quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O enigma da experiência versus memória


Daniel Kahneman é um psicólogo que ganhou um Nobel de Economia estudando a forma irracional como lidamos com o risco. Interessante né?

Nessa palestra do TED ele traz vários insights interessantes sobre a medição da felicidade, a diferença entre experiências e a memórias e a maneira como organizamos essas últimas por meio da estrutura de histórias. Vou colocar alguns pontos em itens aí embaixo, mas o assunto é complexo e eu encorajo-os a darem play no vídeo:

- Em um estudo mediram o sofrimento de dois pacientes em um procedimento pouco confortável. Um deles sofreu o dobro do tempo que o outro, portanto, do ponto de vista da experiência, teve um momento bem pior. Mas, quando perguntados algum tempo depois sobre o quão ruim tinha sido aquilo, o que sofreu menos dizia que tinha sofrido mais. O motivo é que para ele o procedimento terminou em um momento de pico de dor, enquanto para o outro a dor foi progressivamente diminuindo até que chegasse ao fim.

- O que explica isso é que memórias são guardadas e acessadas pelo formato de história, e para Daniel uma história pode ser definida em três elementos: mudanças, momentos significantes e finais, sendo que os finais são muito importantes.

- Vou usar uma situação análoga para explicar. Você assiste dois filmes. O primeiro é bem meia boca durante o percurso, mas tem um final que te deixa boquiaberto. O segundo é muito bem construído em todos os aspectos, mas no final dá aquela escorregada. Tenho certeza que você já viu filmes desses dois tipos, e suspeito que você prefira os do primeiro tipo.


- O ponto é que toda hora fazemos escolhas baseadas nas memórias que temos das experiências, e não nas experiências em si. E ambas podem ser bem diferentes.

- Segundo Daniel, pensamos no futuro por um mecanismo de antecipação de memórias, ou seja, contando a história do que vai acontecer, e não pensando em termos do que será vivido momento a momento.

- Nesse campo de medição de felicidade e outras emoções é preciso considerar que há basicamente dois eus, um da experiência e outro da memória, que podem ter percepções completamente diferentes. Mas o que vai ficar é o da memória.

- Em uma pesquisa recente descobriram que dinheiro não compra felicidade, mas a falta de dinheiro nos distancia dela. Como? Abaixo de uma certa faixa de renda nos Estados Unidos há uma correlação entre dinheiro e felicidade, mas acima dessa faixa a linha fica reta, ou seja, um centavo a mais não faz a menor diferença.

5 comentários:

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