terça-feira, 19 de junho de 2012

Como a propaganda se transformou em videocase


Um dos aspectos mais interessantes da comunicação de marcas de hoje em dia é que existe uma relação inversa entre o quão inusitada é uma ação e a necessidade de impactar o maior número de pessoas.

Há 10 anos, quando eu trabalhava em uma grande agência de eventos e promoção, a primeira pergunta do cliente era "mas quantas pessoas eu vou impactar com isso"? E ele não estava errado em pensar assim.

Mas, com a popularização da internet, da banda larga e principalmente do vídeo online, de repente ficou viável realizar aquelas ações impossíveis, super caras e/ou "taylor made" para algumas poucas pessoas. Em outras palavras, ficou viável realizar algo muito impactante para poucas pessoas. O motivo é simples: se não dá para impactar muita gente in loco, a solução é compensar isso embalando a ação em um vídeo bacana e mostrando para um público muito maior o quanto a marca é cool e banca coisas audaciosas.

E aí tanto faz se ação acontecer no país inteiro ou só naquele cantinho específico de uma única cidade, pois o que importa é mostrar uma situação que desperte o interesse das pessoas. Com um pouco de sorte, trabalho e dinheiro a coisa pode até "viralizar".

Um primeiro ponto é que há uma lógica de reality show nesse tipo de mecânica. Mostrar uma situação específica que gere identificação com os espectadores. Por isso precisa ser o mais próximo possível da realidade, embora em muitos casos a montagem fique óbvia.

Um segundo ponto é que esse tipo de ação é o encontro entre as várias áreas da comunicação: ATL, BTL e online (há controvérsias, mas a maioria das pessoas aceita assim). Ou seja, as barreiras estão caindo.


E, um terceiro e último ponto é que, talvez por falta de uma linguagem mais própria para esse tipo de comunicação fica óbvio, e até engraçado, o quanto esses vídeos se inspiram nos infames videocases que agências fazem para exibir seus trabalhos em festivais. A diferença é que agora os videocases são produzidos para as pessoas comuns.

Nessa ação recente da Camp, que, diga-se de passagem, é muito bem bolada, isso fica claro. Mas há outros exemplos por aí.



Só faltou mostrar quantos likes e tuítes foram gerados por causa do vídeo. :-)

Ah, em tempo, vale ressaltar que esse tipo de lógica também vale para aplicativos e outras estripulias digitais que claramente tem pouquíssima chance de vingar junto ao público, mas cuja idéia pela idéia muitas vezes já vale o investimento. O retorno vem pelo buzz e pela herança que a marca ganha por ter apostado em algo inusitado, ainda que, daqui um mês, ninguém mais saiba o que é.

a ação da Camp eu vi no B9

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