quinta-feira, 31 de maio de 2012

O medo de ser um farsante é inerente ao ato de dar aula


O trecho abaixo foi retirado desse post do Alex Castro. Acho que todos os professores vão se identificar com ele. Eu, pelo menos, me identifiquei muito. Dar aula é isso aí. ;-)
Quando o aluno chega no mestrado, ele se sente afogado por tanta erudição. Por tanta gente culta vomitando teorias e petiscando autores. Por tantas referências que mal consegue acompanhar. 
Sou o maior blefador do mundo, ele pensa. Que direito tenho de estar aqui?
Durante meses e anos, ele blefa e blefa e blefa, cada vez mais eficientemente. Quando tem que dar uma aula sobre Foucault, vira a noite lendo trocentos artigos sobre Foucault, para que ninguém perceba que não sabe nada, NADA sobre Foucault.
E sempre com medo que, algum dia, de repente, quando menos se espera, será desmascarado como o blefador que é. Que todos vão perceber que é o único que nunca leu Kant e Hegel de cabo a rabo. Que não é NADA!

Até que um dia vem a iluminação: ninguém leu Kant e Hegel de cabo a rabo. Ninguém sabe realmente do que está falando.

Entender de Foucault nada mais é do que virar várias noites lendo Foucault para que ninguém perceba que você não sabe nada de Foucault.
O medo de ser um farsante é inerente ao ato de dar aula. Se um professor não tem esse medo, desconfie. Esses costumam ser os piores.

Aliás, não se engane, qualquer profissional sem esse medo costuma estar entre os piores de sua área.

Dedico esse post a todos os amigos professores que me falaram, acertadamente, que dar aula é aprender muito mais do que os alunos.

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