terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Suspeite das Histórias



Algum tempo atrás o Lucas Rottgering trouxe essa palestra do TEDx para discutirmos no grupo de Storytelling & Transmedia do Facebook. Dá para acompanhar a discussão aqui.

Resumindo, o economista Tyler Cowen mostra que costumamos organizar a bagunça de nossas vidas em histórias. Não é a toa que em uma pesquisa onde perguntaram como pessoas definiam suas vidas as respostas mais votadas foram jornada, batalha e romance.

Por um lado ele admite que esse é um artifício natural da mente humana. Aliás, vários estudiosos já chegaram à essa conclusão, começando por Jerome Bruner. Histórias nos ajudam a dar um sentindo para os fatos, começando pelos fatos que compõe nossa própria existência. Além disso a estrutura de história também ajuda a fixar melhor as informações em nossas memórias.

Mas o que Tyler alega é que quase sempre as histórias que nos contamos sobre nossas próprias vidas são maniqueístas. O bem contra o mal. E isso não corresponde à realidade.

Outro ponto é que, segundo ele, nas histórias todos os atos possuem uma intenção por trás, ou seja, nunca são aleatórios. Na vida real muitas vezes isso não é verdade, e por isso acabamos criando teorias da conspiração para significar fatos desconexos em uma grande história. Acontece mesmo.

Não posso deixar de concordar com Tyler nesses pontos, e até entendo que isso, apesar de natural, pode ser bastante nocivo para as pessoas. O ponto dele é interessante, mas não acho que precisemos de menos histórias. Assim concluo de uma forma diferente.

O que nós precisamos mesmo são de boas histórias. Menos simplistas e mais condizentes com a realidade humana. Histórias onde heróis e vilões estão certos dentro de suas experiências e pontos de vista. Histórias que lidem com a complexidade das instituições e até com a aleatoriedade dos acontecimentos.

Aliás, são histórias assim que se tornam clássicos instantâneos e ficam eternizadas, não é mesmo? Essas que servem como guias para nossas vidas, e de nossos filhos, netos e por aí vai...essas que são tão difíceis de serem contadas.

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