quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Conte sua história (só não espere que alguém vá ler)

Sempre que alguém pensa em fazer um projeto ou campanha envolvendo storytelling a primeira idéia que vem é pedir para o público em questão (consumidor, funcionários, parceiros etc.) contar sua história.


Já faz algum tempo que aconteceu lá no grupo de Storytelling & Transmedia do Facebook uma boa discussão sobre campanhas desse tipo.


Acabei dando uma resposta que, depois, o Fernando Palacios fez questão de transformar em um post para o seu blog, Stories We Like. Logo abaixo reproduzo o texto do post. O original está aqui.


É um fato: a vida de qualquer pessoa daria um bom romance. A vida de algumas pessoas daria até mesmo uma saga de vários volumes. Mesmo a mais tediosa das vidas seria capaz de gerar ao menos um conto intrigante. E o mesmo vale para as empresas e suas marcas. Mas chegou a hora do "porém, contudo, todavia, entretanto".


O "mas" é uma negação. Toda vez que essa palavrinha aparece, você praticamente pode desconsiderar tudo o que foi dito antes dela. Então agora começa o post de verdade e com uma verdade: todos têm uma história para contar, mas nem todo o mundo pode contar uma história.


Sim, é verdade que todos contamos histórias o tempo inteiro - para entreter amigos na mesa de bar, para convencer o chefe de alguma ideia no escritório, para atualizar a família no almoço de domingo - mas isso não quer dizer que todos nós saibamos bem contar. Mas vou deixar que o Professor Bruno Scartozzoni esclareça essa questão.


O Bruno já escreveu muito por aqui no passado e continua ministrando comigo e com a Martha Terenzzo os cursos de Inovação em Storytelling na ESPM e foi muito preciso em uma resposta no grupo de discussões que mantemos no Facebook.



"Deixar que as pessoas contem suas histórias é um erro em termos de storytelling. Esse tipo de mecânica pode funcionar para dar ao consumidor aquele sentimento de fazer parte, mas o buraco é mais embaixo... quantas vezes você investiu seu tempo vendo os vídeos e textos das pessoas que participam desse tipo de promoção "conte sua história"? Digo, você Leitor, como consumidor. Aposto que nenhuma.


O problema é que existe uma diferença enorme entre ter uma história para contar no dia a dia e contar uma história de um jeito que seja muito interessante. O problema aqui é ser interessante a ponto de capturar a atenção das pessoas, não é? E deixar que cada um grave seu vídeo ou escreva seu texto dificilmente terá esse efeito.



O conselho que eu dou nesse tipo de coisa é que a marca tenha alguém para trabalhar esse material e transformá-lo em histórias bem contadas. Pode ser um curta, um conto, um livro, um vídeo de 30 segundos, tanto faz.


Mas pense assim...se qualquer um pudesse contar sua própria história não existiriam biógrafos e ghost writers. As marcas também precisam de figuras assim para contar histórias reais, por melhor que sejam as suas histórias."

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Comunicado aos alunos da Belas Artes


Caros alunos do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, agora de manhã eu deveria estar palestrando para vocês.

Infelizmente houve um problema de comunicação com a organização do evento, que resultou em uma confusão de horários.

Essa é a primeira vez que não compareço à alguma palestra ou evento em que confirmo presença, mas, independentemente das culpas (e nesse caso acho que nem teve uma), estamos sempre sujeitos à falhas.

Como diria o velho clichê, "acontece nas melhores famílias".

Peço desculpas a você, que ficou aí me esperando, e já me coloquei à disposição da organização para palestrar em outro dia e horário.

Um abraço!

Como o Storytelling pode atuar no posicionamento e na lembrança de marca?

O TCC abaixo é da minha ex-aluna Amanda da Silva, que resolveu explorar o tema storytelling em sua pós-graduação de Administração Estratégica na FIA.

Nas últimas páginas você encontrará entrevistas feitas comigo, com o Fernando Palacios e com a Martha Terenzzo. A minha começa na página 42. E, além disso, somos citados um monte de vezes, em várias referências. Em outras palavras, garantia de qualidade.

Brincadeira, mas não posso negar que fico vaidoso vendo essas coisas. :)


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A jornada de um pai em aceitar sua filha lésbica

Se você chegou a esse post por causa do título eu já posso imaginar o que está passando pela sua cabeça. Resolvi colocar aqui uma campanha da causa LGBT, ou então um curta que fez sucesso em algum festival do gênero. Certo?

Errado!

A história de um pai que precisa superar suas expectativas e preconceitos para aceitar sua filha lésbica é parte de uma campanha americana da Expedia, e-commerce de passagens aéreas, diárias em hotéis e afins.

Esse vídeo faz parte do conceito "Find Yours", ou seja, a Expedia quer que as pessoas contem com ela para acharem o que estão procurando (em outras cidades e países). Nesse caso o pai vai ao casamento da filha em outra cidade, e nessa viagem procura entendê-la e aceitá-la.

A história é bastante ousada e a Expedia está de parabéns!



via Agência Crie

Update em 11/10/2012: A minha ex-aluna Renata dos Passos avisou que as personagens dessa história realmente se casaram. E antes elas tinha participado do reality show The Real L Word, ou seja, de certa forma isso é transmídia também.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O dia em que uma rede de farmácias me fez chorar (no sentido positivo)

Recentemente a rede de farmácias Panvel, líder na região Sul do Brasil, lançou dois curta-metragens capazes de encher os olhos de lágrimas de qualquer pessoa que tenha coração.

Tanto o "Filme do Lilinho" quando a "História de Sofia" foram baseados em crônicas de José Pedro Goulart, publicadas no livro "A voz que se dane", da Editora L&PM. O próprio José, que além de escritor é cineasta e publicitário, dirigiu os curtas.

Veja-os aqui, e logo depois continuamos a conversa.





Impressionante como eles conseguiram entregar ao público algo que tivesse uma qualidade artística suficiente para ser mais cinema do que propaganda, e, ainda por cima, refletindo o posicionamento da marca, ligado à cuidado e bem-estar.

No momento em que eu escrevo esse post a soma de visualizações dos dois vídeos já passa de 1 milhão. Vamos pensar que são 1 milhão de pessoas que escolheram assistir essas histórias. 1 milhão de pessoas que apertaram o play de forma ativa, e não receberam isso em casa de forma passiva, enquanto faziam outras coisas.

Todos chegaram até o final do vídeo? Provavelmente não. Todos gostaram? Claro que não, já que é impossível agradar 100% das pessoas. Mas o ponto é que muitos, na casa das centenas de milhares, se importaram, se emocionaram e, eventualmente, compartilharam e quiseram falar sobre. Eu mesmo fiquei sabendo disso pelo Daniel Souza.

Eu poderia ter um blog só sobre cinema e ainda assim ambos os vídeos seriam candidatos naturais à aparecerem por lá. Poderia querer enviar um e-mail motivacional para um amigo que estivesse precisando, e esses vídeos seriam candidatos naturais à reforçarem minhas palavras. Isso é conteúdo de verdade.

Aliás, é tão de verdade que até pensaram em uma sessão de making-of e extras, por onde dá para se aprofundar mais na história por trás da história. E no começo do marking-of o diretor fala uma frase que pode servir bem para fechar o post: 

"As pessoas aceitam a propaganda desde que a propaganda entregue alguma coisa pra elas".


Mas calma aí que o post ainda não acabou!

Esses vídeos ainda servem para reforçar um concurso cultural, e vice-versa. Nesse concurso a Panvel pede para que seus clientes contem histórias pessoais de cuidado e bem-estar com quem ama. As 5 melhores foram premiadas com um ano de cuidados Panvel para sua família (na prática é um vale mensal de R$300,00 para cada ganhador, durante 12 meses).

Como eu sempre digo, esses concursos do tipo "conte sua história" servem muito mais para fazer o consumidor se sentir parte do que para capturar a atenção do público. Nesse caso a diferença entre as respostas e os vídeos fica bastante clara. Mas cada qual com seu papel, um reforçando o outro, sempre pode funcionar bem.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vivo faz propaganda contextualizada com novela

Confesso que não estou acompanhando a novela Avenida Brasil. Tudo que sei é pelo que leio de comentários nas redes sociais. Sendo assim, não vou me meter a explicar os pormenores dessa ação.

Só sei que existe um personagem chamado Tufão, interpretado pelo Murilo Benício, e que a Vivo aproveitou uma situação da novela para fazer uma propaganda contextualizada, usando o próprio.

Fica o registro para quem ainda não viu. E o palpite de que isso será mais comum.

Aliás, já tinha feito um post sobre o assunto aqui, na época em que surgiram vários comerciais baseados em De Volta para o Futuro.

vídeo via Stela Guimarães

Update em 10/10/2012: A Vivo não tinha autorização para usar um personagem da novela e, por isso, teve que retirar o vídeo do ar. Roberto Justus, representando a agência que fez a ação, comunicou à imprensa que ficou envergonhado pela lambança. Eu pessoalmente acho que, mesmo assim, a marca mais ganhou do que perdeu com essa ação. Para entender os desdobramentos veja esse link.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Storytelling: de arte a metodologia

A professora e amiga Martha Terenzzo deu uma entrevista bem legal para o canal de vídeo da HSM.

Aqui ela toca em vários pontos sobre os quais falamos no curso da ESPM.



Aliás, a próxima edição intensiva já está confirmada para janeiro de 2013. Tradicionalmente comigo, com a Martha e com o Fernando Palacios. Mais informações aqui.

Não existe espontaneidade em São Paulo


Não é que não haja amor em São Paulo. Amor tem de sobra aqui. O que são não tem é espontaneidade.

A coisa mais difícil em São Paulo é marcar um almoço/jantar/café/chopp pra agora. Agora não existe aqui. É sempre para daqui alguns dias, talvez algumas semanas.

Duas coisas explicam isso: 1 - necessidade de planejar tudo com antecedência por causa do trânsito e das distâncias 2 - excesso de oportunidades em uma cidade com 20 milhões de habitantes (grande São Paulo)

Minha meta atual é deixar minha agenda mais livre e dar espaço para o agora.

postado originalmente no Facebook

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O futuro da economia brasileira


Em 18 de setembro estive na palestra do Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, organizada pela exSanta, Associação dos Ex-Alunos do Colégio Santa Cruz.

Por acaso tive o prazer de participar da mesa, selecionando as perguntas da platéia na segunda metade do evento. A foto acima foi tirada dali.
Fiz um resuminho para um amigo, nas minhas próprias palavras, tomando várias liberdades poéticas, e aí resolvi publicar aqui no melhor espírito de compartilhar conhecimento. Vamos lá:

- o Brasil cresceu muito nos últimos anos por vários fatores externos (principalmente crescimento da China) e porque colocamos 10% de desempregados trabalhando. Só que isso chegou ao limite. Os fatores externos agora estão desacelerando e todo mundo já está empregado.

- Para crescer mais é preciso melhorar a mão de obra (com educação) e investir em infra-estrutura no geral. Só assim dá para aumentar a produtividade.

- Isso significa que o prognóstico para os próximos anos é um crescimento de 3 a 4% ao ano, no máximo. Até resolvermos esse gargalo, ou até os fatores externos mudarem de novo, de forma imprevisível, pra cima.

esse post foi adaptado de algo que escrevi no Facebook, aqui