sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Espeto Potter e a linguiça filosofal

Essa foto é um belo exemplo de como uma história ficcional pode ser poderosa, a ponto de transbordar de um livro infantil para o comércio popular. Aliás, antes disso, também transbordou da literatura para o cinema, da Inglaterra para o Brasil e da língua inglesa para a língua portuguesa. E ainda por cima está cheio de gente que diz que a ficção morreu.

Na outra ponta vemos o vendedor de espetinhos usando uma história para contextualizar seu produto commoditizado. Ele obviamente não pagou para licenciar o personagem, mas todos os dias nos deparamos com marcas que pagaram caro por isso e mesmo assim têm medo de ativar esse licenciamento de forma que faça diferença.

Enfim, GÊNIO!


veio daqui, dica da @marianarrpp

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Contos do Futuro



Esse é o trailer de This Too Shall Pass, novo lançamento da Moving Tales, uma empresa especializada em criar apps de iPhone, iPod e iPad que no fundo são contos infantis que misturam texto, imagem, som e animação.

Pelo que li nas descrição também há uma opção para que a pessoa grave sua própria narração. Um belo recurso para pais que fazem questão de contar a história, mas sem precisar repetí-la toda vez que a criança quiser ouvir. Ou então para pode servir para que os próprios usuários façam a tradução (originalmente está disponível em inglês, francês e espanhol).

Esse tipo de tecnologia como meio para contar histórias ainda está muito no começo e sempre dá para ir além. Daqui algum tempo é bem capaz que olhemos esse tipo de produto como algo rudimentar, afinal, ainda há muito espaço para interação. Mesmo assim, já é bem legal ver a direção em que as histórias estão tomando.

Esse assunto, aliás, foi objeto de um dos primeiros posts desse blog. Essa é a hora de revisitá-lo.

dica da Tatiana Baruel lá no grupo de Storytelling & Transmedia do Facebook

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Minha palestra online no Papos na Rede


Na última quarta-feira participei do Papos na Rede, onde fiz uma palestra online sobre Storytelling e Transmídia e depois respondi perguntas dos ouvintes.

Para quem não pôde ouvir ao vivo, coloquei aqui embaixo a gravação do áudio e os slides da palestra, nessa ordem. A dica é dar play para escutar, e ir avançando na apresentação conforme o andamento.

Nesse outro link você encontra um resumão, em bullet points, dos principais pontos.

Detalhe que eu nunca tinha feito isso via streaming, sem poder ver a platéia na minha frente, e por isso estava meio sem jeito no começo. :)




Para quem preferir baixar o mp3, é só clicar aqui e fazer o download.

E lembrando que hoje tem uma conversa com a Pri Muniz, que vai falar sobre Estratégias de Conteúdo no Facebook. Para mais informações acesse o site do Papos na Rede.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Doc Brown, garoto propaganda com contexto

Ontem postei aqui um case bem interessante de uma rede de lojas argentina que usou o Doc Brown, personagem de De Volta para o Futuro, colocando sua marca no contexto do universo ficcional do filme.

Depois resolvi fuçar um pouco mais e acabei encontrando essa campanha, que usa um recurso bastante parecido para vender a edição limitada daquele famoso tênis que o Marty McFly usa no segundo filme da série, que não por acaso é um product placement muito bem feito da Nike.



Completando o raciocínio do post anterior, outra coisa que será cada vez mais comum, na minha opinião, são histórias criando produtos que posteriormente serão fabricados e comercializados, como edições limitadas ou não.

essa eu achei no Ônibus Azul

Update: o Rafael Ziggy já tinha feito um post completo sobre o lançamento do tênis

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

De Volta Para o Futuro na Argentina - quando a campanha pega carona no filme


Campanhas que usam celebridades para testemunharem a favor de uma marca não é exatamente novidade. As que usam personagens de histórias para fazerem o mesmo já é bem mais raro, mas não impossível (de cabeça não lembro de nenhuma, mas tenho certeza que já vi por aí).

Mas o interessante mesmo é ver o surgimento de campanhas que literalmente pegam carona em uma história, se aproveitando não só da celebridade e do personagem, mas de todo o contexto que um filme pode emprestar à uma marca.

A rede de lojas argentina Garbarino deu um ótimo exemplo de como fazer isso, levando sua marca diretamente para um episódio da saga De Volta para o Futuro. Em outras palavras, eles trouxeram o próprio Doc Brown para atuar no vídeo que você vê aí embaixo.



E depois ainda aconteceu uma coletiva de imprensa onde o ator encarna o personagem, misturando ficção e realidade. Para falar bem a verdade não sei se esse é mais um filme da campanha, uma filmagem de uma coletiva real, ou as duas coisas ao mesmo tempo. E essa é a graça da brincadeira.



O próximo passo, na minha opinião, seria integrar as coisas de forma que as campanhas se tornassem canônicas dentro do universo do filme. Em outras palavras, seria bacana ver uma campanha dessas "oficializada" pelos criadores da história.

Dentro de uma lógica transmídia, em algum fillme, quadrinho ou videogame do De Volta para o Futuro o próprio Doc Brown podia fazer referência a uma vez que esteve em 2011, na Argentina, e foi parar dentro de uma loja Garbarino.

Para ficar bem feito esse episódio teria que ser essencial para o andamento da história. Por exemplo: dentro da loja ele acharia algum produto necessário para montar uma geringonça que moveria a aventura adiante.

Não acho nada impossível que em breve algumas histórias comecem a ser pensadas desde o início para terem esse tipo de intersecção com marcas, que por sua vez irão ajudar a financiar os produtos de entretenimento.

O que vocês acham?

vi a campanha no B9

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Storytelling e Transmídia no Papos na Rede


Amanhã, quarta-feira às 21h00, participo do #paposnarede para falar sobre Storytelling e Transmídia.

Para quem não conhece, o #paposnarede é um chat semanal onde convidados falam sobre temas ligados à tecnologia, redes sociais e comunicação. Na prática vou fazer uma apresentação via streaming e depois conversarei com os presentes na sala.

Por motivos técnicos as vagas são limitadas (50 pessoas). Para participar basta enviar e-mail para contato@paposnarede.com.br mencionando no assunto o tema do programa.

Aqui você pode ver a agenda dos chats para as próximas semanas.


E, por fim, agradeço o convide da @marciaceschini, que organiza o programa.

Vejo vocês lá!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

De onde vêm as boas idéias?



Eu sei que essa palestra do Steven Johnson já circulou bastante em outros blogs, mas quando a Lívia Cunha me enviou a versão traduzida eu achei que valia publicar aqui acrescentando um ou dois comentários.

Para mim, um dos momentos mais legais no dia a dia de agência são os brainstorms, mas conheço gente que, por não gostar muito do contato com os outros humanos, prefira fazer o "selfstorm", uma versão #foreveralone do ato de criar idéias em grupo.

A idéia do "selfstorm" está basicamente em dialogar consigo mesmo. Uma parte de você joga uma idéia qualquer na mesa, a outra diz que a idéia é ruim e que nunca daria certo, mas que dá para aproveitá-la e, modificando um pouco aqui e ali, chega-se em algo minimamente consistente.

Isso não funciona muito bem comigo por dois motivos. Primeiro que o meu filtro de bom senso é baixo. Para o bem e para o mal sou o tipo de pessoa que costuma apostar nas idéias mais absurdas, enxergando ali o embrião de algo interessante. Em outras palavras, minha outra parte dificilmente fala não.

O segundo motivo é que no meu processo de criação é essencial a presença daquele que, de repente, interrompe tudo e faz aquele comentário sobre um assunto que não tem nada a ver com a discussão. É justamente aí que dá o click, porque juntando o que já foi falado com esse novo e estranho elemento muitas vezes surge uma terceira idéia inusitada.


O vídeo explica como funciona esse processo, mas se você quiser entendê-lo de uma forma mais divertida, ou seja, por meio de uma história, recomendo assistir alguns episódios de House. O médico sempre tem um problema cabeludo para resolver e a solução, depois de muito debatida, com frequência surge a partir de um input totalmente desconexo do assunto em questão.

Me falta a genialidade do personagem, mas na essência é mais ou menos assim que acontece comigo (e, segundo o vídeo, com todo mundo).

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Minicontos



Faz tempo que não vejo por aí um concurso de minicontos no Twitter. Há algum tempo atrás, não muito, isso era febre. Todos queriam ser escritores de 140 caracteres.

Sinceramente acho que ainda estamos longe desse tipo de conto ganhar status de "arte de primeira classe", e antes que me questionem sobre o pedantismo dessa expressão, quero dizer que vai demorar para esse tipo de narrativa ser relevante para um público mais amplo.

Mas fora o oba oba e as experimentações, o que está por trás dessas tentativas todas é a procura por formatos de histórias que se encaixem melhor com a fragmentação do cotidiano das pessoas. Em outras palavras, está cada vez mais difícil ler um livro de 100 páginas ou ver um filme de 2 horas.

Não é a toa que os seriados de 20 ou 40 minutos fazem tanto sucesso. Além do tempo menor não é preciso se situar em um novo universo a cada experiência. Por um lado o espectador se aprofunda na história, mas por outro deixa de conhecer novos mundos.

Enfim o que me motivou mesmo a fazer esse post foi essa oficina de minicontos em formato de apresentação, produzida pelo Rafael Reinehr, que conheci na CIRS2. Vale uma olhada com atenção.

Oficina de minicontos

View more presentations from Rafael Reinehr

E para fechar o post com chave de ouro, vou republicar alguns minicontos para Twitter que submeti para um desses concursos que não existem mais. Não ganhei, mas gostei da experiência:

O Som das Ruas
Ia pelas ruas com o iPod no máximo. Não escutava o próprio pum e, achando que era silencioso, passou a soltar sem freios. A tecnologia fede.

Thom Yorke wannabe
Bebeu e dançou como se não houvesse amanhã durante toda a madrugada. Caiu morto na pista antes do sol nascer.

Causa e consequência
Ainda crianças eram obcecados por consertar coisas. Um virou médico, o outro mecânico.

Sopa
Menino de rua passava fome. Um di perdu a pacincia e comcou a cmr a ltrs...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Grande Gatsby versão 8 bit

Adoro essas adaptações de tudo quanto é coisa para a linguagem 8 bit, e a explicação provavelmente está no fato de que eu vivi essa época com muito intensidade. Nostálgico sim, e com muito orgulho.

Nesse sentido o que achei de mais interessante nos últimos tempos foram adaptações literárias para a linguagem 8 bit. Escolha um livro clássico e transforme um game de Nintendinho, assim mesmo.

O vídeo abaixo é um clipe do jogo do Grande Gatsby. O jogo em si está nesse link. Haja imaginação! E pensar que naquela época as adaptações (por exemplo, do cinema para o game) eram exatamente assim, beirando o surrealismo. Na época era pura diversão, agora é uma linguagem artística.

Impossível não pensar no #TalkShow sobre tradução intersemiótica (adaptação de uma obra de um meio para o outro) que gravei com o Ernesto Diniz. Se você se interessa pelo assunto, ouça já!

 

via Open Culture

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Marvel não faz quadrinhos, mas sim personagens

Pessoas ligadas à indústria de quadrinhos dizem que há 1 ou 2 décadas o negócio das grandes editoras deixou de ser a venda de gibis. Essa parte, aliás, parece que muitas vezes dá prejuízo. Com os consumidores modificando seus hábitos de leitura as tiragens estão cada vez menores, sendo que o esforço para criar histórias de qualidade continua o mesmo.

Nesse modelo os gibis acabam funcionando mais como um espaço para incubar novos personagens e capturar a atenção de um público fiel e formador de opinião. O pulo do gato está em transformar esses personagens e fenômenos culturais de massa, licenciando-os para cadernos, lancheiras, camisetas, brinquedos, videogames, filmes etc. Em outras palavras: o segredo está na multiplicação.

O boletim semanal da Marvel de 17 de agosto, cuja imagem você vê aí embaixo, deixa isso muito claro. Dos 3 principais destaques nenhum deles tem a ver com revistas em quadrinhos. A manchete diz respeito ao Marvel vs Capcom 3, jogo de videogame. Os outros dois falam do filme dos Vingadores e de uma versão em audio da primeira história do Demolidor, um personagem que é cego (idéia genial, né?).


O curioso é notar que esse raciocínio está cada vez mais presente em outras empresas que criam personagens e universos, mas que não são editoras de quadrinhos. Por exemplo, a Rovio, criadora de Angry Birds, afirmou recentemente que não é uma empresa de games, mas sim de franquias de entretenimento.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Sem conflito não existe história!


Quando falo sobre a importância do conflito no desenrolar de uma história a reação das pessoas geralmente é uma careta de "Hein? Conflito? Do que esse cara está falando?".

Conflito é uma palavra que choca pois geralmente á associada a briga, guerra, vias de fato etc., coisas que são proibidas por todas as cartilhas de marketing e bons modos, seja para assuntos profissionais e pessoais, respectivamente. Muita calma nessa hora, afinal, conflito não necessariamente está relacionado com essas coisas.

Resolvi fazer esse post para explicar o que raios é esse tal de conflito e por qual motivo ele é tão essencial para quem quer contar uma história, real ou fictícia. Aliás, fiz questão de repetir a frase que dá título ao post várias vezes logo na primeira aula do curso de Inovação em Storytelling da ESPM-SP. E depois pedi para que os alunos também repetissem em voz alta. Não sei se esse é um recurso pedagógico válido, mas eu queria muito fixar o conceito. Agora em outubro começa uma nova edição do curso e já aviso que farei a mesma coisa. :)

Então vamos lá...na essência, a estrutura básica de qualquer história, seja uma novela, um livro, uma HQ ou um videogame, sempre passa por um personagem (pelo menos um) superando obstáculos para conseguir seu objetivo.

O conflito está na diferença entre a expectativa do personagem e a realidade. A garota quer conquistar o moço, mas ele não a vê como uma namorada. O super-herói quer derrotar o vilão e salvar o mundo, mas seus poderes são inferiores. O cara só quer viver uma vida normal, mas antes precisa resolver pensamentos do passado que o assombram. A partir daí as histórias se desenrolam.

O trabalho do autor é justamente impor mais e mais dificuldades para que o personagem se supere e, depois de muito esforço, conquiste seu objetivo. Ou não.

Já para o leitor, espectador ou jogador (dependendo da mídia) o conflito funciona como o motor da história, prendendo sua atenção a cada novo desafio (e agora, o que vai acontecer?) e também servindo como um poderoso mecanismo de aprendizado, já que as histórias nos ensinam a lidar com muitos problemas da vida.

Outro dia um amigo publicitário me contava sobre uma campanha que "utilizava storytelling". Se tratava de uma personagem que fazia vídeos falando de situações para promover a marca. Então eu perguntei qual era o objetivo daquela personagem nessa série de vídeos. O que ela queria da vida? Qual desafio precisava vencer? Ele não soube responder, ou seja, faltava o conflito e, portanto...

...vamos lá gente, repitam comigo: SEM CONFLITO NÃO EXISTE HISTÓRIA.

imagem daqui, dica do @pauloperes