sexta-feira, 25 de março de 2011

O escândalo David Letterman e o chantagista-escritor

Alguém se lembra do episódio em que David Letterman (o "Jô Soares" americano, sem gordura e pretensão em excesso) sofreu chantagem e, em uma jogada polêmica e inesperada, resolveu revelar em cadeia nacional, no seu próprio programa, o argumento do chantagista? Aconteceu no final de 2009. Se ainda não viu o vídeo da confissão, aqui está uma nova oportunidade:



Antes mesmo da confissão pública parece que um suspeito já havia sido indentificado e até preso. Mesmo assim, a estratégia de Letterman era justamente se livrar de novos engraçadinhos que pudessem atormentá-lo e, ao mesmo tempo, proteger outras possíveis vítimas, já que o ameaçavam de revelar seus casos extra-conjugais com mulheres que trabalharam no seu programa.

Detalhes à parte, o que importa para esse post é o fato de que o chantagista prometia revelar todos os detalhes sórdidos por meio de uma peça de teatro! Não uma carta aos jornais, não uma biografia não autorizada, mas uma peça, ou seja, uma história.

Se ele usasse uma dessas táticas convencionais é claro que o apresentador sairia com a imagem bastante chamuscada, mas o fato é que teria um alcance limitado. Depois de um ou dois meses todo mundo estaria focado no próximo escândalo nacional e bola pra frente.

Fazer uma peça significa não só embalar a mensagem em uma narrativa, o que torna tudo muito mais atrativo, como também ter a garantia, desde que a peça saia do papel, de que a mensagem fique no ar por muito mais tempo. Sem contar a possibilidade do roteiro ser adaptado para o cinema, o que aumenta exponencialmente o fator "merda no ventilador", e os trocados que o autor pode ganhar com tudo isso.

Então agora você já sabe. Se for chantagear alguém, prometa transformar os fatos reais em uma história bem contada. ;-)

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