terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Realidade versus Ficção


Evan Jones é um tipo de mago dos ARGs e histórias interativas em geral. Dá só uma olhada no curriculum do cara.

ARG significa Alternate Reality Game e, grosso modo, simplificando bastante na explicação, é um tipo de gincana que mistura jogos virtuais e reais. Participar de um ARG é diferente de ver um filme ou jogar um videogame pois exige do jogador um envolvimento muito maior, já que algumas tarefas podem exigir que a pessoa saia na rua e aja como se estivesse dentro da história. Se tiver dúvidas dê uma olhada no verbete da Wikipedia.

Para leigos ARGs podem parecer coisa de maluco, e numa dessas Evan recebeu críticas pesadas sobre um dos seus trabalhos: "isso é totalmente falso", "brincadeira estúpida" e "truque de marketing" foram algumas das acusações que recebeu.

Ele ficou incomodado com a situação, e a partir disso foi investigar os limites entre realidade e ficção, assunto de sua palestra no TEDxHalifax.




Vale assistir o vídeo inteiro, mas o resumo é mais ou menos o seguinte.

Todo tempo escolhemos acreditar ou não em histórias que não são verdadeiras, ou pelo menos que são difíceis de se provar a realidade. Entram aí as religiões e o complexo conceito de fé, teorias da conspiração e até obras de ficção. Quando uma história pega o leitor / espectador de jeito a pessoa fica preocupada com a vida do protagonista, angustiada com os seus dilemas etc., ou seja, os sentimentos são bem reais.


E as vezes até extrapolam suas mídias de origem. Um bom exemplo é o fanatismo dos fãs de Star Wars, Star Trek e até Harry Potter. Eles sabem que aqueles universos não existem de verdade (pelo menos a maioria deles), e ainda assim escolhem viver aquelas realidades para além da relação obra-espectador.



Segundo Evans, escolhemos acreditar em algumas histórias "não reais" porque queremos buscar a verdade. Todas as boas histórias (reais ou não) falam de grande verdades humanas, e esse tem sido o nosso principal instrumento de auto-conhecimento desde o início dos tempos. As mitologias estão aí para provar isso.

O curioso é que com o tempo determinamos em quais lugares, formatos e tecnologias é possível acreditarmos em algo não real, processo que ele chama de "suspensão de descrença". Na primeira exibição de cinema do mundo, da qual já falei nesse post, as pessoas acharam que o trem vindo em direção à tela atropelaria todo mundo.

E para coroar a palestra, no final Evans faz uma das melhores demonstrações que já vi sobre como funciona a ficção interativa. Não percam.

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