segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Paulo Coelho fala sobre o futuro das publicações em Davos

A primeira vez que ouvi falar do Paulo Coelho deve ter sido há uns 20 anos. Não lembro bem, mas acho que ele deve ter estourado como fenômeno literário por volta de 1990. Me corrijam se eu estiver errado.

Por um lado ele despontava como o escritor brasileiro mais lido de todos os tempos, praticamente no mundo todo, o que deveria ser um orgulho para o país. Por outro lado ele era criticado por suas obras de temática esotérica, que costumavam agradar mais donas de casa do que grandes intelectuais. A parceria com Raul Seixas no começo da carreira era só um ingrediente a mais para formar esse polêmico personagem.



Minha arrogância intelectual na adolescência fazia com que eu não gostasse muito dele. Nunca havia lido sequer uma de suas obras, mas não era concebível que um escritor lido por um público menos culto tivesse algo de bom. Esoterismo é coisa de religião ou auto-ajuda, pensava. A grande literatura deve ser sobre a realidade nua e crua das grandes questões humanas.

Como se as grandes questões humanas não pudessem estar presentes em cenários irreais. Ao mesmo tempo que pensava assim, adorava ficção científica, quadrinhos de super-heróis e Goonies. Coisas da adolescência.

Minha mãe tinha um exemplar de O Alquimista, um de seus livros de maior sucesso, e um dia eu resolvi pegar emprestado e ler. Queria ter uma opinião mais embasada sobre o autor. E no geral fui tomado por duas sensações opostas:


1) A temática do livro realmente não me interessava muito, pelo menos não naquela fase da vida. Por esse lado ele não conversava comigo. Mas daí para achá-lo um escritor ruim havia um salto enorme. A vida está cheia de coisas que não me interessam, mas nem por isso classifico como ruins. Assim como existem coisas que não são caras, mas que mesmo assim eu não posso comprar.

2) Não confessei isso para muitas pessoas na época, mas a verdade é que a narrativa me agradou. Diferente de alguns livros que fui obrigado a ler na escola, muitos deles com uma linguagem ultrapassada e difícil, foi muito gostoso ler O Alquimista. Sua linguagem era bastante simples e todo o foco estava na história. Isso deve acontecer com autores que juntam algum talento com o desprendimento de querer se exibir.

O tempo passou e eu acabei não lendo mais nada dele, mas volta e meia me deparava com alguma coisa que chamava atenção, como, por exemplo, o famoso Nerdcast com a participação do escritor. O mais curioso é que foi ele que procurou o programa para ser entrevistado, e não o contrário. Enquanto TVs e jornais importantes do mundo todo devem receber negativas todos os meses de sua assessoria de imprensa, o cara queria testar esse novo fenômeno dos podcasts, e foi lá dar a cara para bater.

Enfim, continuo desinteressado pelo esoterismo, mas hoje eu entendo o motivo de Paulo Coelho fazer tanto sucesso. Seu estilo de narrativa democrático e sem firulas, seu interesse constante pelas mudanças que estão acontecendo no mundo e sua participação cada vez mais ativa nesses movimentos tornam ele um escritor moderno, que prefere explorar e absorver o que está a sua volta ao invés de se fechar na bolha dos intelectuais. De mago à pensador das novas tecnologias, está aí um cara que sabe se reinventar, e não tem como não admirar isso.

Recentemente ele esteve em Davos falando sobre sua relação com as mídias sociais e o futuro das publicações, e eu estou começando a achar que deveria ler mais alguma coisa dele. O mundo dá voltas.

Alguma sugestão?


PS: Já tinha citado Paulo Coelho nesse post, sobre o marketing da pirataria.

Update: Acabei de escrever esse post e logo depois descobri que o Paulo Coelho apareceu na home do Pirate Bay, como parte de um programa para promover artistas. Notícia aqui.

13 comentários:

  1. Sugiro dois livros muito bacanas dele: As Valquírias e O Demônio e a Senhorita Prym. Quando tinha 14 anos e comecei a tomar gosto pela leitura os livros de Paulo Coelho tiveram um papel muito importante nesse processo.

    Comecei com o simples e me credenciei a ir gradativamente lendo histórias mais complicadas. Sinceramente não sei porque considero isso uma evolução.

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  2. Tive percurso similar ao seu, Bruno, em relação a Paulo Coelho, aliás tão similar que foi justamente o Nerdcast dele que fez voltar a ele e a sua obra.
    Uma coisa que ficou muito clara para mim, desde a primeira leitura, era que Paulo Coelho não era um "grande escritor", mas era um incrível contador de histórias.
    Se eu deixo de lado, por um instante, a minha paixão pelos grandes escritores russos, eu poderia até dizer que hoje em dia ser uma grande contador de histórias é muito mais valioso do que ser um grande escritor. Aliás, o sucesso de Paulo Coelho e sua capacidade de se adaptar, é demonstração disso.

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  3. Eu sugiro a nova obra O Aleph. Depois de ter lido O Alquimista, poderá avaliar a evoluçao ao longo desses 24 anos.

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  5. eu li alguns, na adolescência o tema me interessava. tem tempo o último que li, que foi o que mais me agradou: veronika decide morrer. Não é esotérico e tem uma mensagem bem bacana, além de uma narrativa que prende bastante o interesse.
    confesso: não entendo a birra com o cara, embora hoje eu prefira uma literatura mais metida a besta, hehehe.

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  6. "A Orillas del Río Piedra me senté y lloré" "Brida" "Aleph".
    rosa de los vientos

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