terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cartas a um jovem Planner

Volta e meia recebo no Linked In e em outras redes mensagens de planners em começo de carreira, saindo ou recém saídos da faculdade, pedindo dicas e indicações de emprego.

Nem sempre posso ajudar, mas geralmente fico lisonjeado com esse tipo de coisa. No mínimo significa que estou fazendo alguma coisa certa na vida né?

Certa vez apareceu na minha caixa um jovem planner que dizia mais ou menos assim:

"Acabei de voltar do exterior, onde fiz o curso XPTO (um curso de grife) e estou procurando emprego. Tem alguma vaga aí na sua agência? Você pode me indicar em outros lugares?"

Abaixo copio a minha resposta (omitindo nomes, é claro), que, no fundo, acho que pode servir como um bom guia para iniciantes nesta profissão. Aliás, para outras profissões também.

Fulano, tudo bom?


Recebi sua mensagem. Na agência que eu trabalho agora infelizmente não há vagas abertas. Mas a primeira dica que eu posso te dar é que, na minha humilde opinião, sua abordagem de "me dá uma ajuda aí" não funciona.


Somos planners e uma das nossas principais funções é entender o ser humano, certo? Então, como um ser humano vê um pedido de ajuda de um desconhecido?


Não me leve a mal. Você me parece ser um cara legal. Investiu na carreira. Foi até o exterior fazer um curso e agora quer achar seu espaço aqui, nada mais justo.


Mas eu não te conheço. Não sei nada de você (até agora), a não ser que é um cara esforçado. Mas isso não é o suficiente para eu te colocar no radar e eventualmente te indicar. Se fosse o contrário você pensaria o mesmo.


Agora, se você tivesse me enviado uma mensagem contando um pouco mais sobre sua visão de mundo e da profissão, propondo uma troca de idéias e experiências, ou seja, me dando alguma coisa original, aí quem sabe minha reação poderia ser diferente. E se eu tivesse uma vaga podia ter ficado interessado por você.


Cara, a partir daqui você pode ter duas opiniões.


1) Me achar um escroto esnobe que não está a fim de ajudar e passar a me ignorar.


2) Entender que se eu não estivesse a fim de ajudar eu nem teria escrito uma resposta desse tamanho. Teria feito nada ou, na pior das hipóteses, te enchido de esperança falando que seu CV estava guardado aqui quando, no fundo, não estaria.


Abraço,

Só recebi um "Obrigado" e nunca mais soube dessa pessoa.

8 comentários:

  1. Por mais isolado que tenha sido esse caso, o exemplo vale para entender que o erro do nosso amigo aí é exatamente o mesmo cometido pela maioria das empresas, que não sabem contar suas histórias. Se houvesse a intenção de envolver, antes de expor a necessidade, talvez tivesse mais sorte. Mas aí não seria mais questão de sorte, mas sim de competência, né?
    Abraço! Excelente o blog!

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  2. Muito boooom... o mais dificil ele ja tinha conseguido, chamar sua atencao!

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  3. Luciano, você pegou EXATAMENTE o ponto. :)

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  4. Carolina, discordo. O mais difícil não é chamar a atenção (isso ele conseguiu e bastou enviar uma mensagem). O mais difícil é manter a atenção. :)

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  5. Não sou de comentar em blogs, mas acho que aqui vale dividir a experiência: faz um ano que cheguei em SP, e passei pela mesma situação "socorro! preciso de ajuda!", mas diferente do nosso amigo, escrevi para alguns professores que me deram aula em um curso de planejamento, e contei toda minha caminhada até aqui (foi um momento de muita cara de pau). Eu pedia algumas dicas sobre o mercado, como me inserir, etc. Para minha alegria, a maioria deles me respondeu calorosamente, assim como você Bruno, que dedicou seu tempo pensando neste "ser planner" que apareceu na sua frente. Se eu pudesse dar uma dica para quem está chegando (e principalmente está sozinho na cidade): não tenha vergonha de se aproximar das pessoas e dos profissionais que você admira. Tem muita gente bacana por aí! Mas poxa, se você realmente quer fazer parte desse mercado, ao menos estude a empresa para qual você quer trabalhar, e conheça o trabalho daqueles que estarão ao seu lado! Siga no twitter, acompanhe os blog, participe dos eventos, aos pouquinhos todos encontrarão seu lugar :)

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  6. Tayara, ótimas dicas!

    É por aí. No fundo todo mundo quer se ajudar, mas se você quer a atenção de alguém tem que dar a sua em troca. É um princípio simples. :)

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