terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Suspeite das Histórias



Algum tempo atrás o Lucas Rottgering trouxe essa palestra do TEDx para discutirmos no grupo de Storytelling & Transmedia do Facebook. Dá para acompanhar a discussão aqui.

Resumindo, o economista Tyler Cowen mostra que costumamos organizar a bagunça de nossas vidas em histórias. Não é a toa que em uma pesquisa onde perguntaram como pessoas definiam suas vidas as respostas mais votadas foram jornada, batalha e romance.

Por um lado ele admite que esse é um artifício natural da mente humana. Aliás, vários estudiosos já chegaram à essa conclusão, começando por Jerome Bruner. Histórias nos ajudam a dar um sentindo para os fatos, começando pelos fatos que compõe nossa própria existência. Além disso a estrutura de história também ajuda a fixar melhor as informações em nossas memórias.

Mas o que Tyler alega é que quase sempre as histórias que nos contamos sobre nossas próprias vidas são maniqueístas. O bem contra o mal. E isso não corresponde à realidade.

Outro ponto é que, segundo ele, nas histórias todos os atos possuem uma intenção por trás, ou seja, nunca são aleatórios. Na vida real muitas vezes isso não é verdade, e por isso acabamos criando teorias da conspiração para significar fatos desconexos em uma grande história. Acontece mesmo.

Não posso deixar de concordar com Tyler nesses pontos, e até entendo que isso, apesar de natural, pode ser bastante nocivo para as pessoas. O ponto dele é interessante, mas não acho que precisemos de menos histórias. Assim concluo de uma forma diferente.

O que nós precisamos mesmo são de boas histórias. Menos simplistas e mais condizentes com a realidade humana. Histórias onde heróis e vilões estão certos dentro de suas experiências e pontos de vista. Histórias que lidem com a complexidade das instituições e até com a aleatoriedade dos acontecimentos.

Aliás, são histórias assim que se tornam clássicos instantâneos e ficam eternizadas, não é mesmo? Essas que servem como guias para nossas vidas, e de nossos filhos, netos e por aí vai...essas que são tão difíceis de serem contadas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Paulo Coelho fala sobre o futuro das publicações em Davos

A primeira vez que ouvi falar do Paulo Coelho deve ter sido há uns 20 anos. Não lembro bem, mas acho que ele deve ter estourado como fenômeno literário por volta de 1990. Me corrijam se eu estiver errado.

Por um lado ele despontava como o escritor brasileiro mais lido de todos os tempos, praticamente no mundo todo, o que deveria ser um orgulho para o país. Por outro lado ele era criticado por suas obras de temática esotérica, que costumavam agradar mais donas de casa do que grandes intelectuais. A parceria com Raul Seixas no começo da carreira era só um ingrediente a mais para formar esse polêmico personagem.



Minha arrogância intelectual na adolescência fazia com que eu não gostasse muito dele. Nunca havia lido sequer uma de suas obras, mas não era concebível que um escritor lido por um público menos culto tivesse algo de bom. Esoterismo é coisa de religião ou auto-ajuda, pensava. A grande literatura deve ser sobre a realidade nua e crua das grandes questões humanas.

Como se as grandes questões humanas não pudessem estar presentes em cenários irreais. Ao mesmo tempo que pensava assim, adorava ficção científica, quadrinhos de super-heróis e Goonies. Coisas da adolescência.

Minha mãe tinha um exemplar de O Alquimista, um de seus livros de maior sucesso, e um dia eu resolvi pegar emprestado e ler. Queria ter uma opinião mais embasada sobre o autor. E no geral fui tomado por duas sensações opostas:


1) A temática do livro realmente não me interessava muito, pelo menos não naquela fase da vida. Por esse lado ele não conversava comigo. Mas daí para achá-lo um escritor ruim havia um salto enorme. A vida está cheia de coisas que não me interessam, mas nem por isso classifico como ruins. Assim como existem coisas que não são caras, mas que mesmo assim eu não posso comprar.

2) Não confessei isso para muitas pessoas na época, mas a verdade é que a narrativa me agradou. Diferente de alguns livros que fui obrigado a ler na escola, muitos deles com uma linguagem ultrapassada e difícil, foi muito gostoso ler O Alquimista. Sua linguagem era bastante simples e todo o foco estava na história. Isso deve acontecer com autores que juntam algum talento com o desprendimento de querer se exibir.

O tempo passou e eu acabei não lendo mais nada dele, mas volta e meia me deparava com alguma coisa que chamava atenção, como, por exemplo, o famoso Nerdcast com a participação do escritor. O mais curioso é que foi ele que procurou o programa para ser entrevistado, e não o contrário. Enquanto TVs e jornais importantes do mundo todo devem receber negativas todos os meses de sua assessoria de imprensa, o cara queria testar esse novo fenômeno dos podcasts, e foi lá dar a cara para bater.

Enfim, continuo desinteressado pelo esoterismo, mas hoje eu entendo o motivo de Paulo Coelho fazer tanto sucesso. Seu estilo de narrativa democrático e sem firulas, seu interesse constante pelas mudanças que estão acontecendo no mundo e sua participação cada vez mais ativa nesses movimentos tornam ele um escritor moderno, que prefere explorar e absorver o que está a sua volta ao invés de se fechar na bolha dos intelectuais. De mago à pensador das novas tecnologias, está aí um cara que sabe se reinventar, e não tem como não admirar isso.

Recentemente ele esteve em Davos falando sobre sua relação com as mídias sociais e o futuro das publicações, e eu estou começando a achar que deveria ler mais alguma coisa dele. O mundo dá voltas.

Alguma sugestão?


PS: Já tinha citado Paulo Coelho nesse post, sobre o marketing da pirataria.

Update: Acabei de escrever esse post e logo depois descobri que o Paulo Coelho apareceu na home do Pirate Bay, como parte de um programa para promover artistas. Notícia aqui.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Como Harry Potter e outras histórias podem mudar o mundo



Essa é uma palestra sobre o poder das histórias. Até aí nada demais, já que todo dia surge um "guru" falando sobre essas coisas.

Mas acho que vale a pena prestar atenção quando o palestrante é Andrew Slack, co-fundador e diretor da Aliança Harry Potter, uma organização que mistura fã clube e ativismo. O que eles fazem basicamente é criar ações sociais capazes de mobilizar milhares de fãs do bruxo, fazendo paralelos entre a ficção e os problemas do mundo real.

Um dos feitos foi captar milhares de dólares em doações, que resultaram no envio de alguns aviões cheios de suprimentos para o Haiti. Um dos aviões foi até batizado como Harry Potter.

No final ele até cita o caso dos palestinos que usaram o universo de Avatar como forma de criar um paralelo e chamar atenção das pessoas. Já escrevi sobe isso nesse post.

Que outras histórias poderiam gerar paralelos interessantes para ativismo social? Star Wars e os Jedi?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A trajetória de Jeff Gomez pela transmídia



Na semana passada eu fiz um post sobre um discurso em que Jeff Gomez contava sobre sua história de vida e primeiras experiências com o conceito de transmídia. O próprio chegou a colocar o link no Facebook e recomendar para os amigos brasileiros.

Nessa palestra para o TEDxTransmedia 2010 Gomez também fala de sua trajetória, mas por outro ponto de vista. Ele conta sua experiência na juventude com a franquia japonesa Kikaider que, diferente das histórias americanas da época, se desdobrava em várias mídias havendo continuidade entre elas. Isso acabou fazendo com que ele enxergasse as coisas de um jeito diferente, sendo fundamental para suas experiências posteriores.

Penso que o maior ensinamento desses dois posts é que aquilo que te fascina nos primeiros 15-20 anos de vida pode acabar determinando quem você é nos restantes. Essa pelo menos é uma trajetória comum às pessoas que eu mais admiro.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Gift of Life



Esse vídeo já foi bastante difundido na internet nas últimas duas semanas. Mesmo sendo notícia velha, achei que valia o registro aqui. Branded content da melhor qualidade.

É um ótimo exemplo de como criar uma história simples e comovente para capturar a atenção do público. Nesse caso, até para muito além do esperado, já que o objetivo era promover a Manikako, uma ONG filipina que ensina crianças a fazerem seus próprios brinquedos a partir de roupas velhas e material reciclado.

Duvido que eles tivessem a intenção de fazer sua mensagem chegar ao Brasil, mas boas histórias são assim, falam sobre grandes verdades humanas e ignoram quaisquer fronteiras.

E de quebra a ação foi patrocinada pela Energizer de lá, que faz um product placement bastante oportuno no final.

Ah, vale também dar uma olhada na página com o perfil dos personagens. Detalhes nunca são demais.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A sociedade molda as histórias que contamos, ou é o contrário?


Salvei esse tuíte da Marcela Hippe com a intenção de um dia iniciar uma discussão aqui.

O que vocês acham?

Somos influenciados por nossas histórias, ou as histórias que nos influenciam?

No caso de Crepúsculo, essa história fez sucesso porque estava em sintonia com o tempo em que vivemos, ou esse tempo é fruto disso?

Update: você pode usar os comentários do post para deixar sua opinião, mas a discussão também está acontecendo no grupo de Storytelling & Transmedia que coordeno lá no Facebook. Para participar é só clicar aqui.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Realidade versus Ficção


Evan Jones é um tipo de mago dos ARGs e histórias interativas em geral. Dá só uma olhada no curriculum do cara.

ARG significa Alternate Reality Game e, grosso modo, simplificando bastante na explicação, é um tipo de gincana que mistura jogos virtuais e reais. Participar de um ARG é diferente de ver um filme ou jogar um videogame pois exige do jogador um envolvimento muito maior, já que algumas tarefas podem exigir que a pessoa saia na rua e aja como se estivesse dentro da história. Se tiver dúvidas dê uma olhada no verbete da Wikipedia.

Para leigos ARGs podem parecer coisa de maluco, e numa dessas Evan recebeu críticas pesadas sobre um dos seus trabalhos: "isso é totalmente falso", "brincadeira estúpida" e "truque de marketing" foram algumas das acusações que recebeu.

Ele ficou incomodado com a situação, e a partir disso foi investigar os limites entre realidade e ficção, assunto de sua palestra no TEDxHalifax.




Vale assistir o vídeo inteiro, mas o resumo é mais ou menos o seguinte.

Todo tempo escolhemos acreditar ou não em histórias que não são verdadeiras, ou pelo menos que são difíceis de se provar a realidade. Entram aí as religiões e o complexo conceito de fé, teorias da conspiração e até obras de ficção. Quando uma história pega o leitor / espectador de jeito a pessoa fica preocupada com a vida do protagonista, angustiada com os seus dilemas etc., ou seja, os sentimentos são bem reais.


E as vezes até extrapolam suas mídias de origem. Um bom exemplo é o fanatismo dos fãs de Star Wars, Star Trek e até Harry Potter. Eles sabem que aqueles universos não existem de verdade (pelo menos a maioria deles), e ainda assim escolhem viver aquelas realidades para além da relação obra-espectador.



Segundo Evans, escolhemos acreditar em algumas histórias "não reais" porque queremos buscar a verdade. Todas as boas histórias (reais ou não) falam de grande verdades humanas, e esse tem sido o nosso principal instrumento de auto-conhecimento desde o início dos tempos. As mitologias estão aí para provar isso.

O curioso é que com o tempo determinamos em quais lugares, formatos e tecnologias é possível acreditarmos em algo não real, processo que ele chama de "suspensão de descrença". Na primeira exibição de cinema do mundo, da qual já falei nesse post, as pessoas acharam que o trem vindo em direção à tela atropelaria todo mundo.

E para coroar a palestra, no final Evans faz uma das melhores demonstrações que já vi sobre como funciona a ficção interativa. Não percam.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Melhores posts do Caldinas em 2011


Sim, eu sei que esses posts geralmente cabem melhor nos últimos 15 dias do ano, e não nos primeiros 15 do seguinte, mas acabei não cumprindo o protocolo porque o fim de 2011 foi uma correria desenfreada, e 2012 também já está sendo. Me desculpem pela gafe. :)

Acho importante revisitar o que aconteceu de bom por aqui primeiro porque acaba sendo um guia rápido para a audiência recente, que perdeu posts antigos, e segundo porque funciona como um estímulo para que eu continue tentando fazer bons posts e transmitir alguma coisa interessante.

Apenas por curiosidade, comecei esse blog em 1 de março de 2011, e durante o ano escrevi 104 posts. Aí vão os que eu mais gosto, separados por blocos.


MINI CURSO
Não foi proposital, mas de forma não estruturada acabei fazendo uma série de posts que, na sequencia certa, podem funcionar como um mini curso online.

Storytelling e Transmídia: afinal, o que é e para que serve?
Guia rápido com conceitos e referências que fiz originalmente para o Update or Die, e foi um dos posts mais compartilhados por lá.

Sem conflito não existe história
Repitam comigo: SEM CONFLITO NÃO EXISTE HISTÓRIA. Quer fazer storytelling? Então você precisa entender isso.

O marketing da pirataria só serve para as boas histórias
Quando um autor famoso disponibiliza sua obra de graça sempre alguém fala "ah, mas fulano já tem muita fama e dinheiro, aí fica fácil". Não acho que seja assim, descubra o motivo.

Um recado para as marcas que criam personagens
Provocação para quem acha que um personagem solto, sem nenhum contexto, segura a atenção do público.

Minha palestra na CIRS2
Para quem tiver curiosidade. Está em vídeo e tudo, embora a captação não seja das melhores.

Entrevista para o site Midiatismo
Foi uma entrevista bem bacana, e é complementar a tudo isso.


MINHAS HISTÓRIAS
Reais ou ficcionais, coisas que aconteceram comigo, ou dentro da minha cabeça.

Ex-amigos, uma brand story da Pepsi
Finalmente tomei coragem e resolvi publicar meu primeiro conto. É só baixar e ler. A idéia derivou de um exercício que eu faço com a classe na ESPM, e foi o post mais lido do ano.

In Memoriam
Post que inaugurou o blog. É ao mesmo tempo uma homenagem ao meu pai, que havia falecido recentemente, e também uma explicação de onde vem meu interesse por storytelling, o assunto que mais aparece aqui.

A gente quer comida, diversão e histórias
Um causo real e comovente que aconteceu comigo, quando um vendedor do Habib´s comentou sobre a camiseta que eu estava usando.

Meu primeiro contato com a AIDS
Foi a forma que encontrei para apoiar o Dia Internacional de Combate à AIDS, que aconteceu no final de 2011.


HISTÓRIAS DOS OUTROS
Cases, palestras e referências bacanas.

Write the Future, o gol da Nike
Uma análise do filme que fez sucesso na última Copa, ao olhos da estrutura de história.

O escândalo de David Letterman e o chantagista escritor
Sobre um caso real e muito interessante de alguém que pretendia usar o storytelling para atingir seus objetivos.

Os mitos e o mundo corporativo
Isso não é UM POST. É mais uma referência de uma das melhores palestras do TED. Assistam.

Tradução Intersemiótica
Em 2011 participei de alguns podcasts da agência onde trabalhava, e esse foi um dos melhores. Falei com o Ernesto Diniz sobre tradução intersemiótica. Está curioso? Clica aí.

De Volta para o Futuro na Argentina - quando a campanha pega carona no filme
Uma das melhores campanhas do ano e reflexões sobre universos ficcionais transbordando para peças de 30 ou 60 segundos.

A Marvel não faz quadrinhos, mas sim personagens
Post sobre o modelo de negócios das editoras de quadrinhos, e o futuro que vem pela frente.


VARIEDADES
Coisas que fogem ao tema storytelling e transmídia, mas que valem a leitura mesmo assim.

Cartas a um Jovem Planner
Conselhos para quem está procurando contatos e oportunidades na internet.

5 motivos para ignorar as tendências
Uma provocação bem humorada sobre relatórios de tendências.


Se você tem algum post preferido que não está aí, deixe nos comentários.

PS: A foto foi tirada em Buenos Aires, onde passei o último reveillón com a pessoa que mais me incentivou a criar e manter o Caldinas. Mariana, muito obrigado. :)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Twice Upon a Time

O primeiro filme exibido em cinema, em 1896, continha imagens de um trem se movimentando em direção à tela. Na época as pessoas não dominavam essa nova tecnologia / forma de arte, e muitos acharam que o trem iria simplesmente atropelá-los.

Parece engraçado, mas se você pensar que essa era a primeira vez em que o mundo via uma representação da realidade em movimento, faz sentido. O cérebro humano não está preparado para captar algo completamente novo de cara.

Nessa palestra para o TEDxTransmedia, Michel Reilhac traça um paralelo bem interessante entre esse momento histórico e o nascimento da nova linguagem transmidiática. Em outras palavras, frente à essa nova realidade estamos tão ingênuos e despreparados quanto aquelas pessoas estavam em 1986.

E não é verdade mesmo?

 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Charlie Kaufman discursa no Bafta sobre a vida, histórias, marketing e muito mais


Anteontem postei aqui um discurso do Jeff Gomez, hoje volto com o discurso de outro grande contador de histórias, Charlie Kaufman, roteirista de obras primas modernas como Quero Ser John Malkovich, Adaptação. e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.

O discurso, que você pode assistir clicando AQUI (infelizmente não dá para incorporar no post), faz parte de uma série produzida pelo BAFTA, o Oscar britânico, e trata basicamente de...putz, como é difícil classificar 40 minutos em que um cara genial, e visivelmente muito tímido, fala basicamente sobre tudo, e as vezes até se contradiz (propositalmente, é claro).

Então prefiro dizer que é um discurso sobre a vida ok? Mas serve especialmente para quem está interessado em contar histórias, além de uma parte bem interessante onde ele fala sobre a relação da arte com o mercado, e o modo como toda a sociedade está estruturada sobre a idéia de que a todo momento precisamos vender algo para alguém, vulgo marketing.

Para quem está sem tempo e/ou não entende bem inglês, o blog Dicas de Roteiro traduziu uma parte desse discurso.

via Crie Curta

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Uma história sobre compaixão e ponto de vista

O post abaixo foi originalmente publicado em 13 de janeiro de 2010, e seu título original era BBB10, FUTILIDADE E UTILIDADE. Foi o único post que escrevi sobre Big Brother Brasil, e também um dos mais comentados desde que entrei no Update or Die.


Resolvi republicá-lo não só porque o BBB12 estreou ontem, mas também porque é interessante reler à luz dos últimos acontecimentos. De lá para cá o união civil entre homossexuais foi aprovada, os grupos que se opõe ficaram mais radicais e, é claro, tivemos mais BBBs. Ah, o vencedor dessa edição foi o polêmico e homofóbico Marcelo Dourado.


O mais importante é que a história que eu conto abaixo ainda é bastante útil e atual...



Durante o ginásio, como todo adolescente hetero pouco esclarecido sobre a vida, protagonizei algumas situações de extremo preconceito com colegas que apresentavam tendências homossexuais (confirmadas na vida adulta). Até que, graças a um professor do cursinho, minha visão de mundo mudou completamente.

O nome eu não lembro, mas era um professor de inglês com uma baita coragem. Ele entra na aula e fala mais ou menos assim:

“Todo semestre eu entrava por essa porta e já começava aquele buxixo. Será que ele é? Sera que ele não é? Então, a partir do último ano, eu resolvi que dedicaria toda primeira aula do meu curso para falar sobre esse assunto e aí a gente coloca um ponto final nisso. A partir da segunda aula eu só vou falar de inglês, ok? Então é o seguinte, eu sou gay mesmo.”

Diante do espanto geral da classe, o professor continua contando sua história de vida. Como ele desconfiava desde cedo, suas primeiras experiências, a luta contra seu próprio preconceito, o problema de sair do armário e revelar para a família etc.

Aí ele abre para perguntas e uma menina levanta a mão. Meio sem graça ela manda: “Mas você é ativo ou passivo?”. A classe cai em gargalhada e o professor, super seguro de si, responde essa também.

Resumindo, foi uma das melhores aulas da minha vida. Não aprendi nada que fosse cair no vestibular, mas aprendi muito sobre compaixão e ponto de vista. Ter ouvido a história de vida de um gay de forma tão sincera e franca fez com que eu nunca mais tivesse preconceito com a opção sexual de ninguém.

Por isso achei de extrema importância e ousadia a seleção de participantes tão diversos nessa nova edição do Big Brother Brasil. Para quem não assistiu a estréia já adianto: há dois participantes gays, sendo que um é drag queen, além de uma lésbica e uma bissexual.

Diferente das edições anteriores, onde sempre tinha alguém supostamente homossexual, mas que nunca se assumia (exceção ao Jean Wyllys), agora a coisa é extremamente escancarada. Os próprios participantes já se assumiram logo ao entrar na casa. Depois ainda sofreram uma bateria de perguntas desconcertantes do Pedro Bial, assim como aquela menina fez no cursinho.

É claro que tudo que é polêmico e exótico vende, e a Globo sabe muito bem disso, mas quero acreditar que o BBB10, apesar dos pesares, está fazendo um serviço ao país, assim como aquele professor fez para a minha vida. A partir do momento que milhões acompanham as histórias de vida de pessoas tão diversas, no fundo há ali um exercício midiático de compaixão.

Logo no início de 2010 fomos surpreendidos com a notícia de que Portugal aprovou o casamento gay, algo que a sociedade brasileira parece ainda não estar preparada para aceitar. Quem sabe o BBB, esse programa que todo mundo adora criticar (mas que todo mundo assiste e comenta), não dá um belo update no Brasil?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Discurso de Jeff Gomez na StoryWorld: veja um pouco de você mesmo no seu próprio caminho


Se você chegou até aqui provavelmente já sabe quem é Jeff Gomez, mas, por via das dúvidas, vou apresentá-lo. O cara é uma das maiores referências em transmídia no mundo, mais pelo lado prático do que teórico, e vem construindo grandes cases por meio de sua empresa, a Starlight Runner. Duas referências rápidas: ele foi o responsável pela primeira campanha transmídia da Coca-Cola, em 2006, e pela expansão do universo de Piratas do Caribe. Tá bom?

No final de 2011 ele palestrou na StoryWorld e algum tempo depois o Transmythology publicou a transcrição do discurso. Se você se interessa pelo tema aceite meu conselho: vá até lá e leia. Sim, o texto é longo e está em inglês, mas vale o esforço.

O motivo? Você pode saber quem é Jeff Gomez, mas provavelmente não o conhece de verdade. Eu também não conhecia. Sabia que ele era uma referência no assunto, já tinha lido meia dúzia de coisas interessantes a seu respeito e também conhecia seu trabalho. Mas isso não responde quem, de fato, é uma pessoa.

Uma pessoa é os motivos e aspirações que a levaram até uma grande reputação ou trabalho. É sobre isso que ele fala e, no fundo, é sobre isso que todas as histórias falam. CONTEXTO.

Por exemplo, agora sei que Jeff foi aficionado por filmes e séries desde a infância e sempre se perguntou como é que peças de uma mesma franquia se encaixavam. Na maior parte das vezes não se encaixavam, e isso o deixava confuso.

Mais tarde, na adolescência, ele encontrou o RPG como uma forma de dar vazão às suas idéias malucas, e ficou popular entre seus amigos pela habilidade de construir universos interessantes o suficiente para que as pessoas quisessem explorá-lo em mais uma aventura, e na próxima, e na próxima... De quebra isso acabou salvando-o do bullying que sofria por ser uma criança diferente das outras.

Agora eu pergunto: sabendo desse background as coisas não fazem muito mais sentido? Agora entendo o motivo da fama e dos cases que Jeff Gomez conseguiu construir nos últimos dez anos. E se estivesse em uma posição para contratá-lo para criar um universo transmídia não pensaria duas vezes. Ele não é o cara. Ele sempre foi o cara.

Enfim, é o contexto que separa o charlatão de quem realmente vive um assunto. E tanto é assim que o discurso de Jeff trata da importância de uma boa história antes de criar qualquer coisa transmídia.

Abaixo selecionei alguns trechos interessantes, mas insisto para que leiam toda a transcrição.

So I’m imploring you to think about the fact that we have enough technology, enough of a communications system for us to read one another and “get” one another and appreciate that authenticity, so you have to really mean it. If you don’t, they will leave you.
(...)

You’ve got to keep it basic, because the method of story telling has grown more complex. You need to hit people right between the eyes with something alluring and provocative if you’re going to invite them to move across these screens, across these platforms, to enjoy the narrative. They have to want to come with you. Not all of us have Disney’s advertising budget, so you’re going to have to make them fall in love. 

(...)
So here’s the thing that I’m missing in a lot of the content that comes to me…pain.
When I say pain, I really mean honesty, something that you’re communicating with passion…something that feels so powerful that it hurts. When you’re born and that cord is cut, all you ever want to do is go back inside. You want to grab hold of that person, be close to that person. There’s something about all of us that forever mourns and suffers from that primal separation, and all of these stories, these mythologies, these belief systems, they’ve evolved to comfort us, to give us succor so that we don’t constantly feel the pain of that separation.
 (...)
You are going to see a little bit of yourself in where you’re going.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Curso de Inovação em Storytelling na ESPM, agora em versão INTENSIVA


Vocês pediram e a gente fez!

Toda vez que acontece uma edição do curso de storytelling e transmídia na ESPM várias pessoas que não moram em São Paulo, ou que até moram, mas estão sem tempo para se dedicar por 1 ou 2 meses, nos escrevem pedindo por uma versão mais compacta que caiba em suas agendas.

Pensando nesse público criamos uma versão intensiva do curso, que acontece agora, em janeiro. São 5 aulas, de segunda a sexta, pá pum. Suficiente para entender o básico sobre o assunto e começar a colocá-lo em prática.

E ainda por cima teremos uma novidade que certamente será incorporada na versão extensiva. O curso contará com participações de autoridades internacionais em storytelling, via streaming. Bacana né?

A programação completa está aí embaixo. Para se inscrever é só clicar aqui.

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O CONSAGRADO CURSO DA ESPM AGORA EM VERSÃO INTENSIVA
De 16 a 20 de Janeiro, das 19h30 às 22h30

PROPÓSITO DO CURSO
O maior desafio da atualidade no mercado de comunicação no Brasil e no mundo está fazendo com que os profissionais redescubram a utilização do Storytelling. O objetivo com isso é conseguir aquilo que os contadores de histórias já fazem há tempos: capturar a atenção do público. O mundo corporativo traz uma nova questão para os contadores de histórias, de como obter resultados a partir dessa inovação.

Em um mundo pautado pelo excesso de canais e informações, o Storytelling entra como um elemento que pode ajudar a espalhar uma ideia, construir uma marca ou alavancar vendas com mais eficiência, conquistando o público pela emoção.

OBJETIVO

Este curso visa jogar uma luz mais apurada sobre o assunto ao aprofundar o Storytelling sob diversos pontos de vista:
- branding
- cultura organizacional
- branded content
- product placement
- plataformas transmídia
Acima de tudo, esse é um curso sobre como Storytelling pode facilitar o entendimento e troca de conhecimento entre pessoas... estejam elas dentro ou fora das empresas.

METODOLOGIA
Todas as aulas são trabalhadas a partir da tríade:
- Embasamento teórico
- Case ilustrativo
- Exercício Prático

Além disso você terá:
- Streaming com experts internacionais
- Aulas com três professores com experiências complementares de mercado
- Bibliografia seleta e comentada para aprofundar em cada módulo do programa
- E segredos do storytelling, como por exemplo: “nenhuma história é só uma história. Qualquer história é composta de centenas de histórias lineares que se cruzam e se entrelaçam.”

A QUEM SE DESTINA
- Empreendedores e empresários procurando um novo ponto de vista para seus negócios.
- Publicitários e comunicadores em busca de ferramental prático e teórico para a construção de campanhas mais engajadoras.
- Profissionais que necessitem diferenciar suas marcas.
- Executivos interessados em criar apresentações de negócios mais envolventes.
- Acadêmicos interessados em uma formação mais aprofundada sobre o assunto.
- Escritores e roteiristas que queiram inovar em seu Mercado.

E também para você que:
- Está uma nova direção para sua vida profissional
- Procura um caminho bacana para seu desenvolvimento pessoal
- Busca novas formas de ampliar sua criatividade
- Quer ampliar segurança e inspiração em suas apresentações
- Busca aprender como as histórias bem construidas podem auxiliar ONGs
- Quer saber qual a diferença entre contar histórias e contar a melhor história

PROGRAMA

SEGUNDA - COMO O STORYTELLING PODE MUDAR SUA VIDA
TERÇA - COMO O STORYTELLING PODE DAR VIDA À SUA MARCA
QUARTA - COMO O STORYTELLING PODE DEIXAR MAIS INTRIGANTE SEU CONTEÚDO
QUINTA - COMO PROGREDIR DO STORY AO TELLING
SEXTA - TRANSMÍDIA: MÚLTIPLAS FORMAS DE NARRAR E TRANSFORMAR A HISTÓRIA EM PATRIMÔNIO ATIVO DA EMPRESA

COORDENAÇÃO

ANTONIO AUGUSTO GRIECO (GUTO GRIECO)

PROFESSORES

BRUNO SCARTOZZONI @brunoscarto
Planner, escritor e especialista em storytelling. Foi um dos fundadores da Storytellers Brand n Fiction, primeiro escritório brasileiro focado em criar histórias para empresas, usando internet, cinema e teatro como plataformas. Já desenvolveu projetos para clientes como AmBev, Nestlé, Nokia, Oi e Sony, e participou das campanhas políticas online de Aloysio Nunes Ferreira e José Serra. Atualmente colabora para o Update or Die, edita o blog caldinas.com.br, desenvolve conteúdos transmídia e está envolvido na criação de duas startups: Zaanga e Ativa Esporte.

FERNANDO PALACIOS @storytell
É um dos fundadores do primeiro escritório de Storytelling no Brasil, a Storytellers Brand ’n’ Fiction que tem como principais cases: a peça de Teatro “Filhas do Dodô” para J.Macêdo e “O Mistério das Cidades Perdidas” para Mini-Schin que superou 2 milhões de leitores na internet. Criou o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling ministrado na ESPM. Responsável pelo storieswelike.blogspot.com, primeiro blog sobre o assunto. Como planner participou de projetos como Nokia Trends, Camarote da Brahma, Skol Beats e o lançamento do portfólio de cervejas premium da AMBEV. É formado na USP. Em seu próximo projeto irá narrar sua busca pelas Maravilhas da Humanidade enquanto escreve uma obra de ficção a partir de um aparelho celular.

MARTHA TERENZZO @marthaterenzzo9
Profissional multifacetada com experiência de mais de 25 anos na área de Marketing e Inovação. Faz projetos de inovação, dá aulas em MBA e Pós, palestras, é mentoring, colabora com diversos blogs e revistas e é Diretora da Inova 360o empresa de Inovação e Negócios. Coordenou projetos de grande porte em empresas como : Cargill, Sadia, Parmalat, Bombril, União, Reckitt & Benckiser, Melhoramentos de Papéis, Seara e Ajinomoto. Estabeleceu processos e metodologias específicas de Marketing com visão na Gestão de Negócios e Inovação . Implementou áreas de Inovação, Marketing de alta performance nas empresas, arquitetura de marcas, gerenciamento de portfólio, lançando mais de 400 itens de consumo e novos serviços com sucesso.

INSCRIÇÕES

http://www.espm.br/inovacao/curso.asp?cursoID=62