terça-feira, 3 de maio de 2011

#CURSO - A primeira aula ninguém esquece


27 de abril de 2011. Talvez a idéia seja brega, eu sei, mas acho importante registrar aqui as percepções e os sentimentos em relação à minha primeira aula. Como professor.

Tinha escrito em outro post por aqui que antes disso já havia tido a oportunidade de fazer palestras, workshops e até participar como professor convidado de outros cursos. Sem contar as inúmeras situações em que a vida te obriga a falar em público.

Aliás, desde pequenos passamos por pequenas provações que nos colocam em choque com essa entidade chamada "o público". Escrever algo no quadro negro. Apresentar um trabalho. Encenar uma peça. E por aí vai.

Antigamente as crianças saiam sozinhas na mata e traziam o jantar. Na sociedade moderna uma das formas de provar que você virou gente grande é justamente enfrentar o público, dar a cara para bater, expor suas idéias e ficar esperando um tomate. Ou um aplauso.

Pessoas reagem a esse desafio de formas diferentes. Nunca fui O mais tímido da classe, mas estava bem mais longe do outro espectro, ou seja, de ser O mais extrovertido. No final eu até que me saía bem, mas confesso que nunca foi um processo fácil.

O ponto é que dar aula é diferente de tudo. Diferente até mesmo de uma palestra ou algo que o valha. Palestras são pontuais, e se você falar besteira terá perdido apenas uma ou duas horas da vida de alguém. Mas dar aula, de verdade, em um curso estruturado, dentro de uma instituição de ensino respeitável, é outra coisa. É que nem jogador que sai de time pequeno direto para time grande.

Primeiro, a camisa pesa. E muito. Ainda mais no primeiro jogo. Uma gaguejada aqui e outra acolá é inevitável. Dar rewind mental para reiniciar um raciocínio também. Mas engraçado mesmo são aqueles momentos que você se pega pensando: "O que eu estou fazendo aqui? Quem são essas pessoas olhando pra mim?".  Mas aí o tempo vai correndo, você vai entendendo seu papel e essa sensação passa.

Segundo, se você chegou lá deve ser porque adquiriu conhecimento o suficiente para passar aquilo pra frente. E educar é diferente de opinar. Educar é coisa séria. Ainda mais em um país em que ninguém se preocupa muito com isso.

Trabalho no mercado publicitário há uns 6 anos, mais do que o suficiente para sacar que ninguém está interessado em saber o que e aonde você cursou. Se perguntaram 5 vezes pra mim em todo esse tempo é muito. Menos de uma vez por ano. Não sou do tipo que acha que a faculdade faz o aluno, mas ignorar completamente esse vetor é um absurdo.

Terceiro, dar aula implica em conhecer o máximo que você puder sobre o que você se propõe. Não tudo, porque tudo é impossível. Ainda não tive a oportunidade de responder um "não sei, mas posso pesquisar" em aula, mas anotem aí: isso vai acontecer. E tudo bem.

Mas o interessante é que montar aula implica em revisitar tudo o que você sabia, nem que seja para confirmar que estava certo. Só que no meio do caminho, é claro, acabamos descobrindo um monte de coisas. Vícios da prática as vezes distorcem as coisas e ofuscam caminhos nunca antes percorridos. Quanta coisa eu não sabia, e acabei aprendendo por causa da responsabilidade de ensinar!

Quarto, sem perceber o afeto pela classe vai chegando de fininho e de repente já tomou conta de tudo. É comum ver coisas e ter pensamentos durante o dia, fora da classe, e tudo que você quer é que a próxima aula chegue logo para dividir isso. As vezes o pouco tempo te obriga a cortar, e como isso dói.

Quinto, vivemos em uma época em que, felizmente, há meios de extrapolar a aula para fora das quatro paredes, deixando tudo bem mais interessante do que na época em que eu era aluno. Tem muita gente estudando isso e ninguém descobriu a fórmula ainda, mas eu tento contribuir experimentando. É possível que muita coisa dê errado, mas já fico feliz pelas que derem certo.

Enfim, a Martha vive me dizendo que se eu pegar gosto pela coisa será que nem um vício. Ainda está cedo para chegar nesse ponto, mas que já deu um barato deu!

Muito obrigado a todos que embarcaram nessa aventura comigo. Ainda não sei qual é o destino, mas prometo uma viagem prazerosa.

a imagem vem daqui

4 comentários:

  1. Bruno, que bacana você compartilhar o momento dessa "primeira vez"..rs.

    Me sinto muitas vezes como vc, mas no meu caso a gaguejada aqui e acolá, mesmo que inevitável, já me fez recusar alguns convites. Quem sabe isso passa!

    Boa sorte na sua nova "empreitada" e sucesso. =)

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  2. Bruno, vc já está addicted...rsrsrs
    Parabéns pela estréia, muito bom partilhar desse momento com você. Martha Terenzzo

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