segunda-feira, 30 de abril de 2012

Joguinhos de Facebook


Não serei hipócrita. Já fui muito viciado em Mafia Wars por um tempo e hoje, de vez em quando, ainda me deixo levar por uma ou outra onda de jogos do Facebook. Meu mais novo passatempo é o jogo do Avengers, cuja foto estampa o post.

Mas, agora que já fiz a mea culpa, vamos à crítica. Cada vez mais tenho a sensação de que a maioria desses jogos são arquitetados para viciar o jogador por um sistema de pouco esforço e muita recompensa e, gradualmente, conforme se chega em níveis superiores, a balança inverte, sendo preciso muito esforço para pouca recompensa.

Essa é a hora em que as empresas responsáveis passam o chapéu. Quer mais energia? Pague. Quer mais itens? Pague. Quer aquele personagem especial? Pague.

A princípio não há nada de errado com esse modelo, afinal, ninguém é obrigado a jogar essas coisas, certo?Certo.

Mas, pensando pelo ponto de vista do jogador, esse sistema pode ser bastante irritante. E, com o tempo, vai sendo percebido como desonesto. A ponto de hoje eu perceber que muitos dos meus amigos que jogavam essas coisas pararam totalmente.

Então eles cresceram, tomaram vergonha na cara, e pararam de jogar videogames em geral? Claro que não. É o modelo de negócios, estúpido!

Quando você compra um jogo de console tradicional, ou até certos jogos para celular, se paga um X (que pode variar de 1 a 200 reais) e em troca se recebe um número Y de horas de diversão. O jogo pode ser bom ou ruim, mas o comprador tem uma noção do quanto está gastando e o que está recebendo em troca. Não tem muito como sair do controle.

O que irrita nos jogos de Facebook é que eles funcionam de uma forma completamente oposta. Depois de já ter investido horas em um jogo e ver que as coisas não avançam muito se você não comprar mais energia, o nível da vontade de sacar o cartão de crédito aumenta exponencialmente. E para quê?

Por um item que terá um efeito adicional relativamente baixo ou mais energia, que deverá durar mais meia hora de jogo. E depois volta-se ao mesmo ponto de antes, sem muita noção de quando o jogo acaba (se acabar) e de qual foi o real ganho com aquela compra.

Tenho a impressão de que a relação custo/benefício desses jogos ainda é muito ruim. Mais vantagem comprar um jogo "de verdade", por mais caro que seja, do que gastar progressivamente, meio sem perceber, nesses joguinhos de Facebook.

Tenho alguns amigos que trabalham nessa indústria e sei que há certos perfis de consumidores com tickets médios expressivos. Gente que gasta alguns milhares de reais todo mês comprando esses itens. A teoria do "homo economicus" que a gente aprende nas aulas de economia, em que as pessoas investem seus recursos de forma racional, nem sempre acontece na realidade.

6 comentários:

  1. Verdade, Bruno... passei por isso tentando voltar a jogar no Facebook recentemente.

    Resolvi dar outra chance com o Aviator (que vc jogou tb). Cliquei inicialmente pela proximidade com a área de negócio do meu cliente (uma boa desculpa para minha esposa não reclamar muito ehehe).

    Depois do impacto inicial, fui ficando irritado por ter investido tanto tempo e conseguir avançar tão pouco sem precisar usar cartão de crédito, algo que já tinha experimentado em outros jogos no FB anteriormente também.

    O resultado foi mais um abandono de game e o sentimento frustrante de ter jogado fora várias horas da minha vida para nada (não me diverti o suficiente e não completei os objetivos mínimos no game).

    Por falar nisso, comecei a ler "Jogador Número 1"... estou no meio e é INCRÍVEL! Vc conhece?

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  2. Já ouvi sobre. Tem várias referências aos anos 80 né?

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  3. Isso mesmo! Muito interessante e acho que vale a pena vc ler pela possibilidade Transmedia que ele apresenta.

    Como as referências dos anos 80 do livro são acessíveis para nós, conseguimos viver a jornada do protagonista vendo as mesmas capas de discos, episódios de séries, ouvindo músicas e tentando nós mesmos descobrir os mistérios apresentados.

    Se eu fosse vc, compraria ainda hoje!!!

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