segunda-feira, 25 de julho de 2011

Write the Future, o gol da Nike

Sempre quis escrever sobre Write the Future, o filme bombástico que a Nike fez para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Na época esse blog não estava ativo e depois o assunto ficou datado, aí fui postergando por achar que o assunto não teria relevância. Ledo engano.

Queria discuti-lo na última edição do Curso de Inovação em Storytelling e acabei reassistindo algumas vezes. Recentemente, sem muita surpresa, o filme ganhou Grand Prix em Cannes, e depois a Fast Company fez uma matéria bem legal sobre isso. Como diz o Seth Godin, se é importante hoje será importante amanhã.



Mas então, o que existe nesse filme além da presença de grandes estrelas do futebol mundial, da trilha sonora bem escolhida e da produção impecável? Muita coisa.

Write the Future não é só campanha, mas uma história. Na verdade, várias. Um curta metragem multi plot com 3 minutos de duração mostrando pequenas passagens na vida de cada personagem. Ajuda muito esses personagens serem figuras públicas, pois aí não é preciso desenvolvê-los para que pareçam verossímeis. Ao mesmo tempo que, apesar dos personagens serem pessoas reais, essas histórias lidam com a ficção, dando uma enorme liberdade criativa para que a Nike conte o que e como quiser.

Todas essas histórias têm como tema central algo que está presente na vida de todos nós: a tênue linha entre o sucesso e o fracasso. Aquele momento que pode definir tudo e que nos dá aquela sensação de "se tivesse acontecido de outro jeito minha vida agora seria totalmente diferente". Antes de qualquer outro elemento, é isso que torna o filme tão impactante. Por quê?

Estamos falando de uma campanha da Nike, uma das maiores marcas do mundo, estrelando astros do futebol cujos contratos são milionários. O mais óbvio seria criar algo que os colocasse na posição de heróis incontestáveis, mestres da bola, deuses do futebol. Esse é o clichê da categoria, mas aí não seria uma história.

O(s) protagonista(s) de uma história precisa(m) gerar empatia com o público. Você, que está vendo o filme, só vai enxergar o mundo através dos olhos de um personagem se ele tiver algo em comum com você, ou seja, se você sentir que ele também é feito de carne e osso, que ele também pode fracassar.

Não é à toa que todo herói quase falha antes de triunfar, e quase sempre esse é um momento crucial para aquele fôlego final, aquela energia extra, que dará condições para que ele vença as forças do mal. Discussões religiosas à parte, Jesus também quase falha, é crucificado, morre, e depois ressucita. Em termos de história essa passagem coloca o filho de Deus muito próximo dos reles mortais.

E por falar em Jesus, Rooney, o craque inglês, aparece rapidamente em uma das cenas sendo crucificado. Depois ele quebra um espelho com raiva, e na cena seguinte está vivendo em péssimas condições em um trailer. Alguém com um pensamento ortodoxo de comunicação certamente seria contra colocar uma estrela desse grau, um patrimônio da Nike, em cena tão depreciativa. Mas quando você pensa em história, e não em campanha, faz todo sentido.

Pensando assim, embora duvide que tenha sido com esse propósito, também faz todo sentido a presença de Ronaldinho Gaúcho no filme, uma estrela em queda vertiginosa que nem para a Copa foi. Ironicamente ele é o fracasso em carne e osso. Boas histórias tem disso, criam significados organicamente, indo para muito além das intenções iniciais.


E, por fim, também não posso deixar de citar a sequência final do Cristiano Ronaldo, que mostra bem as intersecções entre o sucesso no mundo do futebol e a cultura pop. Ele como personagem dos Simpsons e depois do cinema, representando por Gael García Bernal, é uma metáfora perfeita para explicar como o futebol é uma grande plataforma de histórias. E a Nike sabe disso como ninguém.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Aplicando storytelling em apresentações

Ótima apresentação do Joni Galvão, um dos criadores da SOAP, sobre como fazer uma apresentação contando uma história. Bem didática e básica para quem está começando a se interessar por isso.

Se você estiver sem tempo pule logo para o minuto 29, quando ele dá o resumo. É claro que você não vai virar um escritor, mas dá para ter uma boa noção do processo.

E no final eu faria uma correção, ao invés de Apresentação: a vida sem as partes chatas, trocaria logo "apresentação" por "história". :)



via @DriSallesGomes e Update or Die

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Uma versão realista do Superman

Os quadrinhos abaixo, que especulam sobre o que realmente aconteceria se o Superman existisse nos dias de hoje, é uma aula de storytelling pois permite ilustrar dois pontos importantes:

1) O único motivo para o Superman continuar combatendo o crime, sua verdadeira paixão, é a existência de super vilões. Sem super vilões não há conflito, pelo menos não do jeito que conhecemos, e aí o conflito passa a ser existencial: "afinal, qual a razão da minha existência mesmo?". Isso diz muito sobre marcas que tentam agradar a todos, sem uma visão de mundo e um objetivo muito claros - sobra crise existencial e falta ação.

2) Muitas vezes a ficção é mais interessante do que a realidade. Não adianta uma empresa querer contar sua própria história se ela não for inspiradora e tiver algo a oferecer ao mundo. Assim como nos quadrinhos abaixo, se estiver faltando conflito é melhor criar um fictício do que não ter nenhum.

Boa diversão com a história! :)
via SMBC
dica do @tarrask

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sumiço

Ando meio sumido, mas é por uma boa causa. Ando cheio de novidades. Logo mais passo aqui para contar. Aguardem.