quarta-feira, 18 de maio de 2011

#CURSO - Gamification e Game Design

Está aí uma bela apresentação do Vince Vader sobre gamification e game design, dois assuntos que estão na pauta de 10 entre 10 pessoas que trabalha com comunicação.

Durante o curso tangencio de leve esse assunto pois games são uma forma moderna de contar histórias. Todos os games contam histórias? Não. Tetris, por exemplo, obviamente não conta. Mario Bros sim, no começo da série de uma forma bem rudimentar, e nos jogos mais novos com roteiros mais complexos.

Conforme a indústria dos videogames evolui também evoluem as histórias que os jogos contam. Nos Estados Unidos games já são considerados arte e o orçamento de produção de algumas dessas obras já ultrapassam os custos (e lucros) de muitos filmes de Hollywood.

Isso significa que a partir de agora todas as histórias serão games? Não. Mas significa que temos muito a aprender com elas.

terça-feira, 17 de maio de 2011

#CURSO - Os mitos e o mundo corporativo

Publico aqui um vídeo que passei durante a aula e não posso deixar de compartilhar com vocês também.

O simpático Devdutt Pattanaik dá uma palestra sobre a influência dos mitos na cultura de negócios no oriente e no ocidente. Mais especificamente na Índia e nos Estados Unidos.

É uma bela ponte que usei para amarrar o primeiro trecho do curso, bastante teórico, com o segundo trecho, mais voltado à comunicação e marcas.



E logo depois perguntei para a classe em qual das realidades o Brasil se encaixava melhor. A maioria das pessoas achava que nossa cultura não estava nem lá nem cá, alguma coisa entre Índia e Estados Unidos. E aí alguém apontou que o nosso herói mitológico era o Gérson.

Faz sentido...faz sentido...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Casamento Real versus Conto de Fadas

Você acha que isso é uma baita coincidência? Se sim, leia esse post que publiquei algum tempo atrás.


a montagem vem daqui e foi compartilhada no Google Reader pela @marianarrpp e a @gabrielahesz

quarta-feira, 11 de maio de 2011

#CURSO - Referências sobre memes e memética


Falei bastante sobre a ligação entre histórias e memes na última aula.

Segundo a Wikipedia em português, um meme é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Os memes podem ser idéias ou partes de idéias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autônoma.

História são memes, ou conjuntos de memes, e por isso também se multiplicam e sofrem mutações. Como diz o ditado, "quem conta um conto aumenta um ponto". Isso explica o motivo das histórias irem se modificando ao longo do tempo, um processo que é mais fácil de entender entre os contadores de história orais, mas que também acontece em outros meios. É só reparar quantas vezes certas histórias são contadas e recontadas no cinema, quase nunca exatamente da forma anterior.

Prometi para a classe algumas referências sobre esse assunto, e por isso publico aqui dois vídeos do TED que por um lado são bem didáticos, e por outro bem provocativos também. Divirtam-se.

UPDATE 1: Um leitor do blog deixou ali nos comentários uma ótima dica de reportagem sobre memes e memética, feita pela Revista Superinteressante em 2003. Vale a leitura.


UPDATE 2: Recebi do próprio Gustavo Leal Toledo, um dos pouquíssimos brasileiros que estudam memética academicamente, um link com seu artigo para o portal Ciência & Vida e uma coluna para a rádio CBN onde o assunto é esmiuçado.



segunda-feira, 9 de maio de 2011

#CURSO - Referências sobre Campbell e a Jornada do Herói

A Jornada do Herói pode ser entendida de várias formas, dependendo do ponto de vista. Alguns a enxergam como a fórmula definitiva e absoluta para se contar uma boa história. Já outros entendem que se trata de mais uma fórmula picareta que está contribuindo para o fim da criatividade na arte do storytelling.


Nem um, nem outro. A Jornada do Herói foi sintetizada por Joseph Campbell, que estudou mitologias em diversas sociedades e concluiu que, independente da época e da localização, todos os mitos seguiam uma determinada estrutura narrativa. Posteriormente essa fórmula foi descoberta por Hollywood e daí saíram vários filmes que seguiam essa estrutura, alguns bons e outros ruins.

O importante é entender que essa estrutura narrativa comum aos mitos é essencialmente muito parecida com qualquer estrutura de história dos dias de hoje, seja literatura, teatro, cinema, quadrinhos ou videogame. Enxugando todos os detalhes e especificidades, sobra mais ou menos isso: um personagem enfrentando obstáculos para alcançar seu objetivo.

Em outras palavras, há milhares de anos a estrutura das histórias é basicamente a mesma. Algo que carregamos dentro de nós e que nos parece natural, como se o cérebro humano já fosse adaptado para pensar nesse formato (e é mesmo, mas isso fica para outro post).

Na primeira aula falei bastante sobre esse assunto e a verdade é que o tema merecia um curso inteiro. Por outro lado, como ninguém vai falar melhor disso do que o próprio Joseph Campbell, aconselho fortemente que assistam O Poder do Mito, uma longa entrevista dividida em 6 partes em que o mitologista conta tudo o que sabe. A transcrição também está disponível em livro.



Outra referência legal é o podcast Papo na Estante, que fez uma edição só sobre a Jornada do Herói tendo Eduardo Spohr, autor de A Batalha do Apocalipse, como convidado. Ele é professor de um curso sobre isso no Rio de Janeiro e entende bastante do assunto.

Para quem quiser ir mais no detalhe, esse PDF do site Roteiro de Cinema é um bom guia do passo a passo dessa estrutura.

E, por último, é legal também navegar pelo canal da Joseph Campbell Foundation no YouTube, onde há uma série de vídeos curtos explicando vários tipos de mitos.

sábado, 7 de maio de 2011

Guest Post: "COMO EU COMPREENDI O MEDO NUCLEAR NA CULTURA POP JAPONESA"


Já faz praticamente dois meses que aconteceu o fatídico terremoto no Japão e os subsequentes desastres nucleares. Na época discutia com o meu amigo Arthur a relação disso com a curiosa (para não dizer estranha) cultura pop daquele país e o convidei para escrever sobre isso aqui no Caldinas.

Ele até que foi rápido, eu que acabei enrolando demais para fazer o post. Quem sabe, algum tempo depois, o distanciamento do choque inicial até melhore a leitura do texto. Vale a pena.

Por Artur Chagas, Psicólogo, Professor e Pesquisador da gamecultura e das sociabilidades digitais.
twitter: @Artur_Chagas

Devo confessar que catástrofes naturais não me sensibilizam muito, seja o tsunami na Indonésia, em 2004, ou o recente terremoto no Japão. Me comove mais a queda de um tirano, marca da força de uma ou mais nações articuladas, não da força da natureza. Já o perigo de contaminação nuclear é diferente, tem cheiro de desastre natural, mas também de investimentos políticos temerários.

Ao assistir na última semana, imagens da população correndo para longe da central nuclear, no Japão, imediatamente me lembrei de antigas séries de tevê, como Spectreman, Changeman, além de filmes como Godzilla e o clássico da minha pré adolescência, Akira (o mangá e o anime, não o cineasta). Em comum, todos traziam usinas nucleares em seus cenários, muitas vezes na iminência da destruição por monstros inexplicáveis. Também tinham em comum a constante presença de cientistas que, sem grandes exceções, ou eram especialistas em biogenética, ou em fontes de energia.

Comecei a lembrar de cenas bem gravadas na minha memória, de japoneses correndo aos montes quando um monstro provocava tremores de terra, ou quando robôs gigantes colidiam com laboratórios científicos. Eu não compreendia bem o significado daquilo, a repetição de certos medos ou potenciais catástrofes, por mais improváveis que parecessem. O que seria isso? Tentativa de criar uma ficção pop sobre a paranóia nuclear, para o mercado norte americano? Sempre me pareceu muito distante da galhofa norte americana, representada por bandas de rock como o Nuclear Assault, ou personagens como o Toxic Avenger.

Eu estranhava que uma nação sem envolvimento declarado com a Guerra Fria expressasse, em sua cultura pop, tantas facetas do medo de desastres nucleares. Eu desconhecia, até agora, a relação direta entre tais desastres e tremores de terra. Todos nós crescemos ouvindo histórias das construções anti terremoto, com amortecedores em baixo do solo. Mas até a minha geração, ao menos, poucos de nós escutaram atentamente às histórias contadas pela cultura pop nipônica, que insinuavam medos velados; tremores de terra causados por forças superiores e inatingíveis (como monstros dezenas de vezes maiores que qualquer construção) que assustavam cientistas e punham a população em desespero.

Não é novidade que os desenhos rupestres preservem ensinamentos transmitidos às primeiras gerações de nossos antepassados, e que o ato de contar histórias mobilize em nós, catarses, elaboração de lutos, elevação da auto estima, alusões a situações de superação ou de dificuldades grupais, etc, etc, etc. Capitalizada nas formas de bem de consumo e bem de serviço, a abertura criativa que origina sempre novos simbolismos e narrativas em cada cultura, hoje orienta nossas escolhas éticas, políticas e também de consumo. Em todos os casos, joga-se sempre com os medos, desejos e ambições que permeiam grupos sociais os mais diversos.

Para além do terremoto e do perigo nuclear, uma grande tragédia para o povo japonês neste momento é a presentificação daquilo que jazia nas sombras. Poder elaborar um impasse, ou um medo, de forma criativa, pela expressão artística, pode ter ajudado muita gente a se preparar para este momento, em que tudo de mais aterrorizante emerge das profundezas a largas passadas, tal qual o Godzilla. Agora, mais uma vez, eles encontrarão na disciplina e no senso de compromisso, as bases para mais um período de reconstrução, mas desta vez, tendo custado tudo o que está custando, creio que compreenderemos melhor a alma de nossos semelhantes.

terça-feira, 3 de maio de 2011

#CURSO - A primeira aula ninguém esquece


27 de abril de 2011. Talvez a idéia seja brega, eu sei, mas acho importante registrar aqui as percepções e os sentimentos em relação à minha primeira aula. Como professor.

Tinha escrito em outro post por aqui que antes disso já havia tido a oportunidade de fazer palestras, workshops e até participar como professor convidado de outros cursos. Sem contar as inúmeras situações em que a vida te obriga a falar em público.

Aliás, desde pequenos passamos por pequenas provações que nos colocam em choque com essa entidade chamada "o público". Escrever algo no quadro negro. Apresentar um trabalho. Encenar uma peça. E por aí vai.

Antigamente as crianças saiam sozinhas na mata e traziam o jantar. Na sociedade moderna uma das formas de provar que você virou gente grande é justamente enfrentar o público, dar a cara para bater, expor suas idéias e ficar esperando um tomate. Ou um aplauso.

Pessoas reagem a esse desafio de formas diferentes. Nunca fui O mais tímido da classe, mas estava bem mais longe do outro espectro, ou seja, de ser O mais extrovertido. No final eu até que me saía bem, mas confesso que nunca foi um processo fácil.

O ponto é que dar aula é diferente de tudo. Diferente até mesmo de uma palestra ou algo que o valha. Palestras são pontuais, e se você falar besteira terá perdido apenas uma ou duas horas da vida de alguém. Mas dar aula, de verdade, em um curso estruturado, dentro de uma instituição de ensino respeitável, é outra coisa. É que nem jogador que sai de time pequeno direto para time grande.

Primeiro, a camisa pesa. E muito. Ainda mais no primeiro jogo. Uma gaguejada aqui e outra acolá é inevitável. Dar rewind mental para reiniciar um raciocínio também. Mas engraçado mesmo são aqueles momentos que você se pega pensando: "O que eu estou fazendo aqui? Quem são essas pessoas olhando pra mim?".  Mas aí o tempo vai correndo, você vai entendendo seu papel e essa sensação passa.

Segundo, se você chegou lá deve ser porque adquiriu conhecimento o suficiente para passar aquilo pra frente. E educar é diferente de opinar. Educar é coisa séria. Ainda mais em um país em que ninguém se preocupa muito com isso.

Trabalho no mercado publicitário há uns 6 anos, mais do que o suficiente para sacar que ninguém está interessado em saber o que e aonde você cursou. Se perguntaram 5 vezes pra mim em todo esse tempo é muito. Menos de uma vez por ano. Não sou do tipo que acha que a faculdade faz o aluno, mas ignorar completamente esse vetor é um absurdo.

Terceiro, dar aula implica em conhecer o máximo que você puder sobre o que você se propõe. Não tudo, porque tudo é impossível. Ainda não tive a oportunidade de responder um "não sei, mas posso pesquisar" em aula, mas anotem aí: isso vai acontecer. E tudo bem.

Mas o interessante é que montar aula implica em revisitar tudo o que você sabia, nem que seja para confirmar que estava certo. Só que no meio do caminho, é claro, acabamos descobrindo um monte de coisas. Vícios da prática as vezes distorcem as coisas e ofuscam caminhos nunca antes percorridos. Quanta coisa eu não sabia, e acabei aprendendo por causa da responsabilidade de ensinar!

Quarto, sem perceber o afeto pela classe vai chegando de fininho e de repente já tomou conta de tudo. É comum ver coisas e ter pensamentos durante o dia, fora da classe, e tudo que você quer é que a próxima aula chegue logo para dividir isso. As vezes o pouco tempo te obriga a cortar, e como isso dói.

Quinto, vivemos em uma época em que, felizmente, há meios de extrapolar a aula para fora das quatro paredes, deixando tudo bem mais interessante do que na época em que eu era aluno. Tem muita gente estudando isso e ninguém descobriu a fórmula ainda, mas eu tento contribuir experimentando. É possível que muita coisa dê errado, mas já fico feliz pelas que derem certo.

Enfim, a Martha vive me dizendo que se eu pegar gosto pela coisa será que nem um vício. Ainda está cedo para chegar nesse ponto, mas que já deu um barato deu!

Muito obrigado a todos que embarcaram nessa aventura comigo. Ainda não sei qual é o destino, mas prometo uma viagem prazerosa.

a imagem vem daqui

#CURSO - Show, don´t tell


Na semana passada escrevi um post sobre a intenção de complementar o curso Inovação em Storytelling usando esse espaço, e ao mesmo tempo abriria uma parte do conteúdo para quem não está na sala de aula.

A partir de agora tudo que estiver diretamente ligado ao curso será identificado como #CURSO ali no título do post. É claro que eventualmente surgirão coisas por aqui que não serão identificadas assim mas que podem interessar do mesmo jeito.

Se você ainda não sacou como funciona, vou usar uma metáfora. Imagina que você tem um DVD de um filme em mãos. O filme é o curso que eu dou na ESPM. Os extras do DVD são as coisas que postarei aqui. O que vai determinar o quanto cada um explora é a fome de aprender.

O filme é restrito para quem está na sala de aula, mas os extras estão aqui de graça, podendo ser consumidos, debatidos e questionados a qualquer momento. E o mais curioso é que ambos vão sendo construídos ao mesmo tempo. Como se o making of fosse em tempo real e, dependendo dos pitacos da platéia, pudesse alterar a obra principal.

Aliás, essa dinâmica em si já ajuda a entender o que é transmídia. Mas como esse será o assunto da aula 4, e ainda estamos na 1, paro por aqui.