terça-feira, 6 de março de 2012

O olhar das marcas estrangeiras sobre o Brasil



Está aí um belo branded content da Budweiser em forma de clipe do rapper Will.i.am. Super bem produzido, com belíssimas imagens do Rio de Janeiro e São Paulo. Ponto positivo pra marca, que está entrando com tudo no país, sobretudo por ser uma das patrocinadoras oficiais da Copa.

Se fosse há 10 anos, ou até menos, 5 anos vai, eu ficaria eternamente grato à marca. Naqueles tempos pré-BRIC, em que o Brasil passava longe de ser a nova coqueluche aos olhos do mundo, qualquer olhar estrangeiro com um pouco mais de carinho já era capaz de nos deixar muito felizes.

Impossível não lembrar de quando Michael Jackson ousou gravar um clipe em Salvador e no Rio. Aquilo era o ápice do reconhecimento internacional, um fenômeno que só poderia acontecer de novo no próximo equinócio, e olhe lá.


Mas aí o mundo virou de ponta de cabeça, os países desenvolvidos entraram em crise e todos os olhos se voltaram para cá. Não vou entrar no mérito sobre o Brasil ter ou não fundamentos econômicos e sociais para sustentar essa posição no médio e longo prazos, mas o fato é que, seja verdade ou lorota da boa, tem muita gente apostando suas fichas por aqui: empresas, marcas, artistas e até pessoas comuns.

Outro dia li em algum lugar que pela primeira vez depois de muito tempo tem mais espanhol vindo pra cá do que brasileiro indo pra lá. Bacana, de alguma forma estamos sendo reconhecidos ou, pelo menos, considerados. Mas isso também tem um lado ruim.

O ponto é que agora, em pleno 2012, vir para o Brasil é uma decisão fácil. Basta acompanhar o fluxo do dinheiro. Sem dúvida nenhuma há mais prosperidade, mas a nossa cultura, o charme das nossas cidades e o mojo do nosso povo continua mais ou menos o mesmo de 10 anos atrás.

Will.i.am é ex-integrante do Black Eyed Peas, banda que vem apostando no país há algum tempo, portanto merece um desconto. Mas, de uma forma geral, começo a identificar esse repentino interesse no Brasil mais como oportunismo do que reconhecimento.

É claro que temos a ganhar com isso também, mas é preciso largar mão da necessidade de aprovação da metrópole. Deixar de ser colônia é um processo tanto material quanto cultural.

clipe via B9

6 comentários:

  1. Bacana o post, mas infelizmente essa "venda" da Budweiser sobre o o que é o Brasil vai ficar restrita aos Brasileiros mesmo, porque é proibido ver aqui nos EUA. Surreal, né?

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  2. O vídeo está proibido para ver nos EUA? Sério?

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    1. Tá sim, Bruno. E procurei versões "alternativas" no YouTube e nada!

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  3. Talvez, pra ser mesmo reconhecido como o país alegre, colorido e festeiro que gosta de ser, o Brasil precise se tornar um pouco mais sério, sóbrio e focado para certas coisas. Nesse sentido, o Brasil é menos o país do futuro e mais o país de Schrödinger.

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  4. Bah, falha minha. Referência mal usada. :) É aquela história do Gato de Schrödinger, em que, pra descobrir se o gato dentro da caixa está vivo ou morto, só matando o gato.

    Era pra ilustrar essa ironia: queremos que o mundo valorize nosso jeito informal de ser, mas, pra isso durar, precisamos aprender a nos levar mais a sério.

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