quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Tese sobre formatos narrativos para dispositivos móveis

Esse é mais um post da série de trabalhos acadêmicos sobre storytelling, transmídia e assuntos correlatos.

Logo abaixo você encontra a tese de Edvaldo Acir, que foi, junto comigo, um dos palestrantes da sessão de transmídia do Circuito 4x1 edição de São Paulo.


O tema, Formatos Narrativos para Dispositivos Móveis, é bastante pertinente pois joga uma luz em uma questão que é pouco explorada por aqueles que falam sobre transmídia. O ponto é que em uma narrativa transmidiátiva cada história deve explorar o melhor que cada mídia tem a oferecer.

Um exemplo: literatura costuma ser melhor para trabalhar com questões psicológicas, já o cinema funciona melhor com ação. Há exceções, é claro, mas geralmente são proezas dos mestres de cada arte.

Os dispositivos móveis como meios para se contar histórias são tão novos que não há uma prática consolidada. Em outras palavras, ainda estamos descobrindo que tipo de linguagem funciona melhor com telas pequenas e audiências individuais. Com a chegada dos smartphones e tablets ainda dá para inserir dois novos fatores que podem mudar completamente a dinâmica: interatividade e conexão com a internet.

Por essas e outras, qualquer estudo nesse sentido significa um pouco de luz em um dos maiores desafios para os contadores de história do futuro...quer dizer, do presente mesmo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Histórias são sempre sobre pessoas, e não sobre marcas

A Pantene da Tailândia criou esse belíssimo comercial contando a história de uma menina surda que sonha em tocar violino. Assim como a série de curtas da LG de Portugal que comentei recentemente, esse é mais um caso onde os envolvidos entenderam que histórias são sempre sobre pessoas, e não sobre marcas.



Esse formato essencial das histórias, contendo personagem, conflito e transformação, funciona como uma ferramenta de transmissão de conhecimento. Resumindo, a gente se identifica com alguém passando por um perrengue ou desafio, e dali tiramos conclusões sobre como devemos agir em situações similares. Não é a toa que antes de dar o primeiro beijo todos nós fatalmente temos contato com histórias sobre essa temática. Assim temos alguma noção do que fazer e como sentir quando chega a hora H.

Uma história bem contada leva entretenimento e conhecimento para as pessoas, e aquelas que nos pegam de jeito costumam estar relacionadas aos desafios mais profundos de nossa existência, como é o caso desse exemplo.

Concluindo, muitas empresas tentam fazer storytelling contando os fatos desde sua fundação, ou então criando histórias insossas como mera desculpa para aparecer o produto, sem entregar nada às pessoas. Aí, sinto muito, não tem como funcionar.

Aliás, hoje mesmo o Tiago Dória publicou um post bem interessante que tem relação com isso: gostamos de compartilhar sentimentos e não fatos. Leiam.

recebi esse vídeo da Michelle Furuta, que foi minha aluna em Curitiba

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Tudo o que você precisa saber sobre Product Placement

Brincadeira!

Tudo, tudo mesmo, só no curso Inovação em Storytelling: do branded content à transmídia, que acontece lá na ESPM. :) E agora em janeiro, atendendo a pedidos de pessoas que moram fora de São Paulo ou que não tem muito tempo, faremos uma versão intensiva!

Mas que esse infográfico é bem completo, é. Achei no Update or Die.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Urbanized, documentário sobre design de cidades

Esse é um post 2 em 1:

1) Desde criança adoro jogos que lidam com o design de cidades / países / civilizações. Para vocês terem uma idéia, as duas séries de videogame que eu mais joguei na vida foram Sim City e Civilization. Por isso fiquei louco quando soube de Urbanized, um documentário sobre...design de cidades! Mas infelizmente ele não está sendo exibido no Brasil e também não consegui encontrá-los por meios "não oficiais".

2) Na semana passada descobri pelo Pristina que é possível alugar o documentário via streaming, e para isso não é necessário baixar um programa nem ser membro de uma plataforma como, por exemplo, a Netflix. Se você tiver interesse basta clicar no botão "Rent Movie" aí embaixo e seguir as instruções. Por 7 dólares dá para ver o filme. Comparando com outras opções é meio salgado, mas essa tecnologia pode valer a pena para conteúdos de interesse de nicho.

PS: Ainda não aluguei, mas assim que tiver tempo livre com certeza o farei.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

LG Portugal conta histórias sobre pessoas, e não sobre tecnologia

Tenho trocado figurinhas com o Francisco Carvalho, aluno de Coimbra que até já me entrevistou para o seu blog, sobre storytelling aqui e acolá, ou seja, no Brasil e em Portugal.

Numa dessas ele me apresentou esses quatro filmes bancados pela LG lusitana, quatro curta-metragens que exploram o lado mais humano da tecnologia. Três deles são de 2010 e parece que geraram um bom burburinho na época, mas eu ainda não os conhecia.

Dá para ver que a empresa está levando a idéia do branded content a sério quando a marca aparece de uma forma bastante sutil e, principalmente, quando as histórias são centradas nos personagens e seus conflitos pessoais.

Aliás, alguns desses personagens são muito pouco óbvios quando pensamos em conteúdo criado para marcas. Entre eles há um mendigo que relembra o passado, um garoto que busca uma fuga do ambiente instável de sua casa e uma imigrante que sofre a solidão típica de quem vai morar em outro lugar. Temas fortes, mas necessários para a criação de histórias igualmente fortes.

Em outras palavras, a LG de Portugal entendeu que na disputa pela atenção das pessoas os concorrentes não são as outras propagandas ou conteúdos de marca, mas sim filmes, seriados, programas de TV, músicas, videogames, chat, namorada ligando, cansaço e por aí vai...







sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

5 motivos para ignorar as tendências


Em contraponto ao novo report de tendências da JWT, faço aqui minha lista de 5 motivos para ignorar as tendências.

Não me levem a mal. Sim, eu estou vestindo a camisa do provocador. E sim, no começo da minha carreira cansei de fazer lindos power points apontando tendências do momento e sugerindo que as marcas fossem nessa direção.

É claro que esse tipo de report pode ser bastante útil para quem trabalha com comunicação de uma forma geral, mas é preciso tomar muito cuidado antes de sair alardeando que há novidade no ar. Aí vão os motivos:



1) Se uma tendência chegou até você em um report para o mundo corporativo, ainda que seja o melhor deles, é bastante provável que isso já seja realidade, e não mais uma tendência. A tendência mesmo está na rua, sendo feita por gente de vanguarda em suas respectivas áreas. "Marriage Optional", um dos itens do report acima, era tendência na época da Simone de Beauvoir. Agora é outra coisa.


2) Sites como o PSFK e o Trendwatching são muito legais, mas hoje em dia todo mundo tem as mesmas referências e, portanto, fará a mesma coisa. Um exemplo? Toy art. Há uns 3 anos essa era a tendência do momento, e aí todas as marcas de repente tinham uma "linguagem meio toy art" em sua comunicação, ainda que a maioria não tivesse nenhuma relação com a síndrome de Peter Pan, comportamento por trás disso.


3) Tendências são passageiras em maior ou menor grau. Um exemplo? A tensão entre razão e fé esteve presente durante toda a história do mundo ocidental, ora pendendo para um lado, ora pendendo para o outro. Agora imagine um report no Renascimento falando que a ciência é a nova onda, e que a religião está fadada ao fracasso. E aí, um tempo depois, surge o estilo Barroco. Com tendências mais efêmeras esse processo é muito mais rápido, durando poucos anos ou meses.


4) A natureza humana é a mesma desde que o homo sapiens sapiens apareceu por aqui. A tecnologia muda, as instituições mudam, a cor do verão muda, mas os sentimentos e os dilemas da vida são exatamente iguais. Marcas com um posicionamento legítimo e verdadeiro trabalham no campo da essência, e não da tendência. No exemplo acima corresponderia a escolher um dos lados independentemente do que estiver na moda, ou fincar bandeira justamente na tensão entre razão e fé.


5) Por trás de todo comportamento vendido para o mercado como "tendência" há um interesse comercial que muitas vezes está desconectado da realidade. Se anos atrás te empurraram uma ação "revolucionária" no Second Life, você sabe do que eu estou falando. Aliás, sempre desconfie de palavras como "revolução".

Update: o @danielchagas me enviou um outro post que também fala sobre isso, e o Martin Haag lembrou desse artigo, que fala do fim das tendências na moda.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Do papel para o digital, e vice-versa


Apesar de não ler praticamente mais nada das séries correntes (aquelas que estão na banca todos os meses) da editora Marvel, tenho acompanhado com atenção o que eles estão fazendo em termos de integração on e offline, assim como o inovador trabalho que tem feito no cinema, nos videogames e por aí vai. A Marvel, mais do que ninguém, entendeu que seu core business é criar personagens e histórias, pouco importa onde. Recentemente escrevi um post que abordava essa questão, aqui.

Agora li outra notícia bem interessante. De forma pioneira eles estão colocando em algumas revistas impressas um código que dará direito a fazer o download da versão digital da mesma revista. No post do io9 tem uma entrevista com um dos executivos da empresa, que conta o insight. Eles perceberam que o fã pode querer ter a revista impressa, na estante de casa, mas, ao mesmo tempo, preferir a versão digital para situações que envolvem mobilidade como, por exemplo, o caminho casa-trabalho-casa, consultórios médicos e viagens.

Parece óbvio, mas por outro lado esse tipo de pensamento exige uma sutileza e uma atenção muito grande por parte de uma empresa. Legal ver que a Marvel está conseguindo. Ah, mas não é só isso. Em breve eles pretendem fazer o caminho inverso, ou seja, você poderá comprar uma edição digital e ganhar um cupom que dá um disconto relevante na versão impressa, com o aplicativo já indicando qual é a loja mais próxima para comprá-la.

Será ainda mais sofisticado quando ambas as edições tiverem extras únicos e complementares, já pensou?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Capas clássicas de HQs em versão animada

Esse tipo de notícia eu costumo colocar mais no Twitter do Caldinas do que aqui.

O ilustrador Kerry Callen deu vida à quatro capas clássicas de quadrinhos inserindo algum tipo de animação. Claro que achei bacana, mas não é só isso que me chamou atenção.

1) Em breve isso poderá ser cada vez mais comum em edições digitais.

2) Reparem na tensão em cada uma dessas capas? Não é a toa que são consideradas clássicas. Impossível não querer ler o que tem dentro.





vi no Blue Bus

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Meu primeiro contato com a AIDS


Queria ter feito esse post ontem, 1º de dezembro, que foi o Dia Mundial de Luta contra a AIDS. Infelizmente não deu tempo, mas como dizem que o que vale é a intenção, vamos lá...

A história que eu vou contar é real. Juro, sem nenhuma virgula de ficção, embora, como se passou há mais de 20 anos, é capaz que minha memória tenha distorcido alguma coisa. De qualquer forma é exatamente assim que eu lembro, e segundo meu psicanalista é isso que mais importa.

Era da metade para a frente da década de 80 e eu devia ter alguma coisa entre 6 e 10 anos, não mais do que isso. Estava no final do pré ou no começo do primário (atualmente ensino fundamental) e a AIDS começava a ficar mais conhecida e "popular" fora dos chamados grupos de risco (gays e viciados).

Foi então que minha mãe me chamou para uma conversa séria na sala. Conversas na sala eram sempre mais sérias do que as que aconteciam no quarto ou na cozinha. E aí ela começou a me contar sobre uma nova doença que havia surgido e que era fatal, e na época era mesmo. AIDS era diferente de gripe ou de catapora. Não tinha remédio, não tinha nada. Pegou, morreu.

O alerta estava dado. Para uma criança com imaginação fértil, como eu sempre fui, esse tipo de notícia gerava pânico. Mas aí minha mãe me acalmou e explicou que não se pegava essa tal de AIDS de qualquer jeito. Não pelo ar, muito menos pela comida. E aí veio o conselho:

"Filho, escuta bem o que eu vou te dizer. Não deixe ninguém encostar no seu bumbum tá? Se encostarem no seu bumbum você pode pegar AIDS. Me ouviu bem?". Obviamente que não fazia muito sentido, naquela época, minha mãe falar de drogas, seringas ou preservativos (nem sei se tinha). E longe de minha mãe ser homofóbica, nunca foi. Acho que ela só queria me livrar de pedófilos mesmo. Pior, pedófilos aidéticos né?

Ah, na época falar "aidético" não era politicamente incorreto ok?

Ufa! Então tá, era só não deixar encostarem na minha bunda. Se livrar da AIDS era mais fácil do que eu imaginava.

No dia seguinte fui para a escola, despreocupado com aquela conversa. Tudo corria bem até a professora pedir para que os alunos fizessem uma fila em frente a sua mesa. Era o momento de dar visto na lição de casa. E vocês sabem como funciona criança nessa idade né? Não sei bem o que aconteceu, mas acho que o coleguinha atrás de mim foi empurrado e, adivinhem, ENCOSTOU NA MINHA BUNDA.

Tudo bem que ambos estávamos de uniforme, mas minha mãe não havia especificado que deveria ser pele com pele ou, pior ainda...vocês já entenderam. Pra mim, daquele jeito, já estava valendo.

FUDEU, PEGUEI AIDS - pensei.

Naquele exato momento comecei a suar de desespero e só conseguia pensar sobre quanto tempo me restava. Um dia? Um mês? Um ano? Como seria essa morte? Lenta e dolorosa? Rápida e tranquila? Minha pele começaria a derreter? Como meus pais reagiriam? Aliás, como é que eu ia contar isso para eles?

Preso nesse looping de pensamentos não consegui prestar atenção em mais nada naquele dia, e eventualmente voltei pra casa. Minha mãe me buscava no colégio de carro, mas eu esperei até chegarmos na sala. E aí comecei a chorar.

"Manhê, tenho uma coisa para te contar. Hoje na escola encostaram na minha bunda!" buááááááááá

É claro que ela me acalmou e explicou que não funcionava bem assim. Era um tipo diferente de encostar na bunda. Não lembro como ela explicou isso, mas sei que eu entendi e fiquei mais tranquilo. :-)

Enfim, curiosamente nunca conheci ninguém próximo que tivesse AIDS, ou que tenha revelado isso, mas essa experiência de ver a morte na minha frente logo na primeira década de vida já foi o suficiente para me deixar bem esperto em relação a isso.

No melhor espírito "utilidade pública" deixo aqui o site do governo brasileiro sobre a doença. É bastante completo.