sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O som é a nova imagem

Postado originalmente no Update or Die em 10 de dezembro de 2009


Reflexão atualizada 1: qualquer exercício de futurismo resulta em um potencial fracasso, mas pode valer a pena pelo processo de fazer pensar.


Reflexão atualizada 2: há tempos quero fazer uma história em formato de rádio-novela, algo me diz que é um tesouro esquecido.





Desde sempre, ou pelo menos desde quando me considero um ser alfabetizado, jornais e revistas são os meus melhores amigos para a hora do aperto. Em outras palavras, a imprensa escrita sempre foi minha fiel companheira de trono, do famoso número 2. Mas isso começou a mudar.

Não, não aconteceu do dia para a noite. Certa vez não achei nada de interessante por perto para ler e então lembrei daquele podcast que tive que pausar antes do fim. Pensei que ali seria uma boa oportunidade de continuar escutando-o. A partir daí comecei a substituir gradualmente o papel pelo iPod. Antes que alguém faça uma má interpretação, continuo me limpado com papel higiênico. O que mudou foi a mídia que uso para me distrair nessas horas.

Esse singelo momento abriu minha cabeça para algo que está relacionado ao tema e vem ocorrendo nesses tempos modernos: o crescimento do som em detrimento da imagem.

Oras bolas, quando nasci, em 1980, a TV reinava absoluta em nossas vidas. Depois, com o tempo, lembro de ter presenciado a radicalização do ditado “uma imagem vale por mil palavras”. Sempre que podiam substituir a palavra escrita por uma foto, ilustração ou gráfico, faziam. Essa era a fronteira do futuro, pensavam. Mas estávamos todos enganados.

Uma das vantagens de ter quase 30 anos é que, mais ou menos nessa idade, a gente começa a perceber que o mundo funciona de forma cíclica. Quando você acha que alguma coisa está consolidada é porque falta pouco para mudar tudo de novo. E é assim a relação dos seres humanos com som e imagem.

Não peguei o tempo onde as famílias se reuniam em volta do rádio, como você já deve ter visto em filmes e novelas de época, e acho que esse fenômeno não vai se repetir tão cedo. A cada dia que passa consumimos mais som, mas quase sempre individualmente. Enquanto a imagem demanda muito de nossa atenção, o som cabe como uma luva em outras atividades do dia a dia: uma caminhada da casa até o trabalho, a hora de lavar louça, a hora do rush no trânsito etc. E daí? O que podemos esperar disso? Abaixo listo alguns palpites:

- o rádio ganhará importância
- videoclipes perderão importância
- a volta das radio-novelas
- o novo jornal de grande expressão será um podcast
 o  novo programa de entrevista de grande expressão será um podcast
- aparelhos domésticos se adaptarão a essa nova realidade (veja o vídeo abaixo, que veio daqui)

 

E quando você achar que esse novo mundo estiver consolidado, lembre-se, a imagem certamente dará o troco!

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