sexta-feira, 29 de abril de 2011

Kate & William, o real e o imaginário



Se você teve uma infância no lado ocidental do mundo deve ter ouvido inúmeras histórias sobre reis, rainhas e príncipes. Seus pais te contavam no berço, para que você finalmente dormisse. Mais tarde sua professora do jardim de infância contou outras tantas em círculos, tentando acalmar a criançada. E já um pouco mais velho você começou a assistir (e eventualmente ler) histórias desse tipo no cinema e na TV.

Questões sócio-políticas à parte, por que, em pleno 2011, ainda ficamos tão encantados com casamentos reais? O que isso simboliza? Qual o significado dessas histórias (reais ou não) em nossas vidas?

O Hélio Schwartsman (melhor colunista da Folha de São Paulo) escreveu um artigo bem interessante sobre isso, do ponto de vista da psicologia humana. Em resumo ele diz que, conforme a sociedade humana foi se expandindo, em algum momento se fez necessária a figura de um governante, alguém que pusesse ordem na casa. Daí provavelmente surge a figura do rei.

Mas o rei não é só como um líder moderno, alguém que foi levado até o poder por (EM TESE) ser acima da média e ter a possibilidade de promover o bem comum. O rei é mais especial que isso. O rei foi escolhido por Deus para sentar no trono. O rei, e toda sua família, possuem um sangue diferente do nosso. Em outras palavras, eles são superiores tanto espiritual quanto fisicamente, e isso justifica tudo.

Isso te lembrou alguma coisa? O arquétipo do herói sempre esteve presente em mitos criados pelas sociedades humanas e sua função social é servir como um norte, um farol, um guia para nossas ações. Em um momento de dificuldade as pessoas logo pensam "o que (insira o seu herói preferido aqui) faria?".

Reis, e suas famílias reais, foram muito competentes em se apropriar desse arquétipo ao longo do tempo. Prova disso é que em 2011, com pouquíssimas monarquias no mundo, parte delas meramente figurativa, nosso imaginário continua sendo povoado por suas histórias. Aliás, ouso dizer que a monarquia inglesa só continua onde está por causa delas.

Mesmo sem nenhum poder há algum tempo, gastando dinheiro do contribuinte e com provas científicas de que o sangue deles é igual ao do resto da população, ainda assim os ingleses parecem muito confortáveis com a idéia de mantê-los lá. "Sabe essas histórias sobre reis que você sempre ouviu? Aqui na Inglaterra nós temos um de verdade, morra de inveja".

Alie a isso outra estrutura narrativa que povoa o imaginário humano há tempos: o príncipe e a plebéia. O conto moral da ascensão social pelo amor, ou mais especificamente, pelo casamento. Nesse conto um personagem desfavorecido pela vida dá a volta por cima ao ter seu valor reconhecido por alguém superior, que acaba tornando-o um igual.

Não que Kate seja uma desfavorecida, longe disso, mas pelo que captei por aí sua família não tem título de nobreza. É uma boa história para a coroa inglesa, que sinaliza para o mundo algo do tipo "qualquer um pode se tornar um de nós, mas nos colocando em pé de igualdade provamos que somos nobres". Diga-se de passagem, é uma história levada muito a sério por algumas plebéias. E a Disney sacou isso faz tempo...


(*) Esse post faz parte de um experimento. Escrevi 3 posts sobre o mesmo assunto, mas com pontos de vista diferentes. Simultâneos, e cada um publicado em um blog diferente. Os outros posts foram linkados ao longo desse texto, procure. ;-)

8 comentários:

  1. Sem dúvida meu caro, muitas pessoas se deixam levar por esse tipo de glamourização artificial e se esquecem de que todo mundo é humano e ninguém é mais ou menos importante do que ninguém.
    O mito imortal do Cavaleiro e da Princesa ainda prosseguirá nas psiquês humanas forever (detesto psicologia, mas é verdade).
    Meu amigo Fábio Ochôa escreveu um post sobre Kurt Vonnegut sobre este mesmo tema que acho que irás gostar:
    http://fantasticocenario.com.br/2011/06/15/o-drama-segundo-kurt-vonnegut/#more-2951
    Valeu e até mais.

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