quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Como fazer storytelling? - minhas dicas na Info Exame

Fiz uma pequena (bem pequena mesmo) contribuição para a Info Exame, edição de agosto de 2012. A cada foi essa...


Eu fui um dos 35 especialistas a explicar "como fazer" várias coisas. Exemplos: como desmascarar mentirosos, como zerar sua caixa postal, como fazer reuniões mais produtivas e, no meu caso, como fazer storytelling.

O meu quadrinho está na parte inferno da página 63. Mas você também pode ver aqui:



Transmídia Storytelling - raciocínio, convergência e histórias!

Recentemente dei uma entrevista bem legal para o blog Quick Drops, a convite da Gisele Baciano, que já foi minha aluna. Eles queriam saber mais sobre transmídia storytelling e também minha jornada profissional para ter chegado até aqui. Acabou sendo uma entrevista com perguntas fora do padrão, e por isso mesmo muito legal de responder!

Abaixo reproduzi o texto, mas para acessar o link original clique aqui.



Quando pesquisamos o tema citado no título dessa matéria no Google, a maioria dos resultados são do tipo: O que é Transmídia Storytelling?, Entenda Transmídia Storytelling!, Para que serve? e por aí vai...

Apesar de ser um tema relativamente novo, já tem muita gente interessada e especializada no assunto.

Um deles é Bruno Scartozzoni. Considerado umStoryteller, ele ministra cursos e palestras em todo o país sobre o assunto e mantém o blog Caldinas, também relacionado ao tema. Bruno é nosso entrevistado dessa semana e o que você confere a seguir é um pouco sobre o termo Transmídia Storytelling, mas é mais do que isso, é um exemplo de caminho a seguir se quiser ser também um Storyteller!

Bora contar mais essa história?

QD- Poucas pessoas são familiarizadas com o termo Transmídia Storytelling, como você explicaria o conceito em poucas palavras?

Bruno Scartozzoni - Storytelling é um conjunto de técnicas de comunicação que consistem, basicamente, em organizar fatos em uma determinada sequência que, por vários motivos, da neurologia à antropologia, capturam a atenção do público de uma maneira especial e, por isso, transmitem conhecimento de uma forma mais natural e assertiva. Essa sequência, na essência, envolve uma pessoa (protagonista) enfrentando desafios (conflito) para atingir um objetivo que mudará sua vida.

QD- Quando procuramos sobre o tema no Brasil, são poucos os profissionais que dominam o assunto e/ou falam de Transmídia Storytelling. Você considera isso uma oportunidade pessoal ou uma dificuldade para o crescimento do mercado? Ou os dois?

Bruno Scartozzoni - Quando em 2008 eu co-fundei a Storytellers, primeira agência brasileira focada em criação de histórias para empresas, o assunto era totalmente vanguarda, e há vantagens e desvantagens nisso.

Começando pelo lado ruim, o nosso maior problema era a fragilidade do negócio. Primeiro era muito difícil convencer as pessoas do que estávamos fazendo. Segundo que, mesmo convencidas, na primeira faísca de crise são justamente os fornecedores de vanguarda que acabam sendo preteridos. E nessa época, vocês devem lembrar, houve uma grande crise. Esse foi um dos principais motivos para o negócio não ter sobrevivido. Em contrapartida quem sai na frente acaba construindo conhecimento e virando referência para o mercado. Então, para o bem e para o mal, essa experiência acabou me abrindo outras portas, e graças à isso hoje eu dou aula e palestras em todo o Brasil, além de trabalhar como consultor em projetos que envolvam storytelling.

Nesse sentido dar aula é interessante porque a gente acaba formando a massa crítica do mercado. Calculo que mais de 250 alunos já passaram por mim. São publicitários, executivos, jornalistas e toda uma gama de profissionais que agora já conhecem essa tecnologia, e eventualmente alguns deles até saem dos cursos querendo se dedicar a isso.

QD - Excluindo você, Fernando Palacios e Martha Terenzzo, quais outros profissionais brasileiros são indicados para tratar do tema? Já existem agências especializadas nesse conceito de Transmídia Storytelling?

Bruno Scartozzoni - Essa é uma pergunta perigosa. Há muita gente talentosa que eu provavelmente vou esquecer de citar. E também há muita picaretagem, mas esses com certeza não estarão na minha lista. Então vamos lá:

Sheron Neves - referência em transmídia no Rio Grande do Sul e Brasil, sobretudo no que se refere à TV

Leão Carvalho - brasileiro que trabalha com a indústria de games nos Estados Unidos, super antenado

Aline Valek - escritora talentosíssima e publicitária nas horas vagas (ou o contrário), referência em Brasília

Marco Franzolim - referência em storytelling para apresentações, por acaso dá aula com a gente

Camila Queiroz - roteirista especializada em transmídia e conteúdo para crianças, uma das pioneiras da área

Guilherme Verzoni - produtor transmídia pioneiro no Brasil, também do Rio Grande do Sul

Com certeza esqueci de alguém, então já deixo o pedido de desculpas aqui...

QD - Sobre o Caldinas, como é criar e manter um blog que trata de um assunto pouco explorado no país?

Bruno Scartozzoni - O Caldinas é um blog de nicho. Eu falo de comunicação em geral, mas principalmente de storytelling e transmídia. Não tenho milhares de acesso por dia e também não pretendo tirar dinheiro de banners ou coisas parecidas. O que acontece é que ele acaba me dando muito prestígio pela qualidade dos leitores que atrai. Volta e meia recebo convites por causa do conteúdo que posto por lá.

O QD agradece ao Bruno pela entrevista =D

E já fica a dica: Tell a Story!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Conteúdo bom é conteúdo autoral

Esse post foi originalmente publicado no Facebook, aqui. Sim, estou testando esse tipo de ligação entre plataformas.

Muito se fala sobre conteúdo. O que não se fala é que conteúdo não funciona se for gerado em reuniões intermináveis com pessoas palpitando. Esse tal de conteúdo precisa ser minimamente autoral para soar como vindo de uma pessoa, e não de uma organização de bullshiteiros.

É isso.


charge via Fabricio Teixeira

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Herói e o Fora-da-Lei: resumo parte 3

Recentemente publiquei a parte 1 e a parte 2 do resumo do livro O Herói e o Fora-da-Lei, feito pela minha ex-aluna Samantha Col Debella.

Agora ela lançou a parte 3, que eu publico aqui em primeiríssima mão.

Lembrando que o livro está esgotado e que, portanto, é muito difícil encontrá-lo para vender.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Tudo é ficção


Recentemente o escritor Keith Ridgway escreveu um artigo bem interessante na The New Yorker, sobre o trabalho do autor e o papel da ficção na sociedade e na vida das pessoas. Se eu fosse você, eu lia inteiro, nesse link.

Mas, caso esteja com preguiça, esses dois parágrafos que eu selecionei já bastam para uma boa reflexão:
And I mean that—everything is fiction. When you tell yourself the story of your life, the story of your day, you edit and rewrite and weave a narrative out of a collection of random experiences and events. Your conversations are fiction. Your friends and loved ones—they are characters you have created. And your arguments with them are like meetings with an editor—please, they beseech you, you beseech them, rewrite me. You have a perception of the way things are, and you impose it on your memory, and in this way you think, in the same way that I think, that you are living something that is describable. When of course, what we actually live, what we actually experience—with our senses and our nerves—is a vast, absurd, beautiful, ridiculous chaos.

So I love hearing from people who have no time for fiction. Who read only biographies and popular science. I love hearing about the death of the novel. I love getting lectures about the triviality of fiction, the triviality of making things up. As if that wasn’t what all of us do, all day long, all life long. Fiction gives us everything. It gives us our memories, our understanding, our insight, our lives. We use it to invent ourselves and others. We use it to feel change and sadness and hope and love and to tell each other about ourselves. And we all, it turns out, know how to do it.

E não é?

Agora, trazendo um pouco mais pra realidade do publicitário, fico pensando que as marcas, e tudo aquilo que conhecemos por "branding", também não deixam de ser peças de ficção. E, vejam bem, essa constatação é feita sem juízo de valor.

Ficção aqui não necessariamente significa que estamos enganando os consumidores, embora muitas vezes isso seja verdade. Estou falando da Ficção com F maiúsculo (se é que isso existe). Aquela que ajuda as pessoas a significarem os fatos. E, nesse sentido, nos ajuda a significar aquilo que consumimos, seja um produto, um serviço, uma causa etc.

E algo me diz que nossas vidas seriam bem mais chatas sem essas coisas...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Política, storytelling e o documentário do Marcelo Freixo


Eu até torço para que o Marcelo Freixo ganhe as eleições para a prefeitura do Rio de Janeiro, mas política não é o assunto desse post.

A notícia aqui é que estão fazendo, ao longo da campanha, um documentário sobre o candidato.

Documentários sobre campanhas não são uma novidade, mas a prática é que eles sejam lançados depois do pleito, geralmente como forma de celebrar a vitória. Mas nesse caso a história é diferente.

A jornada de Marcelo Freixo será contada e veiculada durante a campanha, sem certeza nenhuma do resultado. A promessa é que trechos do documentário estejam disponíveis na internet daqui até outubro.

Vejam o trailer.



Campanhas políticas podem parecer um universo paralelo no mundo da comunicação, mas, na essência, não tem muita diferença entre vender um candidato e uma pasta de dente, fora o impacto que cada um deles pode ter em nossas vidas. Já estive nos dois mundos e falo com conhecimento de causa.

O ponto é que, independentemente do que você esteja vendendo, a comunicação interruptiva vai fazendo cada vez menos efeito. Quer capturar a atenção de alguém? Faça um conteúdo que provoque o interesse das pessoas, fazendo-as ir atrás.

É nesse contexto que entra essa idéia do documentário praticamente em tempo real. E, pensando bem, quando a gente vê candidatos tuitando e fazendo posts sobre o que se passa em suas respectivas rotinas, esse já não é um tipo de registro documental?

Mas também é preciso lembrar que o conteúdo é mais importante do que a forma. Não adiantaria nada um documentário super bem produzido sem uma mensagem clara para passar. E a história de vida do Freixo ajuda bastante nesse sentido. O personagem é bastante interessante e sua motivação é muito clara. O conflito está aí, escancarado, em tempo real, presente em todo o seu discurso. Se a vida de Freixo fosse um filme você até poderia sair do cinema sem gostar do resultado final, mas ainda assim elogiaria o roteiro muito bem amarrado.

E aí está o cerne da questão. Quantos políticos hoje em dia têm uma história de vida que daria um roteiro bem amarrado? Quantos tem suas motivações claras e conflitos definidos? Poucos né?


Ideologias à parte,.Lula era o cara do povo que lutou contra a pobreza. Fernando Henrique Cardoso tinha a inflação como conflito. Dilma se elegeu com muito marketing mas "sem storytelling", e agora, aos poucos, vai construindo sua narrativa de mulher de pulso firme. Quase uma Dama de Ferro da esquerda.

Na minha opinião aí está o caminho para que os candidatos de hoje consigam construir histórias fortes, e conteúdos que derivem disso. Na verdade sempre foi assim, mas as opções de truques e subterfúgios diminuem a cada eleição. E, em um sistema democrático mais justo, só sobra a história para contar mesmo.

o vídeo foi dica do Eduardo Shor

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Google Sandbox é da hora!

Uma das coisas bacanas de escrever no Update or Die, fora a honra de ocupar um dos espaços mais bem frequentados da blogosfera brasileira, é poder participar direta e indiretamente de projetos legais, como é o caso do Gooogle Sandbox, que conta com o apoio do nosso coletivo não-jornalístico.

Pediram para eu fazer um depoimento sobre esse projeto, e aqui está. Da forma mais sincera possível. :)