quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Tese sobre formatos narrativos para dispositivos móveis

Esse é mais um post da série de trabalhos acadêmicos sobre storytelling, transmídia e assuntos correlatos.

Logo abaixo você encontra a tese de Edvaldo Acir, que foi, junto comigo, um dos palestrantes da sessão de transmídia do Circuito 4x1 edição de São Paulo.


O tema, Formatos Narrativos para Dispositivos Móveis, é bastante pertinente pois joga uma luz em uma questão que é pouco explorada por aqueles que falam sobre transmídia. O ponto é que em uma narrativa transmidiátiva cada história deve explorar o melhor que cada mídia tem a oferecer.

Um exemplo: literatura costuma ser melhor para trabalhar com questões psicológicas, já o cinema funciona melhor com ação. Há exceções, é claro, mas geralmente são proezas dos mestres de cada arte.

Os dispositivos móveis como meios para se contar histórias são tão novos que não há uma prática consolidada. Em outras palavras, ainda estamos descobrindo que tipo de linguagem funciona melhor com telas pequenas e audiências individuais. Com a chegada dos smartphones e tablets ainda dá para inserir dois novos fatores que podem mudar completamente a dinâmica: interatividade e conexão com a internet.

Por essas e outras, qualquer estudo nesse sentido significa um pouco de luz em um dos maiores desafios para os contadores de história do futuro...quer dizer, do presente mesmo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Histórias são sempre sobre pessoas, e não sobre marcas

A Pantene da Tailândia criou esse belíssimo comercial contando a história de uma menina surda que sonha em tocar violino. Assim como a série de curtas da LG de Portugal que comentei recentemente, esse é mais um caso onde os envolvidos entenderam que histórias são sempre sobre pessoas, e não sobre marcas.



Esse formato essencial das histórias, contendo personagem, conflito e transformação, funciona como uma ferramenta de transmissão de conhecimento. Resumindo, a gente se identifica com alguém passando por um perrengue ou desafio, e dali tiramos conclusões sobre como devemos agir em situações similares. Não é a toa que antes de dar o primeiro beijo todos nós fatalmente temos contato com histórias sobre essa temática. Assim temos alguma noção do que fazer e como sentir quando chega a hora H.

Uma história bem contada leva entretenimento e conhecimento para as pessoas, e aquelas que nos pegam de jeito costumam estar relacionadas aos desafios mais profundos de nossa existência, como é o caso desse exemplo.

Concluindo, muitas empresas tentam fazer storytelling contando os fatos desde sua fundação, ou então criando histórias insossas como mera desculpa para aparecer o produto, sem entregar nada às pessoas. Aí, sinto muito, não tem como funcionar.

Aliás, hoje mesmo o Tiago Dória publicou um post bem interessante que tem relação com isso: gostamos de compartilhar sentimentos e não fatos. Leiam.

recebi esse vídeo da Michelle Furuta, que foi minha aluna em Curitiba

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Tudo o que você precisa saber sobre Product Placement

Brincadeira!

Tudo, tudo mesmo, só no curso Inovação em Storytelling: do branded content à transmídia, que acontece lá na ESPM. :) E agora em janeiro, atendendo a pedidos de pessoas que moram fora de São Paulo ou que não tem muito tempo, faremos uma versão intensiva!

Mas que esse infográfico é bem completo, é. Achei no Update or Die.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Urbanized, documentário sobre design de cidades

Esse é um post 2 em 1:

1) Desde criança adoro jogos que lidam com o design de cidades / países / civilizações. Para vocês terem uma idéia, as duas séries de videogame que eu mais joguei na vida foram Sim City e Civilization. Por isso fiquei louco quando soube de Urbanized, um documentário sobre...design de cidades! Mas infelizmente ele não está sendo exibido no Brasil e também não consegui encontrá-los por meios "não oficiais".

2) Na semana passada descobri pelo Pristina que é possível alugar o documentário via streaming, e para isso não é necessário baixar um programa nem ser membro de uma plataforma como, por exemplo, a Netflix. Se você tiver interesse basta clicar no botão "Rent Movie" aí embaixo e seguir as instruções. Por 7 dólares dá para ver o filme. Comparando com outras opções é meio salgado, mas essa tecnologia pode valer a pena para conteúdos de interesse de nicho.

PS: Ainda não aluguei, mas assim que tiver tempo livre com certeza o farei.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

LG Portugal conta histórias sobre pessoas, e não sobre tecnologia

Tenho trocado figurinhas com o Francisco Carvalho, aluno de Coimbra que até já me entrevistou para o seu blog, sobre storytelling aqui e acolá, ou seja, no Brasil e em Portugal.

Numa dessas ele me apresentou esses quatro filmes bancados pela LG lusitana, quatro curta-metragens que exploram o lado mais humano da tecnologia. Três deles são de 2010 e parece que geraram um bom burburinho na época, mas eu ainda não os conhecia.

Dá para ver que a empresa está levando a idéia do branded content a sério quando a marca aparece de uma forma bastante sutil e, principalmente, quando as histórias são centradas nos personagens e seus conflitos pessoais.

Aliás, alguns desses personagens são muito pouco óbvios quando pensamos em conteúdo criado para marcas. Entre eles há um mendigo que relembra o passado, um garoto que busca uma fuga do ambiente instável de sua casa e uma imigrante que sofre a solidão típica de quem vai morar em outro lugar. Temas fortes, mas necessários para a criação de histórias igualmente fortes.

Em outras palavras, a LG de Portugal entendeu que na disputa pela atenção das pessoas os concorrentes não são as outras propagandas ou conteúdos de marca, mas sim filmes, seriados, programas de TV, músicas, videogames, chat, namorada ligando, cansaço e por aí vai...







sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

5 motivos para ignorar as tendências


Em contraponto ao novo report de tendências da JWT, faço aqui minha lista de 5 motivos para ignorar as tendências.

Não me levem a mal. Sim, eu estou vestindo a camisa do provocador. E sim, no começo da minha carreira cansei de fazer lindos power points apontando tendências do momento e sugerindo que as marcas fossem nessa direção.

É claro que esse tipo de report pode ser bastante útil para quem trabalha com comunicação de uma forma geral, mas é preciso tomar muito cuidado antes de sair alardeando que há novidade no ar. Aí vão os motivos:



1) Se uma tendência chegou até você em um report para o mundo corporativo, ainda que seja o melhor deles, é bastante provável que isso já seja realidade, e não mais uma tendência. A tendência mesmo está na rua, sendo feita por gente de vanguarda em suas respectivas áreas. "Marriage Optional", um dos itens do report acima, era tendência na época da Simone de Beauvoir. Agora é outra coisa.


2) Sites como o PSFK e o Trendwatching são muito legais, mas hoje em dia todo mundo tem as mesmas referências e, portanto, fará a mesma coisa. Um exemplo? Toy art. Há uns 3 anos essa era a tendência do momento, e aí todas as marcas de repente tinham uma "linguagem meio toy art" em sua comunicação, ainda que a maioria não tivesse nenhuma relação com a síndrome de Peter Pan, comportamento por trás disso.


3) Tendências são passageiras em maior ou menor grau. Um exemplo? A tensão entre razão e fé esteve presente durante toda a história do mundo ocidental, ora pendendo para um lado, ora pendendo para o outro. Agora imagine um report no Renascimento falando que a ciência é a nova onda, e que a religião está fadada ao fracasso. E aí, um tempo depois, surge o estilo Barroco. Com tendências mais efêmeras esse processo é muito mais rápido, durando poucos anos ou meses.


4) A natureza humana é a mesma desde que o homo sapiens sapiens apareceu por aqui. A tecnologia muda, as instituições mudam, a cor do verão muda, mas os sentimentos e os dilemas da vida são exatamente iguais. Marcas com um posicionamento legítimo e verdadeiro trabalham no campo da essência, e não da tendência. No exemplo acima corresponderia a escolher um dos lados independentemente do que estiver na moda, ou fincar bandeira justamente na tensão entre razão e fé.


5) Por trás de todo comportamento vendido para o mercado como "tendência" há um interesse comercial que muitas vezes está desconectado da realidade. Se anos atrás te empurraram uma ação "revolucionária" no Second Life, você sabe do que eu estou falando. Aliás, sempre desconfie de palavras como "revolução".

Update: o @danielchagas me enviou um outro post que também fala sobre isso, e o Martin Haag lembrou desse artigo, que fala do fim das tendências na moda.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Do papel para o digital, e vice-versa


Apesar de não ler praticamente mais nada das séries correntes (aquelas que estão na banca todos os meses) da editora Marvel, tenho acompanhado com atenção o que eles estão fazendo em termos de integração on e offline, assim como o inovador trabalho que tem feito no cinema, nos videogames e por aí vai. A Marvel, mais do que ninguém, entendeu que seu core business é criar personagens e histórias, pouco importa onde. Recentemente escrevi um post que abordava essa questão, aqui.

Agora li outra notícia bem interessante. De forma pioneira eles estão colocando em algumas revistas impressas um código que dará direito a fazer o download da versão digital da mesma revista. No post do io9 tem uma entrevista com um dos executivos da empresa, que conta o insight. Eles perceberam que o fã pode querer ter a revista impressa, na estante de casa, mas, ao mesmo tempo, preferir a versão digital para situações que envolvem mobilidade como, por exemplo, o caminho casa-trabalho-casa, consultórios médicos e viagens.

Parece óbvio, mas por outro lado esse tipo de pensamento exige uma sutileza e uma atenção muito grande por parte de uma empresa. Legal ver que a Marvel está conseguindo. Ah, mas não é só isso. Em breve eles pretendem fazer o caminho inverso, ou seja, você poderá comprar uma edição digital e ganhar um cupom que dá um disconto relevante na versão impressa, com o aplicativo já indicando qual é a loja mais próxima para comprá-la.

Será ainda mais sofisticado quando ambas as edições tiverem extras únicos e complementares, já pensou?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Capas clássicas de HQs em versão animada

Esse tipo de notícia eu costumo colocar mais no Twitter do Caldinas do que aqui.

O ilustrador Kerry Callen deu vida à quatro capas clássicas de quadrinhos inserindo algum tipo de animação. Claro que achei bacana, mas não é só isso que me chamou atenção.

1) Em breve isso poderá ser cada vez mais comum em edições digitais.

2) Reparem na tensão em cada uma dessas capas? Não é a toa que são consideradas clássicas. Impossível não querer ler o que tem dentro.





vi no Blue Bus

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Meu primeiro contato com a AIDS


Queria ter feito esse post ontem, 1º de dezembro, que foi o Dia Mundial de Luta contra a AIDS. Infelizmente não deu tempo, mas como dizem que o que vale é a intenção, vamos lá...

A história que eu vou contar é real. Juro, sem nenhuma virgula de ficção, embora, como se passou há mais de 20 anos, é capaz que minha memória tenha distorcido alguma coisa. De qualquer forma é exatamente assim que eu lembro, e segundo meu psicanalista é isso que mais importa.

Era da metade para a frente da década de 80 e eu devia ter alguma coisa entre 6 e 10 anos, não mais do que isso. Estava no final do pré ou no começo do primário (atualmente ensino fundamental) e a AIDS começava a ficar mais conhecida e "popular" fora dos chamados grupos de risco (gays e viciados).

Foi então que minha mãe me chamou para uma conversa séria na sala. Conversas na sala eram sempre mais sérias do que as que aconteciam no quarto ou na cozinha. E aí ela começou a me contar sobre uma nova doença que havia surgido e que era fatal, e na época era mesmo. AIDS era diferente de gripe ou de catapora. Não tinha remédio, não tinha nada. Pegou, morreu.

O alerta estava dado. Para uma criança com imaginação fértil, como eu sempre fui, esse tipo de notícia gerava pânico. Mas aí minha mãe me acalmou e explicou que não se pegava essa tal de AIDS de qualquer jeito. Não pelo ar, muito menos pela comida. E aí veio o conselho:

"Filho, escuta bem o que eu vou te dizer. Não deixe ninguém encostar no seu bumbum tá? Se encostarem no seu bumbum você pode pegar AIDS. Me ouviu bem?". Obviamente que não fazia muito sentido, naquela época, minha mãe falar de drogas, seringas ou preservativos (nem sei se tinha). E longe de minha mãe ser homofóbica, nunca foi. Acho que ela só queria me livrar de pedófilos mesmo. Pior, pedófilos aidéticos né?

Ah, na época falar "aidético" não era politicamente incorreto ok?

Ufa! Então tá, era só não deixar encostarem na minha bunda. Se livrar da AIDS era mais fácil do que eu imaginava.

No dia seguinte fui para a escola, despreocupado com aquela conversa. Tudo corria bem até a professora pedir para que os alunos fizessem uma fila em frente a sua mesa. Era o momento de dar visto na lição de casa. E vocês sabem como funciona criança nessa idade né? Não sei bem o que aconteceu, mas acho que o coleguinha atrás de mim foi empurrado e, adivinhem, ENCOSTOU NA MINHA BUNDA.

Tudo bem que ambos estávamos de uniforme, mas minha mãe não havia especificado que deveria ser pele com pele ou, pior ainda...vocês já entenderam. Pra mim, daquele jeito, já estava valendo.

FUDEU, PEGUEI AIDS - pensei.

Naquele exato momento comecei a suar de desespero e só conseguia pensar sobre quanto tempo me restava. Um dia? Um mês? Um ano? Como seria essa morte? Lenta e dolorosa? Rápida e tranquila? Minha pele começaria a derreter? Como meus pais reagiriam? Aliás, como é que eu ia contar isso para eles?

Preso nesse looping de pensamentos não consegui prestar atenção em mais nada naquele dia, e eventualmente voltei pra casa. Minha mãe me buscava no colégio de carro, mas eu esperei até chegarmos na sala. E aí comecei a chorar.

"Manhê, tenho uma coisa para te contar. Hoje na escola encostaram na minha bunda!" buááááááááá

É claro que ela me acalmou e explicou que não funcionava bem assim. Era um tipo diferente de encostar na bunda. Não lembro como ela explicou isso, mas sei que eu entendi e fiquei mais tranquilo. :-)

Enfim, curiosamente nunca conheci ninguém próximo que tivesse AIDS, ou que tenha revelado isso, mas essa experiência de ver a morte na minha frente logo na primeira década de vida já foi o suficiente para me deixar bem esperto em relação a isso.

No melhor espírito "utilidade pública" deixo aqui o site do governo brasileiro sobre a doença. É bastante completo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A evolução da tecnologia de storytelling



Belíssimo TEDTalk do contador de histórias Joe Sabia, que mostra como, apesar das histórias serem as mesmas há milhares de anos, os meios para contá-las estão em constante evolução.

O mais curioso é que ele faz a palestra manipulando um tablet, meio em que todo mundo está apostando como responsável pela evolução do storytelling, mas não cita isso. Já até fiz dois posts sobre isso, um mais crítico e outro mais esperançoso. :)

E vale lembrar que a transmídia, como raciocínio de construção de histórias e integração de mídias, também pode ser considerada uma evolução importante.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Storytelling e Transmídia - curso em Curitiba 26 de novembro

Nesse sábado, 26 de novembro, estarei em Curitiba ministrando o curso Storytelling e Transmídia, uma iniciativa desenhada em parceria com a Aldeia Coworking.

Estou muito feliz por poder voltar nessa cidade que eu adoro e (momento curiosidade) onde até já morei, quando tinha 2 anos.

Não fique de bobeira e faça sua INSCRIÇÃO já! :)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ex-Amigos, uma brand story da Pepsi


Essa é a primeira história que publico oficialmente, assim, com a minha assinatura. Confesso que dá frio na barriga, mas um dia tinha que sair.

Ex-Amigos pode ser definido como um conto, mas, além disso, é uma brand story criada com o objetivo de promover a Pepsi, um verdadeiro desafio para quem é apaixonado por Coca-Cola desde cedo. Duvida? Dá uma olhada na foto abaixo, de quando eu era criança.


A idéia para esse conto surgiu no curso de Storytelling e Transmídia que eu ministro na ESPM SP. Propus que a classe criasse uma história a partir da marca Pepsi, e aí eu mesmo acabei pensando em uma, que mais tarde escrevi e transformei nesse ebook. Tudo começa quando dois amigos de longa data se encontram em uma lanchonete, depois de muito tempo que não se viam, e começam a não mais se reconhecerem...

O download é gratuito, basta clicar no botão abaixo e postar o link do livro no Tweet ou Facebook (é tudo automático). Boa leitura!



PS: o conto em si é dedicado ao meu pai, mas quero agradecer especialmente quatro pessoas que foram muito importantes para esse processo.
Maria Clara (mãe só tem uma)
Palacios (parceiro de aventuras)
Martha (mestre Yoda corporativa).

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Zombies, Run! a gamificação da saúde



Esse é o terceiro post sobre zumbis nos últimos dias. Tudo bem que eu me interesso pelo tema, mas juro que é coincidência.

O que não é coincidência é Zombies, Run! ser uma junção de várias tendências em um app que promete ser muito divertido. Vou tentar explicar do jeito mais fácil...

Zombies, Run! trata-se de um aplicativo para celular que cria um contexto de sobrevivência à um apocalipse zumbi como forma de estimular uma prática saudável, a corrida. Mas como?

O jogador encampa o papel de um personagem que precisa coletar itens para manutenção do grupo de sobrevivente. Por meio de geolocalização o aplicativo estabelece um circuito pelo qual o jogador precisa correr, e os itens são coletados conforme ele passa pelos checkpoints. O circuito é narrado via som, como se houvesse uma pessoa da resistência te guiando pelo rádio.

Correu bastante? Queimou calorias? Legal, mas a brincadeira não termina aí. Agora é preciso, com calma, distribuir os recursos coletados pela sua comunidade, e aí entra a parte estratégica do game.

Não bastasse tudo isso o projeto, que promete ser lançado em 2012, foi financiado pelo Kickstarter, ou seja, temos aqui um jogo de zumbi de "gamifica" práticas saudáveis, quebra as barreiras entre o real e o virtual e ainda por cima foi feito com crowdfunding.

Desconfio muito desse tipo de projeto pois acabo achando que prioriza-se a "tendência" ao invés do conteúdo. Ainda assim acredito que, nesse caso, será muito divertido.

 via Nós Geeks

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A zumbificação da publicidade e a nova campanha da FedEx



Outro dia comentei aqui sobre o case do CDC, órgão americano de saúde pública, que lançou uma história em quadrinhos fazendo um paralelo entre zumbis e controle de epidemias.

Zumbis estão tão presentes na cultura pop que a FedEx também embarcou na onda em uma de suas últimas campanhas.

Notem que aqui eles bebem na fonte de uma das situações mais clássicas em histórias de zumbis, quando o grupo de sobreviventes passa pelo dilema entre tentar salvar ou acabar com o sofrimento do companheiro recém infectado.

Por dentro desse clichê quase obrigatório há uma série de verdades humanas. Por exemplo, o embate entre a razão e a emoção.

Aqui nessa cena, felizmente, o entregador da FedEx chega para resolver esse dilema. ;-)

No canal da empresa no YouTube também existe um behind the scenes bastante divertido.

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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Entrevista sobre storytelling para um blog português

No mês passado tive o prazer de dar uma entrevista para o blog português The Good, The Bad & The Queen. Para ser mais preciso um blog de três alunos de Coimbra que se interessam por comunicação e fazem um trabalho bacana como coletores de tendências.

Coincidentemente visitei a cidade a própria universidade no começo desse ano e agora venho mantendo uma conversa bem legal com alguns alunos. Em um passado não muito distante os filhos da elite brasileira iam estudar lá em Coimbra e traziam o que havia de melhor em termos de conhecimento. Agora fico feliz em poder retribuir um pouco.

Logo abaixo republico as perguntas e respostas.

foto que tirei em Coimbra, mais aqui

Como se pode definir storytelling?
A tradução literal de storytelling é narração de histórias. No português brasileiro a palavra "história" serve tanto para "history" quanto "story". Enquanto "history" está ligado à descrição fiel de fatos reais, "story" tem relação com uma estrutura narrativa bem definida que, na essência, é um personagem (pelo menos um) superando desafios em busca de atingir um objectivo, seja ele conquistar um amor, sobreviver a uma situação extrema, quebrar limites próprios, vencer a desconfiança da sociedade, etc.
As histórias ("storys") acompanham a humanidade desde o início dos tempos, funcionando como uma ferramenta eficaz para transmitir informações e explicar coisas complexas. De uma forma mais abstracta, histórias funcionam como uma moldura que contextualiza a informação.

Porquê a associação de storytelling a transmédia? 
Storytelling e transmédia são dois conceitos que respondem a dois dos principais desafios da comunicação hoje em dia: captar e manter a atenção das pessoas. Antigamente bastava veicular um comercial bem feito em um programa com muita audiência e o resultado estava garantido. Hoje em dia os canais estão bem mais fragmentados e há um tsunami de informações a ser produzidas diariamente, sendo impossível que uma pessoa acompanhe tudo.
Nesse cenário as pessoas estão a ter cada vez menos contacto com campanhas publicitárias, mas o interesse por produtos culturais, como o cinema, a literatura, os quadrinhos e os videogames continuam em alta. Por outras palavras, com menos tempo e mais opções as pessoas tendem a dar prioridade a aquilo que realmente importa e, sejamos sinceros, qual a real importância da publicidade na vida de uma pessoa comum?
Nesse sentido as empresas e marcas possuem o desafio de se tornarem tão interessantes quanto as coisas que importam. Fora isso há vários estudos que mostram que uma informação contida em uma história tem muito mais probabilidade de ser lembrada pelas pessoas (20 vezes maior). Esse é o poder do contexto.
E se uma história retém a atenção, o raciocínio transmédia ajuda a mantê-la. Como? Fragmentando a história e espalhando trechos em diversos canais. Dessa forma eu posso ter uma experiência na TV, outra jogando videogame e uma terceira no Facebook, todas independentes e complementares. Mudo o canal mas continuo naquele mesmo universo.

De que forma é que o storytelling pode impulsionar o crescimento de uma marca? 
A parte teórica já foi respondida na pergunta acima, então vou aproveitar o espaço para dar um exemplo prático, a Apple.
Muito se diz sobre "marcas que contam histórias", mas isso é “besteira”. Histórias são sobre pessoas, sobre sentimentos humanos, e não sobre empresas, objectos ou seja lá o que for. Repare que mesmo em filmes em que há personagens não-humanos, como robôs, alienígenas ou seres fantásticos, eles sempre possuem sentimentos humanos e agem como se fossem iguais a nós.
Nesse sentido, a Apple possui um histórico ("history"), mas as histórias ("storys") mesmo são as das pessoas que trabalham lá, dos consumidores e, sobretudo, a do criador da empresa, Steve Jobs. A sua história de vida funciona como uma moldura (contexto) e dá sentido à empresa (informação). Sendo assim, a marca Apple não é percebida como o fruto de uma decisão racional de um plano de marketing, mas sim como o produto de uma jornada pessoal, de um empresário genial que possui qualidades e fraquezas como todos nós, e é isso que gera identificação. Eu diria que a Apple é um óptimo product placement na história da vida de Steve Jobs, e é isso que faz com que a empresa seja tão amada por milhões de pessoas no mundo todo.

A curto prazo, qual será o futuro do storytelling?
De uma maneira geral acho que a tendência é que as indústrias da comunicação e do entretenimento andam cada vez mais juntas. É um caminho tortuoso, percorrido por poucos, e certamente haverá dor nesse processo. Mas é necessário, e o motivo é simples.
Por um lado temos uma indústria que tem dinheiro, mas carece de atenção (publicidade). Contudo, temos uma indústria que tem a atenção das pessoas, mas falta dinheiro por causa da pirataria crescente (entretenimento). Se as duas andarem abraçadas terão muito mais hipóteses de sobrevivência.
E, de um ponto de vista mais social, acho que será bastante benéfico ver o mundo corporativo abraçando a arte, e vice-versa. O mundo como conhecemos está passando por uma crise institucional e os modelos que deram certo até agora estão em xeque. Vocês aí na Europa, pela primeira vez na história (essa com h mesmo), estão sentindo isso mais do que a gente aqui na América Latina. Muitas das instituições que fazem o mundo do jeito como conhecemos precisam de novos significados, ou seja, de novas molduras, e porque não fazer isso por meio de boas histórias?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pandemia Zumbi, uma HQ de saúde pública


O CDC (Centers for Disease Control and Prevention), órgão do governo americano que sempre é citado em filmes e seriados e tem como objetivo controlar epidemias e coisas do tipo, inovou e utilizou storytelling na hora de conscientizar as pessoas sobre a necessidade da sociedade estar preparada para esse tipo de problema.

Como?

Criando e disponibilizando gratuitamente uma história em quadrinhos sobre o tipo de epidemia mais celebrada na cultura pop atualmente, ou seja, zumbis!

E não é que o ciclo se fecha? Uma das graças das histórias de zumbis é justamente essa tensão entre o ser humano e a natureza. De um lado está a humanidade e suas realizações fantásticas, do outro está uma doença (ou maldição?) incontrolável. Em outras palavras, histórias de zumbis mostram que há algo maior do que nós mesmos, e que para sobreviver a isso é necessário que cada um dê o melhor de si.

Já que essa também é a mensagem do CDC, bingo para eles!

Clique aqui para baixar o PDF com a história.

dica do Daniel Souza
mais informações no site do CDC

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tirinhas do MASP

Para comemorar seu aniversário de 64 anos o MASP lançou essa divertidíssima campanha usando as obras do museu como parte de tirinhas.


É muito bacana ver um museu brincando com uma linguagem moderna e própria da internet. As tirinhas não são próprias da internet, mas as fotos com legenda sim.

E a partir disso dá para imaginar outras marcas e empresas brincando com essa linguagem. Imagina como seria a experiência de ir a um supermercado e encontrar tirinhas nos materiais de faixa de gôndola. Só para dar um exemplo...

A criação é da DM9 e no link do Puta Sacada tem outras tirinhas. A dica foi da Mariana Oliveira. :)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O poder das histórias

Uma história captura a atenção de um pai de tal maneira que ele resolve batizar a própria filha para prestar uma homenagem.


E quantas histórias acabam influenciando nossas vidas ao longo dos anos? O jeito de enxergar o mundo, visão política, preferências aqui e acolá. Eu, por exemplo, tenho um caso bastante curioso...


Alguns anos atrás comecei a acompanhar a websérie Italian Spiderman, uma versão cafajeste do famoso super-herói em ritmo de sátira dos anos 70. Acontece que entre uma cena de ação e outra o herói pede um café macchiato, que é um expresso misturado com leite quente e um pouco de espuma, bem típico da Itália.

Não conhecia o macchiato, mas fiquei curioso e um dia resolvi experimentá-lo, em homenagem à websérie. Hoje em dia é a minha primeira escolha em cafeterias.

Agora imagina só o que uma história bem contada pode fazer por uma marca ou produto...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pequenas inovações. Grandes Negócios.


Tenho um grande carinho por esse post, originalmente publicado em 11 de janeiro de 2010. Ele foi a consolidação de um esforço investigativo que eu havia iniciado há muito tempo, antes mesmo de ser convidado para escrever no Update or Die.
Pode me chamar de inocente e sonhador, mas sempre que vejo um novo negócio na rua, desde uma lojinha até um boteco, que não tenha nada de inovador, tudo igual ao que já fizeram antes, sou tomado por um sentimento de tristeza profunda.
Quanto potencial desperdiçado em um bar que tem a decoração parecida com aquele outro da esquina, que já tem sua identidade consolidada e um público fiel. Quanta falta de coragem e visão preenchem o espaço daquela boutique que está na cara que vai virar mais uma na paisagem.
Pensando nisso há tempos comecei a registrar, com câmera de celular mesmo, pequenos negócios que destoavam da paisagem. Idéias simples, capazes de tornar uma biboca algo no mínimo curioso. Lembrando que inovações não precisam ser profundas e que as vezes um detalhe já faz uma baita diferença, trago aqui quatro exemplos nesse espírito…

Esse é um café/lanchonete de um shopping de Campinas, meio escondido, ali na área de serviços. O dono resolveu tematizá-lo com o mundo da velocidade e instalou ali uma verdadeira pista de autorama. Nostalgia total. Vai dizer que não dá vontade de brincar?



Esse é um estacionamento na região da Av. Rebouças com a Av. Faria Lima, um ponto bastante movimentado de São Paulo. Tenho certeza que sem fazer absolutamente nada o estacionamento já ficaria lotado boa parte do tempo devido à alta demanda e pouca oferta da região.
Mas o dono resolveu envelopar o espaço com coisas que remetem aos antigos filmes de perseguição policial, tipo xerife em quatro rodas. A foto é de um carro na vertical, pendurado em uma das paredes. Isso vai soar piegas, mas eu aposto que o cara é fã desses filmes e fez isso com o maior amor. Sempre que volto nessa região tento parar o carro lá.
E antes que você pergunte, realmente não há nada de inovador em tematizar um ambiente. Mas em estacionamento eu nunca tinha visto nada parecido.


Não tenho certeza se isso é genial ou bizarro, mas no mínimo destoa. É um mercadinho entre a Av. Paulista e o Bexiga, em São Paulo. Praticamente um cúbiculo. Mas ao lado da gôndola de frutas e verduras fui surpreendido por um armário com jóias e bijuterias!
Fiquei imaginando que a esposa do dono deve ter começado a vender para as amigas e aí resolveu fazer esse experimento aproveitando a sinergia com o mercadinho. O que vocês acham?



Por fim, um café no Bom Retiro, uma região de São Paulo conhecida por ser um pólo de moda, lotada de lojas de roupa. Começou vendendo no atacado e hoje em dia também conta com um movimento relevante do varejo.
Pelo número de pessoas que passam por ali qualquer café já teria seu lugar ao sol, mas esse resolveu aproveitar o que a região tem de melhor para fazer a diferença. Lá, além de comer um salgado e beber alguma coisa, o cliente é servido por prateleiras gigantescas com revistas de moda do mundo inteiro. Basta pegar uma, sentar na mesa e relaxar. Praticamente um hub de tendências.
E você? Conhece algum exemplo desse tipo? Se sim, deixe referências aí nos comentários.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A cenourinha que importa


Se você trabalha com campanhas de incentivo ou usa essa ferramenta para motivar pessoas, esse post é para você.
O princípio é simples. Você quer que alguém atinja uma determinada meta, e para isso coloca um prêmio, uma cenourinha, lá na frente. Essa cenoura geralmente se materializa em forma de dinheiro, viagens, TVs de plasma etc. Em outras palavras, bens materiais.
Não é que bens materiais não importem e as pessoas não os queiram. Todo mundo quer. Mas essa palestra do Dan Pink para o TED, sobre a qual já tinha escrito aqui, desconstrói essa história.
Quando o trabalho envolve uma entrega intelectual e emocional, o cenário é outro. Nesses casos faz muito mais sentido motivar as pessoas com tarefas que façam sentido, que despertem interesse por sua natureza. E a cenourinha material, ao invés de ajudar, pode até atrapalhar…


Escrevi esse post em 6 de janeiro de 2010 e mantive ele intacto na republicação. Desfrute. :)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Histórias cortadas em papel

Béatrice Coron é uma artista francesa que recorta papel, e a partir disso cria histórias, cidades e mundos. Bom, não são exatamente "histórias do jeito tradicional", com começo meio e fim, mas é impressionante ver até onde vai a imaginação da mulher. Cada coisa que ela faz transborda de destalhes e significados.




Uma das coisas mais interessantes de sua obra é que as histórias não são propriamente escritas, mas sim recortadas, como se fossem grandes painéis cheios de ilustrações. Um desses foi feito de forma sequencial, como nos quadrinhos, e para seguir a história é preciso ir andando. Apelidei isso de narrativa física.

Também me impressionou bastante as aplicações de sua arte, desde um painel de metrô até sacadas de apartamentos! E é justamente isso que me faz pensar na possibilidade de tirar daqui alguma lição para tornar material de PDV mais interessante. Um cartaz que te prende pela riqueza de detalhes, e que te faz imaginar um mundo à parte.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Stan Lee dá dicas para prender a atenção do leitor


Stan Lee é uma das figuras mais importantes da indústria dos quadrinhos e, por que não, da indústria do entretenimento. Ele foi o CEO da Marvel Comics e também o criador de boa parte dos títulos da editora, como Homem-Aranha, Hulk e X-Men.

No vídeo abaixo ele dá dicas de como prender a atenção do leitor, página após página, criando boas histórias. Basicamente o mesmo objetivo do curso de Inovação em Storytelling da ESPM, que eu dou em parceria com a Martha Terenzzo e o Fernando Palacios, e cuja turma do 2º semestre acaba oficialmente hoje.

Passamos 7 aulas perseguindo o mesmo objetivo, ou seja, capturar a atenção do público usando as técnicas de storytelling, seja lá qual for a mídia. Nada mais justo do que homenagear a turma com esse vídeo.



Até a próxima, agora em 2012!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Monografia sobre o case Heroes

Há pouco tempo iniciei aqui uma série de posts com trabalhos acadêmicos sobre storytelling, transmídia e comunicação. O interesse por esses temas vem aumentando bastante, a ponto de todo mês eu receber um pedido de ajuda. E o melhor de tudo, uma boa parte dessa produção tem vindo de fora do eixo Rio-São Paulo.

A monografia da vez é do gaúcho-catarinense Daniel Zatta, que inclusive é meu aluno no curso de Inovação em Storytelling da ESPM que está acontecendo agora.

Infelizmente não tenho tempo para ler todos os trabalhos que chegam até mim, mas a idéia é prestar um serviço para aqueles que estão escrevendo suas monografias, dissertações e teses agora, já que a bibliografia sobre esses temas ainda é escassa no Brasil.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Design Hortifruti

Esse post foi publicado originalmente em 3 de janeiro de 2010 e o título original era Calendário Hortifruti. Coincidentemente depois disso trabalhei em diversos projetos relacionados ao mundo agro, e usei essa referência n vezes para mostrar que era possível adotar uma linguagem mais moderna para as coisas do campo. Que conclusões tiro disso?


1) Escrever posts é um ótimo exercício para organizar o pensamento e guardar referências na memória.
2) Quase 2 anos e muitos projetos depois, acabei não conseguindo convencer nenhum desses clientes a fazer nada semelhante isso. Santa burrice, Batman.

Mexerica é a minha fruta preferida. Quando está na estação certa, corro para o supermercado e compro aos montes, pelo tempo possível, até sumirem da seção de frutas para um triunfante retorno no ano seguinte.
Se pudesse compraria 12 meses por ano, mas a mãe natureza ainda não se dobrou às leis do capitalismo. Pensando nisso o estúdio Always With Honor em parceria com a GOOD criou um infográfico genial, com os ciclos da agricultura em diferentes estados americanos.
Alguém se arrisca a fazer algo assim no Brasil? E se fizerem, por favor incluam as mexericas!



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Por que lemos e escrevemos ficção?

Essa resposta é complexa e o vídeo abaixo obviamente não dá conta de toda essa complexidade, mas essa pergunta é essencial para quem deseja entender como storytelling pode ser aplicado à comunicação de marcas.

Então, no melhor espírito "temos que começar por algum lugar", dá play aí embaixo e tire suas próprias conclusões. Em breve volto ao assunto.



via Creative Penn

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Inovação Fail

Só eu mesmo para publicar posts em 31 de dezembro! Foi isso que aconteceu em 2009, quando escrevi Invenção quase perfeita. Agora, republicando aqui, resolvi mudar o nome, mas o raciocínio continua válido. No mais, é basicamente um texto sobre o desespero de algumas empresas e pessoas por fazerem diferente, mesmo que isso signifique fazer pior. Eu já fui assim.


A menos que você tenha comprado uma residência nova, ou feito uma reforma elétrica recente, duvido que esteja devidamente equipado para suportar o grande número de equipamentos eletrônicos que a modernidade nos proporciona. E dá-lhe comprar uma infinidade de réguas, extensões e benjamins.

Nesse contexto a invenção acima é genial. Uma tomada que já tem uma extensão embutida. A TV está muito longe do ponto mais próximo? Não tem problema, é só puxar.

Mas aí você começa a ler essa análise e vê que o mundo, infelizmente, não é tão cor de rosa assim. Devido aos custos de produção esse treco custaria pelo menos 10 vezes mais do que a soma de uma tomada e uma extensão comuns. 100 dólares, para ser mais exato. Quantas pessoas pagariam 100 dólares em uma tomada?

Uma pequena parcela da população poderia, sobretudo se estiverem reformando suas casas. Mas e se o fio embutido ou a roldana interna quebraram? Quanto custa e que tipo de trabalho dá para consertar isso?

Por essas e outras essa é uma daquelas invenções quase perfeitas. A gente olha a foto e pensa que é genial, mas na ponta do lápis a realidade é diferente.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O clipe mais legal que eu já vi

Publiquei isso faz um tempão no Update or Die. É um dos clipes mais legais que já vi, embora não saiba dizer exatamente de quem é ou quem fez. Mesmo assim, só pela simples existência dele, achei que valia o repost.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Storytelling e Mídias Sociais - entrevista no Midiatismo

O Midiatismo, blog sobre comunicação e marketing digital editado pelo Dennis Altermann, está fazendo uma série de entrevistas com pessoas do mercado e eu fui um dos entrevistados em setembro. Agora que já deu um tempinho estou republicando as perguntas e respostas aqui.



Crossmedia e Storytelling são conceito recentes, pelo menos do ponto de vista teórico. Você acredita que a internet tem papel importante na difusão destes conceitos?

Embora haja muita discussão e confusão em torno desses conceitos todos, acho melhor pontuar que crossmedia e transmedia são consideradas coisas diferentes.

De uma forma geral, crossmedia é quando você leva uma mesma mensagem para diversas mídias. Por exemplo, uma partida de futebol que é transmitida na TV e na internet. A versão online pode até ter interações que não estão disponíveis na outra transmissão, mas a mensagem continua sendo a mesma.

Já transmedia é quando você leva trechos diferentes e complementares de uma mensagem para diversas mídias. Seguindo o exemplo anterior a partida de futebol seria transmitida pela TV, e na internet seria possível outros pedaços daquele acontecimento, como uma câmera que mostra o que acontece no banco de reserva, depoimentos dos jogadores antes da partida, a festa dos torcedores do outro lado do mundo etc.

Storytelling, ou contar histórias, é reorganizar fatos para torná-los mais significantes. Histórias possuem um formato comum, que, na essência, é composto de (pelo menos) um personagem superando desafios para alcançar um objetivo. Nós fazemos isso intuitivamente a toda hora, e escritores e roteiristas têm feito isso há milhares de anos para capturar a atenção do público, levando conhecimento e inspiração.

Transmedia Storytelling é quando você usa o racicínio de levar trechos diferentes e complementares de uma história para diversas mídias. Não é exatamente uma novidade, já que o universo de Star Wars tem sido desdobrado e explorado em diversas mídias desde a década de 70, mas só agora isso está sendo encarado como uma estratégia, e a internet tem tudo a ver com isso sim.

bruno scartozzoni Mídias Sociais, StoryTelling e Crossmedia. Entrevista com Bruno Scartozzoni.
Com o surgimento da internet houve uma explosão de canais e de produção de informação no mundo. Por exemplo, em apenas 60 segundos são produzidas mais de meio milhão de interações no Facebook. É impossível acompanhar tudo isso. O excesso de informação leva à escassez de atenção, bem cada vez mais valioso para as empresas. O resgate do storytelling e a ascensão da transmídia são formas das marcas resolverem esse problema. Uma boa história é capaz de capturar a atenção, e uma estratégia transmedia bem arquitetada pode mantê-la, independente de para onde o público esteja olhando.

Qual relação você vê entre crossmedia, storytelling e mídias sociais?

As empresas estão tendo dificuldade para entrarem nas mídias sociais porque a dinâmica de broadcasting, ou transmissão, deu lugar à dinâmica de conversa, e a idéia de conversar com uma organização é estranha. Você pode conversar com a recepcionista, o analista de mídias sociais ou o presidente de uma empresa, mas não com A empresa em si, que no fundo é só uma abstração.

Se quem está falando é um dos problemas, o ouro é o que está sendo falado. Indo direto ao ponto, ninguém quer conversar com uma pessoa que não tenha nada de interessante a dizer.

Nesse sentido o resgate do storytelling acontece por uma necessidade tanto de humanizar a comunicação, quanto de torná-la mais intrinsecamente interessante.

Você acha que usando a internet pequenas e médias empresas também podem se apropriar do storytelling?

Essa é uma pergunta bastante recorrente, uma vez que a maioria dos grandes cases foram construídos por empresas multinacionais com verbas proporcionais aos seus tamanhos. Um exemplo foi a campanha Happiness Factory, onde a Coca-Cola construiu um universo ficcional para explicar, de forma lúdica, o que acontecia dentro de uma vending machine. Podia ser o novo filme da Pixar, mas era publicidade.

Nesse caso a Coca-Cola optou por criar ficção, mas se quisesse trabalhar com suas histórias reais certamente também teria um material bastante rico. Mas isso nem sempre é uma realidade para marcas de grandes empresas, muitas das quais foram criadas sem um propósito claro, conseqüência de cálculos de marketing. E aí vejo uma grande oportunidade para pequenas empresas.

Todo empreendedor é uma história ambulante, ainda mais no Brasil. Lembre-se da estrutura básica: um personagem vencendo desafios para alcançar um objetivo. Se essas histórias reais forem contadas de uma maneira legítima, privilegiando pontos de vista pessoais, e não institucionais, a história é capaz de encantar.

Se alguém pensou no Steve Jobs, pensou certo. Aliás, na minha opinião, aquele vídeo dele discursando em uma formatura, que circulou bastante um tempo atrás, é a melhor propaganda da história da Apple. Impossível não simpatizar com a empresa depois de assistir.

O crescimento do mobile marketing dentro do país vai se apropriar do storytelling e crossmedia? Em que nível você acredita que vai chegar essa apropriação?

Há algum tempo atrás alguns gurus diziam que as telinhas dos gadgets (smartphones, tablets etc.) iriam matar a telona da TV. Isso obviamente não aconteceu, e o mais interessante é que as pessoas começaram a usar essas tecnologias todas de uma maneira meio simbiótica.

Para entender isso proponho um desafio: no próximo evento de grande magnitude (final de Copa, último capítulo de novela, cerimônia do Oscar etc.) experimente assistir TV com um gadget qualquer no colo, espiando o Twitter de vez em quando. Caso você nunca tenha feito isso garanto que será uma experiência completamente nova de assistir TV.
Nesse sentido eu acho que as telinhas serão cada vez mais complementares às mídias já existentes, mas há um longo caminho de experimentações até chegarmos à formatos interessantes para empresas e pessoas.

Outro ponto é que também aprenderemos a criar histórias especialmente para esses gadgets. Histórias certamente mais curtas, adaptadas ao meio. Algumas séries americanas já têm experimentado lançar spin-offs especialmente para as telinhas, com uma linguagem toda própria. Assistir um episódio de seriado de TV, com 40 minutos de duração, em uma tela de celular, pode não fazer muito sentido. Mas assistir um episódio de poucos minutos, filmado para isso (com mais closes e menos detalhes), talvez seja mais comum daqui para frente.

Qual sua aposta para o futuro do marketing digital no Brasil?

Na minha opinião um grande indicativo de como será a comunicação, digital ou não, daqui pra frente é o case Eduardo e Mônica, da Vivo. Eles foram muito felizes pois aquilo é a materialização de muitas das tendências que são apontadas por aí, mas que ninguém consegue fazer direito.

Eduardo e Mônica é conteúdo puro, pois muito antes de ser uma campanha é um clipe de música. Mas não e só um conteúdo bancado pela Vivo, o que já seria legal. Eles deram um jeito de colocar seu produto de uma forma muito natural na história. O uso dos telefones no clipe torna tudo mais crível. E, por fim, há um componente de serviço aí, uma vez que a empresa proporcionou a materialização de um clipe que não existia para uma enorme base de fãs da banda e da música. Não me surpreenderia se de repente essa “propaganda” entrasse para a programação da MTV, e esse deve ser o raciocínio.

Espaço livre. Quer deixar alguma mensagem para os leitores do Midiatismo?

Ali em cima falei de serviço, e essa é uma expressão da moda nas empresas. Não vamos esquecer que essa palavra está totalmente relacionada com SERVIR. Reflitam sobre isso.

No mais, agradeço ao Dennis pelo espaço e aos leitores pelo tempo investido nessa entrevista. Espero, de coração, que tenha sido interessante o suficiente para chegarem até aqui e, mais importante, que tenha servido para suas vidas.