia do panda. Na internet existe essa expressão utilizada para dar uma conotação de vergonha toda vez que alguém faz algo que é errado ou muito clichê:

"toda vez que <<algo errado ou clichê, insira aqui>> acontece, um panda morre"

Não faz sentido também, eu sei. Mas essa é a graça da coisa. Afinal, quem consegue colocar a cabeça no travesseiro sabendo que foi responsável pela morte de um panda, não é mesmo? Se a pessoa não se toca pelo bom senso, talvez o panda consiga chamar atenção.

E foi, a partir desse raciocínio, que chegamos no conceito Salve um Panda, afinal, toda vez que o motorista desrespeita o CTB, um panda morre!

Mas ainda faltava uma sacada final. Falar de direitos sem falar de deveres não é uma boa quando o objetivo da campanha é conscientizar, e não provocar uma guerra. Então, o que acontece quando é o ciclista que desrespeita o CTB? Foi aí que uma das pessoas do grupo deu uma ideia. Mas aí você vai ter que assistir até o final para entender. :)

São três vídeos curtinhos. Dá play e se divirta.







Gostou? Então divulgue para os seus amigos. O site oficial é www.salveumpanda.com.br.

No final o case acabou saindo em vários veículos, inclusive na Folha de S. Paulo.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Entrevista com Pablo de Arteaga, COO da Leo Burnett Tailor Made


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Jackson Five, uma brand story sobre a Dafra Motos

O conto abaixo foi escrito por Renato Bruno Neto, diretor de criação da Agência Ígnea, que foi meu aluno durante o Curso de Storytelling e Transmídia ministrado em Campinas, em 25/10/2013. O objetivo foi mostrar a relação especial e emocional que os donos da Next 250, da Dafra Motos, tem com o modelo. Tudo isso de uma forma extremamente verdadeira.



EM MORRO VERDE O SISTEMA É BRUTO

1990. Favela Morro Verde, cidade de Morros. Jack 5 é o caçula de uma família de trabalhadores. Sim, favelas são repletas de gente honesta. Jack5 cresceu na oficina do pai, em meio a motores, escapamentos e graxa. Seu maior sonho: ser piloto de MotoGP. Seu maior prêmio: um pôster autografado do Alex Barros, colado na parede embolorada do quarto, presenteado por um cliente da oficina.

O sonho de criança começou a se desfazer quando Jack5 completou dezesseis anos e precisou encarar a realidade da vida de frente. Cinco horas de ônibus todos os dias para chegar no supermercado, onde trabalhava como empacotador.

O tempo passou, Jack5 foi crescendo e o sonho de trabalhar com motos nunca saiu da sua cabeça. Na realidade Jack5 nunca se tornou um piloto de MotoGP. Mas aos 18 anos, todo orgulhoso da habilitação categoria A no bolso, conseguiu um emprego de motoboy. Um não, dois. Uma loja de motopeças durante o dia e uma pizzaria até as 11 da noite de segunda a sábado.

Quem nasce no Morro Verde aprende desde cedo que uma coisa é sonhar. Outra muito diferente é realizar o sonho. Mas jovem é jovem, tem sangue quente correndo nas veias. No final de 3 anos, Jack5 conseguiu juntar a entrada pra comprar uma  Next 250. Realizou o primeiro sonho palpável de consumo.

Amor à primeira vista. A motinho mais bonita da favela. Amarela, esperta, um sonho. Jack5 amava aquela moto. Mas Jack5 também amava Nina, a menina da vizinha que brincava com ele no meio dos escapamentos desde criança.

Cresceram juntos. Ficaram adultos juntos. E juntos tiveram que enfrentar a maior barra de suas vidas.
- Jack, é a Nina. Por que você não atendeu o celular?
- Tava no corre, mano.
- Mas eu te liguei cinco vezes!
- Calma, preta. Tá nervosa, por quê?
- Deu positivo.
- Silêncio do outro lado da linha.
- Jack, cê taí? Deu posivo. Eu tô grávida.

Sexta-feira, 29 de setembro 2013. 1º Cartório de Registros de Morros.
Acaba de ser registrado Jackson6 da Silva. Filho de Jackson5 da Silva e Maria Hermínia Ferreira da Silva.

Sábado, 30 de setembro de 2013. Classimotor Autos e Motos.
VENDE-SE DAFRA NEXT 2011. Excelente estado. Preço imcomparável.
Motivo: em Morro Verde, uma coisa é sonhar. Outra muito diferente é realizar o sonho.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Entrevista com Guilherme Guimarães, Diretor Geral da Ativa Esporte


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Entrevista com Paola Colombo, Managing Director da R/GA


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Plataformas de videogame oferecendo conteúdo próprio - infinitas possibilidades

Post originalmente publicado no FutebolMarketing em 21/10/2013 com o título: Xbox vai ganhar reality sobre futebol de rua. Logo depois volto com comentários, em itálico.



Boa notícia para os boleiros do Xbox: de acordo com o site DeadLine.com, a Microsoft deu sinal verde para a produção de “Every Streets United”, reality show sobre futebol de rua, que será disponibilizado via Xbox LIVE.

A série vai percorrer oito países – Estrados Unidos, Espanha, Holanda, França, Argentina, Brasil, Gana e Coreia do Sul – em busca dos melhores “peladeiros” do mundo, que se enfrentarão em uma grande final do Rio de Janeiro, durante a Copa do Mundo FIFA 2014.

Ao todo, “Every Streets United” terá oito episódios de 30 minutos cada, com direção de Jonathan Hock – premiado pela série documental “30 for 30″, da ESPN internacional, e atualmente à frente do programa MLS Insider.


Comentário do editor:
Depois da Netflix rompendo a barreira entre serviço de streaming e canal que oferece conteúdo próprio e exclusivo, é bastante interessante ver esse tipo de movimento acontecendo também com as plataformas online de videogames, como é o caso da notícia.

Recentemente também foi anunciado um amplo acordo entre Microsoft e NFL (a principal liga estadunidense de futebol americano), e outro entre Microsoft e ESPN. Em ambos os casos a ideia é oferecer conteúdo e funcionalidades exclusivas para os usuários de Xbox. Em outras palavras, estão levando isso a sério.

Esse é outro caso no qual podemos imaginar muitas possibilidades. E se essas plataformas começarem a oferecer, além de conteúdo esportivo, também séries e filmes próprios? E se esses conteúdos tiverem partes jogáveis? Imagine você assistindo um filme e, de repente, o espectador tem a opção de assumir o controle do herói na luta final contra o vilão.

Outra possibilidade seria assistir um filme ou série no videogame, e ao final já ter a chance de comprar o jogo, que conta outra parte da história (olha a transmídia aí), com desconto, ou ganhando algum item especial de brinde.

Não se assuste se isso acontecer em breve. :)

Atualização em 04/11/2013: o leitor Yggor Araújo me lembrou, ali nos comentários, que The Tester foi uma produção feita para a PSN mais ou menos nos mesmos moldes, e muito antes.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Vá ao cinema e faça o download do filme

Post escrito por Débora Schach, originalmente publicado no Blue Bus em 09/10/2013 com o título:
No Canadá, Cineplex vende pacote q inclui ingresso p/ o cinema + download do filme.


Logo depois volto com comentários, em itálico.



A indústria do cinema busca alternativas para compensar a queda na venda dos DVDs. Uma delas está sendo colocada em prática no Canadá, onde a rede de cinemas Cineplex criou o chamado ‘SuperTicket’. O pacote dá direito a um ingresso para o cinema e a uma cópia digital do filme, entregue eletronicamente meses depois, e custa mais que o dobro de um ingresso comum. Três filmes já foram vendidos sob esse programa – ‘Pacific Rim’, ‘The Smurfs 2’ e ‘Kick-Ass 2’. O Cineplex nao divulgou números das vendas, mas afirma ter contratos com 4 grandes estúdios de Hollywood e espera anunciar mais até o fim do ano. A questao é saber se o consumidor, muitas vezes já relutante em pagar para ver um filme no cinema, pagaria mais que o dobro para poder baixar um título que ainda nem viu. Nesse sentido, uma alteraçao já foi feita no programa – os compradores do SuperTicket, que inicialmente tinham que comprar a cópia digital antes de assistir ao filme, agora tem 48 horas depois da exibiçao para decidir se pagam também pelo download. Leia mais no Wall Street Journal.


Comentários do editor:
A ideia é interessantíssima. Não sei muita gente vai aderir, até porque, veja bem, o preço do pacote é maior do que o dobro do ingresso, mas, ainda assim, esse cinema pensou em um modelo de negócios que faz bastante sentido.

A partir disso podemos pensar em outras possibilidades. E se o cinema disponibilizasse conteúdo extra por download? Assista o filme no cinema e veja as cenas cortadas em casa. Ou veja um documentário sobre o próprio filme. Ou veja o primeiro episódio da série baseada no filme (e aí começamos a entrar num terreno verdadeiramente transmídia).

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Biografia não autorizada de Bruno Scartozzoni

No meio da polêmica sobre as biografias não autorizadas postei no Facebook, alguns dias atrás, uma declaração pública deixando claro que podem me biografar à vontade, sem risco de que eu venha cobrar o autor na justiça posteriormente.

Foi uma provocação, claro. Minha vida não é tão interessante assim, talvez só mais do que a do Djavan.
Mas, no decorrer do post, alguém comentou que, antes de uma biografia, eu precisava ter um GIF animado biográfico, e aí a dupla brasiliense Rayane Urani e Leo Maia resolveram entrar na brincadeira FAZENDO UM GIF SOBRE A MINHA PESSOA!


Talvez esse seja o primeiro GIF animado biográfico totalmente autorizado. :)

Mas preciso falar uma coisa pra vocês...rever algumas das minhas fotos dos últimos tempos foi emocionante. Tinha coisa aí que eu não lembrava mais. Recomendo a experiência.

Agora que venha a biografia de fato! Alguém se habilita?

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Dicas de Storytelling - Como planejar um grande Plot twist em 4 etapas

O artigo abaixo foi originalmente escrito por Guy Hasson e publicado no Gamassutra no longínquo 05/01/2011, e traduzido recentemente pela Tatiana Fernandes, que é social media planner e acha o conteúdo bastante atual. Já que concordamos, resolvi postar aqui pra vocês. :)


Surpreender um jogador ou leitor através de uma reviravolta na história pode ser um sucesso ou fracasso. É muito importante obter sucesso, e dos grandes.

Eis aqui uma ferramenta muito simples que lhe permitirá melhor surpreender seja lá o plot twist que você planejou. Isto não só irá melhorar o elemento surpresa, mas também aumentar a percepção de grandeza de sua história.

Todos nós sabemos que a chave para a criação de uma boa surpresa é convencer os leitores de que o oposto é verdadeiro. O problema é que negar algo ou insistir em uma verdade é a melhor maneira de estragá-la.

A verdadeira chave é estabelecer sua premissa sem que ela nunca tenha sido notado. Aqui está o método, em quatro etapas:

Etapa # 1: Decidir sobre a sua surpresa.

Esta é a parte mais fácil. Anote qual ela será. Não se preocupe, por enquanto, sobre o que a torna crível ou surpreendente, apenas anote.

Para o nosso exemplo, escolherei um clichê. Neste caso, um personagem que, desde o início, esteve na história muito próximo ao personagem principal, mas que na verdade é um robô.

Etapa # 2 : Encontre o oposto de sua surpresa.

Para sua surpresa ser verdadeiramente surpreendente, você precisa convencer o leitor de que o oposto da surpresa é a verdade. Você mesmo precisa ter certeza de que ela o é.

No nosso exemplo: precisamos estabelecer que a personagem é humana. Devemos convencer os leitores desta premissa para que o final seja grandioso.

Agora vamos encontrar uma maneira de estabelecer a premissa .

Etapa # 3 : Encontre hipóteses/suposições escondidas do leitor sobre sua falsa premissa

É aqui onde as coisas ficam complicadas.

Você tem sua premissa, escolhida na Etapa 2. A última coisa que você quer fazer é realmente dizer isso em voz alta de uma maneira qualquer. Tampouco vai desejar apontar para nosso leitor que é a mais pura verdade. Se o fizer, vai fazer com que os céticos comecem a suspeitar imediatamente que o oposto é verdadeiro.

Então, vamos dar um passo para trás e olhar para algo mais importante.

Encontre a suposição oculta do leitor sobre a sua premissa. Isso significa que você deve encontrar algo que, se você mostrar para o leitor, ele imediatamente se tornará subconscientemente convencido de que sua premissa é verdadeira , sem nunca pensar sobre isso.

Parece loucura, mas a verdade é que a nossa mente é constantemente bombardeada por uma série de informações, e decide sobre elas de forma subconsciente o tempo todo. Portanto, é preciso treinar a mente para encontrar suas próprias premissas ocultas. Não entendeu? Veja os exemplos :

O que inconscientemente nos faz pensar que alguém é um ser humano e não um robô ? Aqui estão algumas opções:

1 . Os seres humanos gostam de comida . Se o leitor vê o nosso quase-personagem-humano gostar de massa, ele vai se tornar inconscientemente convencido de que o personagem é humano.

2 . Os seres humanos dão à luz. Se o quase-personagem-humano é a mãe biológica do personagem principal (e se isso for estabelecido logo no começo), o leitor não terá nenhuma dúvida de que a mãe é humana.

3. Os seres humanos têm pesadelos. Se o nosso quase não humano for do sexo feminino (que a maioria das pessoas associa com uma pessoa um pouco mais emocional e, portanto, menos robótica ) e tem terríveis pesadelos todas as noites, ela irá reagir emocionalmente e buscar consolo à noite nos braços de nosso herói masculino (desempenhado pelo personagem) . O jogador vai inconscientemente assumir que ela é uma pessoa. Mas, como um robô, ela não será capaz de adormecer. Entende a lógica?

Etapa # 4: desviar a atenção, focando em outro ponto ao fazer sua premissa real.

A Etapa 3 ainda não é suficiente para fazer um Plot Twist surpreendente.

Por um lado, não exagere , não deixe muito grande algum dos pontos criados no passo 3 e não mostre a humanidade do personagem muitas vezes. Estabeleça sua premissa uma vez, e isso será o suficiente.

No entanto, haverá mais um passo por fazer deste o encobrimento completo do personagem.

Ao dar uma característica que institui a premissa inconscientemente, certifique-se de que, ao mesmo tempo, você instaure uma trama importante na história.

Leitores prontamente assumem que só uma coisa importante está sendo dita a eles em um ponto no tempo, por isso certifique-se de que o seu passo 3 traz algo a mais que também é importante para o enredo.

Vamos aos exemplos?

Na etapa n º 3 , tivemos três opções diferentes, a partir do qual vamos realmente precisar escolher apenas uma à nossa história. Mas vamos ver como iríamos lidar com cada uma delas:

1 . O personagem quase-humano gosta de massas.

Nós não queremos mostrar em absoluto que esse personagem está comendo macarrão sem nada acontecendo. Isso só iria levantar a suspeita de que estamos tentando dizer alguma coisa.

Então crie uma cena em que há uma refeição entre amigos. Vamos supor que todos são policiais. Eles estão comendo macarrão e gostando. Mas a massa é envenenada! Um personagem morre, o outro está doente e levado às pressas para o hospital, ou a sua saúde vai por água a baixo. Os bandidos tentaram se livrar de todos os mocinhos! Perdemos alguns bons homens e agora vamos pegá-los! (Viu? Desvio de atenção da característica dele).

2 . Ele é a mãe do personaem.

Primeiro de tudo, a mãe deve se parecer muito com seu filho (que é humano), e esse ponto nunca deve ser mencionado em voz alta. Devemos deixar o leitor perceber isso.

Em seguida, o desvio: há uma cena, no início da história, em que a mãe e o pai levam um tiro. Esta foi uma tentativa de assassinato a fim de convencer o personagem a não prosseguir em sua linha de investigação. O pai morre. A mãe sobrevive (talvez baleada e sangrando , talvez não).

Isso define o nosso herói em uma vingança para obter os culpados. (Percebeu o desvio? Nós estabelecemos que ela é a mãe, e, portanto, humana , enquanto que na verdade, estamos fazendo um ponto da trama sobre o assassinato).

3. A personagem feminina quase-robô tem sonhos.

Neste exemplo, os sonhos em si podem ser um ponto de virada . Os sonhos da personagem feminina sobre um evento traumático que aconteceu no passado estão sendo reprimidos por sua mente. São eles que dão uma janela para esses eventos, eventos que o leitor deve descobrir para saber a verdade sobre a trama.

No final, o avanço do enredo sobre os sonhos nos fez criar um personagem que é humano sem sê-lo. E a beleza da coisa é que nós nunca tivemos nem mesmo que sugerir o fato.

Agora é só criar o seu storytelling!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Entrevista com Luciana Stein, Head LatAm da TrendWatching.com


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O vídeo que a Porta dos Fundos não fez sobre a classe média brasileira


Publiquei isso no Facebook algum tempo atrás. Trata-se de uma sugestão de roteiro para um quadro da Porta dos Fundos, criticando uma certa noção de que membros da classe média não tem moral para criticar o governo que está aí. Tem até a Marilena Chauí no meio da história. Leiam e tirem suas conclusões.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Clóvis de Barros: "a expectativa de que haja uma fórmula pra vida é a fonte de tantas das nossas decepções"


O filósofo, escritor, professor de ética da ECA-USP e comediante de stand-up (esse último foi por minha conta) Clóvis de Barros deu uma entrevista genial para o Jô Soares, com mais de meia hora de duração!

Não vi ao vivo, mas, pelo sinais trocados entre o Jô e o Zeca Camargo, que estava na platéia, subentende-se que o Clóvis acabou ocupando mais quadros do que estava previsto, inclusive o bloco que seria do apresentador do Fantástico.

Para quem já viu alguma palestra ou aula do Clóvis de Barros (eu tive a oportunidade de ver umas duas vezes) essa entrevista não surpreende por seu jeitão esquisito, nem pelo uso de palavrões para falar de filosofia. Mas, independentemente do seu contato prévio, vale a pena.

A entrevista é, basicamente, sobre o sentido da vida, a busca pela felicidade, a angústia com as escolhas e, de bônus, Clóvis ainda conta um pouco de sua história de vida, e de como ele descobriu o que o fazia feliz. Seja como for, você vai ouvir algumas ideias poderosas e ainda dar boas risadas.

ATUALIZAÇÃO: o vídeo do YouTube não está mais funcionando, então resta assistir no próprio site do G1, clicando nesse link.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Se quiser aumentar os preços, conte uma história melhor (traduzido)

Na semana passada repliquei aqui um post escrito por Ty Montague, publicado originalmente na rede de blogs da Havard Business Review. Por falta de tempo não pude traduzi-lo, mas deixei aberta a possibilidade de algum leitor fazê-lo, prometendo publicar e dar os devidos créditos.

E não é que isso aconteceu? Claudio Zaltzman, escritor e consultor autônomo em pesquisa de marketing, conheceu o Caldinas na mesma semana e fez a gentileza de traduzir e me enviar por e-mail. Essas colaborações inesperadas são uma das coisas mais legais de se manter um blog. :)

Atualização: A M. Salete Plati também me enviou uma tradução, que eu acabei vendo alguns dias depois.

Enfim, copio aqui embaixo o texto traduzido. Aproveite!



Pergunte ao presidente de uma empresa se ele topa gastar um monte de dinheiro na análise da história da sua empresa. É provável que ele o ponha porta afora. Mas se você lhe disser que tem um poderoso insight que pode ajudá-lo a aumentar o preço de todos os seus produtos, é capaz de ele o convidar para uma jantar em sua casa. Ou seja: o dinheiro fala. Infelizmente, na maioria das empresas, o poder da história em influenciar preços ainda é se não desconhecido, pelo menos largamente subutilizado.

A estratégia de precificação geralmente segue um de quatro caminhos. De baixo para cima: calcule o custo de tudo o que entra na fabricação do produto e acrescente uma margem. De fora para dentro: analise e adote o preço dos produtos dos concorrentes. De cima para baixo: escolha como alvo um segmento demográfico ou econômico e trabalhe o produto de modo a chegar àquele preço. Ou dinâmico: use um complexo cálculo em tempo real para avaliar oferta e demanda, geralmente com a ajuda de um algoritmo.

Há, porém, um quinto caminho, do qual você quase nunca ouve falar, e que eu chamo de “análise da história”. Trata-se de uma análise do potencial que um produto tem de preencher uma profunda necessidade humana; de contar uma história que proporcione aos seus clientes um significado mais rico para as suas vidas. Num mundo de abundância, o que o seu produto faz para os seus clientes é importante, mas nem de longe tão importante quanto o que o produto representa para eles. E essa segunda parte – a história do seu produto – é a que gera a maior parcela do poder do preço.

Não acredita? Então leia esta história.

No verão de 2006, o colunista Rob Walker, da revista New York Times, refletia sobre o que faz um objeto ser mais valioso que outro. O que faz com que um par de sapatos valha mais do que outro, se ambos proporcionam os mesmos benefícios funcionais de conforto, durabilidade e proteção? Por que uma obra de arte custa 8 milhões de dólares, enquanto outra, 100 dólares? O que faz uma torradeira valer 20 dólares, e outra, algo em torno de 400 dólares, considerando que ambas fazem torradas? Ao remoer essas questões, ele concluiu que não se trata dos objetos por si sós; o contexto, a origem dos objetos é o que gera valor. Em outras palavras, o valor não está contido nos próprios objetos, mas na história ou no significado que os objetos têm para o seu possuidor.

Walker decidiu testar essa conclusão de uma maneira simples e direta. Com a ajuda de um amigo, ele passou a comprar aleatoriamente objetos inúteis ou de baixo valor em feirinhas, brechós, etc. O preço dos objetos variava de 1 a 4 dólares. Um velho martelo de madeira. Uma chave perdida de hotel. Uma banana de plástico. Coisas descartadas, com pequeno ou nenhum valor intrínseco.

Em seguida, Walker pediu a alguns escritores desconhecidos que escrevessem um conto que mencionasse um dos objetos. Os contos não eram sobre os objetos propriamente ditos; eles serviam para ajudar a inserir os objetos num contexto humano, a dar-lhe um novo significado.

Quando Walker pôs os objetos, acompanhados das suas histórias, à venda no eBay, os resultados foram impressionantes. Em média, o valor dos objetos aumentou 2.700%. Não é erro de digitação; foram 2.700% de valorização. Um jarro de maionese em miniatura, que ele havia comprador por menos de 1 dólar, foi vendido por 51 dólares. Uma cabeça de cavalo em cerâmica rachada, comprada por 1,29 dólares, vendeu-se por 46 dólares. Súbita e misteriosamente, o valor desses objetos abandonados ou esquecidos sofreu um aumento astronômico quando acompanhado por uma história.

O projeto teve um sucesso tão grande (e tão interessante) que eles o repetiram cinco vezes e lançaram todos os resultados na web. Virou um livro também.

O experimento de Walker nos lembra, de modo claro e extremamente tangível, como o conceito de valor opera na mente humana: um abridor de latas é um abridor de latas é um abridor de latas, até que seja um abridor de latas projetado por Michael Graves e integre a coleção permanente do Museu de Arte Moderna. Um sapato é um sapato é um sapato até que seja um par de sapatos TOM. Para cada par que eu comprar, uma criança que até então nunca teve a chance de calçar sapatos, ganha, de graça, outro par. De uma hora para outra, esses objetos passam a fazer parte de uma narrativa inspiradora – narrativa essa que eu posso usar para revelar algo significativo sobre mim para outras pessoas. Aí está algo pelo que eu desejo pagar.

É daí que provém o verdadeiro poder do preço.

À medida que prolifera o número de produtos e marcas no mundo num ritmo de crescente aceleração, esse poder só faz crescer. Em 1997, havia 2,5 milhões de marcas no mundo. Hoje? O número se aproxima de 10 milhões. Assim, a tendência é a de uma rápida comoditização de praticamente tudo. Num mundo em uma abundância quase esmagadora, uma história autêntica, rica em conteúdo torna-se o ingrediente mais importante para elevar as margens de uma empresa.

Vai um jantar aí alguém?

Nota do editor: escrevi um post sobre o mesmo projeto um tempo atrás, aqui.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Entrevista com Alessandro Cauduro, CIO da W3Haus


O LinkedIn me convidou para ser o embaixador oficial da empresa no Young Lions Brasil 2013, prêmio pela primeira vez patrocinado por eles, e isso incluiu, dentre uma série de atividades, o desafio de entrevistar alguns dos profissionais de comunicação mais renomados do país.

Nessa série de posts estou republicando as entrevistas, que podem ser encontradas em primeira mão, junto de outros conteúdos exclusivos, nGrupo Young Lions Brasil powered by LinkedIn.

Falando de marketing esportivo no Rede Social Esporte Clube


Em 13 de setembro, aproveitando minha estadia em Belo Horizonte para ministrar o Curso de Storytelling e Transmídia, participei do programa Rede Social Esporte Clube, transmitido por um canal local e apresentado pela Barbara Vasconcelos, para falar de marketing esportivo.

Lá aproveitei para contar um pouco sobre minha experiência na Ativa Esporte, consultoria da qual sou sócio.

Agradeço ao Jotapê Saraiva, que também participou do programa, pelo convite. Essas experiências de aparecer na TV são sempre muito curiosas (não que eu tenha muitas).


Bloco 1


Bloco 2

terça-feira, 8 de outubro de 2013

‘Histórias independentes e complementares’, diz Bruno Scartozzoni sobre narrativa transmídia

Recentemente dei uma entrevista sobre narrativas transmídia para o blog do Curta Criativo 2013, tradicional concurso de curta-metragens para jovens cineastas, realizado pelo SESI do Rio de Janeiro. Logo abaixo você encontra a reprodução da matéria. O link original está aqui.

Aliás, o Fernando Palacios, que dá aula comigo na ESPM, também contribuiu com outra entrevista, sobre dicas para elaborar um bom roteiro de ficção.


Os mais antenados certamente sabem do que se trata. Quem não tem a definição na ponta da língua, pelo menos, já ouviu falar. Nos dias de hoje, debate-se muito sobre narrativa transmídia. Mas, afinal, o que é? Do que se trata? Como fazer? Para responder a essas perguntas, conversamos com Bruno Scartozzoni, publicitário, escritor, especialista em Storytelling e um dos criadores das startups Zaanga e Ativa Esporte. Bruno explica quais são as características de uma narrativa transmídia e dá dicas práticas para quem quer criar uma história nesses moldes. E ressalta que há muitos teóricos debatendo as definições mais adequadas para o termo, mas a geração atual já nasce entendendo como uma história pode se desdobrar em diferentes plataformas. Confira:

O que caracteriza uma narrativa transmídia?

A forma mais simples de resumir é que se trata da arte de contar histórias diferentes, complementares, independentes, em mídias diferentes. Por exemplo, você tem um filme que conta uma parte da história, um livro que conta outra e ainda outra parte da história em quadrinhos. As duas palavras-chave são independente e complementar. Transmídia não é adaptação. Na minha adolescência, nos anos 1980 e 1990, havia muitos filmes para os quais se produziam adaptação em quadrinhos, por exemplo. É necessário que sejam histórias diferentes e complementares.

Esses desdobramentos já podem ser previstos pelos criadores da história ou surgem de forma independente, como, por exemplo, pela iniciativa de fãs?

O caminho mais clássico é ir acontecendo. O primeiro caso de transmídia com sucesso comercial foi “Star Wars”. Ele não foi pensado para ser assim, mas a indústria viu que tinha público e fez os desdobramentos. A primeira franquia que fez isso de caso pensado desde o princípio foi “Matrix”, que é mais ou menos da mesma época em que surge o conceito de transmídia.

De que forma a tendência das narrativas transmídia atinge quem está começando a fazer cinema?

Isso não é uma coisa tão de outro mundo. Se você entrar numa livraria hoje em dia, vai ver milhares de produtos desta forma. Esta geração que está nascendo agora já nasce entendendo como funciona a dinâmica entre uma mídia e outra. Há muitas pesquisas que mostram que hoje existe essa simultaneidade de mídias, que as pessoas assistem à TV e interagem pelo celular sobre o assunto, por exemplo. O cara que está começando a fazer um curta-metragem, por exemplo, tem que ter na cabeça que transmídia é algo muito experimental. Muitos teóricos ainda se questionam sobre o que é o que não é transmídia. A primeira coisa é pensar se aquilo faz sentido para o público, se tem potencial de interessar as pessoas. De mais prático, eu diria, como dica, para aproveitar e usar as ferramentas que a internet nos dá de graça. Se você está fazendo um filme, não custa muito fazer uma webserie curtinha, ou um blog de um dos personagens. Isso é muito comum, mas raramente feito de forma eficiente. Ou vá para a literatura. Ou chama aquele seu amigo bom em quadrinhos e o convida para desenvolver uma história complementar, porque este tipo de vitrine pode ser interessante para ele. Mas o mais importante para fazer uma história transmídia é que ela faça sentido para o público.

Você pode dar exemplos de filmes que tiveram bons desdobramentos em outras mídias?

“Star Wars” e “Matrix” são clássicos. No Brasil, um exemplo de caso recente é um personagem de novela da Globo sobre o qual estão fazendo um filme agora. (Ele se refere a “Crô”, personagem de Marcelo Serrado na novela “Fina Estampa” que está inspirando um longa com seu nome).

Achou o tema interessante? Aqui vai mais uma dica: se quiser saber mais sobre narrativa transmídia, vale a leitura de “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins, autor referência no assunto.