quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A sociedade molda as histórias que contamos, ou é o contrário?


Salvei esse tuíte da Marcela Hippe com a intenção de um dia iniciar uma discussão aqui.

O que vocês acham?

Somos influenciados por nossas histórias, ou as histórias que nos influenciam?

No caso de Crepúsculo, essa história fez sucesso porque estava em sintonia com o tempo em que vivemos, ou esse tempo é fruto disso?

Update: você pode usar os comentários do post para deixar sua opinião, mas a discussão também está acontecendo no grupo de Storytelling & Transmedia que coordeno lá no Facebook. Para participar é só clicar aqui.

9 comentários:

  1. "Somos influenciados por nossas histórias, ou as histórias que nos influenciam?"

    Acho que não há uma resposta definitiva. Ou melhor, acho que a resposta é aquela mais óbvia: os dois. Tanto existem as tendências - que surgem por diversos motivos, em diversos meios e histórias - e são aderidas por pequenos grupos e vão se espalhando até atingir a massa; quanto existe o contrário, movimentos que surgem em pequenos grupos, atingem grupos maiores e são aderidos pelos "contadores de histórias", atingindo aí a massa.

    O tweet sobre o caso Crepúsculo - acho que não é esse o nome do último filme, mas sinceramente não lembro o certo agora - foi uma espécie de desabafo. Vi muita gente no Twitter espantada com a tal cena de sexo; gente maior de idade, adulta, casada, com filhos, sem mais idade pra se espantar com esse tipo de conteúdo. E se espantaram.

    Já os adolescentes, as meninas, principalmente, principal público da história, acharam o máximo. O lobo sem camisa, o outro pegando a menina de jeito. O máximo. O problema é que provavelmente é assim que elas imaginam que seja o sexo. É assim que elas estão esperando - ansiosas - que seja a sua "primeira vez". Meninas de 11, 12, 15 anos, que já sabem como devem agir quando o namorado mais velho convidá-las pra sair.

    Acho triste. A inocência se perde, pulam-se fases, apressa-se o que não deveria ser apressado, moldam-se comportamentos inadequados pra idade. Uma parte amadurece enquanto outras não se desenvolvem e atrofiam. Uma pena. Daqui alguns anos, poucos mesmo, o suficiente apenas pra perceberem, vão sentir falta da bagagem da infância. Das lembranças dos brinquedos, das brincadeiras, das cidades imaginárias que deixaram de criar. Ou nem vão sentir falta, o que na verdade é bem pior.

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  2. Veja o caso do V for Vendetta - e, anos depois, americanos usando as mesmas máscaras no movimento para ocupação de Wall Street.

    Boas histórias marcam, ressurgem, e consegue se transpor para a realidade.

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  3. Não cormpreendo a pergunta, me parece uma só pergunta dividida em duas questões idênticas.

    "Somos influenciados por nossas histórias, ou as histórias que nos influenciam?"

    Se somos influenciados por nossas histórias, logicamente que, são essas histórias que nos influenciam.
    A pergunta forlmulada acima seriaassim: as histórias nos influenciam ou nós influenciamos a história? Ou, quem sabe, assim: somos influenciados por nossas histórias, ou as histórias alheias é que nos influenciam?

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  4. Respondendo todos os comentários em um só:

    Marcela - Concordo que a resposta mais óbvia seja os dois. Mas, no caso dos vampiros, vejo aí uma relação clara de causa e consequência. Essa repaginada no mito é nada mais do que um meme sofrendo mutação e se adaptando ao meio. O meme do vampiro começou com Drácula, bem sinistro, depois veio Anne Rice, mais pop, e Blade, com linguagem bem HQ. E agora Crepúsculo. Cada um deles estava identificado com o meio de seu tempo. Antes de consumir Crepúsculo essa galera sofreu influência do movimento emo, da libertação feminina etc. Faz todo sentido.

    Luiz - O caso do V for Vendetta é um ÓTIMO exemplo.

    Ariane Nogueira - Foi uma boa provocação, mas confesso que seu comentário deu um nó na minha cabeça. Acho difícil definir o que é uma história alheia. E veja bem, não estou falando aqui das histórias pessoais hein.

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  5. "Somos influenciados por nossas histórias, ou as histórias que nos influenciam"

    Eu acabei entendendo o que você quis dizer, Bruno, mas só depois de ler o comentário da Ariane, "As histórias nos influenciam ou nós influenciamos a história", foi que percebi a confusão, realmente é a mesma coisa, e não é uma provocação, é só uma constatação de um engano, já aconteceu comigo até pior. “Na primeira parte, “somos influenciados por nossas historias”- as historias influenciam, e na segunda, “ As historias que nos influenciam”, novamente a “historia” e não as “pessoas” influenciam, as duas orações dizem que “as historias” é que influenciam.
    Eu recomendaria essas duas opções:
    "somos influenciados por nossas historias, ou influenciamos nossas historias"
    “As historias que nos influenciam, ou nós influenciamos nossas historias”

    Mas vamos ao que interessa, a opinião sobre o tema.

    Acho que é um mix dos dois, pois as historias influenciam, passam mensagens de forma mais persuasiva, ou melhor, quando sua guarda intelectual está baixa ela soa como uma sinfonia, pois você está emocionado com o cenário montado com base nos fatos, com sequências bem fundamentadas, então a mensagem é absorvida sem questionamentos. Mas por outro lado essas histórias precisam ter elementos da natureza humana e de suas vivencias sociais do tempo para trazer realidade, impactar verdadeiramente prendendo mais a atenção do espectador.

    Muitos acontecimentos da vida real viram motivação, inspiração, para escritores relatarem uma realidade social ou individual humana passando uma mensagem educativa com uma narrativa emocionante que mais na frente pode ou não influenciar.

    Joseph Campbell disse no livro, “poder do mito”, diz que o mito é uma historia criada com a imaginação humana para tentar explicar o mistério, educar e confortar o medo humano do desconhecido, ou seja, histórias, metáforas que explicam aquilo que transcendem o pensamento humano. Repare que ao criar as histórias, essas já foram influenciadas pela particularidade humana do criador. Arquétipos são conjunto de valores, comportamentos e princípios que estão no inconsciente coletivo, idéias elementares que influenciam nas historias. Experiências humanas vão dando forma as histórias que podem servir para influenciar, educar o individuo.

    Vamos imaginar a vida nos primórdios, as interpretações da realidade feita pelo individuo deveria ter uma influencia de alguma historia do passado, mas vamos imaginar que não existiam historias antes, então suas interpretações da realidade teriam influencia da particularidade humana, arquétipos, e também de suas experiências de vida que trarão conhecimento, fatoshistorias que irão influenciar novas descobertas.

    As historias influenciam as pessoas assim como as pessoas motivam, inspiram novas historias, criam novas historias que influenciará alguém. As historias explicam melhor a mensagem, na minha opinião, é como se fosse uma metáfora da realidade, ou melhor, uma metáfora pra explicar melhor e com mais emoção a realidade.

    (* Influenciar de modo a pessoa aceitar, concordar com sua opinião, ou a opinião influencia de modo a reforçar uma ideia que a questionava.)

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