sexta-feira, 30 de março de 2012

Talkshow: Governo Eletrônico

O Talkshow foi um projeto do qual participei em 2011, quando trabalhava em outra agência, em parceria com @bilaamorim@danielsouza@marianarrpp e outros.

Era um podcast ao vivo, com periodicidade quase semanal, em que trazíamos convidados para falarem de temas que nos interessavam. Boa parte do programa era feita com a colaboração do público, que interagia pelo Twitter.

Foi uma das coisas mais bacanas que fiz na vida, e por isso estou republicando tudo aqui.

Para ouvir outros talkshows, clique nesse link

Esse foi um dos episódios em que tivemos um participante fixo do TalkShow no papel de entrevistado. No caso foi a Fabíola Amorim, que estuda o tema e escreve no Para Seu Governo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Ninguém fica impune diante de uma verdade humana


A Mariana sabe que eu adoro cachorro e me enviou o vídeo abaixo. Um soldado americano voltando da guerra e sendo recebido por seu cão. Depois de sei lá quanto tempo fora de casa dá para imaginar a alegria do animal.

Se você tem ou já teve um cachorro, você vai chorar.

Se você já sentiu a falta de alguém que demorou a voltar (ou nem voltou), você vai chorar.

Se você já foi a pessoa que sumiu e retornou, você vai chorar.



Não é a toa que o vídeo tem um milhão e meio de acessos, e quando você chegar ao final vai descobrir que existem dezenas de vídeos com a mesma temática. O cão recebendo o soldado de volta é praticamente um novo meme no contexto da sociedade americana.

Para nós aqui do Brasil talvez isso não faça tanto sentido assim, afinal é raro conhecer algum brasileiro que já foi para uma guerra. Ainda assim o vídeo emociona, e o motivo é simples: ele é recheado de verdades humanas.

Verdade humana é um dos ingredientes mais fundamentais para uma história dar certo. É aquilo que não pode ser explicado em bullet points. É aquilo que faz a gente ficar perplexo perante uma situação, real ou ficcional.

Ninguém fica impune diante de uma verdade humana, e isso acontece porque é impossível não se projetar ali em algum nível e não compartilhar de pelo menos uma parte daqueles sentimentos.

Com a popularização da banda larga e as facilidades que existem hoje em dia para publicar basicamente qualquer coisa, de um romance a um vídeo caseiro, a internet está inundada de verdades humanas. E, na batalha pela atenção das pessoas, esse tipo de conteúdo sempre leva a melhor. A neurociência está aí para confirmar.

Normalmente eu terminaria o post falando que se o seu conteúdo não possui verdade humana, então é um conteúdo morto. Mas isso seria chover no molhado. Chegamos ao ponto em que sua verdade precisa ser mais verdadeira que a dos outros.

Quanto mais profundo melhor, afinal, a métrica do engajamento é a quantidade de lágrimas. Ou sorrisos.


E tem como não se render à esse pout pourri de soldados reencontrando seus filhos? Mais de 8 milhões de pessoas não se renderam.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Teatro transmídia


Nos últimos dias tenho recebido de várias pessoas esse link com a notícia de que uma peça de teatro no Rio de Janeiro estaria fazendo conteúdo transmídia. Quando isso acontece fico com a sensação de que estão pedindo algum tipo de comentário. Então, por que não um post logo?

A peça se chama Primeira Vista e, pelo que li, existe uma fanpage, uma conta no instagram e posts que mostram o cotidiano das personagens. Além desse vídeo abaixo, que mostra a gravação de uma música que as personagens tocam na peça. Comento logo abaixo.



- Sempre me incomodou a péssima qualidade dos comerciais que divulgam peças de teatro na TV. Já me falaram que isso acontece pela falta de verba, mas tem aí um tanto de falta de criatividade também. Nesse sentido me parece que transmídia como recurso de divulgação de uma peça é algo bem interessante pois é bem mais barato e, contando com o envolvimento do diretor e atores, pode ser bastante criativo também.

- Quando alguém pensa em fazer transmídia a primeira idéia que vem na cabeça é criar perfis dos personagens em alguma rede social. Isso é muito bonitinho na teoria, mas na prática geralmente só serve para que o público ache...bonitinho! Mensagens mostrando o cotidiano dos personagens não contam uma história e, portanto, não captam a atenção de ninguém. O cotidiano, por definição, é chato, por isso as histórias começam quando ocorre uma quebra.

- Usar transmídia de uma forma que realmente valha a pena envolve um esforço criativo tão grande quanto o de criar a história principal. O caminho está mais para a exploração de sub-tramas, que sirvam de gancho para a principal, do que posts sobre o cotidiano.

- Essa crítica não é endereçada especialmente à transmídia dessa peça, mas sim a 90% do que tenho visto por aí. Não vi a peça e também não encontrei a fanpage dela no Facebook. Talvez me surpreendesse com o conteúdo. O vídeo, que está aí em cima, tem como mérito ser pioneiro, mas cai no mesmo problema. Se é bonitinho por um lado, por outro não me diz nada da história. Música pela música, fico com um show.

terça-feira, 20 de março de 2012

Storytelling: o ser humano e as marcas

Recentemente fui convidado para participar do Virta Blog Week, um conceito muito legal criado pela agência Virta, que periodicamente convida pessoas de diversas áreas para fazer guest posts em seu blog, publicando um a cada dia da semana. Sendo assim, escrevi um artigo sobre storytelling que reproduzo logo abaixo. É um bom texto introdutório.


O interesse dos profissionais de comunicação por storytelling surgiu com força há mais ou menos 6 anos, ou seja, na metade da década passada. Não é coincidência que justamente nesse período a internet ficou mais acessível para grande parte da população (brasileira e, de uma forma geral, do mundo todo).

A relação entre esses fenômenos é explicada pelo aumento exponencial de informações que chega até uma pessoa qualquer. Se há 20 anos existia um número limitado de jornais, estações de rádio e emissoras de TV, hoje temos a nossa disposição um número muito maior de opções, e não estou falando só de TV a cabo, videogame e locadoras de filmes por streaming. Uma pesquisa recente mostrou que na internet é criado mais de um blog por segundo, ou seja, um novo canal. Em apenas 60 segundos ocorrem quase 700 mil atualizações de status no Facebook. Isso tudo em 2011, ou seja, os números já devem ter aumentado.

O volume de canais e informações aumentou, mas o tempo das pessoas não. O resultado é que sofremos cada vez mais escassez de atenção, o bem mais precioso desses tempos.

Na verdade tudo isso é um tanto óbvio, mas o que muitos publicitários e executivos de marketing ainda não entenderam é que aquela campanha que acabou de ser veiculada em algum lugar não está concorrendo só com outras campanhas, mas também com posts de blogs, fotos de gato no Facebook, e-mail da namorada, ligação da mãe, e por aí vai. Lembrem-se, o tempo é um só e, com tantos estímulos, somos obrigados a escolher no que prestar atenção (e principalmente no que não prestar).

A sua campanha que custou muito dinheiro não é tão interessante quanto um vídeo de um cachorro fazendo alguma bizarrice, filmado e veiculado a custo zero? Então você perdeu a guerra pela atenção. E aí entra o storytelling.

Storytelling, ou “contação de histórias”, é uma tecnologia de comunicação humana utilizada desde o início dos tempos para transmissão de conhecimento. A estrutura de história está presente desde as antigas mitologias até o moderno cinema, passando pela literatura, teatro, novelas, videogames etc. Aliás, tanto a psicologia quanto a neurociência já provaram que o pensamento humano segue essa mesma estrutura.

Toda história trata de uma pessoa (o protagonista) enfrentando uma série de desafios para conquistar seu objetivo, e no final sua vida estará completamente transformada. Esse mesmo formato está presente tanto em romances literários quanto em games de ficção científica. Em outras palavras, histórias funcionam como guias de como lidamos com obstáculos da vida.

Não é a toa que, quando voltamos de uma viagem, as histórias que temos para contar fatalmente estão ligadas àquele dia onde tudo deu errado. A companhia aérea extraviou sua mala, você se perdeu na cidade, ninguém no lugar falava sua língua etc. Intuitivamente selecionamos os momentos de perrengue, pois é aí que as pessoas vão parar para prestar atenção, e não só porque essas histórias são mais divertidas, mas também porque acabamos aprendendo alguma coisa sobre nós mesmos. Em outras palavras, histórias são, ao mesmo tempo, entretenimento e serviço.

Contar histórias, reais ou ficcionais, exige técnica e dedicação, mas o conhecimento está disponível para quem quiser praticar. Um dos primeiros a se interessar por storytelling foi Aristóteles, e hoje encontramos uma infinidade de manuais e guias para montar apresentações, escrever livros, criar roteiros de cinema, de teatro, de videogame e por aí vai.

O real desafio no mundo corporativo é entender que todas as boas histórias, aquelas capazes de capturar a atenção das pessoas, viralizar e fazer parte de alguma cultura, falam sobre verdades humanas.

Verdades humanas não estão ligadas a fatos ou números, mas sim a sentimentos complexos, que não podem ser explicados em bullet points, mas que estão na essência de nossas vidas.

Muitos dizem que a Apple é uma marca com status de religião porque usa muito bem o storytelling. Isso é verdade, mas enganam-se aqueles que acham que a história é a da marca. Histórias nunca são sobre empresas ou marcas, mas sim sobre pessoas e sentimentos (ou personagens que não são pessoas, mas agem como se fossem, caso do robô Wall-e).

Nesse caso a história que realmente cativa é a do Steve Jobs, um personagem espetacular com uma trajetória de vida recheada de desafios e verdades humanas. Se você ainda não assistiu o famoso discurso de Steve Jobs na formatura de Stanford, assista agora mesmo. É a melhor campanha da história da Apple.



Ao contrário do que todos os livros de marketing dizem, é a Apple que faz parte da vida do Steve Jobs, e não o contrário. Pelo menos é assim que o nosso cérebro processa a informação, e vai ser difícil, mesmo com todo o dinheiro do mundo, mudar esse mecanismo.

Se você está preocupado por não existir um líder tão carismático e interessante quanto Steve Jobs na sua empresa, muita calma nessa hora. Trabalhar com a vida do fundador é só uma maneira de utilizar storytelling, mas também é possível mostrar como a marca se relaciona à trajetória de um consumidor, funcionário, acionista, ou mesmo criar um universo ficcional para isso (coisa que a Coca-Cola está fazendo).

Uma história pode ser fictícia e, mesmo assim, muito verdadeira. O problema é quando não há nenhuma verdade humana na marca. Aí é hora de repensar as coisas do zero, e não há storytelling que possa te ajudar.


Para ver o link original, clique aqui.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Talkshow: Crowdsourcing

O Talkshow foi um projeto do qual participei em 2011, quando trabalhava em outra agência, em parceria com @bilaamorim@danielsouza@marianarrpp e outros.

Era um podcast ao vivo, com periodicidade quase semanal, em que trazíamos convidados para falarem de temas que nos interessavam. Boa parte do programa era feita com a colaboração do público, que interagia pelo Twitter.

Foi uma das coisas mais bacanas que fiz na vida, e por isso estou republicando tudo aqui.

Para ouvir outros talkshows, clique nesse link

O programa abaixo teve como tema Crowdsourcing, e a convidada foi a Marina Miranda, que há tempos é uma das grandes referências brasileiras no assunto.

Esse TalkShow está dividido em parte 1 e parte 2 devido a um problema na gravação.



quarta-feira, 14 de março de 2012

A história do Marketing de Conteúdo

Já falei sobre marketing de conteúdo nesse post e agora publica um infográfico bem legal com um panorama sobre a história do assunto.


terça-feira, 13 de março de 2012

O que é semiótica?



via Leão Carvalho, que compartilhou no grupo de Storytelling & Transmedia do Facebook.

Talkshow: Marketing Esportivo Digital

O Talkshow foi um projeto do qual participei em 2011, quando trabalhava em outra agência, em parceria com @bilaamorim@danielsouza@marianarrpp e outros.

Era um podcast ao vivo, com periodicidade quase semanal, em que trazíamos convidados para falarem de temas que nos interessavam. Boa parte do programa era feita com a colaboração do público, que interagia pelo Twitter.

Foi uma das coisas mais bacanas que fiz na vida, e por isso estou republicando tudo aqui.

Para ouvir outros talkshows, clique nesse link

O programa que eu republico nessa semana foi com o Guilherme Guimarães, amigo de longa data que entende tudo de marketing esportivo e, quem diria, meses depois eu me tornaria seu sócio. Hoje tocamos a Ativa Esporte (Twitter | Facebook), uma consultoria criativa focada em ativação de patrocínios esportivos para marcas.

Mas essa é uma outra história sobre a qual eu falarei em outro post...

segunda-feira, 12 de março de 2012

5 textos para ler com atenção vol.2

Essa é uma série de posts em que seleciono alguns textos e links interessantes que fui coletando por aí nos últimos dias. Aproveitem.


Para acessar outros posts da série clique aqui.




Combating "Compassion Fatigue" and Other Reporting Challenges
Stalin disse "a morte de uma pessoa é uma tragédia, a de milhões é estatística". A partir dessa frase o texto discute os desafios da captação de recursos para causas e ONGs e a necessidade de ir além da objetividade dos dados.

Minimalismo Mixtape
Leio o Conector, blog do Gustavo Mini, faz um bom tempo. É um dos melhores blogs sobre comunicação, tecnologia e comportamento. E nesse post ele fala um pouquinho sobre a economia da atenção e valorização da habilidade de ficarmos atentos por mais tempo que a média.

Pedro e João: a história de dois meninos gays e uma infância devastada
A princípio esse post não tem patavinas a ver com os assuntos geralmente tratados nesse blog, mas 1) quem disse que eu não posso falar de coisas diferentes do usual por aqui? 2) o post vale a pena de qualquer forma 3) a Eliane Brum é uma jornalista que escreve de forma quase literária, para mim é uma das melhores colunas da atualidade 4) se você ler com atenção verá uma história cheia de verdades humanas 5) do ponto de vista do storytelling não há muita diferença entre esse artigo e um conto 6) então, no fim, tem tudo a ver :)

13 maneiras como a Internet está afetando a produção e o consumo de livros
Post bastante didático do Juliano Spyer sobre algumas das transformações que o livro está sofrendo por causa da internet. Se você é autor isso pode servir como um guia desse novo cenário.

Concerts and sponsors in Singapore are mismatched
Esse é um dos melhores blogs sobre patrocínio e conteúdo por aí. Aqui Chris Reed fala sobre marcas patrocinando shows em Singapura. Exótico? Pelo contrário. São os mesmos erros e acertos que a gente observa por aqui também.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Usando o cinema para conscientizar sobre Alzheimer



Você entra no cinema para assistir um filme, e aí, de repente, começam a exibir outro. As pessoas não entendem o que está acontecendo e começam a reclamar. Mas logo aquilo se revela algo maior do que um simples engano.

Na verdade foi uma ação para conscientizar as pessoas sobre o Alzheimer, que tem como sintoma deixar as pessoas confusas, com uma percepção distorcida da realidade. Fazer com que as pessoas vivam a doença na própria pele é uma jogada bem interessante. Aconteceu em Israel.

via Comunicadores

quarta-feira, 7 de março de 2012

Histórico não é storytelling (sobre a timeline do Facebook)


Na semana que passou o Facebook fez o lançamento do novo modelo de fanpage, que agora possui a mesma timeline dos usuários "pessoa física".

Como acontece com toda novidade do mundo 2.0 muita histeria foi criada a partir desse fato e, segundo o próprio Facebook, um dos principais objetivos dessa mudança seria melhorar o ambiente para que as empresas contassem histórias.

Aí vem a Patrícia Albuquerque, sócia da Espalhe, e manda uma provocação no meio de seu artigo para a Exame, onde comenta o assunto:
E aqui vai uma provocação: desde quando deixar de fazer propaganda e começar a contar histórias depende de onde o texto está publicado? A solução não é geográfica. Se você tiver de fato uma história nas mãos, ela continuará sendo uma história onde quer que esteja. E, da mesma forma, se estiver criando uma propaganda, ela continuará sendo uma propaganda aqui, ali ou acolá.
Ela resumiu tudo o que eu queria falar sobre o assunto. Pessoal, postar coisas no formato de timeline não significa contar histórias, mas sim melhorar a visualização do histórico dos posts. E, como vocês sabem, histórico e história (no sentido de story) são coisas BEM DIFERENTES.

Para entender a diferença recomendo o filme Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas, do Tim Burton.

E antes que alguém fale que eu deveria usar a palavra estória, há uma grande polêmica sobre a validade dela na língua portuguesa: aquiaqui, aqui e aqui. Mas que facilitaria, facilitaria.

terça-feira, 6 de março de 2012

O olhar das marcas estrangeiras sobre o Brasil



Está aí um belo branded content da Budweiser em forma de clipe do rapper Will.i.am. Super bem produzido, com belíssimas imagens do Rio de Janeiro e São Paulo. Ponto positivo pra marca, que está entrando com tudo no país, sobretudo por ser uma das patrocinadoras oficiais da Copa.

Se fosse há 10 anos, ou até menos, 5 anos vai, eu ficaria eternamente grato à marca. Naqueles tempos pré-BRIC, em que o Brasil passava longe de ser a nova coqueluche aos olhos do mundo, qualquer olhar estrangeiro com um pouco mais de carinho já era capaz de nos deixar muito felizes.

Impossível não lembrar de quando Michael Jackson ousou gravar um clipe em Salvador e no Rio. Aquilo era o ápice do reconhecimento internacional, um fenômeno que só poderia acontecer de novo no próximo equinócio, e olhe lá.


Mas aí o mundo virou de ponta de cabeça, os países desenvolvidos entraram em crise e todos os olhos se voltaram para cá. Não vou entrar no mérito sobre o Brasil ter ou não fundamentos econômicos e sociais para sustentar essa posição no médio e longo prazos, mas o fato é que, seja verdade ou lorota da boa, tem muita gente apostando suas fichas por aqui: empresas, marcas, artistas e até pessoas comuns.

Outro dia li em algum lugar que pela primeira vez depois de muito tempo tem mais espanhol vindo pra cá do que brasileiro indo pra lá. Bacana, de alguma forma estamos sendo reconhecidos ou, pelo menos, considerados. Mas isso também tem um lado ruim.

O ponto é que agora, em pleno 2012, vir para o Brasil é uma decisão fácil. Basta acompanhar o fluxo do dinheiro. Sem dúvida nenhuma há mais prosperidade, mas a nossa cultura, o charme das nossas cidades e o mojo do nosso povo continua mais ou menos o mesmo de 10 anos atrás.

Will.i.am é ex-integrante do Black Eyed Peas, banda que vem apostando no país há algum tempo, portanto merece um desconto. Mas, de uma forma geral, começo a identificar esse repentino interesse no Brasil mais como oportunismo do que reconhecimento.

É claro que temos a ganhar com isso também, mas é preciso largar mão da necessidade de aprovação da metrópole. Deixar de ser colônia é um processo tanto material quanto cultural.

clipe via B9

segunda-feira, 5 de março de 2012

Post Inaugural do Curso de Storytelling e Transmídia da ESPM-SP (março-abril 2012)


Daqui alguns dias começa uma nova edição do curso Inovação em Storytelling: do branded content à transmídia,que ministro em parceria com a Martha Terenzzo e o Fernando Palacios no Centro de Inovação e Criatividade da ESPM São Paulo.

O curso tem duração de 1 mês, de 27 de março a 24 de abril, e as aulas acontecem às terças e quintas-feiras. Para olhar a programação completa e fazer a inscrição basta clicar NESSE LINK. Corre lá que ainda dá tempo!

Aliás, aproveitamos a última edição, um módulo intensivo que aconteceu em janeiro desse ano, para fazer um compilado de impressões e comentários espontâneos dos próprios alunos, aqui na apresentação abaixo. #plotESPM é a hashtag que usamos para "batizar" o curso no Twitter.



Jabá à parte, fico arrepiado toda vez que leio isso. No primeiro semestre do ano passado eu ainda estava me acostumando com a idéia de ser professor (até escrevi um post sobre isso) e agora, já na quarta edição (fora outras experiências), acho que chegamos em um resultado bem interessante.

Perfeito? Claro que não. Mas ainda assim quero aproveitar o post para dividir e compartilhar algumas dessas conquistas:

- Mais essência, menos tendência. Hoje basta acompanhar meia dúzia de blogs e o TED para estar super atualizado com tudo o que está acontecendo. E aí, uma semana depois, 90% do conteúdo absorvido já está ultrapassado. Nessa realidade não faz muito sentido a gente usar seu tempo transmitindo conhecimento descartável que está ao alcance de um clique.

- Uma boa parte do curso tem como foco a relação do ser humano com as histórias, e das histórias com o consumo. Entendendo isso fica muito mais fácil usar qualquer nova tecnologia que esteja por vir. Já o contrário não se aplica. Em outras palavras, o investimento do aluno é pra vida, e não para os próximos 6 meses.


- A participação de mais de um professor aconteceu meio sem querer, mas é um ponto bem avaliado desde a primeira edição. São três visões diferentes sobre o assunto, complementares na maior parte das vezes, mas quando há discórdia a gente debate com a classe, assim todo mundo sai ganhando.

- Desde o começo tivemos a preocupação de criar um curso que tivesse, além de bom conteúdo, uma-  dinâmica condizente com essa década. Uma das medidas foi fazer com que as aulas não se restringissem ao espaço físico da sala de aula. Na prática isso significa que interagimos com os alunos pelo Twitter (via hashtag #plotESPM) e também pelo Facebook, no grupo Storytelling & Transmedia.

- Vale ressaltar que o grupo do Facebook é aberto e já tem mais de 500 pessoas. Durante os cursos é interessante observar as interações que englobam alunos e outros participantes, tornando as discussões muito mais ricas. Volta e meia assuntos que começam na aula vão para o grupo, e vice-versa.

- Sempre que possível trazemos convidados para falarem de suas experiências. Nessas quatro edições já tivemos contadora de história, roteirista transmídia, publicitários holandeses e um escritor americano (os dois últimos por videoconferência). É sempre uma chance de todo mundo aprender mais.



No final da última edição um aluno me procurou para falar que tinha aprendido mais no curso de storytelling do que no MBA que tinha acabado de terminar. Isso vale mais do que qualquer pagamento, mas não devolvi a matrícula pra ele. :-)

INSCRIÇÕES NESSE LINK

sexta-feira, 2 de março de 2012

Histórias, por Julio Vasconcellos

A coluna abaixo foi escrita pelo Julio Vasconcellos, 31, economista, fundador e presidente-executivo do Peixe Urbano. Saiu ontem, na Folha de São Paulo. A dica foi do Ricardo Joseph.


Vale a leitura.




Com a ascensão do tema de empreendedorismo na mídia brasileira, com muita frequência fala-se a respeito de estratégia de comunicação para empreendedores e "startups".

Há dois anos, quando decidi empreender no mercado brasileiro, estabeleci, em parceria com a nossa equipe de comunicação, três princípios que seriam seguidos em toda a nossa estratégia.

Foram muito úteis em tudo o que fizemos e acho que são aplicáveis a outros contextos em que estamos tentando vender ideias -seja para a mídia em geral, seja em reuniões entre executivos dentro da empresa, seja em reuniões de condomínio.

O primeiro: conte sempre uma história. Ao passar uma semana de férias em Israel, percebi o quanto esse princípio é antigo. A experiência do "plano de comunicação" das instituições mais antigas do mundo, as religiões, já evidencia isso.

Os princípios teológicos mais complexos sempre foram propagados por meio de parábolas cheias de drama, de humor e de finais surpreendentes. As cores emocionais e os personagens das narrativas fazem as histórias serem lembradas.

Luiza Trajano e o finado comandante Rolim talvez sejam os melhores exemplos disso de que recordo no mundo empresarial.

Ao comunicar um princípio, sempre utilizam (ou utilizavam, no caso dele) boas histórias de suas próprias vidas, de passageiros e também de funcionários.

O segundo: busque a macrotendência a que sua história está vinculada. Embora o apelo individual faça a história ser ouvida e lida enquanto está sendo contada, o que faz a sua história ser repetida e reproduzida é o vínculo dela com um contexto maior -seja da empresa, seja do país, seja da humanidade. Quando anunciamos que estávamos contratando engenheiros no Vale do Silício, isso virou notícia ao mostramos que havia ali uma tendência muito maior em curso: estrangeiros apostando no momento por que passa nosso país e vindo trabalhar no Brasil.

A ação de recrutamento e os nossos contratados não eram por si só merecedores de uma reportagem em veículo externo à própria empresa. Nossos engenheiros viraram os personagens principais ao contar suas histórias, mas a pauta só se tornou uma história de interesse maior por aquilo ser parte de uma grande e relevante tendência.

Seja autêntico. Não é possível contar uma história que não seja a sua. É possível enfatizar uma ou outra característica da sua história, mas não faz sentido contar histórias de pessoas, de projetos e de empresas perfeitas ou inventadas.

As histórias autênticas e imperfeitas viram excepcionais ao serem contadas exatamente como são. No conjunto dos fatos, ou mesmo com o tempo, as pessoas facilmente percebem histórias que não são autênticas e isso mina a base de toda comunicação eficaz: a confiança.

Um dos melhores comunicadores dos nossos tempos, o ex-presidente Lula, talvez seja o melhor exemplo disso. Ao se comunicar, é emotivo, por vezes impulsivo e muito simples e direto. Não construiu um estilo pseudorrebuscado e frio, conta sempre histórias diretas e simples, condizentes com sua personalidade e sua história de vida.

Pensando no contexto maior das transformações em curso no Brasil, ontem estive em um evento no qual ficou evidente a relevância de uma boa estratégia de comunicação para "startups". Digo isso por acreditar que, apesar da incipiente ascensão do tema na mídia local, há um fenômeno muito maior em curso e empreendedores que têm todos os elementos para serem objetos e protagonistas de grandes histórias empresariais.

julio.folha@yahoo.com


via Conteúdo Livre