sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Política, storytelling e o documentário do Marcelo Freixo


Eu até torço para que o Marcelo Freixo ganhe as eleições para a prefeitura do Rio de Janeiro, mas política não é o assunto desse post.

A notícia aqui é que estão fazendo, ao longo da campanha, um documentário sobre o candidato.

Documentários sobre campanhas não são uma novidade, mas a prática é que eles sejam lançados depois do pleito, geralmente como forma de celebrar a vitória. Mas nesse caso a história é diferente.

A jornada de Marcelo Freixo será contada e veiculada durante a campanha, sem certeza nenhuma do resultado. A promessa é que trechos do documentário estejam disponíveis na internet daqui até outubro.

Vejam o trailer.



Campanhas políticas podem parecer um universo paralelo no mundo da comunicação, mas, na essência, não tem muita diferença entre vender um candidato e uma pasta de dente, fora o impacto que cada um deles pode ter em nossas vidas. Já estive nos dois mundos e falo com conhecimento de causa.

O ponto é que, independentemente do que você esteja vendendo, a comunicação interruptiva vai fazendo cada vez menos efeito. Quer capturar a atenção de alguém? Faça um conteúdo que provoque o interesse das pessoas, fazendo-as ir atrás.

É nesse contexto que entra essa idéia do documentário praticamente em tempo real. E, pensando bem, quando a gente vê candidatos tuitando e fazendo posts sobre o que se passa em suas respectivas rotinas, esse já não é um tipo de registro documental?

Mas também é preciso lembrar que o conteúdo é mais importante do que a forma. Não adiantaria nada um documentário super bem produzido sem uma mensagem clara para passar. E a história de vida do Freixo ajuda bastante nesse sentido. O personagem é bastante interessante e sua motivação é muito clara. O conflito está aí, escancarado, em tempo real, presente em todo o seu discurso. Se a vida de Freixo fosse um filme você até poderia sair do cinema sem gostar do resultado final, mas ainda assim elogiaria o roteiro muito bem amarrado.

E aí está o cerne da questão. Quantos políticos hoje em dia têm uma história de vida que daria um roteiro bem amarrado? Quantos tem suas motivações claras e conflitos definidos? Poucos né?


Ideologias à parte,.Lula era o cara do povo que lutou contra a pobreza. Fernando Henrique Cardoso tinha a inflação como conflito. Dilma se elegeu com muito marketing mas "sem storytelling", e agora, aos poucos, vai construindo sua narrativa de mulher de pulso firme. Quase uma Dama de Ferro da esquerda.

Na minha opinião aí está o caminho para que os candidatos de hoje consigam construir histórias fortes, e conteúdos que derivem disso. Na verdade sempre foi assim, mas as opções de truques e subterfúgios diminuem a cada eleição. E, em um sistema democrático mais justo, só sobra a história para contar mesmo.

o vídeo foi dica do Eduardo Shor

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