segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O marketing da pirataria só serve para as boas histórias



Está ficando cada vez mais comum artistas comercialmente relevantes que fazem declarações públicas pró-pirataria. Ou melhor, para ser mais politicamente correto, distribuição gratuita de conteúdo. :)

Agora foi Neil Gaiman, autor de alguns dos mais importantes quadrinhos das últimas décadas, que no começo achava ruim ver seus livros sendo copiados por aí (sobretudo na internet), mas começou a ver tudo com outros olhos quando percebeu que as vendas só aumentavam nos lugares onde a pirataria rolava solta.

Para ele a questão não está em deixar de vender algo para alguém que normalmente pagaria pelo produto. É claro que isso ocorre também, mas o "crime compensa" na medida em que a pirataria acaba sendo uma forma de mais pessoas conhecerem o autor, sendo que uma parte delas estará disposta a consumir a obra pelas vias legais. No fundo, Gaiman enxerga a pirataria como uma poderosa ferramenta de divulgação, coisa que Paulo Coelho já percebeu faz tempo.

Mas sempre haverá aqueles que apontam para o fato de que isso só tende a dar certo com quem já tem sucesso e uma boa base estabelecida de fãs, ou seja, massa crítica. Esse raciocínio não está totalmente errado, mas o buraco é mais embaixo.


Essa estratégia de distribuição gratuita só pode dar certo quando o conteúdo é bom e relevante. Em outras palavras, a obra (seja um livro, quadrinhos, filme etc.) precisa despertar aquela sensação de surpresa e maravilhamento quando estiver na mão das pessoas, gerando aquela coceira que só passa quando comentamos sobre isso para alguém, ou seja, quando a experiência é dividida com outros e multiplicada nas redes sociais (online e offline).

Você até pode não gostar dos dois autores citados aqui, Gaiman e Coelho, mas o ponto é que milhões no mundo todo consomem seus livros. E isso tem muito mais a ver com o fato de que suas histórias tocam as pessoas do que sorte, bons agentes e boas campanhas de divulgação (embora isso também conte, é claro).

Em outras palavras, eles não produzem histórias relevantes porque têm sucesso. A relação é inversa. E se estivessem começando agora aposto que em pouco tempo construiriam as mesmas reputação e fortuna. Provavelmente até maiores.

A questão que fica é: suas histórias são boas o suficiente a ponto de tocar as pessoas? Se não forem tenho duas dicas.
1) Não perca tempo tentando contá-las.
2) Se mesmo assim você quiser, trate de colocar o maior número possível de obstáculos entre a história e o público, pois nesse caso pirataria é anti-marketing.

achei o vídeo no Contém Conteúdo
achei o infográfico no Pitoca de Arroz

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O espaço é aberto para críticas, sugestões e até elogios. Só, por favor, não venha com spam.