quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A evolução da tecnologia de storytelling



Belíssimo TEDTalk do contador de histórias Joe Sabia, que mostra como, apesar das histórias serem as mesmas há milhares de anos, os meios para contá-las estão em constante evolução.

O mais curioso é que ele faz a palestra manipulando um tablet, meio em que todo mundo está apostando como responsável pela evolução do storytelling, mas não cita isso. Já até fiz dois posts sobre isso, um mais crítico e outro mais esperançoso. :)

E vale lembrar que a transmídia, como raciocínio de construção de histórias e integração de mídias, também pode ser considerada uma evolução importante.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Storytelling e Transmídia - curso em Curitiba 26 de novembro

Nesse sábado, 26 de novembro, estarei em Curitiba ministrando o curso Storytelling e Transmídia, uma iniciativa desenhada em parceria com a Aldeia Coworking.

Estou muito feliz por poder voltar nessa cidade que eu adoro e (momento curiosidade) onde até já morei, quando tinha 2 anos.

Não fique de bobeira e faça sua INSCRIÇÃO já! :)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ex-Amigos, uma brand story da Pepsi


Essa é a primeira história que publico oficialmente, assim, com a minha assinatura. Confesso que dá frio na barriga, mas um dia tinha que sair.

Ex-Amigos pode ser definido como um conto, mas, além disso, é uma brand story criada com o objetivo de promover a Pepsi, um verdadeiro desafio para quem é apaixonado por Coca-Cola desde cedo. Duvida? Dá uma olhada na foto abaixo, de quando eu era criança.


A idéia para esse conto surgiu no curso de Storytelling e Transmídia que eu ministro na ESPM SP. Propus que a classe criasse uma história a partir da marca Pepsi, e aí eu mesmo acabei pensando em uma, que mais tarde escrevi e transformei nesse ebook. Tudo começa quando dois amigos de longa data se encontram em uma lanchonete, depois de muito tempo que não se viam, e começam a não mais se reconhecerem...

O download é gratuito, basta clicar no botão abaixo e postar o link do livro no Tweet ou Facebook (é tudo automático). Boa leitura!



PS: o conto em si é dedicado ao meu pai, mas quero agradecer especialmente quatro pessoas que foram muito importantes para esse processo.
Maria Clara (mãe só tem uma)
Palacios (parceiro de aventuras)
Martha (mestre Yoda corporativa).

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Zombies, Run! a gamificação da saúde



Esse é o terceiro post sobre zumbis nos últimos dias. Tudo bem que eu me interesso pelo tema, mas juro que é coincidência.

O que não é coincidência é Zombies, Run! ser uma junção de várias tendências em um app que promete ser muito divertido. Vou tentar explicar do jeito mais fácil...

Zombies, Run! trata-se de um aplicativo para celular que cria um contexto de sobrevivência à um apocalipse zumbi como forma de estimular uma prática saudável, a corrida. Mas como?

O jogador encampa o papel de um personagem que precisa coletar itens para manutenção do grupo de sobrevivente. Por meio de geolocalização o aplicativo estabelece um circuito pelo qual o jogador precisa correr, e os itens são coletados conforme ele passa pelos checkpoints. O circuito é narrado via som, como se houvesse uma pessoa da resistência te guiando pelo rádio.

Correu bastante? Queimou calorias? Legal, mas a brincadeira não termina aí. Agora é preciso, com calma, distribuir os recursos coletados pela sua comunidade, e aí entra a parte estratégica do game.

Não bastasse tudo isso o projeto, que promete ser lançado em 2012, foi financiado pelo Kickstarter, ou seja, temos aqui um jogo de zumbi de "gamifica" práticas saudáveis, quebra as barreiras entre o real e o virtual e ainda por cima foi feito com crowdfunding.

Desconfio muito desse tipo de projeto pois acabo achando que prioriza-se a "tendência" ao invés do conteúdo. Ainda assim acredito que, nesse caso, será muito divertido.

 via Nós Geeks

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A zumbificação da publicidade e a nova campanha da FedEx



Outro dia comentei aqui sobre o case do CDC, órgão americano de saúde pública, que lançou uma história em quadrinhos fazendo um paralelo entre zumbis e controle de epidemias.

Zumbis estão tão presentes na cultura pop que a FedEx também embarcou na onda em uma de suas últimas campanhas.

Notem que aqui eles bebem na fonte de uma das situações mais clássicas em histórias de zumbis, quando o grupo de sobreviventes passa pelo dilema entre tentar salvar ou acabar com o sofrimento do companheiro recém infectado.

Por dentro desse clichê quase obrigatório há uma série de verdades humanas. Por exemplo, o embate entre a razão e a emoção.

Aqui nessa cena, felizmente, o entregador da FedEx chega para resolver esse dilema. ;-)

No canal da empresa no YouTube também existe um behind the scenes bastante divertido.

.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Entrevista sobre storytelling para um blog português

No mês passado tive o prazer de dar uma entrevista para o blog português The Good, The Bad & The Queen. Para ser mais preciso um blog de três alunos de Coimbra que se interessam por comunicação e fazem um trabalho bacana como coletores de tendências.

Coincidentemente visitei a cidade a própria universidade no começo desse ano e agora venho mantendo uma conversa bem legal com alguns alunos. Em um passado não muito distante os filhos da elite brasileira iam estudar lá em Coimbra e traziam o que havia de melhor em termos de conhecimento. Agora fico feliz em poder retribuir um pouco.

Logo abaixo republico as perguntas e respostas.

foto que tirei em Coimbra, mais aqui

Como se pode definir storytelling?
A tradução literal de storytelling é narração de histórias. No português brasileiro a palavra "história" serve tanto para "history" quanto "story". Enquanto "history" está ligado à descrição fiel de fatos reais, "story" tem relação com uma estrutura narrativa bem definida que, na essência, é um personagem (pelo menos um) superando desafios em busca de atingir um objectivo, seja ele conquistar um amor, sobreviver a uma situação extrema, quebrar limites próprios, vencer a desconfiança da sociedade, etc.
As histórias ("storys") acompanham a humanidade desde o início dos tempos, funcionando como uma ferramenta eficaz para transmitir informações e explicar coisas complexas. De uma forma mais abstracta, histórias funcionam como uma moldura que contextualiza a informação.

Porquê a associação de storytelling a transmédia? 
Storytelling e transmédia são dois conceitos que respondem a dois dos principais desafios da comunicação hoje em dia: captar e manter a atenção das pessoas. Antigamente bastava veicular um comercial bem feito em um programa com muita audiência e o resultado estava garantido. Hoje em dia os canais estão bem mais fragmentados e há um tsunami de informações a ser produzidas diariamente, sendo impossível que uma pessoa acompanhe tudo.
Nesse cenário as pessoas estão a ter cada vez menos contacto com campanhas publicitárias, mas o interesse por produtos culturais, como o cinema, a literatura, os quadrinhos e os videogames continuam em alta. Por outras palavras, com menos tempo e mais opções as pessoas tendem a dar prioridade a aquilo que realmente importa e, sejamos sinceros, qual a real importância da publicidade na vida de uma pessoa comum?
Nesse sentido as empresas e marcas possuem o desafio de se tornarem tão interessantes quanto as coisas que importam. Fora isso há vários estudos que mostram que uma informação contida em uma história tem muito mais probabilidade de ser lembrada pelas pessoas (20 vezes maior). Esse é o poder do contexto.
E se uma história retém a atenção, o raciocínio transmédia ajuda a mantê-la. Como? Fragmentando a história e espalhando trechos em diversos canais. Dessa forma eu posso ter uma experiência na TV, outra jogando videogame e uma terceira no Facebook, todas independentes e complementares. Mudo o canal mas continuo naquele mesmo universo.

De que forma é que o storytelling pode impulsionar o crescimento de uma marca? 
A parte teórica já foi respondida na pergunta acima, então vou aproveitar o espaço para dar um exemplo prático, a Apple.
Muito se diz sobre "marcas que contam histórias", mas isso é “besteira”. Histórias são sobre pessoas, sobre sentimentos humanos, e não sobre empresas, objectos ou seja lá o que for. Repare que mesmo em filmes em que há personagens não-humanos, como robôs, alienígenas ou seres fantásticos, eles sempre possuem sentimentos humanos e agem como se fossem iguais a nós.
Nesse sentido, a Apple possui um histórico ("history"), mas as histórias ("storys") mesmo são as das pessoas que trabalham lá, dos consumidores e, sobretudo, a do criador da empresa, Steve Jobs. A sua história de vida funciona como uma moldura (contexto) e dá sentido à empresa (informação). Sendo assim, a marca Apple não é percebida como o fruto de uma decisão racional de um plano de marketing, mas sim como o produto de uma jornada pessoal, de um empresário genial que possui qualidades e fraquezas como todos nós, e é isso que gera identificação. Eu diria que a Apple é um óptimo product placement na história da vida de Steve Jobs, e é isso que faz com que a empresa seja tão amada por milhões de pessoas no mundo todo.

A curto prazo, qual será o futuro do storytelling?
De uma maneira geral acho que a tendência é que as indústrias da comunicação e do entretenimento andam cada vez mais juntas. É um caminho tortuoso, percorrido por poucos, e certamente haverá dor nesse processo. Mas é necessário, e o motivo é simples.
Por um lado temos uma indústria que tem dinheiro, mas carece de atenção (publicidade). Contudo, temos uma indústria que tem a atenção das pessoas, mas falta dinheiro por causa da pirataria crescente (entretenimento). Se as duas andarem abraçadas terão muito mais hipóteses de sobrevivência.
E, de um ponto de vista mais social, acho que será bastante benéfico ver o mundo corporativo abraçando a arte, e vice-versa. O mundo como conhecemos está passando por uma crise institucional e os modelos que deram certo até agora estão em xeque. Vocês aí na Europa, pela primeira vez na história (essa com h mesmo), estão sentindo isso mais do que a gente aqui na América Latina. Muitas das instituições que fazem o mundo do jeito como conhecemos precisam de novos significados, ou seja, de novas molduras, e porque não fazer isso por meio de boas histórias?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pandemia Zumbi, uma HQ de saúde pública


O CDC (Centers for Disease Control and Prevention), órgão do governo americano que sempre é citado em filmes e seriados e tem como objetivo controlar epidemias e coisas do tipo, inovou e utilizou storytelling na hora de conscientizar as pessoas sobre a necessidade da sociedade estar preparada para esse tipo de problema.

Como?

Criando e disponibilizando gratuitamente uma história em quadrinhos sobre o tipo de epidemia mais celebrada na cultura pop atualmente, ou seja, zumbis!

E não é que o ciclo se fecha? Uma das graças das histórias de zumbis é justamente essa tensão entre o ser humano e a natureza. De um lado está a humanidade e suas realizações fantásticas, do outro está uma doença (ou maldição?) incontrolável. Em outras palavras, histórias de zumbis mostram que há algo maior do que nós mesmos, e que para sobreviver a isso é necessário que cada um dê o melhor de si.

Já que essa também é a mensagem do CDC, bingo para eles!

Clique aqui para baixar o PDF com a história.

dica do Daniel Souza
mais informações no site do CDC

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tirinhas do MASP

Para comemorar seu aniversário de 64 anos o MASP lançou essa divertidíssima campanha usando as obras do museu como parte de tirinhas.


É muito bacana ver um museu brincando com uma linguagem moderna e própria da internet. As tirinhas não são próprias da internet, mas as fotos com legenda sim.

E a partir disso dá para imaginar outras marcas e empresas brincando com essa linguagem. Imagina como seria a experiência de ir a um supermercado e encontrar tirinhas nos materiais de faixa de gôndola. Só para dar um exemplo...

A criação é da DM9 e no link do Puta Sacada tem outras tirinhas. A dica foi da Mariana Oliveira. :)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O poder das histórias

Uma história captura a atenção de um pai de tal maneira que ele resolve batizar a própria filha para prestar uma homenagem.


E quantas histórias acabam influenciando nossas vidas ao longo dos anos? O jeito de enxergar o mundo, visão política, preferências aqui e acolá. Eu, por exemplo, tenho um caso bastante curioso...


Alguns anos atrás comecei a acompanhar a websérie Italian Spiderman, uma versão cafajeste do famoso super-herói em ritmo de sátira dos anos 70. Acontece que entre uma cena de ação e outra o herói pede um café macchiato, que é um expresso misturado com leite quente e um pouco de espuma, bem típico da Itália.

Não conhecia o macchiato, mas fiquei curioso e um dia resolvi experimentá-lo, em homenagem à websérie. Hoje em dia é a minha primeira escolha em cafeterias.

Agora imagina só o que uma história bem contada pode fazer por uma marca ou produto...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pequenas inovações. Grandes Negócios.


Tenho um grande carinho por esse post, originalmente publicado em 11 de janeiro de 2010. Ele foi a consolidação de um esforço investigativo que eu havia iniciado há muito tempo, antes mesmo de ser convidado para escrever no Update or Die.
Pode me chamar de inocente e sonhador, mas sempre que vejo um novo negócio na rua, desde uma lojinha até um boteco, que não tenha nada de inovador, tudo igual ao que já fizeram antes, sou tomado por um sentimento de tristeza profunda.
Quanto potencial desperdiçado em um bar que tem a decoração parecida com aquele outro da esquina, que já tem sua identidade consolidada e um público fiel. Quanta falta de coragem e visão preenchem o espaço daquela boutique que está na cara que vai virar mais uma na paisagem.
Pensando nisso há tempos comecei a registrar, com câmera de celular mesmo, pequenos negócios que destoavam da paisagem. Idéias simples, capazes de tornar uma biboca algo no mínimo curioso. Lembrando que inovações não precisam ser profundas e que as vezes um detalhe já faz uma baita diferença, trago aqui quatro exemplos nesse espírito…

Esse é um café/lanchonete de um shopping de Campinas, meio escondido, ali na área de serviços. O dono resolveu tematizá-lo com o mundo da velocidade e instalou ali uma verdadeira pista de autorama. Nostalgia total. Vai dizer que não dá vontade de brincar?



Esse é um estacionamento na região da Av. Rebouças com a Av. Faria Lima, um ponto bastante movimentado de São Paulo. Tenho certeza que sem fazer absolutamente nada o estacionamento já ficaria lotado boa parte do tempo devido à alta demanda e pouca oferta da região.
Mas o dono resolveu envelopar o espaço com coisas que remetem aos antigos filmes de perseguição policial, tipo xerife em quatro rodas. A foto é de um carro na vertical, pendurado em uma das paredes. Isso vai soar piegas, mas eu aposto que o cara é fã desses filmes e fez isso com o maior amor. Sempre que volto nessa região tento parar o carro lá.
E antes que você pergunte, realmente não há nada de inovador em tematizar um ambiente. Mas em estacionamento eu nunca tinha visto nada parecido.


Não tenho certeza se isso é genial ou bizarro, mas no mínimo destoa. É um mercadinho entre a Av. Paulista e o Bexiga, em São Paulo. Praticamente um cúbiculo. Mas ao lado da gôndola de frutas e verduras fui surpreendido por um armário com jóias e bijuterias!
Fiquei imaginando que a esposa do dono deve ter começado a vender para as amigas e aí resolveu fazer esse experimento aproveitando a sinergia com o mercadinho. O que vocês acham?



Por fim, um café no Bom Retiro, uma região de São Paulo conhecida por ser um pólo de moda, lotada de lojas de roupa. Começou vendendo no atacado e hoje em dia também conta com um movimento relevante do varejo.
Pelo número de pessoas que passam por ali qualquer café já teria seu lugar ao sol, mas esse resolveu aproveitar o que a região tem de melhor para fazer a diferença. Lá, além de comer um salgado e beber alguma coisa, o cliente é servido por prateleiras gigantescas com revistas de moda do mundo inteiro. Basta pegar uma, sentar na mesa e relaxar. Praticamente um hub de tendências.
E você? Conhece algum exemplo desse tipo? Se sim, deixe referências aí nos comentários.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A cenourinha que importa


Se você trabalha com campanhas de incentivo ou usa essa ferramenta para motivar pessoas, esse post é para você.
O princípio é simples. Você quer que alguém atinja uma determinada meta, e para isso coloca um prêmio, uma cenourinha, lá na frente. Essa cenoura geralmente se materializa em forma de dinheiro, viagens, TVs de plasma etc. Em outras palavras, bens materiais.
Não é que bens materiais não importem e as pessoas não os queiram. Todo mundo quer. Mas essa palestra do Dan Pink para o TED, sobre a qual já tinha escrito aqui, desconstrói essa história.
Quando o trabalho envolve uma entrega intelectual e emocional, o cenário é outro. Nesses casos faz muito mais sentido motivar as pessoas com tarefas que façam sentido, que despertem interesse por sua natureza. E a cenourinha material, ao invés de ajudar, pode até atrapalhar…


Escrevi esse post em 6 de janeiro de 2010 e mantive ele intacto na republicação. Desfrute. :)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Histórias cortadas em papel

Béatrice Coron é uma artista francesa que recorta papel, e a partir disso cria histórias, cidades e mundos. Bom, não são exatamente "histórias do jeito tradicional", com começo meio e fim, mas é impressionante ver até onde vai a imaginação da mulher. Cada coisa que ela faz transborda de destalhes e significados.




Uma das coisas mais interessantes de sua obra é que as histórias não são propriamente escritas, mas sim recortadas, como se fossem grandes painéis cheios de ilustrações. Um desses foi feito de forma sequencial, como nos quadrinhos, e para seguir a história é preciso ir andando. Apelidei isso de narrativa física.

Também me impressionou bastante as aplicações de sua arte, desde um painel de metrô até sacadas de apartamentos! E é justamente isso que me faz pensar na possibilidade de tirar daqui alguma lição para tornar material de PDV mais interessante. Um cartaz que te prende pela riqueza de detalhes, e que te faz imaginar um mundo à parte.

terça-feira, 1 de novembro de 2011