segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Stan Lee dá dicas para prender a atenção do leitor


Stan Lee é uma das figuras mais importantes da indústria dos quadrinhos e, por que não, da indústria do entretenimento. Ele foi o CEO da Marvel Comics e também o criador de boa parte dos títulos da editora, como Homem-Aranha, Hulk e X-Men.

No vídeo abaixo ele dá dicas de como prender a atenção do leitor, página após página, criando boas histórias. Basicamente o mesmo objetivo do curso de Inovação em Storytelling da ESPM, que eu dou em parceria com a Martha Terenzzo e o Fernando Palacios, e cuja turma do 2º semestre acaba oficialmente hoje.

Passamos 7 aulas perseguindo o mesmo objetivo, ou seja, capturar a atenção do público usando as técnicas de storytelling, seja lá qual for a mídia. Nada mais justo do que homenagear a turma com esse vídeo.



Até a próxima, agora em 2012!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Monografia sobre o case Heroes

Há pouco tempo iniciei aqui uma série de posts com trabalhos acadêmicos sobre storytelling, transmídia e comunicação. O interesse por esses temas vem aumentando bastante, a ponto de todo mês eu receber um pedido de ajuda. E o melhor de tudo, uma boa parte dessa produção tem vindo de fora do eixo Rio-São Paulo.

A monografia da vez é do gaúcho-catarinense Daniel Zatta, que inclusive é meu aluno no curso de Inovação em Storytelling da ESPM que está acontecendo agora.

Infelizmente não tenho tempo para ler todos os trabalhos que chegam até mim, mas a idéia é prestar um serviço para aqueles que estão escrevendo suas monografias, dissertações e teses agora, já que a bibliografia sobre esses temas ainda é escassa no Brasil.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Design Hortifruti

Esse post foi publicado originalmente em 3 de janeiro de 2010 e o título original era Calendário Hortifruti. Coincidentemente depois disso trabalhei em diversos projetos relacionados ao mundo agro, e usei essa referência n vezes para mostrar que era possível adotar uma linguagem mais moderna para as coisas do campo. Que conclusões tiro disso?


1) Escrever posts é um ótimo exercício para organizar o pensamento e guardar referências na memória.
2) Quase 2 anos e muitos projetos depois, acabei não conseguindo convencer nenhum desses clientes a fazer nada semelhante isso. Santa burrice, Batman.

Mexerica é a minha fruta preferida. Quando está na estação certa, corro para o supermercado e compro aos montes, pelo tempo possível, até sumirem da seção de frutas para um triunfante retorno no ano seguinte.
Se pudesse compraria 12 meses por ano, mas a mãe natureza ainda não se dobrou às leis do capitalismo. Pensando nisso o estúdio Always With Honor em parceria com a GOOD criou um infográfico genial, com os ciclos da agricultura em diferentes estados americanos.
Alguém se arrisca a fazer algo assim no Brasil? E se fizerem, por favor incluam as mexericas!



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Por que lemos e escrevemos ficção?

Essa resposta é complexa e o vídeo abaixo obviamente não dá conta de toda essa complexidade, mas essa pergunta é essencial para quem deseja entender como storytelling pode ser aplicado à comunicação de marcas.

Então, no melhor espírito "temos que começar por algum lugar", dá play aí embaixo e tire suas próprias conclusões. Em breve volto ao assunto.



via Creative Penn

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Inovação Fail

Só eu mesmo para publicar posts em 31 de dezembro! Foi isso que aconteceu em 2009, quando escrevi Invenção quase perfeita. Agora, republicando aqui, resolvi mudar o nome, mas o raciocínio continua válido. No mais, é basicamente um texto sobre o desespero de algumas empresas e pessoas por fazerem diferente, mesmo que isso signifique fazer pior. Eu já fui assim.


A menos que você tenha comprado uma residência nova, ou feito uma reforma elétrica recente, duvido que esteja devidamente equipado para suportar o grande número de equipamentos eletrônicos que a modernidade nos proporciona. E dá-lhe comprar uma infinidade de réguas, extensões e benjamins.

Nesse contexto a invenção acima é genial. Uma tomada que já tem uma extensão embutida. A TV está muito longe do ponto mais próximo? Não tem problema, é só puxar.

Mas aí você começa a ler essa análise e vê que o mundo, infelizmente, não é tão cor de rosa assim. Devido aos custos de produção esse treco custaria pelo menos 10 vezes mais do que a soma de uma tomada e uma extensão comuns. 100 dólares, para ser mais exato. Quantas pessoas pagariam 100 dólares em uma tomada?

Uma pequena parcela da população poderia, sobretudo se estiverem reformando suas casas. Mas e se o fio embutido ou a roldana interna quebraram? Quanto custa e que tipo de trabalho dá para consertar isso?

Por essas e outras essa é uma daquelas invenções quase perfeitas. A gente olha a foto e pensa que é genial, mas na ponta do lápis a realidade é diferente.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O clipe mais legal que eu já vi

Publiquei isso faz um tempão no Update or Die. É um dos clipes mais legais que já vi, embora não saiba dizer exatamente de quem é ou quem fez. Mesmo assim, só pela simples existência dele, achei que valia o repost.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Storytelling e Mídias Sociais - entrevista no Midiatismo

O Midiatismo, blog sobre comunicação e marketing digital editado pelo Dennis Altermann, está fazendo uma série de entrevistas com pessoas do mercado e eu fui um dos entrevistados em setembro. Agora que já deu um tempinho estou republicando as perguntas e respostas aqui.



Crossmedia e Storytelling são conceito recentes, pelo menos do ponto de vista teórico. Você acredita que a internet tem papel importante na difusão destes conceitos?

Embora haja muita discussão e confusão em torno desses conceitos todos, acho melhor pontuar que crossmedia e transmedia são consideradas coisas diferentes.

De uma forma geral, crossmedia é quando você leva uma mesma mensagem para diversas mídias. Por exemplo, uma partida de futebol que é transmitida na TV e na internet. A versão online pode até ter interações que não estão disponíveis na outra transmissão, mas a mensagem continua sendo a mesma.

Já transmedia é quando você leva trechos diferentes e complementares de uma mensagem para diversas mídias. Seguindo o exemplo anterior a partida de futebol seria transmitida pela TV, e na internet seria possível outros pedaços daquele acontecimento, como uma câmera que mostra o que acontece no banco de reserva, depoimentos dos jogadores antes da partida, a festa dos torcedores do outro lado do mundo etc.

Storytelling, ou contar histórias, é reorganizar fatos para torná-los mais significantes. Histórias possuem um formato comum, que, na essência, é composto de (pelo menos) um personagem superando desafios para alcançar um objetivo. Nós fazemos isso intuitivamente a toda hora, e escritores e roteiristas têm feito isso há milhares de anos para capturar a atenção do público, levando conhecimento e inspiração.

Transmedia Storytelling é quando você usa o racicínio de levar trechos diferentes e complementares de uma história para diversas mídias. Não é exatamente uma novidade, já que o universo de Star Wars tem sido desdobrado e explorado em diversas mídias desde a década de 70, mas só agora isso está sendo encarado como uma estratégia, e a internet tem tudo a ver com isso sim.

bruno scartozzoni Mídias Sociais, StoryTelling e Crossmedia. Entrevista com Bruno Scartozzoni.
Com o surgimento da internet houve uma explosão de canais e de produção de informação no mundo. Por exemplo, em apenas 60 segundos são produzidas mais de meio milhão de interações no Facebook. É impossível acompanhar tudo isso. O excesso de informação leva à escassez de atenção, bem cada vez mais valioso para as empresas. O resgate do storytelling e a ascensão da transmídia são formas das marcas resolverem esse problema. Uma boa história é capaz de capturar a atenção, e uma estratégia transmedia bem arquitetada pode mantê-la, independente de para onde o público esteja olhando.

Qual relação você vê entre crossmedia, storytelling e mídias sociais?

As empresas estão tendo dificuldade para entrarem nas mídias sociais porque a dinâmica de broadcasting, ou transmissão, deu lugar à dinâmica de conversa, e a idéia de conversar com uma organização é estranha. Você pode conversar com a recepcionista, o analista de mídias sociais ou o presidente de uma empresa, mas não com A empresa em si, que no fundo é só uma abstração.

Se quem está falando é um dos problemas, o ouro é o que está sendo falado. Indo direto ao ponto, ninguém quer conversar com uma pessoa que não tenha nada de interessante a dizer.

Nesse sentido o resgate do storytelling acontece por uma necessidade tanto de humanizar a comunicação, quanto de torná-la mais intrinsecamente interessante.

Você acha que usando a internet pequenas e médias empresas também podem se apropriar do storytelling?

Essa é uma pergunta bastante recorrente, uma vez que a maioria dos grandes cases foram construídos por empresas multinacionais com verbas proporcionais aos seus tamanhos. Um exemplo foi a campanha Happiness Factory, onde a Coca-Cola construiu um universo ficcional para explicar, de forma lúdica, o que acontecia dentro de uma vending machine. Podia ser o novo filme da Pixar, mas era publicidade.

Nesse caso a Coca-Cola optou por criar ficção, mas se quisesse trabalhar com suas histórias reais certamente também teria um material bastante rico. Mas isso nem sempre é uma realidade para marcas de grandes empresas, muitas das quais foram criadas sem um propósito claro, conseqüência de cálculos de marketing. E aí vejo uma grande oportunidade para pequenas empresas.

Todo empreendedor é uma história ambulante, ainda mais no Brasil. Lembre-se da estrutura básica: um personagem vencendo desafios para alcançar um objetivo. Se essas histórias reais forem contadas de uma maneira legítima, privilegiando pontos de vista pessoais, e não institucionais, a história é capaz de encantar.

Se alguém pensou no Steve Jobs, pensou certo. Aliás, na minha opinião, aquele vídeo dele discursando em uma formatura, que circulou bastante um tempo atrás, é a melhor propaganda da história da Apple. Impossível não simpatizar com a empresa depois de assistir.

O crescimento do mobile marketing dentro do país vai se apropriar do storytelling e crossmedia? Em que nível você acredita que vai chegar essa apropriação?

Há algum tempo atrás alguns gurus diziam que as telinhas dos gadgets (smartphones, tablets etc.) iriam matar a telona da TV. Isso obviamente não aconteceu, e o mais interessante é que as pessoas começaram a usar essas tecnologias todas de uma maneira meio simbiótica.

Para entender isso proponho um desafio: no próximo evento de grande magnitude (final de Copa, último capítulo de novela, cerimônia do Oscar etc.) experimente assistir TV com um gadget qualquer no colo, espiando o Twitter de vez em quando. Caso você nunca tenha feito isso garanto que será uma experiência completamente nova de assistir TV.
Nesse sentido eu acho que as telinhas serão cada vez mais complementares às mídias já existentes, mas há um longo caminho de experimentações até chegarmos à formatos interessantes para empresas e pessoas.

Outro ponto é que também aprenderemos a criar histórias especialmente para esses gadgets. Histórias certamente mais curtas, adaptadas ao meio. Algumas séries americanas já têm experimentado lançar spin-offs especialmente para as telinhas, com uma linguagem toda própria. Assistir um episódio de seriado de TV, com 40 minutos de duração, em uma tela de celular, pode não fazer muito sentido. Mas assistir um episódio de poucos minutos, filmado para isso (com mais closes e menos detalhes), talvez seja mais comum daqui para frente.

Qual sua aposta para o futuro do marketing digital no Brasil?

Na minha opinião um grande indicativo de como será a comunicação, digital ou não, daqui pra frente é o case Eduardo e Mônica, da Vivo. Eles foram muito felizes pois aquilo é a materialização de muitas das tendências que são apontadas por aí, mas que ninguém consegue fazer direito.

Eduardo e Mônica é conteúdo puro, pois muito antes de ser uma campanha é um clipe de música. Mas não e só um conteúdo bancado pela Vivo, o que já seria legal. Eles deram um jeito de colocar seu produto de uma forma muito natural na história. O uso dos telefones no clipe torna tudo mais crível. E, por fim, há um componente de serviço aí, uma vez que a empresa proporcionou a materialização de um clipe que não existia para uma enorme base de fãs da banda e da música. Não me surpreenderia se de repente essa “propaganda” entrasse para a programação da MTV, e esse deve ser o raciocínio.

Espaço livre. Quer deixar alguma mensagem para os leitores do Midiatismo?

Ali em cima falei de serviço, e essa é uma expressão da moda nas empresas. Não vamos esquecer que essa palavra está totalmente relacionada com SERVIR. Reflitam sobre isso.

No mais, agradeço ao Dennis pelo espaço e aos leitores pelo tempo investido nessa entrevista. Espero, de coração, que tenha sido interessante o suficiente para chegarem até aqui e, mais importante, que tenha servido para suas vidas.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

App de Carros 2 para iPad extrapola a realidade


Nessa altura do campeonato esse vídeo já não é novidade para muita gente, mas pensando na audiência rotativa da internet, e também na minha vontade de comentá-lo, vamos lá.

Para quem ainda não viu, trata-se de um jogo para iPad que também é um brinquedo, ou vice-versa. Em posse de um carrinho real (leia-se, físico), feito especialmente para o jogo, é possível passear com ele pelos cenários da tela, inclusive interagindo com seus elementos. Veja o vídeo.



Comentários:

1) Fiquei procurando um nome para isso e não encontrei. Realidade Aumentada? Encaixa conceitualmente, mas já é utilizado para outra coisa. Realidade Expandida? Realidade extrapolada? Melhor.

2) Quero deixar registrado aqui para os meus netos, se um dia existirem, que viver em uma época em que coisas novas são inventadas todos os dias é simplesmente do caralho, e a dificuldade em definir essas coisas é apenas um interessante efeito colateral.


3) A primeira vez na vida que joguei um videogame de corrida, mais precisamente Enduro (para Atari), um amigo me atentou para o fato de que não era o carro que ia para frente, mas sim a pista que ia para trás. Claro, o carro está fixo na tela, mas na hora foi uma grande descoberta. Nesse app de "realidade extrapolada" isso não mudou.

4) Fico imaginando as infinitas possibilidades para brinquedos que usem essa tecnologia. Por exemplo, quando criança eu adorava criar histórias cinematográficas para os meus bonecos do Comandos em Ação. Os bonecos eram reais, mas os cenários ficavam na minha cabeça. Assim, a ponta de um armário se transformava em um penhasco, um filtro de água se transformava em uma usina nuclear e por aí vai. Com uma tecnologia dessas eu poderia ter o cenário que quisesse, e ainda fazer os bonecos interagirem com ele.

5) Assim como hoje em dia as empresas de videogame lucram não só na venda do jogo, mas também em conteúdo extra, está aí uma possibilidade de novos ganhos para a indústria de brinquedo. Vende o boneco/boneca/carrinho, e depois continua vendendo cenários, itens etc.

6) Também dá para imaginar mecânicas promocionais utilizando isso, não dá? :)

7) E por falar em imaginação, a falta dela é justamente o efeito colateral dessa brincadeira. Aliás, os tablets já estão sendo bastante criticados por causa disso, como escrevi aqui.

vi primeiro no Update or Die

Update: Acabei de encontrar outro aplicativo que mistura tecnologia e brinquedos "analógicos". Dessa vez com Lego. Veja aqui.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Como a Disney poderia (deveria) ser

Roy Disney, sobrinho de Walt Disney, faleceu em 2009 e deixou como herança uma visão bastante peculiar e interessante sobre a empresa de seu tio.

Ele lutava para que a empresa buscasse a excelência criativa antes do lucro. Chegou inclusive a fazer críticas abertas (e bastante duras) em relação ao rumo que a empresa estava tomando.

Sua visão sobre como deveria ser a hierarquia da empresa, totalmente voltada para a criação de histórias, você vê logo abaixo. Obviamente ele perdeu a briga e hoje a Disney é uma empresa como outra qualquer, piramidal, cheia de VPs disso e VPs daquilo.



E, como ele mesmo previu, a Disney perdeu sua magia há algum tempo. Não fosse pela Pixar não teria produzido mais nada culturalmente relevante nos últimos 10 anos. E por falar em Pixar...

...é especialmente interessante retomar essa notícia à luz do falecimento de Steve Jobs, que tinha a habilidade de fazer com que suas empresas, sobretudo Apple e Pixar, funcionassem orientadas para fazer real diferença na vida das pessoas, e não orientada para a egotrip e bullshitagem corporativa que usualmente vemos por aí.

Bem capaz que Roy Disney tivesse a visão e o potencial para ser um executivo tipo Steve Jobs, mas infelizmente o que tenho visto por aí são essas pessoas perdendo as batalhas dentro das empresas.

via Fast Company

Postado no Update or Die em 22 de dezembro de 2009. Original aqui. Essa versão foi modificada.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Gamification: o que é e como utilizar?

No último TalkShow que participei como apresentador tive o prazer de conversar com Vince Vader, professor da ESPM e editor do blog Game Analyticz, e Cacau Guarnieri, sócio da RadiumSystems, basicamente dois dos maiores especialistas em games do Brasil. Sem dúvida foi um dos melhores programas que fiz. Uma verdadeira aula sobre gamification em forma de uma conversa divertida e coloquial. Se eu fosse você dava play já.


Video streaming by Ustream

E para quem ficou órfão do TalkShow, tenho uma boa notícia. Ele está voltando, com um formato um pouco diferente, outro nome e agora em outra casa. Mas como ainda vai demorar um pouco, enquanto isso vou republicando aqui as melhores entrevistas. Divirtam-se.

PS: Já havia publicado outro post com material do Vince Vader, aqui.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ultra Seven salva o planeta e ajuda a entender nossa relação com o imaginário

Não é incrível ver tanta energia e mobilização em torno de um personagem ficcional? Se você ainda não sabe do que eu estou falando dê play no vídeo abaixo e assista a esse espetáculo feito em homenagem ao Ultra Seven. Eu nunca assisti a série mas fiquei arrepiado mesmo assim.



Toda vez que vejo esse tipo de manifestação fico me perguntando o que leva um grupo de pessoas a celebrarem algo que é completamente imaginário. Tudo bem que estamos falando do Japão, uma cultura que nem sempre o Ocidente consegue compreender, mas no fundo o que assistimos nesse vídeo não é muito diferente de zombie walks ou das famosas convenções dos fãs de Star Trek.

O fato é que com bastante frequência a sociedade humana utiliza histórias ficcionais para significar suas vidas. Depois de Matrix (o primeiro filme) muitas pessoas passaram a entender e brincar com conceitos da filosofia que até então eram restritos à determinados meios. Outro exemplo é a série 24 horas, que além de roteiros bem escritos tinha embutida na história uma reflexão sobre esse tempo fragmentado e maluco no qual vivemos, onde em apenas um dia vive-se vários.


Por essa ótica fica mais fácil entender esses momentos de catarse, quando investimos tempo e energia em torno de uma história ou um personagem. No fundo esse fenômeno é bastante semelhante com os rituais que criamos para reverenciar nossos Deuses, não é? Aliás, as vezes tenho a sensação de que falta pouco, muito pouco, para passarmos a ter fé em determinados personagens ficcionais. Eu quase acreditei no Ultra Seven aí do vídeo.

(mas está cada vez mais difícil acreditar em propaganda)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A monografia que deu origem à Storytellers


Tenho recebido diversos e-mails de estudantes de todo o Brasil com interesse em fazer trabalhos acadêmicos voltados para storytelling e transmídia, e até tenho feito um tipo de co-orientação (por e-mail mesmo) com algumas dessas pessoas.

Nesse tempo também fui descobrindo algumas monografias, dissertações e teses que tratam desses temas, e por isso estou abrindo um espaço aqui no blog para divulgar esses trabalhos.

O primeiro deles é do meu amigo, ex-sócio e atual companheiro de aulas e projetos, Fernando Palacios. Essa monografia, no fundo, foi uma das bases para a criação da Storytellers, primeiro escritório brasileiro voltado à criação de histórias ficcionais para empresas.

Confesso que não a li inteira, mas aqui há conceitos que foram bastante importantes no início da minha jornada. Aproveitem.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quando o produto está sobrando na história

Não gosto muito de criticar publicamente o trabalho dos outros. Primeiro porque eu mesmo já fiz muita coisa passível de crítica e sei o quanto dói. Segundo porque sei que, dentro de um processo de criação e aprovação de uma campanha, a culpa de um resultado ruim pode ser de qualquer uma das partes, inclusive de partes que não estão diretamente envolvidas no processo.

Mas, as vezes, dissecar um trabalho ressaltando os pontos negativos pode ser didaticamente importante, por isso trouxe aqui essa campanha do Space Cross, dica do Efrain Corleto no grupo do Facebook, um exemplo de campanha que tenta usar storytelling mas cujo tiro sai pela culatra.



Sejamos sinceros: Almap + João Gordo + Saci Pererê. Está aí uma campanha que tinha todos os elementos para dar certo (pelo menos para um determinado público). Não estive envolvido nesse processo, mas posso imaginar o cliente pedindo um projeto que envolvesse storytelling, ou então a agência levando uma proposta assim.

ATENÇÃO, A PARTIR DAQUI QUALQUER SEMELHANÇA
COM A REALIDADE É MERA COINCIDÊNCIA

Aí a criação constrói um roteiro legal e vai apresentar. O analista de marketing aprova. O gerente acha bacana, mas pede uma mudança pequena ali. Depois vem o diretor e pede para inverter aquela parte, e no fim o VP de marketing avisa que pelos guidelines da marca um ser fantástico, como o Saci Pererê, nunca poderia estar dirigindo um carro da empresa.

Volta pra criação, que constrói uma alternativa não tão boa, mas ainda assim bacana, e o projeto corre lá dentro, passando por todos os pontos da via sacra do departamento de marketing. Dessa vez até o vp aprova, mas quando a campanha está quase indo pro ar algum poderoso de outro área resolve meter o dedo, por causa de uma velha rixa com o marketing, e diz que um carro da empresa nunca poderia perseguir um ser fantástico, e muito menos o Saci, que não possui os mesmos valores familiares da empresa.

Agora a criação não aguenta mais o projeto. Cada nova reunião é igual à uma sessão de tortura chinesa. Cada idéia no brainstorming é como uma gota de água caindo na cabeça do redator. Chega dessa merda, pensa o diretor de arte, que tem um monte de jobs no follow. E aí a agência finalmente se rende ao sistema e faz algo que passe desapercebido pelos entraves do processo e, infelizmente, pelo público também. De repente a idéia de usar o Saci e a inserção do produto se descolam, e o carro vira uma mera figuração em uma história que deveria ser cool, mas que no final virou um relato sem muita emoção. A conexão está na assinatura, mas isso é para inglês ver, ou melhor, para o vp de marketing ver, porque o público em si, esse vai achar, no máximo, bonitinho. E ordinário.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Curso da ESPM - Aula inaugural será aberta


Amanhã, 5 de outubro, se inicia uma nova turma do curso de Inovação em Storytelling: do branded content à transmídia, na ESPM São Paulo. O curso vai até 31 de outubro e as aulas são às segundas e quartas, das 19h30 às 22h30. Mas se você já lê esse blog ou me acompanha nas redes sociais isso não deveria ser uma novidade.

As novidades mesmo ficam por conta de dois pontos:

1) A aula inaugural, amanhã, será aberta para o público. Estão convidados os alunos da turma anterior, alunos de outros cursos da ESPM e interessados em geral que queiram dar uma espiada no que estamos fazendo por lá. Essa será uma aula introdutória um pouco diferente, com uma parte teórica e um mini workshop no final. Venham, é só aparecer.

2) Nessa edição eu e a Martha Terenzzo teremos a companhia de um terceiro professor, o meu amigo de longa data, ex-sócio e parceiro de muitos projetos, Fernando Palacios, que já fez 2 edições de um curso de férias bastante semelhante, também na ESPM, e agora vem somar. Ou seja, essa edição será amadurecida por nossas experiências de cursos anteriores e o foco será menos em teoria e mais nos "how-to´s" do storytelling.

Aliás, aproveito para dizer que a proposta de extrapolar o curso para a internet, que iniciamos na edição passada, continua de pé. Os posts complementares às aulas continuam sendo identificados aqui com #CURSO no título, e algumas coisas serão compartilhadas no grupo do Facebook.

Ah, e caso você ainda não tenha feito sua inscrição, corra que dá tempo. É só clicar nesse link.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Fim, meio e começo

Toda história tem começo meio e fim, mas cada trecho não necessariamente precisa estar na ordem cronológica. Os flashbacks estão aí para provar isso, mas também é possível contar uma história usando o efeito rewind (pelo menos em vídeo).

Aqui embaixo selecionei duas histórias que usam esse recurso com maestria. A primeira delas é o trailer do jogo de videogame Dead Island, que tem a temática zumbi. Quando assisti isso, há alguns meses, confesso que quase chorei. E olha que é só um trailer. E olha que é só um trailer de um jogo.



Já o curta abaixo, dica do meu ex-aluno 3ernardo, que postou no grupo do Facebook, é um filme no sentido literal. Outra obra-prima que usa esse recurso de forma magistral.


one step forward (award winning 48 hour film project) from ben crowell on Vimeo.